Yin Yang: Até que ponto essas duas energias refletem padrões de gênero?

Yin Yang: Até que ponto essas duas energias refletem padrões de gênero?

Tenho visto muita gente falar sobre Yin e Yang, geralmente associando-as às energias “masculinas” e “femininas” e atribuindo papéis de gênero a essas energias.

Geralmente se fala que a mulher seria mais “Yin“, ou seja, mais acolhedora, amorosa e submissa, e o homem mais “Yang“, dominante, ativo, racional. Mas até que ponto isso realmente se aplica? Ou seria uma distorção do conceito taoísta para se adequar a uma cultura que preza pela distinção de gênero?

Vamos analisar?

A Teoria do Yin Yang

Em meu artigo sobre Meridianos eu falo um pouco sobre como essas duas energias funcionam em nosso corpo e as diferenças de polaridades os chakras no homem e na mulher. 

Para o Taoismo todo o universo é regido por duas energias que ao mesmo tempo que opostas, são complementares. Essa dualidade é necessária para manter o equilíbrio de todas as coisas.

Essas energias são chamadas de Yin e Yang, e seu símbolo expressa sua essência: As duas polaridades estão sempre se movimentando entre si e, assim como um não existiria sem o outro um sempre está contido dentro do outro.

A princípio pode parecer complicado de entender. O Taoismo surgiu da observação dos fenômenos da natureza e do nosso corpo, assim como a ligação entre os dois.

Como o Yin Yang se manifestam no Universo? 

Na natureza as forças Yin e Yang se manifestam, por exemplo, no dia (Yang) e na noite (Yin), na água (Yin) e no fogo (Yang), nas estações do ano, onde o Inverno é o mais Yin e o Verão a estação mais Yang. A luz é Yang e a Sombra Yin, o calor é Yang e o frio é Yin. Todos os elementos tem seu oposto complementar que faz com que haja um equilíbrio. Tudo começa já nos átomos, onde o equilíbrio entre prótons (Positivo – Yang) e elétrons (negativo – Yin) forma a estrutura de toa manifestação física do Universo.

As plantas sobrevivem por causa do intercâmbio harmônico entre o dia e a noite e florescem e se reproduzem por causa da mudança de estações, por mais sutis que sejam. Mesmo em lugares mais extremos onde em certas épocas do ano as noites duram mais que os dias em outras épocas os pólos se invertem, mantendo o equilíbrio e o movimento contínuo, alternando a predominância de cada energia.

A noção que temos de “equilíbrio aqui no Ocidente é da estabilidade de uma balança com dois pesos idênticos. Prezamos por um estado contínuo, de preferência de expansão (bonança, extroversão, atividade, produtividade e sociabilidade) em detrimento de estados onde estamos mais reservados e ociosos. Para o Oriente o conceito de equilíbrio está justamente nesse movimento ondulatório de alternância de energia, inclusive em nossa vida. Os momentos de introversão são tão importantes quanto os de extroversão. Os momentos de escassez são necessários para que haja a bonança. Todos os movimentos são válidos para que haja vida.

Enquanto por aqui nossa noção de equilíbrio vem da estabilidade, da balança com dois pesos iguais, tanto o Taoísmo quanto no Tantra o equilíbrio vem do pulsar entre as duas energias, respeitando os momentos de expansão e contração da vida.

O Yin e o Yang no corpo humano segundo a Medicina tradicional chinesa.

É aí que o bicho pega, pois é muito fácil analisarmos como algo funciona a nossa volta, mas e quando temos que analisar a nós mesmos?

Vou tentar construir um racional da maneira mais neutra possível comparando o equilíbrio macrocósmico da natureza com o microcosmo do nosso corpo.

Para o Tao nosso corpo nada mais é que a reprodução do fluxo de energia do universo. Jesus disse que “Deus está dentro de cada um de nós”, ou seja, ao mesmo tempo que somos responsáveis por construir nossa realidade somos responsáveis por parte da construção do coletivo. Somos parte de Deus. Milhares de anos atrás os chineses já haviam observado a ligação que temos com a consciência do Universo e usavam essa compreensão para criar um estilo de vida mais harmônico com a natureza e de maior consciência de nós mesmos..

Mapeando pontos de calor e o fluxo de energia do corpo dentro de práticas como o Qi Gong os chineses desenharam como se dá o fluxo de energia dentro de nós e desenharem os canais hoje conhecidos como Meridianos.

Como tudo no universo, esse fluxo também se divide em trajetos de energia Yin (com fluxo constante de baixo para cima, correndo pela frente do corpo) e seus complementares Yang (de cima para baixo, correndo pelas costas).

Ok, você já entendeu que temos uma energia Yang positiva e uma energia Yin negativa. E que como uma pilha se retro-alimentam e geram tudo que há no Universo.

Mas como que os chineses descobriram que Yin seria uma energia “feminina” e Yang a “masculina”?

Foi observando as mesmas características da natureza, mas em nossos corpos. O corpo e a energia das mulheres responde as fases da Lua (ciclo menstrual – noite) enquanto o corpo dos homens responde as estações do ano (Sol). O corpo da mulher geralmente sente mais frio que o homem, e assim sucessivamente.

Assim se concluiu que os homens naturalmente tem energia mais Yang e as mulheres tem mais energia Yin, porque naturalmente o corpo de cada gênero responde mais fortemente aos estímulos naturais de uma energia específica.

Apesar do Tao não condenar nenhuma prática ou característica do nosso corpo ou da natureza o Império chinês pensava diferente, a sociedade era organizada de maneira extremamente hierárquica e patriarcal. Apesar da liberação sexual e da importância que o Tao e a própria cultura dava ao prazer feminino as mulheres tinham posições submissas na sociedade, portanto características tidas como “femininas” foram acrescentadas a energia Yin.

“No Ocidente, muitas pessoas, hoje em dia, estão concluindo que masculino e feminino são simplesmente termos genéricos construídos pela sociedade. Tao diz que, apesar de haver muita diversidade de indivíduo para indivíduo, os homens em geral têm mais energia yang (masculina) e as mulheres têm mais a energia yin (feminina). A filosofia Tao sempre reconheceu que os homens também têm uma parte feminina e as mulheres sua parte masculina e que qualquer oposição binária é totalmente falsa. Esta concepção está representada no símbolo de Tao, através de um círculo que representa o masculino dentro do feminino e vice-versa. Cada um contém uma parte do outro.” (Mantak Chia – O Orgasmo Múltiplo do Homem)

Tomar essa posição binária reforça esteriótipos de gênero construídos ao longo da história. Uma mulher sim tem mais energia Yin, pois seu corpo responde a natureza Yin do Universo. Mas devemos observar que, em nenhum aspecto da natureza a noite é submissa ao dia ou o frio ao calor. Todos os elementos Yin anulam o Yang e vice-versa.

Quanto aos aspectos físicos, biológicos e emocionais sim somos diferentes e nos complementamos. Porém, assim como a relação de qualquer outro elemento da natureza, a relação entre homem em mulher deve ser de equilíbrio e nunca de dominância ou submissão de um sobre o outro.

“A sociedade ocidental separa artificialmente nosso masculino e feminino ao desencorajar seu desenvolvimento. Os homens são ensinados, por exemplo, a esconder sua feminilidade. O Tantra encoraja cada gênero a cultivar as energias latentes do outro. Se os homens buscarem suas verdades intrínsecas no caminho tântrico, eles invariavelmente descobrirão seu lado suave, receptivo, sensível e vulnerável, sem perder sua masculinidade. As mulheres descobrirão sua liderança forte, iniciativa dinâmica e poderes de ensino, mantendo sua feminilidade. Essas novas qualidades aumentam as forças consistentes com nosso gênero externo que já aprendemos a exercitar. Talvez esteja mais claro agora por que dizemos que Tantra não é um conjunto de crenças ou filosofias. É um caminho de experiência.” (Awakening the Sacred Gate, Tantra Tahoe, 2003)

Como se comportam os centros energéticos no Tantra Taoísta

Quando o Tantra xamânico hindu alcançou o Tibet houve uma simbiose com o budismo e também com o Taoísmo. Todas es 3 filosofias “coincidentemente” tem muito em comum e o Tao somente trouxe técnica e acurácia para a filosofia naturalista tântrica. Hoje podemos estudar o Tantra budista baseado em Mantras, meditação, Yantras e mandalas. Assim como o Tantra Taoísta baseado nos trajetos dos meridianos e nas forças Yin e Yang de cada chakra, assim como a reflexologia sexual e o sexo curativo e retenção da ejaculação. 

Com essa mescla as características de Shiva, a consciência do Universo, foram incorporados a energia Yang masculina: Forte, racional, vibrante, brincalhão, poderoso, ativo, criativo e sábio. E as características de Shakti, a manifestação da consciência, à energia Yin feminina: Receptiva, amorosa, impulsiva, generosa, maternal, carinhosa, sentimental, compassiva.

Vale lembrar que no Tantra da Caxemira os Deuses são metáforas dos vários aspectos de nossa consciência cada Deus (consciência) tem uma Deusa (manifestação) equivalente, ou seja, todos nós temos as características de Shiva e Shakti dentro de nós.

E as polaridades de nossos chakras se invertem de acordo com nosso gênero, como descrevi no texto sobre meridianos. Porém dentro de cada centro Yang há uma parte Yin, e vice-versa. E essa polaridade vive em movimento e alternância da predominância das energias.

Por exemplo: assim como na natureza as noites (Yin) tem a alternância entre a lua cheia (Yang) e a lua nova (Yin) ou os dias (Yang) intercambiam entre o verão (Yang) e o Inverno (Yin) nossos centros energéticos também se comportam da mesma maneira.

Yin e Yang na relação sexual

 Como falamos anteriormente segundo as filosofias orientais cada um de nós é a representação da manifestação do próprio  Universo. Temos o dia a e noite, o calor e o frio, a contração e a expansão, o Yin e o Yang, o masculino e o feminino…tudo dentro de nosso corpo. E essas energias se movimentam em ondas sempre buscando o equilíbrio.

E o ato sexual é manifestação física da junção dessas forças, é quando as duas polaridades se conectam e assim podemos alcançar o divino, a plenitude, onde não existe mais dualidade.

Uma interpretação para a teoria do Big Bang é que o Universo teve seu início através de um grande Orgasmo. E ele continua a se expandir e se contrair como esse único, longo e cósmico gozo. E nós podemos tocar e experimentar toda essa energia. Durante nosso Orgasmo, nós nos conectamos com a energia cósmica do Universo, e nossa energia sai em forma de espiral para que nos juntemos a ela. Simultaneamente, essa energia se mescla com nosso ser, nos oferecendo, a partir da união com o próximo, o reconhecimento de todo nosso poder.”

(Kavida Rei – Tantric Sex, the path to sexual bliss. Tradução livre) 

Durante o sexo um dos parceiros assume um papel mais Yin e o outro mais Yang. Durante a penetração, a mulher tem a necessidade de relaxar e se abrir para assim acolher o pênis do parceiro, então geralmente ela que detém e energia Yin. Enquanto o homem, que penetra o pênis ereto a ser acolhido pela vagina de sua parceira, seria a representação do Yang.

Porém sempre temos que lembrar que uma energia está contida dentro da outra, e mesmo que temos uma delas mais representativa a outra também pode se manifestar. Por exemplo: quando a parceira está por cima ou está fazendo sexo oral no parceiro ela está assumindo o papel Yang (ativo) na relação.

A inversão de papéis é importante para o fluxo energético.

Para o Tao essa inversão de papéis durante o ato é importantíssimo para que o sexo seja uma ferramenta da cura e ascensão. Não existe elevação de consciência caso haja qualquer relação de dominância de uma força perante a outra ou estagnação das polaridades em cada um. As forças devem sempre se movimentar se retroalimentando.

Apesar de evitarmos a oposição binária, precisamos ficar atentos às nossas diferentes necessidades, principalmente na cama. Por exemplo, Yang tanto se eleva rapidamente quanto se extingue depressa; Yin se eleva com mais vagar, bem como se extingue vagarosamente. Devido aos homens tenderem a ser mais yang e as mulheres a ser yin, eles podem se ajudar mutuamente para alcançar um melhor equilíbrio através da troca de suas energias durante o sexo. O ideal é que ambos os parceiros estejam conscientes de como se faz essa troca. Você não pode receber a energia yin dela sem dar a seu yang. Permitir que ela absorva seu excesso de energia yang também evita que você acumule muita energia nos seus genitais controlando a ejaculação. Se você ejacular, fica difícil trocar energia, porque você perde a maioria da sua.

Lembre-se, é a troca que é importante.

O Tantra Taoísta encara o sexo como um jogo onde o homem deve aprender a controlar sua energia Yang se abrindo e se vulnerabilizando para que consiga controlar seu fogo e assim, aquecer a água de sua parceira. Enquanto ela, com o fogo Yang de seu coração, com sua abertura e entrega, aqueça a água da paixão de seu companheiro. E assim as energias se juntam e circulam entre os dois.

“Há somente uma solução para que um homem possa acompanhar sua parceira durante o ato sexual: Se tornar energeticamente uma mulher. Isso quer dizer abandonar completamente a si mesmo, se deixar ir, se entregar completamente.”

— Daniel Odier em “Desire”

O poder da deusa durante o sexo.

No sexo tântrico, a mulher incorpora todas as mulheres do universo. O homem demonstra seu amor e confiança por meio de atos espontâneos de adoração devocional. Como resultado, a mulher se abre como uma flor de lótus, irradiando serenidade, beleza e êxtase. Em resposta, o homem se rende, permitindo que o ego morra enquanto ele se afoga na plenitude do poder feminino de sua parceira.

No tantra, toda mulher é uma deusa que incorpora o princípio feminino yin do universo. Quanto mais uma mulher puder abraçar sua verdadeira essência feminina durante o sexo, mais feliz e mais realizada ela será, e mais ela poderá se abrir para seu parceiro no amor.

A sexualidade de uma mulher é desencadeada por meio do amor e brincadeiras sensuais. As meditações tântricas ajudam a ativar a abundante capacidade de orgasmo inerente a toda mulher. Os chakras que melhor podem ajudá-la a entrar em contato com seu poder feminino são os mais Yang, ou seja, o segundo, o quarto e o sexto. A massagem e a atenção a eles ajudarão a relaxá-la e estimulá-la.

Esteja confiante em revelar sua deusa interior durante o sexo. Permita-se deixar ir e liberar todos os aspectos de seu poder feminino. Faça barulho, seja fluida e natural, permita que suas emoções fluam livremente e não tenha medo de assumir o controle quando tiver vontade.

O poder do deus durante o sexo.

O parceiro masculino representa cada homem no mundo e aparece para sua amada como um deus onipotente. A mulher se submete à paixão, desejo e energia dele. A parceira se abre para seu amado sem resistência, descobrindo sua verdadeira força enquanto se deixa levar.

Para o homem o sexo tântrico é uma oportunidade de explorar e expressar sua masculinidade, de se tornar o seu eu autêntico e de assumir um papel dominante como amante. É realmente excitante para a mulher ver seu amante abraçando sua força e assertividade, mas também permanecendo sensível e ciente de suas necessidades. No tantra, o princípio masculino é uma combinação potente e sexy de força, ternura e poder. O verdadeiro poder masculino se origina do terceiro chakra (localizado no plexo solar), onde suas linhas de energia se encontram. É aqui que o seu verdadeiro eu, masculino e forte, mas sem ego, encontra a energia que se manifesta em todo o seu ser. É uma área em que sentimentos e emoções não expressos podem ficar presos e isso pode afetar a capacidade de um homem viver em sua totalidade, não apenas nos relacionamentos e durante o sexo, mas também no mundo em geral. As meditações do Tantra podem ajudá-lo a liberar sua natureza masculina.

Quanto mais confiante um homem estiver em expressar seus sentimentos à parceira, mais sexy ele será. No tantra, você é encorajado a expressar seus pensamentos, sentimentos e desejos. 

O desejo por sexo com penetração pode ser uma força motriz nos homens, e isso pode impedir sua criatividade no ato de fazer amor. O tantra o encoraja a permanecer presente no momento, entregando-se a cada sensação e movimento e assim fazer com que a penetração e a ejaculação passe a ser só mais um detalhe na conexão entre os dois, e não o objetivo central.

O Tantra ajuda o homem a descobrir e realizar o potencial de seu poder masculino livre dos esteriótipos, do machismo e de relações de dominância do ego. Quando ele estiver totalmente confortável com sua masculinidade, poderá levar seu prazer sexual a um novo nível, o que também é um estímulo verdadeiramente sensual para sua parceira.

Conforme cada um se apropria e tem consciência de seu deus e deusa interior então sim estarão preparados a serem livres e abandonar totalmente seu divino masculino e feminino, se tornando uma só energia a ser manifestada de maneira fluida e sem nenhuma amarra.

O Yin Yang na união homoafetiva

Esse é um assunto em que muitos autores se perdem, outros colocam uma opinião cheia de vieses e nos meus cursos dificilmente foi tratado.

É fato que nas escrituras do Tantra e tampouco do Imperador Amarelo (que descreve as técnicas do Taoismo) não se fala de relações homoafetivas apesar de ter sido uma prática bem comum desde o início dos tempos. Na China antiga era chamado de Lung yang devido ao nome de um dos amantes do príncipe, ou de tuan-hsiu, o “manga curta”, lembrando a história de um imperador que teria cortado sua manga para poder sair da cama de um de seus amantes sem que o acordasse.

Embora dentro da corte imperial a prática era muitas vezes condenada (é claro que sempre dependia de quem estava dormindo na cama real) o taoísmo nunca condenou a homossexualidade. O Tao evita condenar qualquer segmento da experiência sexual. Ela tenta ensinar às pessoas como permanecerem sadias, independente de suas orientações. 

Segundo Mantak Chia, no livro “O orgasmo múltiplo do homem”, os taoístas entendem as características da sexualidade masculina como uma das propriedades da energia masculina, ou yang. Yang é ativo, volátil e expansivo.

Durante o sexo heterossexual, o yin da mulher recebe e, então, equilibra o yang do homem. (Como vimos anteriormente, yin e yang são qualidades variáveis existentes em ambos, homens e mulheres. Há homens que são mais yin, assim como há mulheres que são mais yang. Segundo os taoístas, o universo sempre procura pelo equilíbrio tanto nos relacionamentos quanto na natureza).

A expansividade da energia Yang.

Em geral, quando dois homens gays fazem amor, os yangs de cada homem se carregam entre si, aumentando, mais do que diminuindo, o apetite sexual de ambos. 

A expansibilidade da energia yang é muito difícil de conter e, por isso, sempre tentará escapar através da rota mais direta – o pênis. Para o o criador da massagem Lingam e do Sexological Bodywork, Joseph Kramer, não é surpresa que o propósito de quase toda a sexualidade dos homens gays é “a ereção e o gozo”. Essa ênfase na ejaculação é compreensível, porque é isso que satisfaz o apetite sexual; uma vez que ele ejacula, se torna mais yin – em outras palavras, estável, interno e contrátil.

Dentro do sexo “Yang Yang” ainda é possível chegar nesse equilíbrio já que a próstata é a energia contrária e complementar a do pênis. O potencial da próstata como geradora de prazer e orgasmos é bem divulgada e até conhecida de de muitos homens (gays e héteros).

De acordo com o Tao tudo que é ativo também deve ser passivo (se tratando de relações tanto hetero como homossexuais), portanto recomenda-se a versatilidade nas relações.

Na sociedade ocidental patriarcal temos o estigma negativo associado a “ser fodido” e a sensação e atribuição de poder a quem “fode”. Essa crença não permanece somente no meio das relações entre homem e mulher, mas também se reflete na comunidade gay.

O taoísmo vê a pessoa que fica por cima não como a “dominante”, mas sim como aquela que revitaliza seu parceiro ou parceira. Aquele que fica por cima (ou o parceiro mais ativo) dá mais energia sexual (e de cura) àquele que está por baixo (ou o parceiro mais passivo).

Quando você está por baixo, recebe os benefícios de ter a sua próstata massageada durante a penetração anal. Segundo Stephen T. Chang, no seu livro The Tao of Sexology (A Sexologia de Tao), os homens gays que geralmente ficam por baixo têm menos problemas na próstata que os que ficam só por cima, assim como os heterossexuais que estimulam frequentemente suas próstatas (seja sozinhos ou pelas parceiras).

Você mesmo estando por baixo não precisa ficar completamente passivo. Com o pompoar dos músculos pubicoccíneos (os mesmos músculos que você utiliza para segurar o xixi) você pode, além de aumentar seu prazer e o do parceiro, fazer a energia entre vocês circular de maneira mais efetiva.

E no sexo entre mulheres, acontece o mesmo?

Sim! Por exemplo, na posição “tesourinha” os clitóris se estimulam ligando Yang com Yang, então acontece o mesmo que com os homens, os yangs se carregam entre si, aumentando, mais do que diminuindo, o apetite sexual de ambas.

A energia Yang é muito forte e sai através do orgasmo explosivo e curto do clitóris. As mulheres tem a grande vantagem de terem vindo de fábrica com a capacidade de terem orgasmos múltiplos sem que percam sua energia. Porém quando não há o equilíbrio com o Yin, por mais que ambas atinjam uma grande quantidade de orgasmos fica sempre a sensação de que o ato nunca chega a estar “completo”, a satisfazer totalmente.

Por isso também é importante estimular o ponto Yin, o canal vaginal. Com a penetração, seja com cintas, dildos ou dedos…onde a mulher também entra em contato com seu ponto mais Yin, se abrindo para a energia Yang da parceira, pode gerar o equilíbrio energético. A versatilidade e o intercâmbio do Yin e Yang é que vai garantir que o sexo seja curativo, seja ele homo ou heterossexual.

Para tal não é necessária a penetração, com a presença, respiração, e  condução se pode ter uma experiência incrível sem que haja contato físico entre os órgãos sexuais.

Apesar de nenhuma das filosofias condenar o sexo casual é claro que alcançar tais estágios fica mais fácil se seu parceiro ou parceira se abre a se descobrir e a aprender a se conectar com você. No sexo casual pessoas que estão em busca dessa conexão para com sua essência, seu corpo e sua sexualidade são mais propensas a estarem abertas a se conectarem e experimentarem esse fluxo de energia.

Concluindo: Yin e Yang tem realmente relação com o feminino e o masculino?

Por mais que, no geral, as mulheres tenham mais energia yin e os homens mais yang, isso pode sempre mudar, pois as duas energias estão sempre em movimento e buscando o equilíbrio entre si.

Algo só estará errado se esse equilíbrio não puder ser alcançado. Por exemplo: homens que não conseguem entrar em contato com seu Yin, ou seja, não conseguem se mostrar vulneráveis e afetuosos, assim como não se abrem para escutar, amar e acolher. Ou mulheres que não conseguem entrar em contato com seu Yang: são incapazes de tomar iniciativa, de se posicionarem e tomarem decisões.

Também existe o contrário, homens muito Yin que não conseguem se posicionar ou ter iniciativa e mulheres muito Yang que tem dificuldade de se entregarem, de escutarem e de se abrirem para serem amadas e acolhidas. Esses são só alguns exemplos de desequilíbrios que precisam sim ser trabalhados.

Mas fora isso NUNCA aceitem argumentos de que mulheres precisam ser mais submissas e aceitar seus homens provedores. E que os homens precisam aceitar sua energia masculina e sempre proteger, tomar iniciativa e decisões. Isso não existe, é um padrão repressivo repetido geração a geração e que resultou numa sociedade com padrões de relacionamentos tóxicos e desequilibrados em contato com uma noção de sexualidade limitada, reprimida e distorcida.

Se existe relação de dominância sem intercambio de forças não há equilíbrio, e se não há equilíbrio não é natural.

Uma importante parte do Tantra é aprender com seu parceiro. Nos textos antigos o deus Shiva às vezes é um professor para Shakti e outras vezes Shakti o ensina. E ele ouve e pergunta sobre respeito e sabedoria, enquanto ela ouve e pergunta sobre coragem e força.

(Kavida Rei – Tantric Sex, the path to sexual bliss. Tradução livre)

 

Desmistificando a massagem tântrica: Como funciona e porque funciona?

Desmistificando a massagem tântrica: Como funciona e porque funciona?

Massagem tântrica, massagem yoni, massagem lingam, massagem genital…muitas pessoas entram em contato comigo curiosas em experimentar tal massagem e seus efeitos. Mas qual sua origem? Quais seus benefícios como terapia? E porque ela funciona?

Nesse artigo vou tentar desmistificar essa técnica que ainda está envolta em muitos tabus e preconceitos por lidar com uma parte do nosso corpo que, ao mesmo tempo, é tão importante e tão negligenciada, tanto no âmbito pessoal quanto por profissionais que, talvez para se protegerem dentro dos moralismos de uma sociedade de base judaico-cristã, os tratam com uma impessoalidade ímpar. Impessoalidade tal que não deveriam corresponder com o centro dos nossos maiores prazeres…assim como nossas maiores dores: nossos genitais.

Como foi criada a massagem tântrica?

 

A história da massagem tântrica como conhecemos tem origem em 1982 com o americano Joseph Kramer que, após passar anos estudando técnicas de respiração e massoterapias desenvolveu o que ele chamou de “Massagem Erótica Taoísta”. A técnica consistia em, sob o ponto de vista do sistema de meridianos energéticos do corpo, os ensinamentos sexuais Taoistas e da respiração consciente, intensificar o fluxo energético corporal. O objetivo não era a ejaculação, mas sim o sentir do fluxo de energia. Em como a energia sexual e a excitação circulam pelo corpo e intensificar o fluxo energético.

Em pleno ápice da epidemia de AIDS a técnica rapidamente se espalhou pois muitos homens queriam conhecer maneiras de como ter experiências intensas e orgásticas sem ejaculação, ou seja, limitando o perigo de um possível contágio.

Joseph produziu alguns materiais, gravou fitas cassetes e desenvolveu cursos que ele mesmo intitulou “O Êxtase Sexual” e “Sexo saudável”.

Em 1986 Annie Sprinkle, prostituta e artista desde os 18 anos e auto-intitulada “curandeira sexual” ouviu algumas fitas dos cursos de Kramer. Na época ela já trabalhava como editora da revista Penthouse e estava preparando um artigo sobre sexo e espiritualidade e estava evidente que ele entendia muito do assunto, então ela ligou para Joseph e marcou uma entrevista em Nova Iorque.

Então Annie decidiu participar do curso de respiração chamado “Renascimento Tântrico” de Kramer. Ela era a única mulher entre 40 homens gays. E lá experimentou seu primeiro orgasmo energético. Sem toques, com roupas, somente respirando. Foi uma experiência bem emotiva, espiritual e libertadora. E daquele dia em diante ela quis aprender tudo que Joseph poderia ensinar a ela.

Desde lá mantiveram contato enquanto Joseph viajava pelos EUA e Europa ensinando seu “Toque erótico para homens homossexuais”. Annie queria sentir a experiência que sua técnica proporcionava aos homens e convidou-o a fazer uma massagem nela. Como ele nunca havia feito uma massagem genital em uma mulher pediu para que Annie o guiasse. Ela já familiarizada com respiração consciente e, juntamente com toque de Joseph, ela entrou em um transe orgástico. Logo depois sugeriu que ambos tinham que trabalhar juntos para desenvolver uma massagem genital também para as mulheres.

Em 1993 eles começaram os trabalhos que resultaram no que hoje chamamos de “massagem yoni“. Estudaram exaustivamente a anatomia feminina e, juntos praticaram, listaram e definiram cada etapa do processo de massagem. Para lançar a técnica criaram um seminário chamado “A Semana da Consciência do Orgasmo Cósmico” que contou com a participação de 40 homens e mulheres em um centro espiritual na Califórnia.

No começo a massagem yoni (na vagina) era praticada de maneira muito parecida com a massagem lingam (no pênis). Durante o primeiro seminário de Consciência do Orgasmo Cósmico a coach sexual e pesquisadora K. Ruby percebeu isso e, juntamente com Chester Mainard, um dos professores da Escola de Joseph Kramer, começou a refinar a massagem para chegar a algo mais condizente com as necessidades e capacidade orgástica femininas. 

Hoje Joseph é fundador e dono do Instituto de Sexologia Somática, na Califórnia, com filiais pelo mundo, inclusive no Brasil, onde formam Educadores Sexuais Somáticos (Sexologycal BodyWorkers), formação e prática reconhecidas pela Associação Americana de Medicina. Annie hoje é PhD em sexualidade e continua trabalhando como diretora, artista e educadora sexual. Se alto denomina “EcoSexual” com vários artigos escritos e eventos sobre o assunto. 

Assim como Ruby e Mainard a prática das massagens genitais passaram ao longo dos anos por vários mestres que as usaram como base para refinar o processo assim como desenvolver suas próprias técnicas. No Brasil a mais utilizada hoje é o Método Deva Nishok, do Instituto Metamorfose. Esse método foca na energia orgástica e manutenção da mesma para quebra de couraças. O método se difere do desenvolvido por Joseph e Annie como quanto ao uso de vibrador na massagem yoni afim de estimular a manutenção de um nível orgástico e tratar a ejaculação como algo natural do desenvolvimento, enquanto Joseph usava a manutenção do nível de excitação em patamares próximos a ejaculação, entre outros.

É bom ressaltar que não existe técnica certa ou errada, todos os métodos tem resultados incríveis em cunho terapêutico e é sempre importante que o Terapeuta Tântrico continue estudando e se aprimorando para que possa, com propriedade, definir a melhor prática para cada caso, ou inclusive misturá-las para chegar a melhores resultados no decorrer das sessões. 

Massagem Lingam

“Um dia após finalizar uma sessão de massoterapia o homem que está deitado na maca me pergunta: “Tem certeza que não esqueceu nenhuma parte do meu corpo?”. Eu fiquei perplexo e irritado, até porque, até aquele momento o chamado curativo, que me fez estudar massoterapia em nada tinha a ver com tocar um pênis.

Quando aquele homem estava indo embora ele ainda falou: ” Eu me senti ferido depois da sua massagem.” Eu fiquei sem palavras. Seria possível eu ferir e magoar uma pessoa por não ter tocado seu pênis?

Durante as semanas seguintes fiquei me questionando se, em alguma ocasião, eu teria me sentido sexualmente abusado durante minhas sessões de massagem. E percebi que eu mesmo carregava profundos traumas para com meus próprios genitais. Seria possível que eu transmitisse minhas próprias feridas a outras pessoas em cada sessão de massagem?”

Se eu quisesse incluir massagem peniana nas minhas sessões eu teria que saber mais sobre isso. Infelizmente na época eu não tinha acesso a professores de massagem erótica, então comecei a testar em mim mesmo. Comecei a experimentar diferentes tipos de toque, alguns mais fortes, outros mais leves, mais rápidos e mais lentos. Algumas vezes no ritmo do meu corpo e em outras no ritmo da minha respiração.

Aos poucos fui deixando de lado minhas crenças sobre sexualidade e erotismo e assim minha vida começou a ser mais leve e menos definida pelos padrões da sociedade. Eu me sentia mais livre e comecei a usar o que havia aprendido praticando em sessões de massagem em outros homens. E assim, durante os últimos 25 anos eu tenho ensinado massagem lingam a mais de 5.000 homens e mulheres em todo o mundo.

(Joseph Krammer. Criador da massagem lingam e co-criador da massagem yoni)

 Genitais como canais de cura.

Tanto no Tantra como no Taoismo não só os genitais mas todo o assoalho pélvico tem papel central na nossa saúde física e emocional. Para o Tantra é o local onde reside a Kundalini, que fica adormecida na região do períneo. Para a Medicina Tradicional Chinesa os dois vasos energéticos principais (Governador e Concepção) se originam no mesmo ponto. Para a massoterapia o períneo tem papel central na origem de nossas energias assim como o relaxamento do assoalho pélvico na elevação dessa energia rumo a consciência (Tantra) ou para cura de doenças (Tao).

A medicina ocidental no último século tem alcançado consideráveis descobertas (já praticadas a milênios no oriente) quanto a desbloqueio e relaxamento pélvico e a influencia em questões emocionais e disfunções sexuais. 

Atuação no sistema autônomo no corpo. Enquanto o sistema parasimpático é responsável pela excitação (ereção – do pênis e do clitóris) o simpático é responsável pelo orgasmo.

Em alguns modelos de massagem tântricas trabalhamos conscientemente com o estímulos de pontos de acupressão muito parecidos aos da acupuntura e do shiatsu para desbloqueio energético. O Mapeamento Vulvo-Vaginal, técnica ensinada na Sexologia Somática, é um grande exemplo onde, através da interação com a interagente, o terapeuta pode identificar pontos de dor e insensibilidade dentro da vagina e massageá-los afim de soltar nós energéticos e assim fazer com que a energia sexual flua de forma mais orgânica, melhorando quadros de disfunções sexuais e/ou emocionais resultantes de experiências traumáticas da mulher. 

Alguns pontos de acupressão que estimulam o fluxo de energia sexual.

Técnicas como o Karsai Nei Tsang, de origem tailandesa, utilizam acupressão em pontos variados da pelve, incluindo períneo, glúteos e ânus, para intensificar o desbloqueio da energia da área. Muitos desses pontos são os utilizados nas técnicas ocidentais de DeArmoring com grande eficiência.

 

Reflexologia sexual

Como já falamos um pouco no artigo sobre meridianos a área reflexológica mais intensa do nosso corpo são nossos genitais, pois eles armazenam nossa energia sexual (energia básica) que alimenta todo o nosso fluxo energético. Portanto o sexo consciente, ou até mesmo o toque consciente nos genitais pode ser incrivelmente curativo, muito mais que reflexologia das mãos ou dos pés. O taoismo ensina diversas técnicas de sexo curativo onde se estimulam conscientemente partes específicas dos genitais a fim de ter reações corporais distintas. Anatomicamente nossos genitais estão diretamente ligados ao nosso cérebro através do sistema autônomo, que percorre a espinha até nossa medula (alguma ligação com a kundalini não deve ser mera coincidência). A estimulação consciente faz com que possamos estimular esses nervos e assim ampliar o processo curativo do corpo através do sexo. 

Reflexologia do Pênis e Vagina

Já é cientificamente comprovado que estados pré orgásticos liberam hormônios extremamente benéficos que estimulam o metabolismo, eliminam toxinas e melhorar nosso sistema imunológico. O orgasmo em si relaxa o corpo, alivia tensão e o estresse, reduz cólicas pré menstruais e dominui sintomas de ansiedade e depressão. Porque ainda temos tanta resistência em nos tocar e sentir prazer se é um remédio tão bom?

Anatomia do prazer

Creio que já ficou clara a importância da presença e da respiração durante a massagem (assim como em toda nossa vida sexual). Mas também é importante saber um pouquinho de como se dá o prazer em nosso corpo.

E está enganado quem pensa que nosso prazer está limitado a nosso pênis ou vagina. Mas ele engloba o corpo todo, e explorá-lo é importantíssimo, seja com carinhos ou com massagens de corpo todo antes de ir para o centro da pelve (é como sexo, o corpo precisa ser aquecido antes de ser estimulado em seu centro sexual, e assim pegar fogo.).

O corpo pode ser separado em zonas azuis (menos sensíveis), amarelas (sensibilidade média) e vermelhas (muito sensíveis). Essas zonas podem variar de pessoa a pessoa e é legal perguntar para o parceiro ou parceira onde ela gosta mais de ser tocada, seja antes ou durante a massagem. Comunicação clara e objetiva, assim como consenso, é algo essencial também no processo da massagem (assim como em qualquer relacionamento.

Zonas erógenas masculinas e femininas. Ilustrações por: @lolavendetta

A comunicação se estende a massagem genital. Pessoas diferentes gostam de velocidades e tipos de toques diferentes. E saber o que seu parceiro(a) gosta é bem importante, tão importante quanto falar sem pudores do que gosta e como gosta.

Costumamos negligenciar os grandes e pequenos lábios e focarmos no clitóris e no ponto G. O próprio clitóris pode ser estimulado de infinitas maneiras diferentes e o canal vaginal contém diversos outros pontos de prazer, assim como pontos de concentração energética importantes a serem estimulados tanto na massagem quanto no sexo.

Quanto ao pênis, ele é tão negligenciado quanto. Negligenciamos o saco escrotal (feito do mesmo tecido dos grandes lábios), o períneo (que além de ser um ponto importantíssimo para despertar energético é uma zona extremamente sensível a ser estimulada). E muitas mulheres desconhecem a importância do frênulo peniano, é o ponto mais sensível do pênis, feito do mesmo tecido que, no desenvolvimento fetal, forma o clitóris.

Nossos genitais são formados pelos mesmos tecidos. O único órgão exclusivamente feminino (que o homem não possui um tecido equivalente) é o útero.

“Nossa sexualidade não é apenas algo que pode ser usado para melhorar seu relacionamento, por prazer físico ou para procriação. Também pode ser usado para transformação pessoal, cura física e emocional, auto-realização e crescimento espiritual, e como maneira de aprender sobre toda a vida e morte. Essa é a intenção desta massagem”.

(Annie Sprinkle, co-criadora da massagem yoni.)

Fases da Massagem Tântrica

Lingam significa “bastão de luz” em sânscrito hindu, é a definição para o genital masculino. Não só o pênis, mas também o escroto e a próstata, como sistema reprodutor (e de prazer) completo.

Yoni é a palavra em sânscrito referente ao genital feminino em sua totalidade, incluindo vulva, vagina, útero e ovários. Significa “passagem divina”, “fonte de vida” ou até “Templo Sagrado”

O método desenvolvido por Joseph Kramer tem 9 fases. De acordo com o método aprendido, e também se está sendo praticado entre um casal ou como processo terapêutico, eles podem variar.

Fase 01 – Honrando a Shakti/o Shiva: Tudo no Tantra é feito lentamente e com presença. Seja seu parceiro ou seu interagente, antes de tocar o corpo de alguém deve-se honrar, respeitar e pedir permissão ao toque. Todo corpo é sagrado, toda energia é potente e deve ser tratada e respeitada como tal. Existem várias maneiras de honrar seu Shiva, seja observando, meditando e recitando mantras (no caso do processo terapêutico) ou até sentando de frente com o parceiro buscando conexão através do olhar.

Fase 02 – Massagem de corpo inteiro: O toque no corpo todo é essencial para estabelecer a conexão entre o casal ou o interagente/Terapeuta. Serve para relaxar, para que o corpo se entregue ao toque e entenda que ele é amoroso e curativo e não deve ser interpretado como hostil e invasivo. É importante que o toque começa de maneira suave e lenta para não assustar o corpo ou despertar qualquer gatilho. Também existem vários modelos de massagem. No âmbito terapêutico a mais utilizada é a massagem Sensitive, porém podemos fazer toques de resiliência ou até massagens que guiam as energias dos meridianos, parecidos com o Zen Shiatsu. O toque carinhoso, com amor e presença é mais importante que qualquer técnica. É o momento de construção da proximidade e intimidade com o outro.

Fase 03 – Despertando o desejo: É uma fase de transição para o começo da massagem genital. Nossa pelve é uma área cheia de repressões e traumas, portanto cheia de gatilhos, é importante preparar o corpo para o toque. Massagem em outras áreas sensíveis como pescoço, rosto, parte interna das coxas, púbis, mamilos e seios podem ir despertando e preparando o corpo para um toque mais íntimo. Essa fase também pode ser feita de diversas maneiras como sequência da Sensitive ou toques de despertar sexual Taoistas. No Karsai Nei Tsang se pressionam pontos específicos para desbloqueio da pelve e fluxo energético. 

Fase 04 – Da raíz à flor/Abertura da flor: Na fase 04 começamos as manobras na parte externa da vagina (grandes e pequenos lábios) estimulando a excitação e as glândulas responsáveis pela lubrificação. Assim como o saco escrotal e o períneo, no caso da massagem lingam, também despertando o chakra raíz e a produção de hormônios de excitação.

Fase 05 – Estimulando a pérola/Despertando o Lingam: É o ponto onde fazemos manobras no clitóris ou na glande e frênulo do pênis. É muito importante que, nessa fase, o homem não ejacule, mantendo a excitação entre os 80 e 90% para que o corpo libere hormônios curativos e ele não perca as sensações que ainda estão por vir. Já para a mulher é absolutamente normal ter orgasmos clitorianos nessa fase, como a mulher é multiorgástica por natureza quanto mais e diferentes orgasmos experimentarem melhor, porém não deve ser um objetivo por si só, o objetivo aqui é, para ambos os sexos, sentir o corpo e as ondas de prazer que se espalham por ele.

Fase 06 – Entrando no portal sagrado/Surfando nas ondas: A fase 6 é quando intensificamos o prazer, incentivando para que, através principalmente da respiração, ele se espalhe pelo nosso corpo desgenitalizando o orgasmo e fazendo nosso parceiro ou interagente relaxar e dissolver suas couraças. É o momento onde emoções podem aflorar, como choro ou riso. Nessa fase é feita a estimulação do canal vaginal em todos os pontos buscando pontos de prazer, dor ou insensibilidade. No caso do homem, as manobras se estendem pelo pênis como um todo, podendo se estender para a barriga e até para o peito (chakra coronário). Nessa fase pode ocorrer a ejaculação, porém essa pode ser redirecionada, com a prática, pela respiração e conscientização do corpo.

Fase 07 (exclusiva para massagem Yoni) – Estimulando o Ponto G: As mulheres ganham uma fase a mais na massagem onde, após a energia sexual ser estimulada, ampliada e trabalhada, estimulamos o ponto G para manter a onda orgástica o maior tempo possível, possibilitando a manutenção do processo curativo como um todo. Em algumas técnicas são usados somente ou dedo, em outras dois e até 3 dedos. Outras técnicas utilizam o estímulo do clitóris juntamente com o ponto G para intensificar o processo (no método Deva Nishok o uso do vibrador com estímulo do Ponto G é bastante comum). Lembre-se de que, no caso de uma sessão de Terapia Tântrica, todo o processo deve ser descrito e consentido ANTES da sessão.

Fase 08 – Finalização: Agora o intuito é aos poucos acalmar a energia, fazê-la distrubuir-se para o coração ou até o chakra do terceiro olho. Caso seu parceiro(a) ou interagente não tenha atingido o orgasmo pode utilizar algumas tecnicas para espalhar a energia sexual retida.

Fase 09 – Integração: É o momento individual da pessoa que recebeu a massagem. Um momento importante para que ela fique com ela mesma, sem nenhum tipo de toque, porém com a presença do parceiro ou terapeuta ao lado. É o momento de assimilação das emoções e sensações experienciadas durante todo o processo. Você pode tapar a pessoa com uma canga, lençol ou cobertor e deixe ela integrar pelo tempo que ela achar necessário.

 

Existem uma série de diferentes manobras para as massagens genitais. Elas são bem diferentes das manobras masturbatórias e, como vimos nesse artigo, visam trabalhar ligações energéticas/anatômicas diretas com nosso cérebro fazendo do processo uma terapia, trabalhando corpo e mente como um todo com o objetivo de dissolver bloqueios e liberar emoções reprimidas.

Importante: Numa sessão terapêutica o Terapeuta SEMPRE permanece vestido e usa luvas descartáveis durante a massagem genital. A energia trabalhada é somente a do interagente. Não aceite qualquer toque que não seja das mãos e antebraços, nudez ou toque genital sem métodos de assepsia (como o uso de luvas descartáveis).

Caso tenha interesse em aprender mais pode agendar um curso livre de massagem (voltado para uso com seus parceiros) ou pode marcar uma sessão para experimentar.

E o ânus? Ele não é trabalhado?

O ânus, apesar de ser uma importante zona reflexológica e de prazer, é trabalhado somente em casos mais avançados e após algumas sessões. Existem técnicas de massagem prostática que visam despertar o prazer e o  equilíbrio yin/yang masculino e também técnicas de liberação anal que são extremamente curativos a ambos os sexos, já que o ânus é o ponto onde guardamos nossas mais profundas angústias e medos. Por causa de resistências e falta de consciência corporais esse tipo de prática é extremamente forte e desperta emoções que sim, devem ser eliminadas, porém tem que ser despertadas de maneira gradual para que não causem ainda mais dano.

Zonas do períneo e ao redor do ânus podem começar a ser trabalhados mais cedo, seja pra desbloqueio de couraças pélvicas ou acupressura de pontos para liberação de fluxo energético. O método Deva Nishok contém massagem prostática como prática avançada masculina para consciência corporal e de novos níveis de prazer e a sexologia Somática técnicas de liberação anal também como prática avançada para desbloqueio pélvico e tratativa de liberação energética.

O ânus pode ser uma zona erógena muito intensa e importante para ambos os sexos e explorada livremente não só como cura, mas como importante canal de manifestação de sua sexualidade e prazer. Em ambas as situações pode ser um lugar de cura e muito prazer, desde que aproveitado com muito cuidado e empatia, seja do parceiro(a) ou do Terapeuta.

Meridianos: Como o fluxo de energia pode fazer diferença em nossa saúde.

Meridianos: Como o fluxo de energia pode fazer diferença em nossa saúde.

Já falamos sobre o funcionamento dos chakras e da kundalini, assim como algumas atividades e funções corporais, principalmente a respiração consciente, podem ativar essas energias, levando seu corpo e mente a novos graus de percepção.

Para fechar essa sequência sobre energias vamos migrar para a China e conhecer um pouco sobre o funcionamento dos Meridianos e como os chineses utilizam o fluxo de energia não só para elevação da consciência, mas para tratamento de doenças e/ou distúrbios emocionais.

E, é claro, como tudo isso se relaciona com o Tantra e pode ser utilizado na Terapia Tântrica.

O Taoísmo

O Taoismo é uma filosofia e religião surgida na China a cerca de 3.000 anos a.C. Ela se baseia no tao, ou seja, na fonte, na dinâmica e na força motriz por trás de tudo que existe. Também chamado na China de chi, ou para o hinduísmo, de Prana.

O Taoismo busca um caminho naturalista, conectando nosso caminho energético com os elementos da natureza e o funcionamento dos nossos órgãos.

E onde que entra o Tantra em tudo isso? O Tao também estuda a energia sexual e sua importância para a longevidade, saúde e transcendência. Os textos do Imperador Amarelo são, até hoje, um guia para uma plena saúde sexual e corporal sendo base de diversas práticas orientais, como a acupuntura, Shuatsu e o Tui-Ná.

O Tantra e o Taoismo se encontraram no Tibet, através da migração de mestres tântricos perseguidos pelas invasões mulçumanas e posteriormente inglesa. Assim as filosofias Taoistas, do Tantra e do budismo se fundiram surgindo novas ramificações, como o Tantra budista (baseado no zen e na elevação da Kundalini através da meditação, respiração e práticas como Tai-Chi e Chi-Kung) e o Tantra Taoísta, que herda da China um pragmatismo e precisão nas práticas, assim como a dualidade não existente no hinduísmo.

Ying Yang 

O Taoísmo trabalha com dualidade entre o Yin e Yang. A energia Yin é a energia passiva, submissa, vulnerável, feminina. E energia Yang é a energia ativa, masculina. Dentro da energia Yin existe a energia Yang e vice-versa. Elas são, ao mesmo tempo que antagônicas, complementares, uma não existe sem a outra.

O dia não existiria sem a noite, o claro não existiria sem o escuro. Tudo que é vivo (inclusive o universo) contém os dois elementos dentro de si e o ideal é que eles estejam sempre em equilíbrio.

Vale ressaltar que para a Medicina Chinesa o “equilíbrio” não é caracterizado por uma estabilidade eterna, como cremos aqui no ocidente, mas sim em ondas. O equilíbrio consiste em termos momentos de introspecção (yin) e momentos de extroversão (yang). Em termos dias e noites assim como estações frias e estações quentes, todas com durações e intensidades equivalentes.

Em um momento a energia yin se sobrepõe a yang e em outro o Yang se sobrepõe ao Yin.

Exemplos de elementos Yin e Yang

Essa polaridade se manifesta em todos os aspectos do universo. Inclusive em nossos relacionamentos e no sexo.

Em nossos chakras também há uma predominância mais yin ou yang, que são opostas de acordo com o nosso sexo.

O primeiro chakra (sexual) é o mais ativo (mais Yang) no homem enquanto é o mais interno (mais Yin) na mulher. O Tao diz que no sexo o homem é como o fogo, ele acende rápido e explode igualmente rápido. A mulher é como água. Ela demora para se aquecer porém demora também para esfriar.

O segundo chakra é mais ativo(yang) na mulher e mais passivo (yin) no homem. A mulher é mais sensual e leva sua sexualidade para um campo mais sutil que inclui o jogo de sedução e os 5 sentidos. Além do que o útero e os ovários, grandes centros energéticos femininos, estão localizados exatamente no ponto deste chakra.

O terceiro chakra é mais yang no homem, que tem o ego mais exacerbado e a cobiça pelo poder e ambição mais acentuadas.

Já o quarto chakra (o cardíaco) é o chakra mais Yang (ativo) das mulheres e o mais Yin para os homens (a parte mais proeminente das mulheres (mais “para fora”) são os seios (quarto chakra) enquanto nos homens é seu genital (primeiro chakra). Para o Tao emocionalmente as mulheres são como fogo, elas incendeiam rapidamente porém também apagam de maneira igualmente rápida. E os homens são como água, eles demoram a expressar suas emoções (a aquecer) porém depois que as expressam tem problemas em superá-las ou esquecê-las (para esfriar).

O quinto chakra (da garganta) é mais yang no homem, que tende a se expressar de maneira direta e objetiva quanto as suas vontades enquanto o sexto chakra é mais ativo nas mulheres, que tem seu sexto sentido e intuição bem mais apuradas que os homens.

O sétimo chakra é igual para os dois. Pois quando se atinge a iluminação não existe mais dualidade.

Polaridades dos chakras entre os gêneros.

“As crianças de ambos os sexos tem que urinar. O garotinho tem todo o seu equipamento logo ali embaixo, ele consegue ver tudo. Ele vê seu equipamentos e vê a urina saindo. Sua visão da vida é externa, porque seu foco é externo. Ms a garotinha, quando urina, fica procurando para descobrir de onde vem aquilo. Ela fica olhando para dentro de si mesma, porque não tem nada exposto lá embaixo. Sente-se curiosa a respeito do que existe dentro dela.

O garoto avança pela vida olhando para tudo externamente. Está tudo certo. Ele assume o controle de sua região genital, torna-se mestre dela. Ele a compreende e entra em contato com ela. A mulher, por outro lado, não entra em contato com seus genitais, porque eles não estão a vista. Estão dentro de seu corpo. E por isso, ela é levada a olhar para dentro. Chegando a adolescência, ela vê os seios se formando e começa a entrar em contato com a região do peito, desse modo, ela faz contato com o seu centro cardíaco, que é o centro das emoções e dos sentimentos. E ela começa a trabalhar diretamente com esse centro. Esses fatos afetam a visão que cada um tem da vida: Como a mulher internaliza, ela personaliza ou vê as coisas de maneira pessoal, como o homem externaliza, ele generaliza ou fala em termos gerais.(…)

O homem raramente toca a si mesmo na região do peito. Ele nunca entra em contato com seu centro cardíaco. Nunca entra em contato com seus sentimentos ou suas emoções. A mulher torna-se senhora das emoções, o homem torna-se senhor da energia sexual e da energia dos rins. E ambos podem se ajudar mutuamente.(…)”

Mantak Chia – Reflexologia Sexual Taoista

Como funcionam os meridianos?

O Taoismo, assim como o Tantra, diz que nosso corpo é a representação da natureza e do universo. É nosso templo que deve ser cuidado, alimentado e trabalhado para alcançar a iluminação e longevidade com saúde e disposição.

E o fluxo de energia de nosso corpo é subdividido em 12 meridianos, cada um composto por um órgão (aquele que se irriga de sangue – elemento yin) e uma víscera (os órgãos “ocos” – fontes de energia yang).

Esses meridianos são associados aos elementos da natureza e bloqueios no fluxo de algum órgão podem desencadear reações físicas ou psíquicas no nosso corpo.

Os fluxo de energia equivalente aos nossos órgãos yin passam pela frente de nosso corpo e correm de baixo (da ponta dos pés) para cima. O fluxo yang corre de cima (do topo de nossa cabeça) para baixo (ponta dos pés) pelas nossas costas, assim formando um ciclo de energia chamado de órbita microcósmica. 

Mapa dos pontos de acupressão e fluxo de energia de cada órgão pelo corpo.
Fluxo de energia Yin e Yang pelo corpo

A Natureza, os meridianos e nossas emoções.

Para o Tao nós nos alimentamos de 5 tipos de energia:

A energia macrocósmica, que é a energia do ambiente em que vivemos. Quanto mais poluído, afastado da natureza, violento ou com concentração grande de pessoas menos saudável é o ambiente. Não é a toa que os maiores índices de depressão, ansiedade e outras doenças psicossomáticas estão associadas aos grandes centros. De temos em tempos fugir para o campo, para as montanhas ou para a praia e sentir a energia da natureza já melhora consideravelmente a qualidade de vida.

A segunda energia é nossa energia ancestral. É a energia de nossos pais, que conceberam a gente a partir dos seus genes. Nós somos resultado da essência do pior e do melhor que nossos pais poderiam oferecer e essa energia irá nos acompanhar pela vida. Algumas filosofias chamam isso de karma, a ciência chama de “genética”. Já é comprovado que trabalhando nosso corpo e mente conseguimos de certa forma reprogramar nossos genes.

A terceira energia é a energia da nossa respiração. É através dela que conectamos nosso fluxo energético corporal com o fluxo macrocósmico (a primeira energia). A maneira que respiramos influencia diretamente nos graus de tensão e como lidamos com nossos estímulos diários.

A quarta energia é a energia de nossa alimentação. É fato já conhecido que se nos alimentamos mal adoecemos e diminuímos a qualidade da energia que colocamos em nosso corpo. Alimentos processados, cheios de químicos e de baixo valor nutricional enchem nossa mesa diariamente. Comer alimentos frescos, vegetais, frutas e diminuir o consumo de carne e açúcar são iniciativas que surtem resultado no curto prazo, tanto na estética e disposição física quanto na capacidade e saúde mental.

A quinta e última energia é a energia das nossas relações interpessoais. A maneira como nos relacionamos com as pessoas influencia diretamente na nossa saúde física. Os chineses chamam as energias da raiva, mágoa, frustração, carência, obsessão, possessão, ciúmes, dominância, interesse ou qualquer outra emoção negativa de “energias maléficas” que podem influenciar e inclusive bloquear o fluxo de energia corpórea. Pessoas que emanam uma energia de amor, prazer, amizade, tesão, generosidade, etc…e se relacionam com seus parceiros, amigos e colegas de tal maneira adoecem menos, se recuperam mais rápido e tem um estilo de vida mais leve e feliz.

Distúrbios em algumas dessas 5 energias podem causar uma hiperestimulação da energia de algum órgão ou até o enfraquecimento do fluxo energético ocasionando, segundo o Taoismo, sintomas físicos e emocionais. E cada elemento da natureza influencia no funcionamento do outro, podendo ajudar a aumentar ou diminuir o fluxo em determinados pontos ajudando, assim, a equilibrar novamente todo o sistema de nosso corpo. É estimulando esses pontos de acordo com um diagnóstico a partir de sintomas ou sinais corporais (como a língua e a íris) que se baseiam a acupuntura, o Shiatsu e o Tui-Ná 

Ciclo de energia dentro dos elementos da natureza.

Como, tanto para o Tantra como para o Taoismo, nossa energia sexual é a energia mais potente que alimenta todo o corpo (seja pelos chakras, marmas ou pelos meridianos). Praticamente todos os órgãos influenciam direta ou indiretamente em nossa sexualidade, com destaque para a energia do estômago, que passa bem em cima da região dos nossos mamilos, e a energia do fígado e dos rins, que dançam pelos nossos genitais e assoalho pélvico. 

A relação dos fluxos de energia Yin e Yang, entre os órgãos e interrelação entre os Elementos é complexa e se estende a todos os aspectos da nossa vida. Não vamos nos adentrar profundamente nessas questões que são conteúdo de livros e mais livros e é eterna fonte de estudo e compreensão para nós profissionais que trabalhamos com a compreensão e o tratamento desses fluxos.

Tabela de equivalência segundo cada elemento da natureza.

Os meridianos Vasos Governador e Concepção

Além dos meridianos já citados temos dois canais centrais que não tem relação com órgãos ou elementos da Terra e nem seguem o sentido Yin (de baixo para cima) ou Yang (de cima para baixo) porém são importantíssimos pois são os dois canais que alimentam todos os outros meridianos: O Vaso Governador e o Vaso Concepção.

O Vaso Governador (Yang) começa na região do cóccix e sobre pela coluna vertebral até o topo da cabeça (semelhanças com a Kundalini – acredito – não é uma mera coincidência) e do topo da cabeça desce pela frente até o céu da boca.

O Vaso Concepção (Yin) começa no períneo, passa pelos genitais, sobre pela região uterina, pelo chakra coronário e termina na base da língua.

Esses dois canais energéticos são de extrema importância dentro da Terapia Tântrica pois eles, além de alimentar os outros meridianos, tem relação direta com a Kundalini, a Ida e Pingala, os chakras e a ativação das glândulas corporais.

 

 

Reflexologia Sexual, como o fluxo energético é ativado na massagem genital.

Complexo né? Mas ainda não acabou. 

Nosso corpo é totalmente interligado e temos vários pontos que refletem todo o sistema de forma integral, são os chamados pontos reflexológicos.

Orelhas, rosto, mãos, pés, barriga…muito se conhece sobre esses pontos reflexológicos e muito se estuda sobre como o toque consciente nesses lugares podem trazer diversos benefícios para nosso corpo e mente. Porém, talvez devido a nossa cultura cristã e a repressão sexual, principalmente no ocidente, nada se fala sobre como nossos genitais são também pontos reflexológicos, e não só isso, são os pontos mais poderosos, com os mais intensos resultados terapêuticos, pois é onde se acumula nossa energia sexual, e não só isso, é onde se originam os Vasos Governador e Concepção, ou onde, para o Tantra, a energia Kundalini fica enrolada e adormecida. É onde a vida se origina e de onde devemos partir rumo a consciência e iluminação.

Reflexologia podal

Tanto para o Tantra como para o Taoismo o ato sexual consciente pode ser uma ferramenta de cura. Os escritos do Imperador Amarelo descrevem minuciosamente posições sexuais e estilos de penetração para curar as mais diversas doenças.

Reflexologia Sexual

Durante a Massagem Tântrica tocar certos pontos podem liberar emoções e/ou lembranças adormecidas e que precisam ser soltas para que o interagente chegue a outros graus de consciência sobre si mesmo. Por isso é importantíssimo que o Terapeuta seja qualificado e tenha ciência das portas que podem ser abertas pelo seu toque, assim como dar os devidos encaminhamentos para o que desperta em sua sessão.

Da mesma maneira o ato sexual que não seja consciente pode trazer traumas e formar bloqueios energéticos indesejados.

Quem nunca acordou no outro dia “de ressaca moral”, desanimado(a), triste, ansioso(a), frustrado(a), carente, etc…sem uma explicação racional após transar com alguém por impulso ou para alimentar algum vazio ou ferida? Claro que também existem aquelas transas em que no outro dia você se sente ótimo(a), também sem nenhuma explicação.

Quando você não tem consciência de si e da sua energia esses momentos são como uma loteria. Porém, a partir do momento que você conhece a si mesmo e, consequentemente, sua energia, sua intuição e seus sentidos ficam mais aguçados te fazendo perceber melhor a origem de suas emoções e, assim, cortar possíveis relações tóxicas pela raiz.

Ter consciência do fluxo de energia do seu corpo e trabalhá-lo no dia a dia, seja com respirações, meditações, toques e massagens conscientes, inclusive, durante o ato sexual mudará completamente como você se relaciona não só consigo mesmo(a) mas também com as pessoas e o ambiente ao seu redor

Masturbação: Você está fazendo certo?

Masturbação: Você está fazendo certo?

Hoje, 07 de maio, é considerado o Dia Nacional da Masturbação nos EUA.

Esse dia foi instituido por acaso. Em 1995 Jocelyn Elders, a primeira negra a assumir o cargo máximo do Departamento de Saúde dos EUA, fez um discurso na ONU para o Dia Internacional de Combate a AIDS e, diante de um questionamento sobre a prática da masturbação, falou que, em sua opinião, é um comportamento natural que faz parte de nossa sexualidade, e como tal, deveria ser estudada e ensinada.

Essa declaração resultou no término precoce de seu mandato. Ela foi demitida pelo então presidente Bill Clinton. 

Revoltada com a demissão, uma empresa de vibradores lançou o tema em fóruns de discussão, o que causou uma forte reação e o dia 07 de maio foi, em homenagem a Jocelyn, definido como Dia Nacional da Masturbação.

Posteriormente o mês de maio foi oficializado como o Mês Internacional da Masturbação. Mês que tem desafios, competições (sim, existe competições de masturbação, seja no conforto de casa ou coletivas mesmo).

Porém ainda discutimos muito pouco sobre nossa relação com nosso próprio corpo e nosso prazer. Infelizmente, apesar de pessoas como Jocelyn e uma cultura que se diz cada vez mais aberta para assuntos relativos ao sexo, a masturbação ainda é motivo de vergonha, culpa e repressão.

O ato de se dar prazer é talvez a principal ferramenta de construção de nossa própria imagem. A prática contemporânea limita essa percepção aos genitais, causando vários problemas de auto-estima e de conexão com sentimentos e seu poder orgástico.

A história da masturbação

Existem registros do ato de se masturbar desde o início do Homo Sapiens, em pinturas rupestres e até a ascensão do cristianismo era considerada uma prática natural, utilizada inclusive em rituais, seja com auto-toque individual ou masturbação coletiva, por grandes civilizações como no Antigo Egito e os Maias.

Com a chegada da cultura judaico-cristã a história mudou e a repressão das manifestações sexuais começou. O desperdício de esperma era considerado um pecado grave, pior até que o incesto.

Tal comportamento foi baseado talvez em uma interpretação equivocada da história de Onã, na Bíblia, que ao “derramar seu sêmen na terra” enfureceu a Deus, que o puniu. Porém o que enfureceu Deus não foi o coito interrompido por Onã, mas a ele não ter fecundado a mulher de seu irmão morto para que sua descendência fosse garantida, que era o que Deus havia ordenado.

No séc. XVII a medicina descobriu a existência dos espermatozóides e, então a masturbação começou a ser perseguida também pela ciência já cada espermatozóide começou a ser considerado um feto e desperdiçá-lo seria como realizar um aborto.

A condenação da masturbação pelos médicos continuou pelo século XIX onde definiram a auto-satisfação como uma compulsão que poderia causar diarréia, vômitos, debilidades e impotência. Durante os séculos XVIII e XIX também foram disseminados mitos anticientíficos visando desencorajar os jovens no âmbito psíquico, levando a casos extremos de culpa, medos e recalcamentos que nos acompanham até hoje.

O ocidente somente começou a enxergar o ato de se tocar de maneira diferente no século XX com o advento das teorias da psicologia de Freud e seus contemporâneos. Apesar disso até hoje se masturbar é considerado imoral para as igrejas cristãs e a grande maioria das pessoas carrega culpa, vergonhas e bloqueios psíquicos quanto a se dar prazer e se descobrir.

 

A masturbação no Oriente.

Para as filosofias hindus e chinesas (falando mais especificamente do Tantra e do Taoísmo) a masturbação sempre foi vista com naturalidade e como uma prática saudável de estimulação da energia sexual e auto-conhecimento.

Porém tanto o Tantra quanto o Taoísmo condenam o excesso de ejaculação para o homem. Para essas filosofias, até os 20 anos de idade o homem pode ejacular quantas vezes quiser, mas depois deve aprender a controlar seu ímpeto e canalizar sua energia.

Para os adeptos dessas práticas o sêmen “é a possessão mais valiosa do homem”. É a manifestação física de sua energia vital, ou seja, cada vez que ejacula seu corpo enfraquece e “morre” um pouco.

O sêmen era usado em alguns rituais que incluem masturbação para alimentar talismãs ou “levá-lo para suas origens”, ou seja, espalhá-lo em campos, sob árvores, em águas sagradas ou no fogo sacrificial. Ou até esfregar preparados de sêmen sobre o corpo.

O homem perde energia através da ejaculação enquanto a mulher perde seu Chi através da menstruação e da gravidez. Portanto o homem deve aprender a se dar prazer sem ejacular, ou seja, a ter orgasmos secos e assim aprender a controlar seu corpo e se conhecer melhor.

Já a mulher pode se masturbar quanto quiser. Segundo o taoísmo a masturbação feminina libera sua energia erótica pelo corpo e a ajuda a ganhar mais controle sobre seus reflexos sexuais. É uma maneira de alimentar o auto-erotismo além de agradar as divindades que habitam dentro dela.

 

No oriente a masturbação é um ato natural porém a ejaculação deve ser controlada para que o homem não desperdice seu Chi.

Como você se masturba?

Hoje em dia, apesar de termos uma cultura mais “liberal” quanto ao sexo a masturbação ainda continua sendo um dos maiores tabus para grande parte das pessoas. 

Você fala com seus amigos ou amigas sobre como você se toca? Onde você gosta mais de se tocar? Como? Em que posição? Em que momentos tem mais  vontade? Se usa algum brinquedo?

E você fala sobre isso com seus/suas parceiros ou parceiras?

A masturbação ainda carrega tanta culpa e vergonha que para muitos casais chega a ser uma ofensa seu parceiro ou parceira se masturbar ao seu lado. Ou inclusive se ele ou ela se masturba, não importa onde e quando. Afinal, se pode fazer sexo porque se masturbar né?

E toda essa repressão, recalque, culpa, vergonha…sejam quais forem os sentimentos que mais nos acompanham fazem com que usemos nossos momentos a sós para gozar o mais rápido possível. É aprender o caminho mais rápido e fácil e replicar sempre que estiver precisando relaxar.

É assim…curto, grosso e objetivo. Estou tenso e 2 minutos depois Bum! Um orgasminho genital pra me dar uma descarga de hormônios e relaxar. Muitas vezes acompanhados de um pornô ou imaginando aquele crush em cima de você.

A masturbação é talvez a principal ferramenta de construção da nossa auto-percepção. Nosso corpo busca o prazer e é através do prazer que ele vai se reconhecer. Se limitamos a exploração do nosso corpo a um ponto específico ou somente a um tipo de sensação o que acontece?

Problemas graves de auto-confiança de auto-estima, muito comum em nossa sociedade. Dificuldade de dizer “não”, carência, ansiedade, depressão…são sintomas de alguém que não tem uma imagem completa de si mesmo, que não se acha equiparável aos outros. Sua imagem se limita ao seu clitóris ou ao seu pênis e seu prazer é constantemente projetado ao fatores externos, seja pelo pornô ou as pessoas que rodeiam suas fantasias.

Se masturbar deveria ser um ritual. Deveria ser como fazer amor com a pessoa que você mais ama (que seria você, não?).

Uma música, velas, incensos, meia luz. Toques suaves e lentos, olho no olho, o corpo sendo explorado. Novas sensações, novos sentimentos…cabeça voltada ao que você está sentindo. Quando está com alguém o momento ideal é esse não? Ou gostaria de gozar rápido, virar para o lado e dormir? Acho que não. 

 

Brincar e fazer amor consigo mesmo deveria ser natural e rotineiro. Imagem: @agathesorlet

E como posso fazer amor comigo mesmx?

Existe uma prática que passo para quase todos meus interagentes para praticarem em casa e assim ressignificar a masturbação e a relação para com seus corpos. Pode ser chamado de “Mindfull Masturbation” ou “Auto-toque erótico”. Os resultados são rápidos e incríveis.

Como se auto-massagear?

A auto-massagem erótica tem como objetivo ressignificar como lidamos com nosso corpo e como nos relacionamos com nosso prazer. Nos possibilita nos conhecer mais e melhor e assim nos aceitarmos e nos amarmos mais. Nos primeiros dias pode ser frustrante ou agonizante testar outros caminhos para outros tipos de prazer, pois nosso cérebro está acostumado com o mesmo padrão de toque e o mesmo padrão de orgasmo que repetimos desde a adolescência.

Mas com o tempo a conexão com o corpo fica mais forte, a pele mais sensível e a habilidade de focar nos sentidos mais intensa. Sua auto-estima irá aumentar e o sexo melhorar significativamente.

Vamos lá:

– Defina uma quantidade de tempo, coloque o despertador para não se perder nas carícias. O ideal é ter de 20 a 45 minutos para a prática, Você também pode começar com 5 minutos e ir aumentando gradativamente, É normal não conseguir manter a atenção por muito tempo no começo. Encare isso como uma academia, quanto mais você treinar melhor vai ficar.

– Encontre um lugar que se sinta seguro(a) e confortável, que você se sinta bem para que relaxe e aproveite o momento. Pode ser sua cama, o sofá ou até o chão, se essa possibilidade te excita.

– Deixe de fora brinquedinhos que já está acostumado(a) a usar, pornografia ou fantasias eróticas. Foque em seus sentimentos, emoções e sensações. Foque em seu prazer e em seu corpo. Admire ele, suas curvas e imperfeições. Admire suas mãos percorrendo por ela e ao mesmo tempo que as sensações que cada tipo de toque te trás.

– Comece acariciando seu corpo, evite os genitais em um primeiro momento pois esse caminho você já conhece muito bem. Pode começar tocando seu rosto. Massageie seu peito, aperte seus braços, puxe seu cabelo…explore o corpo inteiro, não somente em vias sexuais, mas as diferentes sensações de cada parte.

– Permita-se testar novas posições e novos toques. Se mexa, mude de posição. Fique de 4, sentado(a), de pé…dance. Toque sutilmente, aperte, arranhe. Gema, suspire, grite…fale sacanagem para si. Mescle respirações curtas e ofegantes com profundas e vagarosas. Enfim, descubra o que funciona melhor para o seu corpo. Se nunca se penetrou tente. Se nunca usou óleo ou creme no corpo use. Se permita em sua oralidade, experimente todos os tipos de sons, movimentos e fluídos.

– Se você é homem não se preocupe com ereção. Com o tempo você vai perceber que o prazer, inclusive os orgasmos, não precisam de um pênis ereto, nem tampouco de uma ejaculação.

– Crie uma intenção cada vez que for praticar. Pode ser “quero estar totalmente presente as sensações do meu corpo” ou “não tenho objetivos com esse auto-toque, somente sentir”.

– Sempre varie as práticas, não crie um outro atalho para seu prazer, nossa mente tende a fazer isso. Faça um dia deitado, no outro de pé, no outro dançando. Toque um dia em algumas partes do seu corpo, no outro dia em outras partes…num dia pode respirar de maneira mais ofegante e no outro de maneira mais profunda. Seja criativo(a).

– Quando encontrar um ponto de prazer fique nele, explore-o de diferentes maneiras, sinta esse prazer ao máximo. Esvazie sua mente e se atenha as sensações. E se algo não parecer bom simplesmente vá em frente. Mude de lugar ou varie o movimento ou a pressão.

– Você pode focar em somente um ponto do corpo durante toda a sessão, ou percorrer todo ele. Até eventualmente chegar aos genitais. Não há ordem certa, simplesmente esteja com você e se explore.

– Podem existir partes do seu corpo que você nunca tocou e que podem te dar sensações que você nunca sentiu. Ou um tipo de som específico, pressão específica ou respiração específica que pode te trazer esse tipo de sensação. O orgasmo não é o objetivo. Ele pode ou não acontecer. O objetivo aqui é sentir seu corpo e todas as sensações prazerosas que ele pode te oferecer. Assim como aprender sobre o que gosta ou não gosta. Então, quando estiver com alguém, pode conduzir com segurança para o que te excita, o que te faz sentir bem ou para o que é realmente gostoso para você. Assim como evitar situações que não te dão prazer, te deixam desconfortável ou te broxam. E assim alcançar outro nível de interação, abertura e consentimento.

– Quando o tempo acabar tire mais alguns minutos para relaxar e sentir seu corpo e as sensações despertas nele. Recomendo que anote o que sentiu, quais foram as piores e melhores sensações e que tipo de emoções a experiências desencadeou (tesão, prazer, empoderamento, amor-próprio…ou até culpa, ansiedade, frustração ou tristeza). Não se julgue pelo que sentiu, simplesmente aceite o que veio como seu e se permita sentir as diferenças conforme avança nas práticas.

– Você pode achar algumas posições ou toques estranhos e/ou embaraçosos, e está tudo bem. O objetivo aqui é trazer consciência para o seu corpo, para o que você está sentindo, para o presente e para o momento. Sentir as ondas de prazer, o calor, o pulsar, as cócegas, a dormência, as contrações e o relaxamento. Todas essas lindas sensações. Costumamos estar de corpo presente em nossas relações, porém a cabeça está em outro lugar. Ou até fantasiando com situações melhores pois, seja por receio, por medo ou por simplesmente não sabermos, não costumamos falar ou guiar os nossos parceiros para o que nos leva ao êxtase, ou pior, aceitamos comportamentos que nos fazem mal de alguma maneira. Um dos princípios básicos do prazer e da conexão está em relaxar, se deixar levar, se conhecer e ser você mesmo.

– Caso a mente comece a viajar, tente diminuir a velocidade de seus movimentos e traga a atenção novamente ao seu corpo. Quanto mais vagarosos são os estímulos mais facilmente o cérebro consegue focar e sentir cada um deles.

– Com o tempo você vai focado(a) em seu prazer e assim, relaxar, se amar, se empoderar e se permitir sentir novos níveis de prazer, intimidade e conexão com o próximo. 

Aprenda a se amar e aprenda a gozar de infinitas maneiras pelo corpo inteiro.

Amar a si mesmx para assim deixar se amadx pelo próximo.

Masturbar-se é uma das experiências mais importante que podemos ter para nos conhecermos. Ele pode influenciar em como percebemos nosso corpo, quais partes tratamos como sexuais ou prazerosas, quais são excitantes e seguras, e quais ignoramos.

Por causa da nossa cultura que culpa e enche tudo que representa nosso prazer de culpa e medo, seja por causa de masculinidades tóxicas, repressões, sexismo e/ou tabus tendemos a resumir nosso toque aos genitais e o ato da masturbação a um meio de simplesmente aliviar a tensão do dia a dia. Isso neurologicamente reduz a excitação e prazer no restante do nosso corpo.

Nos tocar e nos estimular é como comer e beber, estamos fazendo isso a todo o momento, em público ou não. Explorar nosso templo é essencial para definir como nos enxergamos, nos amamos e, consequentemente, como nos relacionamos com o mundo.

Como tal nos masturbamos de maneira leviana e sem amor próprio, que replicamos em nossas relações sexuais, Uma ação mecânica e sem conexão onde o objetivo não é relaxar, aproveitar e tanto receber como dar prazer, mas sim de simplesmente chegar ao orgasmo. E a um orgasmo pequeno, limitado e explosivo, que dura somente poucos segundos e nos drena a energia de tal maneira que, após ele, não temos mais interesse nas trocas de carícias, olhares e energia com nossos parceiros, somente dormir, ou ir embora para ficarmos sozinhos.

Tais relações resultam em um vazio interno e relações falidas. Se não nos amamos como podemos amar ao próximo? Ou deixar que alguém nos ame em sua plenitude? Se não nos entregamos a nós mesmos como podemos nos entregar a alguém e, assim, chegar a novos níveis de prazer? Se não nos conhecemos em nossa totalidade como alguém pode nos conhecer dessa maneira? Alguém pode até nos fazer sentir algo que nunca sentimos, mas caso não soubermos como aquilo aconteceu, dificilmente irá acontecer novamente.

Como lidar com a energia sexual em época de quarentena.

Como lidar com a energia sexual em época de quarentena.

 Com a crise recente do coronavírus e uma necessidade inédita de ficarmos de quarentena longe do contato físico surgem reações do nosso corpo que se intensificam a cada dia que passa.

Picos de ansiedade, carência, libido alta e irritabilidade são só alguns dos sintomas mais comuns que temos experimentado nas últimas semanas. E, para o Tantra, tem uma causa central: O acúmulo e desequilíbrio da nossa energia sexual.

Como falei no artigo sobre o Tantra, nossa energia sexual não é somente a energia direcionada para o sexo em si, mas a nossa energia vital, a mais potente de todas, a única capaz de gerar outra vida. É a energia que nos faz acordar todo dia, que nos faz ter vontade de trabalhar, dançar, abraçar e convidar os amigos para um jantar ou um happy-hour.

Então não é só a falta de sexo que causa um distúrbio no equilíbrio dessa energia (até porque muitos casais devem estar sentindo o mesmo. Na China o número de pedidos de divórcio explodiu no último mês. Aqui no Brasil infelizmente temos preocupação com o aumento dos números de violência doméstica) mas também a falta das relações interpessoais no geral, falta do uso da energia criativa e falta de exercícios físico podem aumentar os sintomas.

Mas muitas vezes estamos tão desequilibrados que simplesmente não conseguimos focar ou ter força de vontade para meditar, respirar conscientemente ou qualquer outro exercício que exija concentração. Então o que mais podemos fazer, segundo o Tantra e o Taoísmo, para ajudar a equilibrar nossa energia?

 

Auto-Análise

“Conhecer outros conduz à sabedoria; conhecer o eu conduz a iluminação.”

(Tao Te Ching. Texto filosófico chinês do séc. XI A.C)

A auto análise é o pré-requisito básico para qualquer prática de meditação. Observando-nos sob uma ótica clara e sem julgamentos podemos identificar, aceitar e compreender toda nossa negatividade e tirar nossas dúvidas. Muitos monges se recolhem afim de se analisarem e o momento de quarentena parece ser ideal para isso. Com as emoções mais afloradas fica muito mais fácil identificá-las e trabalhá-las.

Tente visualizar todas suas experiências com o mundo ao seu redor, sejam pessoas, ou ambientes; seja trabalho, faculdade, relacionamentos, etc… Perceba os mínimos detalhes e cultive uma atitude crítica, porém passiva.

Examine tudo que lhe vier a mente e tente entender as causas que criam cada situação assim como suas ações relacionadas a elas.

Um procedimento simples para auto-análise é sentar-se confortavelmente a frente de um espelho, fechar os olhos e esvaziar a mente de todos os pensamentos. Então gradualmente comece a abrir os olhos, olhando para seu reflexo como se encontrasse aquela pessoa pela primeira vez. Observe que tipo de impressão você causa a você mesmo(a). Note como as mudanças em sua expressão estão ligadas a cada tipo de emoção e pensamento. Aos poucos se conecte com a imagem no espelho a medida que vai relaxando o rosto e tomando consciência de sua respiração.

Se notar qualidades negativas em sua imagem, ajuste cuidadosamente sua emoção e atitude, usando a respiração para estabilizar sua mente. Imagine que você está substituindo uma qualidade negativa por uma positiva, e tente sentir o “novo eu” como real e duradouro.

Então, aos poucos, feche os olhos e concentre-se em assimilar a experiência, imaginando abraçando todo seu ser.

Você também pode usar uma vela e focar na chama brilhante dela. Concentre todo seu pensamento nela e imagine a chama queimando todas as impurezas da sua mente. Então centralize a imagem da chama queimando dentro de você. Banhe todo o seu ser com essa luz e usa-a como foco para auto-análise.

Conhecendo-se você pode conhecer os outros. Corrigir os outros antes de corrigir a si mesmo é um erro, pois grande parte do que nos incomoda no próximo é um reflexo do que temos que trabalhar dentro de nós mesmos. A verdadeira conscientização requer coragem, disposição e uma honestidade profunda consigo mesmo, mas com prática constante você poderá rapidamente superar seus bloqueios que o impedem de crescer.

“A mente é vacilante e inquieta, difícil de vigiar e de restringir; a pessoa sábia deve acertar sua mente assim como um fabricante de flechas as faz retas.” (Dhammapada)

Arte: Hayao Miyazaki

Quebrando hábitos

“O verme dos pensamentos formadores de hábitos é auto-originado e autodestrutivo. Mate este verme e encontre o ensinamento” (Tilopa)

Nossa mente é condicionada a criar hábitos, muitas vezes tóxicos. E entramos num círculo vicioso que, sem uma auto-análise profunda, não conseguimos quebrá-la. Estar fora da rotina é uma ótima oportunidade para trabalhar e quebrar esses hábitos, e o crescimento pessoal pode ser acelerado simplesmente por essa quebra.

Quando você se encontra dizendo “não posso mudar isso…sempre fiz assim”, então é esse isso justamente o primeiro hábito a ser quebrado. A liberdade de escolha resulta justamente do domínio de nossos hábitos.

O corpo humano tem uma capacidade incrível de adaptação, mesmo quando parece preso a uma norma rígida. E qualquer ato intencional de vontade é muito mais eficaz que uma ação automatizada por um hábito.

Os hábitos mentais são muito mais difíceis de quebrar que os físicos, muitas vezes estão tão condicionados que nem percebemos, e podem inclusive herdados de nossos pais ou adquiridos por condicionamento social. Geralmente a falta de consciência de hábitos desagradáveis que replicamos geram os gatilhos para as emoções negativas e inclusive brigas com pessoas próximas quando, muitas vezes, o que é preciso para mudar é somente vontade e superação do medo de mudanças.

As 64 artes: O que podemos usar durante a quarentena?

No hinduísmo Brahma é o nome do aspecto criativo do Divino, é a personificação de toda a criatividade. Saraswati é o nome dado a energia feminina complementar a Brahma. Ela é frequentemente mencionada como a “detentora das 64 artes”, das quais a Arte do Amor é considerada a mais importante.

Sarawati e Brahma são, então, o Casal Cósmico criador, inseparáveis como Energia Criativa e Aspecto Criador. Essa dualidade é encontrada em todas as relações mundanas.

As 64 Artes são enumeradas no livro do Kama Sutra, o tratado básico sobre a Arte do Amor. Não existe um equivalente ocidental ao Kama Sutra e, talvez por esse motivo, o sexo como uma forma de arte e a energia sexual como uma forma de expressão ainda tenha muito o que amadurecer por aqui.

Para o hinduísmo as 64 artes e ciências devem ser estudadas por todos que desejam conhecer os 64 aspectos da união sexual, ou seja, esse tipo de conhecimento utiliza da mesma energia criativa/sexual que nos é acumulada em tempos de quarentena ou até pela nossa própria cultura repressora.

As artes incluem o canto, música, dança, escrita, pintura, desenho, costura, leitura, poesia, escultura, ginástica, jogos, arranjos florais, culinária, decoração, perfumaria, línguas, etiqueta, carpintaria, mágica, química, mineralogia, arquitetura, lógica, artesania, esportes e artes marciais. Todas essas atividades podem equilibrar a energia sexual e facilmente podemos aprender ou praticar algumas delas. Existiam outras artes mais condizentes com a época, mas para atualizar poderíamos acrescentar outros modos de expressão mais modernos, como a fotografia, por exemplo.

No artigo sobre Chakras descrevi algumas das atividades que podem equilibrar o corpo energeticamente. Abaixo coloco um vídeo de prática de Chi Kung ministrado por um dos meus professores de Tantra, Otávio Leal, muito eficiente para distribuição da energia pelo corpo.

Estamos em um momento complicado no planeta, mas se usarmos esse momento para nos conhecermos, quebrarmos nossos hábitos e aprendermos algo novo podemos, cada um de nós, mudar nossa percepção de mundo, e consequentemente, mudar o mundo quando tudo isso acabar.