Disfunção erétil – Por que acontece e o que fazer?

Disfunção erétil – Por que acontece e o que fazer?

Juntamente com a ejaculação precoce, a disfunção erétil (também chamada de “impotência sexual” ) é a causa mais comum entre as queixas de homens que me procuram dentro da terapia corporal Tântrica.

Disfunção erétil é a impossibilidade de ter ou manter uma ereção por tempo suficiente para realizar penetração no ato sexual. As causas podem ser físicas ou emocionais, essa segunda é a causa mais comum.

Muitos homens são propensos a sofrer de alguma forma de disfunção de ereção durante suas vidas. Mesmo que a ausência de uma ereção possa parecer trágica a princípio, existem muitas maneiras de lidar positivamente com esse evento. Mesmo com um pênis meio ereto ou não ereto, você pode estimular a vulva e até realizar a penetração, ou então receber uma massagem peniana sensual e excitante.

É mais importante sentir o lingam e estar em contato amoroso com ele do que ter uma ereção. Se ele não subiu, o mais importante é admitir e aceitar esse fato. Apenas aceite sem se julgar e, assim, pode se libertar da tensão e da pressão pelo desempenho, que é uma das principais causas do problema.

As ereções são o resultado do relaxamento

Uma ereção não pode ser forçada – pelo contrário, todo homem sabe que qualquer tentativa de forçar uma ereção ou mesmo desejar uma só terminará em não ter uma. Os que estão condicionados a resolver os problemas pela força de vontade de nada podem contra seus genitais, que não obedecem a nenhuma ordem. Quanto mais uma ereção for “exigida”, mais flácido seu pênis ficará. Medo e ereções simplesmente não combinam.

Uma ereção requer estimulação externa e receptividade interna. É somente quando um homem está relaxado e se sentindo confortável com sua companhia que ele pode começar a se sentir sexualmente estimulado pelo toque, cheiro, seus pensamentos ou um olhar, massagem ou carícia. Esses impulsos estimulam o sistema nervoso e os centros eróticos, fazendo com que o cérebro libere os hormônios que o sistema nervoso parassimpático precisa para se tornar ativo.

O sistema nervoso parassimpático diminui a respiração e os batimentos cardíacos e torna-se ativo à medida que nos acalmamos, amplificando nosso estado de relaxamento. Quando estamos relaxados dessa maneira, as “artérias de entrada” do pênis são capazes de se abrir, liberando sangue no tecido erétil. Este aumento do fluxo sanguíneo também exerce pressão sobre as veias, praticamente fechando-as para que o sangue não flua. Isso aumenta o volume dos tecidos eréteis em três a quatro vezes, e temos uma ereção. Apesar de geralmente acontecer após um estímulo erótico, ereções podem ocorrer em qualquer situação em que tenha estímulo do sistema simpático, como dentro de um carro trepidando ou durante o sono:: a cada 70 a 100 minutos, os homens adormecidos têm uma ereção, mesmo sem sonhos eróticos. Faz parte do funcionamento interno do corpo fornecer regularmente oxigênio ao pênis – é apenas uma parte de uma rotina saudável.

Ereções de apoio

Qualquer problema sexual pode causar insegurança nos homens, mas nada faz um homem entrar mais em pânico como a perda de sua ereção.

Quando um homem sente que pode ser ele mesmo e ser aceito por isso, aconteça o que acontecer, é provável que os problemas psicológicos relacionados à sua disfunção erétil se resolvam. Existem, é claro, homens que ainda terão problemas para alcançar ou manter ereções, seja por razões físicas, relacionadas à idade ou emocionais externas ao relacionamento. A conversa aberta pode ser um passo para um nível novo e mais profundo de intimidade.

Finalmente, é importante manter-se lúdico com tudo isso; não se trata de desempenho ou pontos por esforço. A sexualidade de uma pessoa é tão única quanto suas impressões digitais.

“Fatos inesperados dão aos casais a oportunidade de transformar um fardo em desejo, frustração em prazer e medo em abertura. Onde traumas antigos bloqueiam o caminho, amor e respeito oferecem conforto e uma saída. Desta forma, a impotência pode ser superada, pois “o amor cura todas as feridas”. (Jungen Berger)

O que mais você pode fazer?

Dentro do espectro emocional, muitas vezes por trás de um “não poder”está um “não querer” inconsciente. Honrar e acolher esse “não querer”permite que você se pergunte o que realmente você quer. Aqui uma pergunta mágica pode ajudar: “Se eu acordasse amanhã e meu problema sexual fosse magicamente resolvido, por qual sentimento você o perceberia e como você viveria?”

Outras questões emocionais também podem estar envolvidas: pergunte a si mesmo se você aceita seu/sua parceiro/a como é, não necessariamente como você acha que deveria ser. Há mais alguma coisa que vocês dois podem fazer para ajudar um ao outro a deixar para trás antigos papéis e expectativas de gênero e performance? Você é capaz de reconhecer a profundidade de seus desejos sexuais naturais, assim como os de sua parceria? Embarquem em uma busca juntos – a sexualidade só pode funcionar com base na igualdade e cumplicidade.

No estado normal, sem excitação sexual, o sistema nervoso simpático está ativo; estimula os batimentos cardíacos e a respiração e faz com que as “artérias de entrada” no pênis se contraiam. Com pouco sangue, ele fica flácido.

O estresse e o medo aumentam a atividade do sistema nervoso simpático e provocam a liberação de adrenalina – e o sangue sai do pênis para se  distribuir para outras partes do corpo. O relaxamento é um fator essencial para uma ereção forte e duradoura.

O relaxamento, no entanto, é algo que parece muito estranho para muitos de nós: desde a infância, recebemos sinais de que devemos ter desempenho em muitos níveis. “Você quer dizer que eu não tenho que me esforçar para ter uma ereção?” é uma pergunta que todos nós fazemos quando nos damos conta disso. Quanto menos pensar em ter uma, mais provável é que tenha uma.

Muitos homens me procuram com queixa de disfunção erétil e, logo na primeira sessão, depois de exercícios de respiração para melhorar o estado de presença e uma extensiva massagem relaxante e amorosa, a ereção simplesmente acontece. Basta sentir, respirar e aproveitar.

Razões físicas para disfunção erétil.

Até cerca de trinta anos atrás, as pessoas pensavam que os problemas de ereção eram exclusivamente resultado de causas psicológicas. Pesquisas mais recentes mostraram que em 55 a 85 por cento dos casos, os fatores físicos desempenham um papel na disfunção erétil crônica. Esses fatores incluem:

Arteriosclerose: Certas escolhas de estilo de vida podem piorar a arteriosclerose, incluindo estresse, falta de movimento, uso excessivo de sal e uma dieta rica em gorduras trans.

Pressão alta: Se você tem pressão alta, pode reduzi-la reduzindo seus níveis de estresse, mudando sua dieta e aumentando seu exercício. A medicação regulará a pressão arterial, mas também pode ter efeitos colaterais influenciando ​​na sua capacidade de alcançar e manter ereções.

Fumar: Fumar em excesso não só leva ao entupimento das artérias penianas, mas também danifica o mecanismo de vedação das veias.

Obesidade.

Colesterol alto.

Abuso de álcool: O uso excessivo de álcool pode causar problemas de circulação, bem como uma degeneração do corpo mamilar no cérebro, que é responsável pelo nosso comportamento sexual. É bem sabido que pequenas quantidades de álcool podem causar relaxamento e reduzir as inibições, mas uma vez que uma pessoa bebeu demais, dificilmente algo acontecerá lá abaixo.

Problemas de fluxo sanguíneo no períneo: O fluxo sanguíneo para o períneo pode ser afetado negativamente pelo estresse, certos esportes (como ciclismo) ou ocupações específicas. Sentar demais também pode afetar a circulação do pênis, assim como roupas íntimas ou calças muito apertadas.

Problemas no sistema nervoso: O sistema nervoso transmite estímulos sexuais e garante que certas enzimas sejam direcionadas para a região genital. Cirurgia (especialmente na próstata), lesões, doenças neurológicas, doença de Parkinson e problemas na coluna (especialmente na área do sacro) podem interferir na função erétil, assim como a tensão nervosa.

Problemas de metabolismo e diabetes: Mais de 50% dos homens que sofrem de diabetes se tornarão impotentes ao longo de suas vidas; O diabetes não apenas bloqueia as paredes dos vasos sanguíneos, mas também danifica os nervos, impedindo que os impulsos nervosos importantes para uma ereção sejam transmitidos.

Disfunções hormonais: Os hormônios sexuais masculinos são formados nas células de Leydig dos testículos, bem como nas glândulas supra-renais. Se não houver hormônios suficientes para sustentar as ereções, muitos homens recorrem a afrodisíacos ou tomam inibidores da PDE-5, como o Viagra, que oferecem apenas alívio temporário.

Muitos pensam que a fórmula mágica para a excitação é muito simples: mais testosterona = mais excitação, mas não é verdade. Existe um pré-hormônio chamado dehidroepiandrosterona (ou DHEA) que contribui para o desejo sexual. DHEA é produzido pelas glândulas supra-renais e é um precursor de outros hormônios sexuais, incluindo testosterona e estrogênio.

Estimulação excessiva: As glândulas supra-renais lidam com o estresse e a excitação. O estresse excessivo prolongado nas glândulas supra-renais – por excesso de trabalho ou até mesmo pelo uso excessivo de pornografia – pode levar a problemas de ereção. Isso pode fazer com que se precise de um estímulo cada vez mais forte para ficarem eretos.

Estresse: Sob a influência dos hormônios do estresse, os testículos reduzem a produção de testosterona. Tanto em homens quanto em mulheres, o estresse também leva à redução da produção de DHEA. O estresse é, portanto, contraproducente tanto para a ereção quanto para a capacidade de ficar excitado.

Como fortalecer a capacidade de ereção?

Para promover boas ereções, temos que promover o fluxo de energia para o pênis. Qualquer um, independentemente da idade, pode promover o fornecimento de oxigênio ao e manter a elasticidade através de certos  exercícios. A seguir está uma lista de práticas que melhoram a ereção.

Práticas de respiração: Sempre abdominais, relaxadas no assoalho pélvico, testículos e pênis.

Esportes e dança: esqui (estimula a circulação na pelve), tênis (estimula a capacidade de reagir a estímulos), danças que promovem soltura dos quadris, como as latinas  (salsa, zouk, bachata, samba, etc…), esportes de resistência.

Fortalecimento do assoalho pélvico: aumenta a circulação na região pélvica.

Exercícios pélvicos: balançar, levantar, balançar a pelve, entre outros movimentos.

Body pump: os programas de exercícios são muito bons para promover a circulação na região pélvica. As aulas são oferecidas em muitas academias.

Chi Kung: dez minutos por dia promovem o livre fluxo de energia por todo o corpo.

Exercícios de Feldenkrais: promovem um relaxamento profundo e resolvem o stress a nível celular. O exercício do “relógio pélvico” é particularmente útil para a saúde peniana.

Banhos quentes e mornos: estimulam a circulação.

Musculação: leg press, treinamento abdominal e outros.

Patinação: estimula a circulação na pelve.

Cama elástica: cerca de 15 minutos para fortalecer as paredes dos vasos sanguíneos.

Desenvolvimento sexual e terapia tântrica.

Yoga: Asanas como a cobra não só promovem a circulação, mas também melhoram a elasticidade do corpo em geral.

Ânus e períneo – Anatomia do prazer de quem tem pênis

Ânus e períneo – Anatomia do prazer de quem tem pênis

Semana passada falamos do pênis e dos testículos dentro da anatomia do prazer de quem tem pênis. (pode ler clicando aqui). Essa semana iremos falar de duas zonas pouco ou nunca exploradas por muitos. Mas que podem proporcionar outras formas incríveis de prazer: o ânus e o períneo.

São dois locais em que se pode acessar direta ou indiretamente a próstata, a glândula que produz o líquido seminal e é altamente enervada, podendo proporcionar orgasmos incríveis.

O períneo

 Se quiser visualizar seu períneo vai precisar de um espelho de mão. Melhor ainda, agache-se sobre um espelho um pouco maior, o que permitirá que você use as duas mãos para explorar a área abaixo dos testículos.

Entre o ânus e o escroto está o períneo, uma área energeticamente e biologicamente muito importante para nossa sexualidade e desejo.

Usando um dedo para explorar o períneo, comece sentindo a protuberância que forma a raiz do lingam, localizada imediatamente atrás dos testículos. Caso esteja com o pênis ereto fica mais fácil ainda de sentir.

Um pouco mais em direção ao ânus fica uma área macia na qual você pode pressionar o dedo. Atrás desse ponto, internamente, está a próstata, e por esse local ela pode sim ser sentida e massageada, sem a necessidade de penetração.

 

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A próstata

Em nós, pessoas com pênis, o prazer da estimulação anal é aumentada por um aspecto adicional que pode proporcinar excitação e prazer profundos: a próstata, o lugar da força física e da conexão. Além dos benefícios para a saúde e potência que a estimulação traz, a massagem da próstata abre uma maneira totalmente nova de experimentar a excitação sexual, completamente diferente da excitação que experimentamos através do lingam.

Assim como a maioria das mulheres relata um orgasmo mais profundo, mais completo e mais duradouro quando a estimulação do clitóris é complementada por uma massagem no ponto G, uma massagem extensa na próstata também leva a um orgasmo profundo e duradouro. A abertura de cura que é possível em todos os níveis durante a massagem da próstata permite que a energia sexual se espalhe por todo o corpo e ser de um homem.

Muitos homens relatam que uma massagem na próstata os ajudou a experimentar um sentimento mais profundo de sexualidade e a construir um melhor contato com seu próprio ânus e assoalho pélvico. Sentimentos como alegria, excitação, suavidade, dor, tesão e tristeza vêm à tona. Outras relatam sentir-se “femininas” ou “expostas”.

Uma massagem anal e de próstata conecta os homens profundamente com o lado receptivo e “feminino” (importante frisar que aspecto “feminino”é completamente diferente de “afeminado”e em nada em a ver com orientação sexual. Todos os gêneros possuem energia feminina – yin – e masculina – yang, e manter essas duas polaridades em equilíbrio é importante para uma vida e relacionamentos saudáveis) de sua sexualidade, ao qual muitos não estão acostumados.

Eles experimentam pela primeira vez como é abrir as pernas e permitir que algo entre neles; eles aprendem o que é ser penetrado, ser “tomado”. Com essa experiência, os homens são capazes de combinar dois aspectos de sua sexualidade que parecem estar em desacordo um com o outro.

“Uma ereção completa, se aceita, honrada e respeitada, coloca os homens em contato com sua força poderosa. Combinada com as qualidades de poder, coragem, potência, força, resistência e prontidão para a ação, a força fálica é uma fonte de vida e um símbolo de masculinidade.

À medida que os homens aprendem a conectar essas qualidades com seus atributos “femininos” de abertura, devoção, plenitude e ternura, eles podem usar sua força fálica como uma expressão de amor e para o benefício de toda a vida. Eles conectam sua espada – o guerreiro interior – com sua mulher interna, um ser de amor e devoção. Espada e rosa se tornam um.” (Michaela Riedl)

A próstata é uma glândula do tamanho de uma castanha e responsável pela produção do líquido seminal (a parte esbranquiçada do sêmen). Está localizada logo acima do períneo, no centro da pelve, atrás do osso púbico. 

Embora sua próstata possa ser massageada até certo ponto através do períneo, a maneira mais direta de alcançá-la é através do ânus.

Para um homem que não está excitado, ter sua próstata tocada geralmente é bastante desagradável. Mas depois de um certo nível de excitação, a massagem pode ser bastante prazerosa e pode até levar a orgasmos – muito parecido com o ponto G para as mulheres. Os orgasmos da próstata são muito diferentes daqueles causados ​​pela estimulação do pênis. Eles tendem a conectar os homens com seus lados receptivos, fazendo com que o prazer se espalhe mais profunda e amplamente por todo o corpo e tem tendência a desencadear emoções.

A parte de trás da próstata toca o reto, por isso pode ser explorada e estimulada com os dedos através do ânus.

 

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O ânus – A zona “proibida”.

Depois de termos explorado o pênis e todas as áreas visíveis dos genitais masculinos, vamos explorar uma parte menos visível e mais “proibida” do corpo, o ânus.

Devido à sua proximidade com a próstata e a multiplicidade de terminações nervosas sensíveis, o ânus é uma zona altamente erógena. No entanto, muitos homens têm muito pouca experiência, com toque e estimulação, em grande parte porque essa área continua sendo objeto de muitos tabus e muitas vezes é considerada suja e fedorenta. Entre alguns homens, isso se mistura com o medo da homossexualidade. Eles não querem se tornar a “fêmea” penetrada.

Claro, é importante manter o ânus limpo para evitar a transmissão de bactérias. O fato é que o ânus – presumindo bons hábitos de higiene pessoal – normalmente é limpo e é uma área que pode ser muito sensível e até orgástica, não só para quem tem uma próstata quando para pessoas com vagina também. Para experimentar plenamente seus prazeres, no entanto, temos que deixar de lado os velhos preconceitos e vergonhas e nos aproximar dessa fonte de desejo e submissão novamente.

Segundo esses anos de experiência percebi que a maioria das pessoas (principalmente os homens) têm o ânus fechado e tensos, com dificuldade de soltar a área, e estão sempre muito preocupados com suas ereções.

Há uma dificuldade imensa de se soltarem, relaxarem e de serem receptivos. Parece que não há “alma”, não conseguem permanecer  presentes nem na massagem muito menos nas relações.

São incapazes de sentirem o próprio corpo ou a seus parceiros durante o sexo, esses homens me procuram com queixas relativas a problemas sexuais, como ejaculação precoce, dificuldades em alcançar ou manter ereções ou falta de sensibilidade à estimulação.

Tensões no assoalho pélvico, especialmente no ânus também podem ocasionar outros problemas como problemas digestivos, dores lombares, hemorróidas e até impotência.

“A região anal nos coloca em contato com as partes mais íntimas de um homem e assim honra seu “templo interior”. Não há maneira mais profunda de tocar um homem. Abrir-se à penetração anal permite  estar em contato com suas características femininas de devoção, profundidade e amplitude.” (Michaela Riedl)

 

 

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Mitos sobre a estimulação anal

A região anal é uma zona erógena com alto potencial de prazer para todos os gêneros

Os músculos anais são divididos em esfíncteres externo e interno. O esfíncter externo é controlado pelo sistema nervoso central e pode ser conscientemente contraído e relaxado. O esfíncter interno, no entanto, é controlado pelo sistema nervoso autônomo e pode ser conscientemente influenciado apenas com prática consistente.

O ânus tem cerca de quatro centímetros de profundidade e é cercado por uma pele externa calejada que é um pouco menos sensível que as outras partes. Mas se explorarmos mais por dentro, alcançamos a membrana mucosa muito sensível dos intestinos. Ao redor da pele externa do ânus – a roseta anal – há um grande número de glândulas que exalam um cheiro almiscarado.

O ânus é cercado por um grande número de terminações nervosas sensíveis ao toque. Metade (!) de todas as terminações nervosas da região pélvica estão localizadas ao redor do ânus. Massagear as nádegas e o períneo extensivamente leva ao aumento da circulação e, portanto, ao aumento da elasticidade do ânus. É importante falarmos sobre as preocupações e preconceitos mais comuns sobre a estimulação anal:

1. Sexo anal ou massagem anal significa tocar nas fezes: Isso raramente acontece, pois as fezes são coletadas no intestino grosso, não no reto. Nem o pênis nem o dedo penetram no intestino grosso. No entanto, é útil limpar o canal anal antes, pois em muitas pessoas os intestinos não funcionam de forma muito regulada. Geralmente uma ducha anal será suficiente. No entanto, como regra geral, é importante que qualquer dedo, pênis ou vibrador que tenha visitado a região anal seja lavado antes de qualquer contato com outro pênis, vagina ou qualquer tipo de membrana mucosa.

2. O esfíncter ficará solto durante o sexo anal ou massagem: Este não é o caso. No máximo, o esfíncter pode precisar de algum tempo para se regular após a relação anal ou massagem anal, o que em alguns casos pode causar flatulência temporária.

3. A relação anal ou massagem causa hemorróidas: Isso não é verdade. Desde que o esfíncter não seja esticado grosseiramente e seja cuidadosamente preparado com lubrificante suficiente (vaselina, óleo de coco ou outro), uma lesão que possa causar hemorróidas é altamente improvável. No entanto, aqueles que já sofrem do devem esperar até que as hemorróidas tenham cicatrizado, pois de outra forma podem sentir dor.

4. A penetração da área anal deve sempre acontecer muito lentamente: Isso também não está correto. O reto é projetado para excretar algo para fora do corpo em vez de aceitar algo dentro. É por isso que ele se contrai reflexivamente assim que algo deseja entrar. Se entrarmos no ânus muito lentamente, essas contrações podem variar de desagradáveis ​​a dolorosas. Portanto, é recomendável passar bastante tempo preparando a entrada e, em seguida, inserir o dedo ou o pênis suavemente, mas rapidamente.

 No início, o novo toque durante a massagem anal pode ser doloroso, especialmente se houver tensões físicas ou emocionais na região. Portanto, a exploração desse canal interno deve ser um processo respeitoso.

O músculo PC

E por último mas não menos importante vamos falar do músculo pubococcíneo (PC), que não pode ser estimulado porém pode e deve ser trabalhado para que tenhamos mais prazer nos estímulos do corpo.

Esse músculo desempenha um papel central no aumento da nossa energia sexual e excitação. Ele vai do osso púbico ao cóccix e conecta o ânus e os genitais com as nádegas e as pernas. Se alarga por todo o assoalho pélvico, circundando a próstata e controlando a abertura e fechamento da uretra, canal do sêmen e ânus. Ele é o “músculo do xixi”, o que você usa para segurar enquanto não consegue ir no banheiro. 

O fortalecimento consciente do músculo PC pode levar a orgasmos ​​e ereções mais fortes. Além disso, ele é peça central para conseguir separar o orgasmo da ejaculação, caso queira aprender a ter orgasmos múltiplos e secos.

Se o músculo estiver muito tenso e sob estresse constante, irá ser difícil ter uma ereção ou até se entregar a alguma relação. Por outro lado, se o músculo PC estiver muito fraco e tiver pouca ou nenhuma tensão, será difícil segurar sua urina, controlar suas ereções, ou fortalecer seu lingam.

Felizmente, você pode fortalecer seu músculo PC e criar uma boa tensão com alguns exercícios simples. O treinamento focado do assoalho pélvico dá a 80% dos homens com um corpo esponjoso peniano fraco uma melhora em sua capacidade de construir e manter uma ereção. Chamamos isso de “pompoar masculino” já que os exercícios são semelhantes aos do pompoar vaginal.

 

A respiração também desempenha um papel central no fortalecimento do assoalho pélvico. A respiração profunda permite que a energia fresca e o aumento da circulação sanguínea fluam para o lingam, a pelve e os órgãos pélvicos. Se os músculos do estômago, assoalho pélvico e diafragma cooperarem durante inalação e exalação conscientes, os órgãos internos experimentam uma maravilhosa massagem fortalecedora.

Quando você inspira, seu diafragma abaixa para dar espaço aos pulmões em expansão. Os órgãos do estômago se movem para frente, fazendo com que o assoalho pélvico se estique e seus músculos relaxem. Durante a expiração, o diafragma se move para cima e pressiona os pulmões para sustentar a expiração. Ao mesmo tempo, os músculos do assoalho pélvico se contraem para dentro e para cima.

Nos homens, a contração do músculo PC estimula a próstata. Isso desencadeia a liberação de hormônios e endorfinas que podem melhorar o humor e aumentar a vitalidade sexual. Então vamos começar a nos exercitar?

Pênis – Simbolismos e Realidades

Pênis – Simbolismos e Realidades

O pênis. Símbolo de poder? Da sociedade patriarcal? Ou somente um pedaço de carne esponjosa pendurado entre as pernas cerca de metade da população mundial?

Devido a toxicidade que vivemos no mundo. Com uma repressão sexual, muitas vezes até paradoxal sob meu ponto de vista, cada vez maior. Falta de educação sexual, compensada pela pornografia que começa a ser consumida cada vez mais cedo. Uma nudez ora símbolo de libertação e naturalidade ora alvo de críticas por ser “desnecessária” vemos distorções e violências sexuais cada vez mais frequentes. E quem leva a culpa? Não são os fatores acima, mas o pênis e todo o simbolismo que ele carrega. Ter um pênis significa ser um potencial abusador, mostrar o pênis pode simbolizar um perigo inato. 

E, não me canso de repetir, paradoxalmente, a nudez frontal masculina que não seja genital, de performance, ereto, pornográfica, é rara. A nudez artística, sensual, com nossos genitais no estado onde eles permanecem a maior parte do tempo, servindo como qualquer parte do corpo, vulnerável ao ambiente e a conceituação, essa é rara. E quando existe, certamente não é associada a heterossexualidade. Um hétero posar nú? Sem que seja para mandar nudes nas mídias sociais? Ainda com sua “ferramenta”flácida? E que graça tem ver ela flácida? Quero ver ela dura, potente, penetrante.

Pois, de novo, paradoxalmente, o que nos violenta também nos excita. O que é tido como gracioso não é tido como sexual. Sexo deve ser perigoso, tenso, cheio de vergonhas, preocupações, julgamentos e culpas…senão não é gostoso. O melhor sexo é aquele selvagem depois de uma briga. Sexo de reconciliação dizem. Aquele em que você erotiza e descarrega sua raiva no outro até que toneladas de hormônios liberados depois do gozo te relaxem. O sexo, lento, com amor e presença? Esse não é tão gostoso.

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O simbolismo do pênis é um complexo diagrama de paradoxos. E como isso influencia na visão de si e do corpo de quem nasceu com um?

O pênis como ferramenta

Com nada os homens se identificam tão intimamente quanto com seu pênis e seu comportamento. É o orgulho ou a queda do homem, sua pertença ou não pertencimento ao grupo dos homens, sua conexão com o mundo das mulheres, seu passaporte e medida”. (Dieter Duhm) 

Para muitos de nós, a sexualidade masculina ainda é um mapa com muitos pontos em branco que permanecem desconhecidos. Para o benefício de homens e mulheres, a aventura de descobrir a masculinidade pode começar.

Ao contrário do que as crenças sociais dizem, nós não costumamos lidar com nossos pênis com amor, gratidão e reverência. Em vez disso, os encaramos como simples ferramentas que nos levarão a um orgasmo, uma ejaculação…ou fornecer esses mesmos prazeres as nossas parcerias. Aliás, na maioria das vezes, quando nos tocamos é com essa intenção, obter uma ereção.

Quando se fala que vivemos em uma sociedade falocêntrica e que o pênis é um símbolo de opressão e poder temos que fazer uma correção, é o pênis ereto que é esse símbolo. É o que se espera de nós, é o que os filmes pornôs mostram. Se seu pênis não está ereto você é fraco, “impotente” como chamamos. Então, quem não apresenta seu falo ereto não tem potência, não expressa sua masculinidade plena. 

Como a ereção é causada pelo sistema simpático não temos controle sobre ele. Ele pode ocorrer as situações mais inusitadas e não ocorrer nas ocasiões mais excitantes. E justamente por não termos controle o peso, cobrança e consequente auto-cobrança pela ereção é enorme e nos tira grande parcela da possibilidade de presença, intimidade e expressão sexual de forma mais plena afinal, sem uma ereção nada disso acaba sendo válido.

O pênis como vergonha e culpa

O pênis, ao contrário do que a cultura popular diz, para muitos é motivo de vergonha e culpa. Seja pela tendência a achar que “poderia ser maior” e ficarmos constantemente nos comparando com outros (geralmente atores pornôs) e crendo que se fosse maior nossas companhias afetivas/sexuais ficariam mais satisfeitas. De novo, o símbolo de poder não é o falo, mas sim o falo ereto, grande e grosso.

Em uma cultura esquizofrênica (e violenta) quando falamos de sexualidade, o pênis, por si só, também é símbolo de agressividade, coerção e visto como algo invasivo. Um homem nú é visto de maneira muito mais agressiva que uma mulher nua, independente de ter uma ereção ou não.

A mídia tem uma parcela de culpa nisso. Nas poucas ocasiões em que se apresente um nú frontal masculino em filmes são em situações sexuais (geralmente falos grandes mesmo flácidos, simbolizando potência e instigando o imaginário para como seria se ficasse duro). Nús frontais em filmes e séries são pautas para inúmeros artigos falando do tamanho do órgão sexual do ator em questão.

Ainda existem poucas produções que trazem o nú masculino de forma naturalizada, em situações cotidianas ou de vulnerabilidade, onde o genital não seria o foco, mas somente mais uma parte do corpo humano ( que é como deveria ser tratado).

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A culpa pela ejaculação também aflige a muitas pessoas com pênis. Aprendemos a gozar não como ato de amor, mas como liberação emocional. É, para muitos, a única forma de relaxar, já que somos criados a reprimir e não expressar nossas emoções. Muitos de nós sofremos do que, na sexologia, se chama de “depressão pós-coito” onde, após a ejaculação, entramos numa crise de choro, culpa e depressão. Não é algo incomum infelizmente. E vem de encontro com as repressões e pesos que carregamos simplesmente por termos um pênis.

Como você chama o seu?

O português não tem uma palavra que transmita amor e reverência para nosso genital. Infelizmente nem pênis, pau, cacete, caralho, rola, pinto…pode refletir o significar que tal parte do corpo pode ter para quem o detém. É um dos maiores exemplos de que não temos um relacionamento consciente e amoroso com essa parte de nossos corpos.

No hindi, que deriva do sânscrito, língua sagrada em que os Tantras foram transcritos, temos a palavra “lingam”para se referir a todo o aparto sexual masculino. A palavra lingam refere-se ao núcleo mais íntimo da masculinidade. Significa “coluna de luz”, “parede de luz” ou “bastão de luz”. O taoísmo também utiliza termos como “vara de jade” e “espada de lótus”.

Na Índia, o lingam é reverenciado como uma expressão da clareza de Shiva, capaz de penetrar na névoa da ilusão – ideias e crenças falsas. O lingam simboliza a espada fina que diferencia entre o verdadeiro e o falso e entre nossa própria energia criativa e a energia da criação.

Não faz sentido para você? Que a mudança de percepção que você tem de seu pênis possa romper com muitas crenças falsas que faz com que diariamente você diminua e violente seu corpo, assim como o corpo de suas parcerias?

 

Lidando com o pênis de forma saudável

 Hoje entendo que o lingam representa mais do que apenas superstição. É honrar a energia reprodutiva e criativa masculina, e também honrar a masculinidade. E isso de forma alguma é ser “falocêntrico”, mas sim amar uma parte de mim. Assim como para pessoas que tem vagina amar e reverenciar essa parte de seu corpo faz com que se ame e se empodere de seu corpo e sexualidade.

Essa mudança de relacionamento com meu lingam também encontrou sua expressão em minha sexualidade. Antigamente, quando eu acariciava meu lingam, fazia isso para satisfazer um desejo, ou para me “esvaziar” de tensões, angústias, ansiedade , não para “honrar” nada. Não vou falar que ainda não o faço, pois é um condicionamento profundo. Mas quando se tem consciência os padrões começam a se romper.

Era o mesmo quando eu acariciava uma yoni (vagina); a relação sexual ou o orgasmo da minha parceira eram meus objetivos. Agora estou, aos poucos, deixando de trabalhar em direção a esses objetivos e, em vez disso, toco meu lingam ou yoni para honrar o que significa ser cada um/uma. O que fazemos com nosso corpo é espelho do que buscamos no corpo do outro.

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Para você que se relaciona de forma sexual com pessoas com pênis. Quando tocá-lo, lembre-se de toda a carga que ele carrega. Não o faça simplesmente para que se tenha uma ereção e possa penetrar. Isso é utilizá-lo como uma ferramenta, que é como ele sempre foi utilizado. E reflita, como você lida com seus genitais? Como interagem com eles? Da mesma maneira que o faz com o outro?

 “Existem duas maneiras para o pênis ser excitado – através da emoção ou através do amor.” Hoje consigo começar a compreender plenamente o significado de sua mensagem em meu próprio corpo. É uma sensação maravilhosa para mim começar a ser despertado pelo amor e desfrutá-lo. Compartilho essa abordagem positiva de uma sexualidade plena com outros homens, mulheres e casais em minha prática terapêutica.

Eles param de reduzir o pênis a um “órgão de função” que deve ficar ereto e produzir orgasmos, e reconhecem que nossas interações com o lingam são mais do que apenas colocá-lo para cima, para dentro e para fora.

“Durante centenas de anos de influência da igreja e seus dogmas, a sexualidade foi desvalorizada, assim como as mulheres e seus poderes secretos. Isso tornou cada vez mais difícil para o poder feminino honrar o poder masculino e seu lingam. Os homens perderam a consciência do lingam como órgão do amor e começaram a usá-lo com uma fixação no objetivo pessoal de atingir o orgasmo. Esse foco limitado muitas vezes levava as mulheres a temer o lingam e as impedia de reconhecê-lo como uma parte enriquecedora de sua experiência sexual. Assim, o lingam raramente recebeu o amor que merece.” ( Diane Riedl)

Nutrir a sexualidade requer segurança, aceitação, compreensão e amor. Isso vale tanto para os homens quanto para as mulheres.

Assim como as mulheres, os homens precisam de um ambiente encorajador para desenvolver sua sexualidade. Isso inclui não apenas as condições externas, mas também um parceiro relaxado e receptivo – que não precisa ser “perfeito”, mas sim amoroso e empático. Compreender a sexualidade é necessariamente um processo, não um evento. A descoberta e aceitação da força sexual masculina é independente da potência ou da ereção.

Yin Yang: Até que ponto essas duas energias refletem padrões de gênero?

Yin Yang: Até que ponto essas duas energias refletem padrões de gênero?

Tenho visto muita gente falar sobre Yin e Yang, geralmente associando-as às energias “masculinas” e “femininas” e atribuindo papéis de gênero a essas energias.

Geralmente se fala que a mulher seria mais “Yin“, ou seja, mais acolhedora, amorosa e submissa, e o homem mais “Yang“, dominante, ativo, racional. Mas até que ponto isso realmente se aplica? Ou seria uma distorção do conceito taoísta para se adequar a uma cultura que preza pela distinção de gênero?

Vamos analisar?

A Teoria do Yin Yang

Em meu artigo sobre Meridianos eu falo um pouco sobre como essas duas energias funcionam em nosso corpo e as diferenças de polaridades os chakras no homem e na mulher. 

Para o Taoismo todo o universo é regido por duas energias que ao mesmo tempo que opostas, são complementares. Essa dualidade é necessária para manter o equilíbrio de todas as coisas.

Essas energias são chamadas de Yin e Yang, e seu símbolo expressa sua essência: As duas polaridades estão sempre se movimentando entre si e, assim como um não existiria sem o outro um sempre está contido dentro do outro.

A princípio pode parecer complicado de entender. O Taoismo surgiu da observação dos fenômenos da natureza e do nosso corpo, assim como a ligação entre os dois.

Como o Yin Yang se manifestam no Universo? 

Na natureza as forças Yin e Yang se manifestam, por exemplo, no dia (Yang) e na noite (Yin), na água (Yin) e no fogo (Yang), nas estações do ano, onde o Inverno é o mais Yin e o Verão a estação mais Yang. A luz é Yang e a Sombra Yin, o calor é Yang e o frio é Yin. Todos os elementos tem seu oposto complementar que faz com que haja um equilíbrio. Tudo começa já nos átomos, onde o equilíbrio entre prótons (Positivo – Yang) e elétrons (negativo – Yin) forma a estrutura de toa manifestação física do Universo.

As plantas sobrevivem por causa do intercâmbio harmônico entre o dia e a noite e florescem e se reproduzem por causa da mudança de estações, por mais sutis que sejam. Mesmo em lugares mais extremos onde em certas épocas do ano as noites duram mais que os dias em outras épocas os pólos se invertem, mantendo o equilíbrio e o movimento contínuo, alternando a predominância de cada energia.

A noção que temos de “equilíbrio aqui no Ocidente é da estabilidade de uma balança com dois pesos idênticos. Prezamos por um estado contínuo, de preferência de expansão (bonança, extroversão, atividade, produtividade e sociabilidade) em detrimento de estados onde estamos mais reservados e ociosos. Para o Oriente o conceito de equilíbrio está justamente nesse movimento ondulatório de alternância de energia, inclusive em nossa vida. Os momentos de introversão são tão importantes quanto os de extroversão. Os momentos de escassez são necessários para que haja a bonança. Todos os movimentos são válidos para que haja vida.

Enquanto por aqui nossa noção de equilíbrio vem da estabilidade, da balança com dois pesos iguais, tanto o Taoísmo quanto no Tantra o equilíbrio vem do pulsar entre as duas energias, respeitando os momentos de expansão e contração da vida.

O Yin e o Yang no corpo humano segundo a Medicina tradicional chinesa.

É aí que o bicho pega, pois é muito fácil analisarmos como algo funciona a nossa volta, mas e quando temos que analisar a nós mesmos?

Vou tentar construir um racional da maneira mais neutra possível comparando o equilíbrio macrocósmico da natureza com o microcosmo do nosso corpo.

Para o Tao nosso corpo nada mais é que a reprodução do fluxo de energia do universo. Jesus disse que “Deus está dentro de cada um de nós”, ou seja, ao mesmo tempo que somos responsáveis por construir nossa realidade somos responsáveis por parte da construção do coletivo. Somos parte de Deus. Milhares de anos atrás os chineses já haviam observado a ligação que temos com a consciência do Universo e usavam essa compreensão para criar um estilo de vida mais harmônico com a natureza e de maior consciência de nós mesmos..

Mapeando pontos de calor e o fluxo de energia do corpo dentro de práticas como o Qi Gong os chineses desenharam como se dá o fluxo de energia dentro de nós e desenharem os canais hoje conhecidos como Meridianos.

Como tudo no universo, esse fluxo também se divide em trajetos de energia Yin (com fluxo constante de baixo para cima, correndo pela frente do corpo) e seus complementares Yang (de cima para baixo, correndo pelas costas).

Ok, você já entendeu que temos uma energia Yang positiva e uma energia Yin negativa. E que como uma pilha se retro-alimentam e geram tudo que há no Universo.

Mas como que os chineses descobriram que Yin seria uma energia “feminina” e Yang a “masculina”?

Foi observando as mesmas características da natureza, mas em nossos corpos. O corpo e a energia das mulheres responde as fases da Lua (ciclo menstrual – noite) enquanto o corpo dos homens responde as estações do ano (Sol). O corpo da mulher geralmente sente mais frio que o homem, e assim sucessivamente.

Assim se concluiu que os homens naturalmente tem energia mais Yang e as mulheres tem mais energia Yin, porque naturalmente o corpo de cada gênero responde mais fortemente aos estímulos naturais de uma energia específica.

Apesar do Tao não condenar nenhuma prática ou característica do nosso corpo ou da natureza o Império chinês pensava diferente, a sociedade era organizada de maneira extremamente hierárquica e patriarcal. Apesar da liberação sexual e da importância que o Tao e a própria cultura dava ao prazer feminino as mulheres tinham posições submissas na sociedade, portanto características tidas como “femininas” foram acrescentadas a energia Yin.

“No Ocidente, muitas pessoas, hoje em dia, estão concluindo que masculino e feminino são simplesmente termos genéricos construídos pela sociedade. Tao diz que, apesar de haver muita diversidade de indivíduo para indivíduo, os homens em geral têm mais energia yang (masculina) e as mulheres têm mais a energia yin (feminina). A filosofia Tao sempre reconheceu que os homens também têm uma parte feminina e as mulheres sua parte masculina e que qualquer oposição binária é totalmente falsa. Esta concepção está representada no símbolo de Tao, através de um círculo que representa o masculino dentro do feminino e vice-versa. Cada um contém uma parte do outro.” (Mantak Chia – O Orgasmo Múltiplo do Homem)

Tomar essa posição binária reforça esteriótipos de gênero construídos ao longo da história. Uma mulher sim tem mais energia Yin, pois seu corpo responde a natureza Yin do Universo. Mas devemos observar que, em nenhum aspecto da natureza a noite é submissa ao dia ou o frio ao calor. Todos os elementos Yin anulam o Yang e vice-versa.

Quanto aos aspectos físicos, biológicos e emocionais sim somos diferentes e nos complementamos. Porém, assim como a relação de qualquer outro elemento da natureza, a relação entre homem em mulher deve ser de equilíbrio e nunca de dominância ou submissão de um sobre o outro.

“A sociedade ocidental separa artificialmente nosso masculino e feminino ao desencorajar seu desenvolvimento. Os homens são ensinados, por exemplo, a esconder sua feminilidade. O Tantra encoraja cada gênero a cultivar as energias latentes do outro. Se os homens buscarem suas verdades intrínsecas no caminho tântrico, eles invariavelmente descobrirão seu lado suave, receptivo, sensível e vulnerável, sem perder sua masculinidade. As mulheres descobrirão sua liderança forte, iniciativa dinâmica e poderes de ensino, mantendo sua feminilidade. Essas novas qualidades aumentam as forças consistentes com nosso gênero externo que já aprendemos a exercitar. Talvez esteja mais claro agora por que dizemos que Tantra não é um conjunto de crenças ou filosofias. É um caminho de experiência.” (Awakening the Sacred Gate, Tantra Tahoe, 2003)

Como se comportam os centros energéticos no Tantra Taoísta

Quando o Tantra xamânico hindu alcançou o Tibet houve uma simbiose com o budismo e também com o Taoísmo. Todas es 3 filosofias “coincidentemente” tem muito em comum e o Tao somente trouxe técnica e acurácia para a filosofia naturalista tântrica. Hoje podemos estudar o Tantra budista baseado em Mantras, meditação, Yantras e mandalas. Assim como o Tantra Taoísta baseado nos trajetos dos meridianos e nas forças Yin e Yang de cada chakra, assim como a reflexologia sexual e o sexo curativo e retenção da ejaculação. 

Com essa mescla as características de Shiva, a consciência do Universo, foram incorporados a energia Yang masculina: Forte, racional, vibrante, brincalhão, poderoso, ativo, criativo e sábio. E as características de Shakti, a manifestação da consciência, à energia Yin feminina: Receptiva, amorosa, impulsiva, generosa, maternal, carinhosa, sentimental, compassiva.

Vale lembrar que no Tantra da Caxemira os Deuses são metáforas dos vários aspectos de nossa consciência cada Deus (consciência) tem uma Deusa (manifestação) equivalente, ou seja, todos nós temos as características de Shiva e Shakti dentro de nós.

E as polaridades de nossos chakras se invertem de acordo com nosso gênero, como descrevi no texto sobre meridianos. Porém dentro de cada centro Yang há uma parte Yin, e vice-versa. E essa polaridade vive em movimento e alternância da predominância das energias.

Por exemplo: assim como na natureza as noites (Yin) tem a alternância entre a lua cheia (Yang) e a lua nova (Yin) ou os dias (Yang) intercambiam entre o verão (Yang) e o Inverno (Yin) nossos centros energéticos também se comportam da mesma maneira.

Yin e Yang na relação sexual

 Como falamos anteriormente segundo as filosofias orientais cada um de nós é a representação da manifestação do próprio  Universo. Temos o dia a e noite, o calor e o frio, a contração e a expansão, o Yin e o Yang, o masculino e o feminino…tudo dentro de nosso corpo. E essas energias se movimentam em ondas sempre buscando o equilíbrio.

E o ato sexual é manifestação física da junção dessas forças, é quando as duas polaridades se conectam e assim podemos alcançar o divino, a plenitude, onde não existe mais dualidade.

Uma interpretação para a teoria do Big Bang é que o Universo teve seu início através de um grande Orgasmo. E ele continua a se expandir e se contrair como esse único, longo e cósmico gozo. E nós podemos tocar e experimentar toda essa energia. Durante nosso Orgasmo, nós nos conectamos com a energia cósmica do Universo, e nossa energia sai em forma de espiral para que nos juntemos a ela. Simultaneamente, essa energia se mescla com nosso ser, nos oferecendo, a partir da união com o próximo, o reconhecimento de todo nosso poder.”

(Kavida Rei – Tantric Sex, the path to sexual bliss. Tradução livre) 

Durante o sexo um dos parceiros assume um papel mais Yin e o outro mais Yang. Durante a penetração, a mulher tem a necessidade de relaxar e se abrir para assim acolher o pênis do parceiro, então geralmente ela que detém e energia Yin. Enquanto o homem, que penetra o pênis ereto a ser acolhido pela vagina de sua parceira, seria a representação do Yang.

Porém sempre temos que lembrar que uma energia está contida dentro da outra, e mesmo que temos uma delas mais representativa a outra também pode se manifestar. Por exemplo: quando a parceira está por cima ou está fazendo sexo oral no parceiro ela está assumindo o papel Yang (ativo) na relação.

A inversão de papéis é importante para o fluxo energético.

Para o Tao essa inversão de papéis durante o ato é importantíssimo para que o sexo seja uma ferramenta da cura e ascensão. Não existe elevação de consciência caso haja qualquer relação de dominância de uma força perante a outra ou estagnação das polaridades em cada um. As forças devem sempre se movimentar se retroalimentando.

Apesar de evitarmos a oposição binária, precisamos ficar atentos às nossas diferentes necessidades, principalmente na cama. Por exemplo, Yang tanto se eleva rapidamente quanto se extingue depressa; Yin se eleva com mais vagar, bem como se extingue vagarosamente. Devido aos homens tenderem a ser mais yang e as mulheres a ser yin, eles podem se ajudar mutuamente para alcançar um melhor equilíbrio através da troca de suas energias durante o sexo. O ideal é que ambos os parceiros estejam conscientes de como se faz essa troca. Você não pode receber a energia yin dela sem dar a seu yang. Permitir que ela absorva seu excesso de energia yang também evita que você acumule muita energia nos seus genitais controlando a ejaculação. Se você ejacular, fica difícil trocar energia, porque você perde a maioria da sua.

Lembre-se, é a troca que é importante.

O Tantra Taoísta encara o sexo como um jogo onde o homem deve aprender a controlar sua energia Yang se abrindo e se vulnerabilizando para que consiga controlar seu fogo e assim, aquecer a água de sua parceira. Enquanto ela, com o fogo Yang de seu coração, com sua abertura e entrega, aqueça a água da paixão de seu companheiro. E assim as energias se juntam e circulam entre os dois.

“Há somente uma solução para que um homem possa acompanhar sua parceira durante o ato sexual: Se tornar energeticamente uma mulher. Isso quer dizer abandonar completamente a si mesmo, se deixar ir, se entregar completamente.”

— Daniel Odier em “Desire”

O poder da deusa durante o sexo.

No sexo tântrico, a mulher incorpora todas as mulheres do universo. O homem demonstra seu amor e confiança por meio de atos espontâneos de adoração devocional. Como resultado, a mulher se abre como uma flor de lótus, irradiando serenidade, beleza e êxtase. Em resposta, o homem se rende, permitindo que o ego morra enquanto ele se afoga na plenitude do poder feminino de sua parceira.

No tantra, toda mulher é uma deusa que incorpora o princípio feminino yin do universo. Quanto mais uma mulher puder abraçar sua verdadeira essência feminina durante o sexo, mais feliz e mais realizada ela será, e mais ela poderá se abrir para seu parceiro no amor.

A sexualidade de uma mulher é desencadeada por meio do amor e brincadeiras sensuais. As meditações tântricas ajudam a ativar a abundante capacidade de orgasmo inerente a toda mulher. Os chakras que melhor podem ajudá-la a entrar em contato com seu poder feminino são os mais Yang, ou seja, o segundo, o quarto e o sexto. A massagem e a atenção a eles ajudarão a relaxá-la e estimulá-la.

Esteja confiante em revelar sua deusa interior durante o sexo. Permita-se deixar ir e liberar todos os aspectos de seu poder feminino. Faça barulho, seja fluida e natural, permita que suas emoções fluam livremente e não tenha medo de assumir o controle quando tiver vontade.

O poder do deus durante o sexo.

O parceiro masculino representa cada homem no mundo e aparece para sua amada como um deus onipotente. A mulher se submete à paixão, desejo e energia dele. A parceira se abre para seu amado sem resistência, descobrindo sua verdadeira força enquanto se deixa levar.

Para o homem o sexo tântrico é uma oportunidade de explorar e expressar sua masculinidade, de se tornar o seu eu autêntico e de assumir um papel dominante como amante. É realmente excitante para a mulher ver seu amante abraçando sua força e assertividade, mas também permanecendo sensível e ciente de suas necessidades. No tantra, o princípio masculino é uma combinação potente e sexy de força, ternura e poder. O verdadeiro poder masculino se origina do terceiro chakra (localizado no plexo solar), onde suas linhas de energia se encontram. É aqui que o seu verdadeiro eu, masculino e forte, mas sem ego, encontra a energia que se manifesta em todo o seu ser. É uma área em que sentimentos e emoções não expressos podem ficar presos e isso pode afetar a capacidade de um homem viver em sua totalidade, não apenas nos relacionamentos e durante o sexo, mas também no mundo em geral. As meditações do Tantra podem ajudá-lo a liberar sua natureza masculina.

Quanto mais confiante um homem estiver em expressar seus sentimentos à parceira, mais sexy ele será. No tantra, você é encorajado a expressar seus pensamentos, sentimentos e desejos. 

O desejo por sexo com penetração pode ser uma força motriz nos homens, e isso pode impedir sua criatividade no ato de fazer amor. O tantra o encoraja a permanecer presente no momento, entregando-se a cada sensação e movimento e assim fazer com que a penetração e a ejaculação passe a ser só mais um detalhe na conexão entre os dois, e não o objetivo central.

O Tantra ajuda o homem a descobrir e realizar o potencial de seu poder masculino livre dos esteriótipos, do machismo e de relações de dominância do ego. Quando ele estiver totalmente confortável com sua masculinidade, poderá levar seu prazer sexual a um novo nível, o que também é um estímulo verdadeiramente sensual para sua parceira.

Conforme cada um se apropria e tem consciência de seu deus e deusa interior então sim estarão preparados a serem livres e abandonar totalmente seu divino masculino e feminino, se tornando uma só energia a ser manifestada de maneira fluida e sem nenhuma amarra.

O Yin Yang na união homoafetiva

Esse é um assunto em que muitos autores se perdem, outros colocam uma opinião cheia de vieses e nos meus cursos dificilmente foi tratado.

É fato que nas escrituras do Tantra e tampouco do Imperador Amarelo (que descreve as técnicas do Taoismo) não se fala de relações homoafetivas apesar de ter sido uma prática bem comum desde o início dos tempos. Na China antiga era chamado de Lung yang devido ao nome de um dos amantes do príncipe, ou de tuan-hsiu, o “manga curta”, lembrando a história de um imperador que teria cortado sua manga para poder sair da cama de um de seus amantes sem que o acordasse.

Embora dentro da corte imperial a prática era muitas vezes condenada (é claro que sempre dependia de quem estava dormindo na cama real) o taoísmo nunca condenou a homossexualidade. O Tao evita condenar qualquer segmento da experiência sexual. Ela tenta ensinar às pessoas como permanecerem sadias, independente de suas orientações. 

Segundo Mantak Chia, no livro “O orgasmo múltiplo do homem”, os taoístas entendem as características da sexualidade masculina como uma das propriedades da energia masculina, ou yang. Yang é ativo, volátil e expansivo.

Durante o sexo heterossexual, o yin da mulher recebe e, então, equilibra o yang do homem. (Como vimos anteriormente, yin e yang são qualidades variáveis existentes em ambos, homens e mulheres. Há homens que são mais yin, assim como há mulheres que são mais yang. Segundo os taoístas, o universo sempre procura pelo equilíbrio tanto nos relacionamentos quanto na natureza).

A expansividade da energia Yang.

Em geral, quando dois homens gays fazem amor, os yangs de cada homem se carregam entre si, aumentando, mais do que diminuindo, o apetite sexual de ambos. 

A expansibilidade da energia yang é muito difícil de conter e, por isso, sempre tentará escapar através da rota mais direta – o pênis. Para o o criador da massagem Lingam e do Sexological Bodywork, Joseph Kramer, não é surpresa que o propósito de quase toda a sexualidade dos homens gays é “a ereção e o gozo”. Essa ênfase na ejaculação é compreensível, porque é isso que satisfaz o apetite sexual; uma vez que ele ejacula, se torna mais yin – em outras palavras, estável, interno e contrátil.

Dentro do sexo “Yang Yang” ainda é possível chegar nesse equilíbrio já que a próstata é a energia contrária e complementar a do pênis. O potencial da próstata como geradora de prazer e orgasmos é bem divulgada e até conhecida de de muitos homens (gays e héteros).

De acordo com o Tao tudo que é ativo também deve ser passivo (se tratando de relações tanto hetero como homossexuais), portanto recomenda-se a versatilidade nas relações.

Na sociedade ocidental patriarcal temos o estigma negativo associado a “ser fodido” e a sensação e atribuição de poder a quem “fode”. Essa crença não permanece somente no meio das relações entre homem e mulher, mas também se reflete na comunidade gay.

O taoísmo vê a pessoa que fica por cima não como a “dominante”, mas sim como aquela que revitaliza seu parceiro ou parceira. Aquele que fica por cima (ou o parceiro mais ativo) dá mais energia sexual (e de cura) àquele que está por baixo (ou o parceiro mais passivo).

Quando você está por baixo, recebe os benefícios de ter a sua próstata massageada durante a penetração anal. Segundo Stephen T. Chang, no seu livro The Tao of Sexology (A Sexologia de Tao), os homens gays que geralmente ficam por baixo têm menos problemas na próstata que os que ficam só por cima, assim como os heterossexuais que estimulam frequentemente suas próstatas (seja sozinhos ou pelas parceiras).

Você mesmo estando por baixo não precisa ficar completamente passivo. Com o pompoar dos músculos pubicoccíneos (os mesmos músculos que você utiliza para segurar o xixi) você pode, além de aumentar seu prazer e o do parceiro, fazer a energia entre vocês circular de maneira mais efetiva.

E no sexo entre mulheres, acontece o mesmo?

Sim! Por exemplo, na posição “tesourinha” os clitóris se estimulam ligando Yang com Yang, então acontece o mesmo que com os homens, os yangs se carregam entre si, aumentando, mais do que diminuindo, o apetite sexual de ambas.

A energia Yang é muito forte e sai através do orgasmo explosivo e curto do clitóris. As mulheres tem a grande vantagem de terem vindo de fábrica com a capacidade de terem orgasmos múltiplos sem que percam sua energia. Porém quando não há o equilíbrio com o Yin, por mais que ambas atinjam uma grande quantidade de orgasmos fica sempre a sensação de que o ato nunca chega a estar “completo”, a satisfazer totalmente.

Por isso também é importante estimular o ponto Yin, o canal vaginal. Com a penetração, seja com cintas, dildos ou dedos…onde a mulher também entra em contato com seu ponto mais Yin, se abrindo para a energia Yang da parceira, pode gerar o equilíbrio energético. A versatilidade e o intercâmbio do Yin e Yang é que vai garantir que o sexo seja curativo, seja ele homo ou heterossexual.

Para tal não é necessária a penetração, com a presença, respiração, e  condução se pode ter uma experiência incrível sem que haja contato físico entre os órgãos sexuais.

Apesar de nenhuma das filosofias condenar o sexo casual é claro que alcançar tais estágios fica mais fácil se seu parceiro ou parceira se abre a se descobrir e a aprender a se conectar com você. No sexo casual pessoas que estão em busca dessa conexão para com sua essência, seu corpo e sua sexualidade são mais propensas a estarem abertas a se conectarem e experimentarem esse fluxo de energia.

Concluindo: Yin e Yang tem realmente relação com o feminino e o masculino?

Por mais que, no geral, as mulheres tenham mais energia yin e os homens mais yang, isso pode sempre mudar, pois as duas energias estão sempre em movimento e buscando o equilíbrio entre si.

Algo só estará errado se esse equilíbrio não puder ser alcançado. Por exemplo: homens que não conseguem entrar em contato com seu Yin, ou seja, não conseguem se mostrar vulneráveis e afetuosos, assim como não se abrem para escutar, amar e acolher. Ou mulheres que não conseguem entrar em contato com seu Yang: são incapazes de tomar iniciativa, de se posicionarem e tomarem decisões.

Também existe o contrário, homens muito Yin que não conseguem se posicionar ou ter iniciativa e mulheres muito Yang que tem dificuldade de se entregarem, de escutarem e de se abrirem para serem amadas e acolhidas. Esses são só alguns exemplos de desequilíbrios que precisam sim ser trabalhados.

Mas fora isso NUNCA aceitem argumentos de que mulheres precisam ser mais submissas e aceitar seus homens provedores. E que os homens precisam aceitar sua energia masculina e sempre proteger, tomar iniciativa e decisões. Isso não existe, é um padrão repressivo repetido geração a geração e que resultou numa sociedade com padrões de relacionamentos tóxicos e desequilibrados em contato com uma noção de sexualidade limitada, reprimida e distorcida.

Se existe relação de dominância sem intercambio de forças não há equilíbrio, e se não há equilíbrio não é natural.

Uma importante parte do Tantra é aprender com seu parceiro. Nos textos antigos o deus Shiva às vezes é um professor para Shakti e outras vezes Shakti o ensina. E ele ouve e pergunta sobre respeito e sabedoria, enquanto ela ouve e pergunta sobre coragem e força.

(Kavida Rei – Tantric Sex, the path to sexual bliss. Tradução livre)

 

Meridianos: Como o fluxo de energia pode fazer diferença em nossa saúde.

Meridianos: Como o fluxo de energia pode fazer diferença em nossa saúde.

Já falamos sobre o funcionamento dos chakras e da kundalini, assim como algumas atividades e funções corporais, principalmente a respiração consciente, podem ativar essas energias, levando seu corpo e mente a novos graus de percepção.

Para fechar essa sequência sobre energias vamos migrar para a China e conhecer um pouco sobre o funcionamento dos Meridianos e como os chineses utilizam o fluxo de energia não só para elevação da consciência, mas para tratamento de doenças e/ou distúrbios emocionais.

E, é claro, como tudo isso se relaciona com o Tantra e pode ser utilizado na Terapia Tântrica.

O Taoísmo

O Taoismo é uma filosofia e religião surgida na China a cerca de 3.000 anos a.C. Ela se baseia no tao, ou seja, na fonte, na dinâmica e na força motriz por trás de tudo que existe. Também chamado na China de chi, ou para o hinduísmo, de Prana.

O Taoismo busca um caminho naturalista, conectando nosso caminho energético com os elementos da natureza e o funcionamento dos nossos órgãos.

E onde que entra o Tantra em tudo isso? O Tao também estuda a energia sexual e sua importância para a longevidade, saúde e transcendência. Os textos do Imperador Amarelo são, até hoje, um guia para uma plena saúde sexual e corporal sendo base de diversas práticas orientais, como a acupuntura, Shuatsu e o Tui-Ná.

O Tantra e o Taoismo se encontraram no Tibet, através da migração de mestres tântricos perseguidos pelas invasões mulçumanas e posteriormente inglesa. Assim as filosofias Taoistas, do Tantra e do budismo se fundiram surgindo novas ramificações, como o Tantra budista (baseado no zen e na elevação da Kundalini através da meditação, respiração e práticas como Tai-Chi e Chi-Kung) e o Tantra Taoísta, que herda da China um pragmatismo e precisão nas práticas, assim como a dualidade não existente no hinduísmo.

Ying Yang 

O Taoísmo trabalha com dualidade entre o Yin e Yang. A energia Yin é a energia passiva, submissa, vulnerável, feminina. E energia Yang é a energia ativa, masculina. Dentro da energia Yin existe a energia Yang e vice-versa. Elas são, ao mesmo tempo que antagônicas, complementares, uma não existe sem a outra.

O dia não existiria sem a noite, o claro não existiria sem o escuro. Tudo que é vivo (inclusive o universo) contém os dois elementos dentro de si e o ideal é que eles estejam sempre em equilíbrio.

Vale ressaltar que para a Medicina Chinesa o “equilíbrio” não é caracterizado por uma estabilidade eterna, como cremos aqui no ocidente, mas sim em ondas. O equilíbrio consiste em termos momentos de introspecção (yin) e momentos de extroversão (yang). Em termos dias e noites assim como estações frias e estações quentes, todas com durações e intensidades equivalentes.

Em um momento a energia yin se sobrepõe a yang e em outro o Yang se sobrepõe ao Yin.

Exemplos de elementos Yin e Yang

Essa polaridade se manifesta em todos os aspectos do universo. Inclusive em nossos relacionamentos e no sexo.

Em nossos chakras também há uma predominância mais yin ou yang, que são opostas de acordo com o nosso sexo.

O primeiro chakra (sexual) é o mais ativo (mais Yang) no homem enquanto é o mais interno (mais Yin) na mulher. O Tao diz que no sexo o homem é como o fogo, ele acende rápido e explode igualmente rápido. A mulher é como água. Ela demora para se aquecer porém demora também para esfriar.

O segundo chakra é mais ativo(yang) na mulher e mais passivo (yin) no homem. A mulher é mais sensual e leva sua sexualidade para um campo mais sutil que inclui o jogo de sedução e os 5 sentidos. Além do que o útero e os ovários, grandes centros energéticos femininos, estão localizados exatamente no ponto deste chakra.

O terceiro chakra é mais yang no homem, que tem o ego mais exacerbado e a cobiça pelo poder e ambição mais acentuadas.

Já o quarto chakra (o cardíaco) é o chakra mais Yang (ativo) das mulheres e o mais Yin para os homens (a parte mais proeminente das mulheres (mais “para fora”) são os seios (quarto chakra) enquanto nos homens é seu genital (primeiro chakra). Para o Tao emocionalmente as mulheres são como fogo, elas incendeiam rapidamente porém também apagam de maneira igualmente rápida. E os homens são como água, eles demoram a expressar suas emoções (a aquecer) porém depois que as expressam tem problemas em superá-las ou esquecê-las (para esfriar).

O quinto chakra (da garganta) é mais yang no homem, que tende a se expressar de maneira direta e objetiva quanto as suas vontades enquanto o sexto chakra é mais ativo nas mulheres, que tem seu sexto sentido e intuição bem mais apuradas que os homens.

O sétimo chakra é igual para os dois. Pois quando se atinge a iluminação não existe mais dualidade.

Polaridades dos chakras entre os gêneros.

“As crianças de ambos os sexos tem que urinar. O garotinho tem todo o seu equipamento logo ali embaixo, ele consegue ver tudo. Ele vê seu equipamentos e vê a urina saindo. Sua visão da vida é externa, porque seu foco é externo. Ms a garotinha, quando urina, fica procurando para descobrir de onde vem aquilo. Ela fica olhando para dentro de si mesma, porque não tem nada exposto lá embaixo. Sente-se curiosa a respeito do que existe dentro dela.

O garoto avança pela vida olhando para tudo externamente. Está tudo certo. Ele assume o controle de sua região genital, torna-se mestre dela. Ele a compreende e entra em contato com ela. A mulher, por outro lado, não entra em contato com seus genitais, porque eles não estão a vista. Estão dentro de seu corpo. E por isso, ela é levada a olhar para dentro. Chegando a adolescência, ela vê os seios se formando e começa a entrar em contato com a região do peito, desse modo, ela faz contato com o seu centro cardíaco, que é o centro das emoções e dos sentimentos. E ela começa a trabalhar diretamente com esse centro. Esses fatos afetam a visão que cada um tem da vida: Como a mulher internaliza, ela personaliza ou vê as coisas de maneira pessoal, como o homem externaliza, ele generaliza ou fala em termos gerais.(…)

O homem raramente toca a si mesmo na região do peito. Ele nunca entra em contato com seu centro cardíaco. Nunca entra em contato com seus sentimentos ou suas emoções. A mulher torna-se senhora das emoções, o homem torna-se senhor da energia sexual e da energia dos rins. E ambos podem se ajudar mutuamente.(…)”

Mantak Chia – Reflexologia Sexual Taoista

Como funcionam os meridianos?

O Taoismo, assim como o Tantra, diz que nosso corpo é a representação da natureza e do universo. É nosso templo que deve ser cuidado, alimentado e trabalhado para alcançar a iluminação e longevidade com saúde e disposição.

E o fluxo de energia de nosso corpo é subdividido em 12 meridianos, cada um composto por um órgão (aquele que se irriga de sangue – elemento yin) e uma víscera (os órgãos “ocos” – fontes de energia yang).

Esses meridianos são associados aos elementos da natureza e bloqueios no fluxo de algum órgão podem desencadear reações físicas ou psíquicas no nosso corpo.

Os fluxo de energia equivalente aos nossos órgãos yin passam pela frente de nosso corpo e correm de baixo (da ponta dos pés) para cima. O fluxo yang corre de cima (do topo de nossa cabeça) para baixo (ponta dos pés) pelas nossas costas, assim formando um ciclo de energia chamado de órbita microcósmica. 

Mapa dos pontos de acupressão e fluxo de energia de cada órgão pelo corpo.
Fluxo de energia Yin e Yang pelo corpo

A Natureza, os meridianos e nossas emoções.

Para o Tao nós nos alimentamos de 5 tipos de energia:

A energia macrocósmica, que é a energia do ambiente em que vivemos. Quanto mais poluído, afastado da natureza, violento ou com concentração grande de pessoas menos saudável é o ambiente. Não é a toa que os maiores índices de depressão, ansiedade e outras doenças psicossomáticas estão associadas aos grandes centros. De temos em tempos fugir para o campo, para as montanhas ou para a praia e sentir a energia da natureza já melhora consideravelmente a qualidade de vida.

A segunda energia é nossa energia ancestral. É a energia de nossos pais, que conceberam a gente a partir dos seus genes. Nós somos resultado da essência do pior e do melhor que nossos pais poderiam oferecer e essa energia irá nos acompanhar pela vida. Algumas filosofias chamam isso de karma, a ciência chama de “genética”. Já é comprovado que trabalhando nosso corpo e mente conseguimos de certa forma reprogramar nossos genes.

A terceira energia é a energia da nossa respiração. É através dela que conectamos nosso fluxo energético corporal com o fluxo macrocósmico (a primeira energia). A maneira que respiramos influencia diretamente nos graus de tensão e como lidamos com nossos estímulos diários.

A quarta energia é a energia de nossa alimentação. É fato já conhecido que se nos alimentamos mal adoecemos e diminuímos a qualidade da energia que colocamos em nosso corpo. Alimentos processados, cheios de químicos e de baixo valor nutricional enchem nossa mesa diariamente. Comer alimentos frescos, vegetais, frutas e diminuir o consumo de carne e açúcar são iniciativas que surtem resultado no curto prazo, tanto na estética e disposição física quanto na capacidade e saúde mental.

A quinta e última energia é a energia das nossas relações interpessoais. A maneira como nos relacionamos com as pessoas influencia diretamente na nossa saúde física. Os chineses chamam as energias da raiva, mágoa, frustração, carência, obsessão, possessão, ciúmes, dominância, interesse ou qualquer outra emoção negativa de “energias maléficas” que podem influenciar e inclusive bloquear o fluxo de energia corpórea. Pessoas que emanam uma energia de amor, prazer, amizade, tesão, generosidade, etc…e se relacionam com seus parceiros, amigos e colegas de tal maneira adoecem menos, se recuperam mais rápido e tem um estilo de vida mais leve e feliz.

Distúrbios em algumas dessas 5 energias podem causar uma hiperestimulação da energia de algum órgão ou até o enfraquecimento do fluxo energético ocasionando, segundo o Taoismo, sintomas físicos e emocionais. E cada elemento da natureza influencia no funcionamento do outro, podendo ajudar a aumentar ou diminuir o fluxo em determinados pontos ajudando, assim, a equilibrar novamente todo o sistema de nosso corpo. É estimulando esses pontos de acordo com um diagnóstico a partir de sintomas ou sinais corporais (como a língua e a íris) que se baseiam a acupuntura, o Shiatsu e o Tui-Ná 

Ciclo de energia dentro dos elementos da natureza.

Como, tanto para o Tantra como para o Taoismo, nossa energia sexual é a energia mais potente que alimenta todo o corpo (seja pelos chakras, marmas ou pelos meridianos). Praticamente todos os órgãos influenciam direta ou indiretamente em nossa sexualidade, com destaque para a energia do estômago, que passa bem em cima da região dos nossos mamilos, e a energia do fígado e dos rins, que dançam pelos nossos genitais e assoalho pélvico. 

A relação dos fluxos de energia Yin e Yang, entre os órgãos e interrelação entre os Elementos é complexa e se estende a todos os aspectos da nossa vida. Não vamos nos adentrar profundamente nessas questões que são conteúdo de livros e mais livros e é eterna fonte de estudo e compreensão para nós profissionais que trabalhamos com a compreensão e o tratamento desses fluxos.

Tabela de equivalência segundo cada elemento da natureza.

Os meridianos Vasos Governador e Concepção

Além dos meridianos já citados temos dois canais centrais que não tem relação com órgãos ou elementos da Terra e nem seguem o sentido Yin (de baixo para cima) ou Yang (de cima para baixo) porém são importantíssimos pois são os dois canais que alimentam todos os outros meridianos: O Vaso Governador e o Vaso Concepção.

O Vaso Governador (Yang) começa na região do cóccix e sobre pela coluna vertebral até o topo da cabeça (semelhanças com a Kundalini – acredito – não é uma mera coincidência) e do topo da cabeça desce pela frente até o céu da boca.

O Vaso Concepção (Yin) começa no períneo, passa pelos genitais, sobre pela região uterina, pelo chakra coronário e termina na base da língua.

Esses dois canais energéticos são de extrema importância dentro da Terapia Tântrica pois eles, além de alimentar os outros meridianos, tem relação direta com a Kundalini, a Ida e Pingala, os chakras e a ativação das glândulas corporais.

 

 

Reflexologia Sexual, como o fluxo energético é ativado na massagem genital.

Complexo né? Mas ainda não acabou. 

Nosso corpo é totalmente interligado e temos vários pontos que refletem todo o sistema de forma integral, são os chamados pontos reflexológicos.

Orelhas, rosto, mãos, pés, barriga…muito se conhece sobre esses pontos reflexológicos e muito se estuda sobre como o toque consciente nesses lugares podem trazer diversos benefícios para nosso corpo e mente. Porém, talvez devido a nossa cultura cristã e a repressão sexual, principalmente no ocidente, nada se fala sobre como nossos genitais são também pontos reflexológicos, e não só isso, são os pontos mais poderosos, com os mais intensos resultados terapêuticos, pois é onde se acumula nossa energia sexual, e não só isso, é onde se originam os Vasos Governador e Concepção, ou onde, para o Tantra, a energia Kundalini fica enrolada e adormecida. É onde a vida se origina e de onde devemos partir rumo a consciência e iluminação.

Reflexologia podal

Tanto para o Tantra como para o Taoismo o ato sexual consciente pode ser uma ferramenta de cura. Os escritos do Imperador Amarelo descrevem minuciosamente posições sexuais e estilos de penetração para curar as mais diversas doenças.

Reflexologia Sexual

Durante a Massagem Tântrica tocar certos pontos podem liberar emoções e/ou lembranças adormecidas e que precisam ser soltas para que o interagente chegue a outros graus de consciência sobre si mesmo. Por isso é importantíssimo que o Terapeuta seja qualificado e tenha ciência das portas que podem ser abertas pelo seu toque, assim como dar os devidos encaminhamentos para o que desperta em sua sessão.

Da mesma maneira o ato sexual que não seja consciente pode trazer traumas e formar bloqueios energéticos indesejados.

Quem nunca acordou no outro dia “de ressaca moral”, desanimado(a), triste, ansioso(a), frustrado(a), carente, etc…sem uma explicação racional após transar com alguém por impulso ou para alimentar algum vazio ou ferida? Claro que também existem aquelas transas em que no outro dia você se sente ótimo(a), também sem nenhuma explicação.

Quando você não tem consciência de si e da sua energia esses momentos são como uma loteria. Porém, a partir do momento que você conhece a si mesmo e, consequentemente, sua energia, sua intuição e seus sentidos ficam mais aguçados te fazendo perceber melhor a origem de suas emoções e, assim, cortar possíveis relações tóxicas pela raiz.

Ter consciência do fluxo de energia do seu corpo e trabalhá-lo no dia a dia, seja com respirações, meditações, toques e massagens conscientes, inclusive, durante o ato sexual mudará completamente como você se relaciona não só consigo mesmo(a) mas também com as pessoas e o ambiente ao seu redor