Vamos falar sobre sexualidade e sexo?

Vamos falar sobre sexualidade e sexo?

O site do Prazer em Sentir é sobre Tantra, mas também Sexualidade Consciente. E para tratar da sua sexualidade temos que falar abertamente sobre sexo. Por isso estou inaugurando a sessão do blog que trata de sexualidade.

 

Mas o que é Sexualidade Consciente?

Ter consciência da sua sexualidade é praticamente tudo o que se trabalha na terapia tântrica.

O conceito de sexualidade é muito amplo e o fato é: Todos nós temos nossa sexualidade desde que nascemos. Ser assexuado não tem a ver com não ter sexualidade, mas sim com não ter interesse quanto ao ato sexual.

A definição de sexualidade para a Organização Mundial da Saúde é a seguinte:

“A sexualidade faz parte da personalidade de cada um, é uma necessidade básica e um aspecto do ser humano que não pode ser separado de outros aspectos da vida. Sexualidade não é sinônimo de coito (relação sexual) e não se limita à ocorrência ou não de orgasmo. Sexualidade é muito mais que isso, é a energia que motiva a encontrar o amor, contato e intimidade e se expressa na forma de sentir, nos movimentos das pessoas, e como estas tocam e são tocadas. A sexualidade influencia pensamentos, sentimentos, ações e interações e, portanto a saúde física e mental. Se saúde é um direito humano fundamental, a saúde sexual também deveria ser considerada um direito humano básico.” (WHO TECHNICAL REPORTS SERIES, 1975)

A saúde sexual é um direito humano básico e para que seja plenamente vivenciada é necessário que cada um tenha uma relação de compreensão e aceitação ampla da sua sexualidade, ou seja, aceitação e compreensão de suas emoções, pensamentos, ações, impulsos, bloqueios e interações sociais.

Todos esses comportamentos são diretamente afetados pelo meio em que cada um vive. Sua instrução, crenças familiares e de amigos. Portanto a noção de sexualidade, ao contrário do sexo como ato, é muito individual.

 

E como ter uma Sexualidade Consciente pode influenciar na minha vida?

Pode-se entender consciência é: 

“1.sentimento ou conhecimento que permite ao ser humano vivenciar, experimentar ou compreender aspectos ou a totalidade de seu mundo interior.

2.sentido ou percepção que o ser humano possui do que é moralmente certo ou errado em atos e motivos individuais.”

Compreender mais a si mesmo faz com que:

– Seus medos não te paralisem. Se você tem segurança de seus sentimentos e de suas vontades ninguém pode pará-lx.

– Você controle seus impulsos e não entre em situações ou relações tóxicas. Pois só se pode controlar o que se conhece. Se você não conhece ou esconde seus desejos e emoções o máximo que vai poder fazer é reprimi-los. E toda a energia reprimida vai achar algum lugar para sair, e quando achar esse caminho é bem provável que saia de maneira caótica e desordenada.

– Adeus a relações abusivas. Tendo consciência de você mesma é muito difícil que alguém te manipule ou te faça se sentir culpada por algo que não é de sua responsabilidade.

– Seu corpo vai alçar níveis de prazer cada vez maiores. Quando você ultrapassa as repressões enraizadas em seus músculos e se explora sem medo descobre todo o seu potencial orgástico. E quando não se tem medo de se entregar ao prazer e nem de se mostrar vulnerável com certeza o sexo fica cada vez melhor.

– Seja mais espontâneo(a), mais aberto(a) e receptivo(a) as outras pessoas. Ser mais objetiva(o), direta(o) e assertiva(o) na comunicação para com amigos, parceiros, família e qualquer pessoa com quem se relacionar. Pois sabendo o que sente e o que pensa você se torna uma pessoa mais segura para se expressar.

Bom…poderia listar muitos outros aspectos aqui. Mas a pergunta que não quer calar:

Como faço para me tornar mais consciente da minha sexualidade?

Existem váááárias maneiras.

Você tem que olhar para dentro de você, lidar com suas sombras, com seus bloqueios. Vai ter que aceitá-los como parte de você, conhecê-los em seu íntimo para depois transmutá-los.

A psicoterapia tradicional é o meio mais usado. Mas a terapia corporal (onde se encaixa a Terapia Tântrica) usada como complementar resulta em processos muito mais rápidos de cura. Movimentar o corpo e ter consciência desses movimentos é um dos passos para romper bloqueios gravados em nossos corpos. Por isso vemos tantos casos de pessoas que começam aulas de dança, Yoga, artes marciais ou teatro e de repente se veem mais abertas, extrovertidas e seguras de si, sem nenhum acompanhamento psicológico.

Tudo que sentimos e vivemos acontece no nosso corpo, portanto, não é possível separar a sexualidade do corpo ou pensar no corpo sem considerar a sexualidade. Por isso, ouvimos tantas mensagens de controle do nosso corpo, “fecha a perna”, “não chora”, “tira a mão dai” etc, que tem por objetivo controlar também a nossa sexualidade e como consequência acaba nos afastando de conhecer e cuidar do nosso corpo e aumentando a nossa vulnerabilidade.

A nossa sexualidade é fluida, ela nos acompanha desde o nascimento até a morte e se modifica conforme as experiências que vivemos. Sendo assim todas as couraças que você carrega podem ser trabalhadas para serem soltas e modificadas … ou serem reforçadas através de outros eventos traumáticos.

Então, como primeiro passo, te faço um convite: Vamos falar abertamente sobre seus bloqueios, medos, culpas, sentimentos, pensamentos, desejos, prazeres e dores? Vamos falar abertamente sobre suas relações, relacionamentos e sobre como anda sua vida sexual?

A nova sessão do blog é para isso. Solte tudo que precisa ser solto e vamos conversar sobre esse complicado mundo do “ser”.

 

7 mitos sobre o Tantra para parar de acreditar AGORA!

7 mitos sobre o Tantra para parar de acreditar AGORA!

O Tantra no ocidente é cercado de mistério e admiração. Para alguns praticar o Tantra é quase o mesmo que praticar o Kama Sutra, para outros é sinônimo de libertinagem, sexo grupal ou relações poliafetivas.

Praticar o Tantra é ser naturalista na sua essência, se conhecer e enfrentar suas sombras para assim superá-las e tomar consciência do seu ser e sentir.

Ai vão 7 boatos sobre o Tantra e porque você não deve esquecê-los. Está na hora de trazer essa filosofia transformadora para sua vida.

 

Mito 01: Tantra é sobre ficar horas fazendo sexo.

A VERDADE É: O tempo da relação não define a qualidade da mesma.

Você pode usar o Tantra na sua vida sexual tendo uma transa rápida ou em uma maratona de sexo. Enquanto na maioria das relações nós somente conectamos os nossos corpos, resultando num ato mecânico, limitado e muitas vezes vazio e não prazeroso, no Tantra os casal se conecta não só em corpo, mas em mente e espírito. Estar no momento presente e atento as suas sensações e as sensações de seu parceiro é muito mais importante que o tempo que você permanece transando. Para o Tantra o sexo é uma meditação, você tem que estar de corpo e alma conectado com seu parceiro.

As práticas do Tantra ensinam como estabelecer essa conexão através de exercícios de conexão com seu corpo, respirações e práticas de conexão com o outro.

Apesar de existirem respirações que ajudam a manter a ereção e elevar a energia sexual fazendo com que o controle da ejaculação fique mais fácil o objetivo não é somente prolongar o sexo. Quando você aproveita e respeita o corpo do outro como um todo, começa a passar mais tempo gozando dos momentos de prazer ao invés de querer logo chegar ao orgasmo. O Tantra ajuda a alcançar novos patamares de prazer e novas sensações através de uma conexão mais profunda entre o casal.

Mito 02: Você precisa de um(a) parceirx para praticar o Tantra.

A VERDADE É: O Tantra não é sobre fazer sexo. Mas ter consciência de seu corpo, seu prazer e cultivar sua energia.

Praticar o Tantra é como aprender Yoga ou alguma arte marcial: Você começa por entender seu corpo praticando respirações, relaxamentos e meditação. Todas essas práticas te tornam mais confiante e te torna hábil em controlar seu corpo e sua energia sexual. Todos nós temos uma kunda, onde fica armazenada nossa energia sexual e geralmente não somos ensinados a entrar em contato com ela.

O Tantra é um caminho de auto-conhecimento. Quando você se empodera de seu corpo, derrete seus bloqueios, ultrapassa suas limitações você fica mais confiante, mais energético, com mais energia e vitalidade. Isso irradia para o meio que você vive e as pessoas começam a te sentir mais brilhante e atraente.

 

Mito 03: Tantra é só para aquele pessoal que consegue ficar horas meditando e se energizando com cristais.

A VERDADE É: Praticar o Tantra é despertar seus sentidos. E meditar é simplesmente acalmar a mente e abrir espaço para a sua essência, seja ela qual for.

Qualquer coisa que te ajude a diminuir a frequência de pensamentos é uma forma de meditação, o que por sua vez é uma forma de yoga. Existem literalmente milhares de formas de meditar, não só a tradicional pose sentada no chão de olhos fechados e em silêncio.

Correr pode ser uma forma de meditar. Assim como dançar, cantar ou praticar algum esporte. Tudo isso pode te levar a um estado meditativo, que envolve seu corpo em meio ao som, movimento e prazer.

Tantra pode te levar a isso através de centenas de técnicas de meditação dinâmica. E não, você não precisa receber um certificado de 200 horas de yoga para tal. Todos são bem-vindos.

 

Mito 04: Tantra é somente sobre alcançar orgasmos inacreditáveis.

A VERDADE É: Sim, você provavelmente terá orgasmos bem intensos, talvez inclusive múltiplos deles, mas o Tantra não é somente sobre sexo.

Para o Tantra a energia sexual é a energia mais potente do nossos corpo, porque ela é a única que pode criar outra vida. Mas ela também é a porta para a compreensão da sua própria vida e de seus sonhos.

Sim, sexo é um ato sagrado para o Tantra e pode ser o caminho para um estado meditativo e de prazer, além de uma conexão de alma com seu parceiro. Você pode sentir a iluminação que é estar conectado com todo o universo.

Mas o Tantra antes de tudo trata seu corpo, que é seu Templo sagrado, nascido de um ato igualmente sagrado. E esse Templo experiência toda a saga da sua vida. O Tantra te ajuda a abrir seu coração, permitindo sentir e aceitar sua luz e suas sombras para que você possa seguir de forma mais natural e intuitiva, livre dos medos que geralmente nos bloqueiam.

Mito 05: Tantra é uma religião, ou um culto.

A VERDADE É: O Tantra é uma filosofia pois não prega nada como “certo” ou “errado”, não detém mandamentos ou tabus e suas práticas não vão contra os princípios de nenhuma crença.

Enxergar a vida de forma naturalista, praticar yoga, cuidar do corpo, da alimentação, meditar, recitar mantras e se reconectar com você mesmo, seu corpo e seu prazer através dessas práticas não vai contra qualquer religião.

Você pode contra argumentar e dizer: Mas o Tantra prega que o sexo é natural e sagrado enquanto as religiões cristãs falam que o sexo é o pecado. Jesus nunca falou que sexo era pecado, mas sim a comunhão de duas almas e que deveria ser abençoado por seu pai. Temos que tomar cuidado em como a Igreja pode distorcer um discurso.

Apesar de existirem vertentes Tântricas que incluem idolatria a deuses hindus suas práticas do dia-a-dia não tem nenhuma ligação com eles. Recitar mantras como “Amém” ou “Shalom” surtem o mesmo efeito que “Om Nama Shivaya” quando entoados com fé.

 

Mito 06: Tantra promove o sexo casual e relações abertas ou poliafetivas.

A VERDADE É: Existe uma expressão tântrica que diz: Tudo nesse mundo pode ser um remédio ou um veneno, depende do quanto você toma e como você usa.

Algumas pessoas que se dizem “tântricas” podem usar seu conhecimento para romantizar relações que na verdade são tóxicas ou abusivas. Eles podem tentar parecer que tem algum poder mágico, que todas as pessoas que dormem com elas saem encantadas e transformadas. Que o mundo ideal é um mundo de liberdade onde todos podem fazer sexo com todos (e depois que você se envolve percebe que esse argumento só vale para o outro lado).

Essas pessoas estão completamente enganadas e tem uma falsa percepção do que é Tantra e do que a filosofia promove (ou simplesmente a distorceram para sua conveniência).

Não importa se você tem uma relação monogâmica ou não, não há nada de casual com essa prática.

O que o Tantra faz é praticamente nos partir no meio. Nos faz nos acostumarmos a nos sentirmos vulneráveis ao próximo, a querermos nos conectar de corpo e alma, a não termos medo de amar, seja uma ou mais pessoas.

O Tantra destrói aquela parte nossa que tem medo de experimentar coisas novas, ele aquece nosso coração e nos mostra o que realmente queremos. E criamos uma capacidade plena de nos comunicar de maneira segura e objetiva. Queremos o que é autêntico aos nossos desejos e aos nossos relacionamentos.

Durante esse processo podemos nos encontrar perdidos e confundir “libertação” com “estravazar”. Podemos começar a ter coragem de experimentar e expressar nossas vontades. Mas se depois de prová-las vemos que não é para nós, e está tudo bem. O importante é não se forçar a algo que não convém a você.

Para o Tantra não existe certo ou errado. Tudo pode ser permitido, desde que não exista uma relação de dominância e ego que possa fazer mal a você ou aos seus parceiros. Tantra é amor. Amor por você e pelos outros.

Portanto se você é uma pessoa monogâmica está tudo bem, se gosta de ter vários parceiros também está tudo bem. Se você gosta de ter sexo casual tudo bem ou se você prefere ter maior convivência com seus parceiros também está tudo bem. Quando você se permite, rompe suas barreiras e se conhece fica muito mais fácil descobrir o que lhe convém e mostrar sem medo isso.

 

Mito 07 – É muito espiritual.

A VERDADE É: As técnicas tântricas não são em nada estranhas, intangíveis ou místicas.

Tantra é uma filosofia prática a palpável, a milhares de anos trabalha com as manifestações físicas de suas práticas. O Tantra não trabalha com o etéreo, com o subjetivo. Tanto que muito do que já se pregava a 5 mil anos atrás hoje está sendo comprovado pelo medicina, psicologia e pela física quântica.

Freud e Jung comprovaram que a maioria das nossas neuroses tem origem sexual. A bioenergética vem comprovando como nossa energia circula e influencia em nossos estados de saúde. A ciência comprova como meditação e yoga ajuda em estados de ansiedade e estresse. A física já comprovou que tudo é feito de energia e está interligado.

O Tantra talvez seja a menos espiritual das filosofias. Uma simples sessão de Terapia Tântrica, uma aula de yoga ou de meditação já são suficientes para que qualquer pessoa se sinta diferente. E contra fatos não há argumentos.

Tantra é sobre entender que o sexo é a coisa mais natural e sagrada que podemos experenciar. Ela te ajuda a quebrar seus bloqueios quanto ao empoderamento do seu corpo e do seu prazer. Tantra é sobre unir corpo, mente e espírito. O que pode ser mais bonito que isso?

 

*Esse artigo foi baseado no artigo “7 myths about Tantra” com adaptações feitas por mim dentro do meu ponto de vista.

Terapia Tântrica: O que é e como funciona?

Terapia Tântrica: O que é e como funciona?

Quando falo para as pessoas que sou Terapeuta Tântrico suas expressões sempre mostram um misto de curiosidade com desconfiança. E uma série de perguntas vem em sequência. As primeiras questões são quase sempre referentes as massagens genitais, seguidas de como “aguento” não ficar excitado presenciando alguém em êxtase na minha frente.

Nesse post vou tratar da primeira parte: O que é a Terapêutica Tântrica, como funciona e o que esperar dela. Mais tarde escreverei outro artigo sobre o(a) Terapeuta Tântrico(a).

 

1. Terapia Tântrica não é Tantra.

 

Sim, apesar de as duas práticas compartilharem de uma mesma filosofia, é verdade.

Escrevi um artigo recente sobre o que é o Tantra como modo de vida (pode ler clicando aqui). A Terapêutica Tântrica usa de algumas teorias e práticas do Tantra para ajudar os interagentes a terem mais consciência de seus corpos e lidarem com suas sombras. Porém também utiliza de outras técnicas contemporâneas vindas da Bioenergética, PNL e psicoterapeutas corporais como Wilhelm Reich  ou sexólogos como Joseph Kramer.

Sob meu ponto de vista as técnicas desenvolvidas por esses visionários não são nada mais que a transmutação ocidental da filosofia oriental de como a energia flui em nosso corpo e como a energia sexual (aqui descrita não como a energia do sexo, mas também a energia que nos dá vitalidade, criatividade e vontade de viver) pode ser elevada afim de que se espalhe pelo corpo, ative os outros chackras e dissolva memórias não resolvidas de traumas, vivências e/ou limites construídos por uma educação e um modo de vida repressor em vários sentidos.

“A mensagem do TANTRA é que, nós deveríamos ter uma vida livre e natural, criativa e divertida, e não viver de uma maneira reprimida. Tantra aconselha a nos aceitar totalmente como nós somos, seguir com energia, bondade, amor e entendimento. Segundo o Tantra, todos nós somos bons por natureza, e só precisamos de um crescimento natural. Mesmo as más qualidades não são citadas aqui, como ruim ou do mal. Tudo é pro bem. Quando aceitamos nós mesmos na totalidade, o conjunto de bons e maus pontos, reorganizamos nós próprios, levando a uma maior harmonia, suavidade e agradáveis momentos.” (Osho)

O Tantra como filosofia abrange todos os aspectos da existência e prega a auto-consciência através de um modo de vida libertário e naturalista. Nada é certo ou errado para o Tantra, mas sim o que faz você ser você mesmo em sua essência. Sem sombras, repressões, tabus, fugas ou materialismos influenciando em seu estado de ser. A Terapêutica Tântrica deve seguir pelo mesmo sentido.

  

2. Prometendo Orgasmos trascendentais? Desconfie.

Vemos muita gente promovendo a Terapêutica Tântrica unicamente como um caminho para o prazer sem limites. Não falo que isso não possa acontecer, inclusive numa primeira sessão, porém muitas vezes as pessoas saem frustradas da sala de atendimento com uma expectativa não alcançada. Vincular a Terapia Tântrica com orgasmos, ao meu ver, é ter uma visão limitada de um leque muito amplo de possibilidades e desenvolvimentos.

Todos temos nossos bloqueios, tabus e limites. Todo ser-humano tem suas sombras e esses bloqueios devem ser analisados, respeitados e trabalhados para serem dissolvidos gradualmente.

Reich falava que uma pessoa só consegue chegar em seu pleno potencial orgástico quando tivesse dissolvido todas suas couraças. Portanto (de novo, sob meu ponto de vista) a capacidade orgástica é consequência de um trabalho corporal integrado, e não deve ser levado como objetivo.

Em meu trabalho de desenvolvimento corporal existem sessões em que não há toque no genital, inclusive não existe nudez. Porém essas práticas são tão importantes ou até mais para que o corpo comece a acordar para novas sensações.

Interagentes relatam que se sentem mais sensíveis com seus parceiros e começam a ter um dia-a-dia mais relaxado e otimista. Esse é o “orgasmo” real e transcendental, é levar a vida de maneira orgástica, reaprender a olhar para seu corpo de maneira orgástica. 

Porque, convenhamos, se tivéssemos um orgasmo do jeito que conhecemos por 5 minutos já estaríamos rezando para que ele acabasse. Rs

 

3. Então quer dizer que Terapia Tântrica não é a mesma coisa que Massagem Tântrica?

 

Não. As famosas massagens Yoni e Lingam são somente uma das técnicas que podem ser utilizadas para uma maior consciência corporal e elevação da energia sexual.

Junto com elas temos mais um sem número de massagens, muitas delas que não envolvem toque no genital, tampouco nudez. Temos também técnicas de respiração, práticas corporais e aproximadamente 112 meditações para serem usadas individualmente, em grupo ou em casal. 

Influenciado por descobertas e teorias de Freud, Jung, Reich, etc o Ocidente, mesmo sem querer, preparou o terreno para o Tantra, pois todos eles concordavam em um ponto: Que todas as insanidades contemporâneas em algum ponto estão relacionadas a sexualidade e que a insanidade básica do homem é orientada pelo sexo.

“Chuang Tsu ou Gautama Buda, nunca usaram terapia pois não havia necessidade. As pessoas estavam simplesmente prontas, e você podia plantar os brotos de rosa sem limpar o solo. O solo já estava limpo.

Nesses vinte e cinco séculos o homem ficou tão sobrecarregado de entulho, tantas ervas daninhas cresceram em seu ser que estou usando terapia apenas para limpar o terreno, remover as ervas daninhas, as raízes, para que a diferença entre o homem antigo e o moderno seja destruída.

O homem moderno precisa ser feito tão inocente, tão simples, tão natural como o homem antigo. Ele perdeu todas essas grandes qualidades. O terapeuta precisa ajudá-lo – mas seu trabalho é somente uma preparação. Não é o fim. A parte final vai ser a meditação.” (Osho)

Então existe sim muita diferença entre contratar uma sessão de massagem e um pacote terapêutico, onde questões muito mais profundas poderão ser trabalhadas. Em uma única sessão de terapia corporal tântrica algumas questões já podem vir a tona, mas as couraças mais antigas só serão derretidas com um trabalho contínuo de desenvolvimento preparada para atingir os objetivos específicos de cada indivíduo.

 Muitos falam que as massagens genitais são técnica milenares, mas por incrível que pareça foram criadas a não mais que 50 anos. Nenhuma das escrituras sequer mencionam técnicas de massagem para elevação da Kundalini.

 As técnicas de massagens genitais foram desenvolvidas na Alemanha da década de 70 e a massagem Lingam (no pênis) como conhecemos foi criada pelo sexólogo Joseph Kramer na década de 70, após ter contato com a massagem Essalen e se interessar pelo Tantra, Taoísmo e bioenergética. Além das teorias de Wilhelm Reich e Mantak Chia. Assim começou a estudar a sexualidade como uma fonte de energia.

 Na década de 80, em parceira com Annie Sprinkle, atriz pornô, prostituta e a primeira pornstar americana a concluir uma tese de doutorado sobre a situação as atrizes pornôs dos EUA, foi também criada a massagem Yoni (vagina). Massagem erótica com base na filosofia tântrica taoísta que mescla reflexologia, respirações e meditação para elevação da energia orgástica

 

4. O que esperar, ou melhor, o que não esperar de uma sessão?

 

Eu poderia ser pretensioso e escrever aqui várias coisas que você poderia esperar de uma sessão: Uma viagem as profundezas do seu ser, descobrir a lidar com suas sombras, ter maior consciência do seu corpo e do seu prazer ou até orgasmos incríveis. Mas a verdade é que você não deve esperar nada disso.

Agora você deve estar aí decepcionada(a) pensando “Como assim não devo esperar nada?”

Calma aí jovem!

Esperar algo gera expectativas e expectativas geram ansiedade, preocupação e frustração. Você já está careca de saber disso, pois é o que provavelmente você vive todos os dias.

O processo de desenvolvimento corporal e de sexualidade consciente varia de acordo com cada pessoa. Por isso cada sessão é única, individual e personalizada. No meu método de trabalho faço uma avaliação básica online e depois conversamos mais pessoalmente. E é chamada de terapia justamente por seu processo ordenado de práticas e evolução.

Todos temos sombras específicas que devem ser tratadas. Bloqueios mais ou menos antigos e enraizados a serem derretidos. Todos temos nosso tempo e nosso processo que devem ser respeitados.

Um mesmo toque pode trazer ondas de prazer a uma pessoa e memórias dolorosas não resolvidas em outra. Uma pessoa pode sair com pontos resolvidos ou certezas do que precisa trabalhar e outra com ainda mais dúvidas do que entrou.

O que você pode ter certeza é: você deu um passo essencial para superar seus limites, trabalhar com eles e ter uma vida de mais consciência, empoderamento e prazer.

Como esse desenvolvimento vai se suceder? Juntos vamos construir e descobrir essa jornada. 🙂

Mas e agora, o que não esperar de uma sessão?

  

1. Não existe terapeuta nú ou semi-nú.

Essa é com certeza a pergunta que mais recebo.

“Me sentiria mais confortável se você também estivesse nú.”

“Pelo menos você pode tirar a camiseta?”

“Queria algo mais tântrico. Tantra é sobre conexão de corpos não?”

Etc…etc…etc

Em todo nosso desenvolvimento sexual somos condicionados a atribuir nosso prazer a um terceiro. Quando, em uma roda de amigos, se conversa sobre o que dá mais prazer na cama a resposta mais comum é “Ver meu parceirx tendo prazer.”

A Terapia Tântrica em primeiro lugar trabalha seu corpo, seu prazer e sua energia. O terapeuta é só alguém que está te ajudando a trilhar esse processo e é importante ter consciência que TUDO que você está sentindo a sessão você pode conseguir sozinho(a). 

Então não faz sentido que o(a) terapeuta tire a roupa, porque a partir do momento que você transfere o seu prazer para o corpo de alguém toda o tratamento foi por água abaixo. Você está simplesmente repetindo um padrão erótico e está fazendo exatamente o mesmo de quando está assistindo a um filme pornô ou se imaginando com alguém enquanto se masturba. Ou fica admirando o prazer dx parceirx enquanto faz sexo, Você está transferindo suas sensações a um terceirx enquanto elas deveriam ser propriedades suas.

 

2. A Terapia Tântrica trata sua sexualidade, mas não envolve sexo.

 

Essa talvez seja a principal confusão das pessoas: Qual a diferença entre sexo e sexualidade? E qual a diferença entre a energia orgástica e o orgasmo como conhecemos?

A Terapia Tântrica trabalha sua sexualidade, e através dela pode sim melhorar sua vida sexual. Porém ela nunca irá ter viés sexual por si só. Também podemos listar isso como um dos motivos de não haver nudez por parte do terapeuta, a partir o momento que você transfere seu prazer a alguém que te atrai fisicamente você está sexualizando a prática terapêutica, voltando seu corpo e mente para padrões de sexualidade tóxicas que devem ser desconstruídos.

Mas voltemos ao significado das palavras sexo e sexualidade:

Sexo significa, além da classificação dos animais de acordo com suas genitálias, o ato do coito sexual. Sexo oral, sexo anal, sexo genital são todas modalidades de coito que envolvem duas ou mais pessoas de sexos iguais ou diferentes.

Já sexualidade tem um conceito muito mais complexo. Ela envolve um conjunto de reações biológicas, psicológicas e emocionais que, mesmo baseadas no instinto da reprodução, na prática tem funções muito mais amplas.

Por exemplo: Faz parte da sua sexualidade a maneira de como você se comunica com as outras pessoas. Como você se expressa, como você demonstra afeto, como demonstra seu prazer e seu desejo sexual.

Entendeu a diferença? 

Quando tratamos sua sexualidade tratamos de VOCÊ como indivíduo. E sua sexualidade influencia diretamente em como você faz SEXO com outras pessoas, ou em outras palavras, como se relaciona sexualmente com elas.

 

3. Esperar orgasmos do jeito que conhecemos.

Essa questão está diretamente relacionada a visão limitada que temos do sexo. Em uma sessão de Terapia Tântrica você pode experimentar vários tipos de orgasmos.

Alguns você nem categorizaria como um “orgasmo” tamanha diferença de sensações com o que você conhece como uma boa “gozada”.

Ou você também pode não ter nenhum. E está tudo bem.

Como falamos a capacidade orgástica está intimamente ligada a suas couraças e sombras e como elas podem ser tratadas. Mesmo com a massagem genital podem demorar algumas sessões para seu corpo se desenvolver, lidar com seus bloqueios e ficar mais sensível.

O fato é que: Com um terapeuta que realmente esteja direcionando corretamente sua energia você dificilmente terá um orgasmo como os que você conhece. Mas sim irá, aos poucos, experimentar todo o potencial do seu corpo e ressignificar seu conceito do que seria um “orgasmo”. Talvez ampliando ele para todas as esferas da sua vida e não somente a sexual.

 Tem mais perguntas sobre a terapia? Visite a sessão de Perguntas Frequentes do site. E caso tenha qualquer outra dúvida pode me escrever.:) 

Ok. Depois de toda essa explicação quais benefícios posso esperar das sessões?

 

Bom….ter consciência de você mesma(o), do seu prazer e do seu corpo é algo que não tem preço.

Quando você se empodera da suas emoções e do seu prazer você fica mais confiante e mais independente. Suas relações mudam, sua sexualidade muda, seu prazer aumenta. Você sabe o que quer e começa a comunicar isso de maneira clara e objetiva, você se conecta com sua essência. Problemas de ansiedade, depressão, relações abusivas e disfunções sexuais aos poucos vão ficando no passado. A vida fica mais leve, livre e simples.

Começar a se reconectar com seu corpo e sua essência muitas vezes não é fácil, pois para derreter algumas couraças muitas vezes temos que encarar sombras grande e pesadas.

Mas vela a pena, pois passado o sofrimento conseguimos enxergar a vida por outros ângulos. De forma mais feliz, natural, otimista e prazerosa.

Na maioria das vezes o interagente já percebe diferenças logo na primeira sessão, mas recomendo um pacote de pelo menos 5 atendimentos para um desenvolvimento corporal mais profundo e permanente, com práticas para se fazer em casa e continuar o trabalho sozinho entre sessões.

Você pode conferir outros benefícios nas páginas da sessões individuais e para casais. E para qualquer outra dúvida fique a vontade para enviar um e-mail ou whatsapp. 🙂

Alguns benefícios da Terapia Tântrica[/caption]

Espero ter explicado bem o que é a terapia tântrica e como, sob meu ponto de vista, funciona esse incrível método de desenvolvimento corporal. Assim como o Tantra como filosofia milenar, esse tipo de terapia tem várias vertentes. Portanto o método de trabalho de cada terapeuta pode variar drasticamente. Pesquise bem e converse com o terapeuta para garantir que sua sessão seja de um pleno desenvolvimento e foco em suas questões e objetivos.

 

Namastê.

 

 

Mas afinal, o que é esse tal de Tantra?

Mas afinal, o que é esse tal de Tantra?

Aqui no ocidente o conceito de Tantra está intimamente ligado a sex0, orgasmos múltiplos e transcendentais. Tem muita gente divulgando e prometendo mundos e fundos (e cobrando muito para isso) mudar drásticamente sua experiência quanto ao sex0. Essa é uma visão limitada e muito superficial de uma filosofia milenar que influenciou muitas práticas espirituais pela história.

Primeiro gostaria de ressaltar que estou expondo aqui minha visão sobre o Tantra, algo que construi pelos meus estudos e vivências. E quero descrevê-lo de uma maneira simples para que todos entendam. A filosofia tântrica é algo extenso e complexo, irei focar no conceito do que é o Tantra como filosofia e não adentrar em suas divindades, história, rituais ou simbologia. Em outros posts com certeza irei abordar isso.

Mas se não tem a ver com sexualidade o que é então?

O Tantra é uma filosofia milenar (alguns estimam que tenha cerca de 8 mil anos) que tem por características básicas ser matriarcal e desrepressora. Durante todos esses milênios a filosofia foi evoluindo, se segmentando e se modificando e hoje temos Tantra de várias vertentes, muitas vezes que seguem conceitos nitidamente contraditórios. É como na tradição cristã onde temos os protestantes, os católicos, os evangélicos, os adventistas, etc… Porém, assim como no cristianismo, todas as vertentes tântricas tem esse objetivo em comum: Expandir a consciência e libertar a energia primal do ser-humano (Kundalini) através de um vasto leque de ensinamentos práticos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 Despertar da consciência através da Kundalini.

 A base do Tantra é que, através das experiências do mundo material possamos alcançar a suprema consciência e a iluminação já que a nossa realidade está intimamente ligada a outra, mais sútil e superior, que está conectada com nossa própria natureza.

Ou seja, no Tantra nosso corpo é nosso Templo Sagrado e todos já somos Budhas (iluminados) e podemos alcançar esse estado através de um estilo de vida pleno, com técnicas de saúde, vitalidade e flexibilidade.

Tantra não é sex0

A principal questão entre as pessoas que converso sobre o Tantra, sejam amigos ou clientes, é a associação direta para com o sexo.

Infelizmente muitos profissionais promovem uma visão superficial e limitada e muitas vezes irresponsável do Tantra, talvez pela fascinação que uma filosofia desrepressora e naturalista ocasiona numa sociedade de cultura repressora e conservadora. Reduzindo-o a práticas para melhorar a potência sexual, melhorar e multiplicar os orgasmos e técnicas de sedução e para manter os relacionamentos.

“ Algumas pessoas têm me procurado solicitando informações sobre “aulas de Tantra”. Como não sei exatamente o que elas entendem por Tantra, fico me perguntando como poderia ajuda-las a encontrar o que buscam, ou a evitar as armadilhas em que se arriscam a cair.

Para começar, vamos dizer o que o Tantra não é.

O Tantra não é um guru mequetrefe prometendo orgasmos múltiplos e iluminação e cobrando mundos e fundos por isso. Tantra não é uma prostituta com nome de Deusa oferecendo serviços pela internet. Não é um grupo de alienados carentes se excitando e se alisando em nome da hiperconsciência. Não é sacanagem, nem infidelidade institucionalizada. Tantra não tem nada a ver com “soltar a franga”. Tantra não é tara.” (Pedro Kupfer)

Você já deve ter visto em leituras e nas redes sociais promessas de orgasmos que duram minutos e técnicas de como melhorar sua vida sexual sendo associado ao Tantra.

No livro “Tantra: Da Sexualidade a Iluminação” Otávio Leal fala:

“No ocidente, o Tantra é procurado principalmente por seus aspectos estéticos, mágicos, sexuais e levianos. São comuns fotos de posições sexuais, massagens superficiais e manuais de sexo tântrico serem confundidos com a totalidade e a riqueza desta tradição. Na verdade, a sexualidade é somente uma parte desta filosofia de extrema profundidade, tão mal estudada e pouco praticada.”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Quando se procura sobre “Tantra” no Google a maior parte das imagens remete a união sexual.

Dentro dos ensinamentos tântricos, ao contrário do que se crê, não existem quase menções ao ato sexual. Menos de 10% de todas as escrituras falam sobre isso. Existem algumas técnicas, como a retenção e reabsorção seminal (orgasmo seco) descritos nos textos da Hatha Yoga, por exemplo. Inclusive existem vertentes do tantra que pregam o celibato, que estudam a iluminação e canalização da energia sexual através da meditação. Essas técnicas influenciaram muito, por exemplo, nas práticas do Zen Budismo. O Dalai Lama, por exemplo, é um grande mestre tântrico.

Mas como que o Tantra chegou ao ponto de ter essa fama então?

Nos Estados Unidos da década de 60 surgiu um movimento chamado Neo Tantra, que foi responsável pela popularização de alguns ensinamentos tântricos, porem “adaptados” para a cultura ocidental, incentivando a visão sexual que o Tantra tem hoje. O sistema Neo-Tântrico fugiu da visão existencialista original e muitas vezes não trazem com clareza o que a filosofia oriental representa divulgando uma banalização do sexo e o incentivo a valorização do jogo da sedução nos relacionamentos.

A introdução dessa vertente é atribuída a Pierre Bernard , um ocultista e filósofo que criou uma “Ordem Tântrica” nos EUA em 1905. Pierre propagandeava, entre outras coisas, sua visão de que o sexo poderia ser utilizado como ferramenta para uma elevação espiritual.

Essa mescla de técnicas de massagens, manuais eróticos orientais como KamaSutra, Ayurveda, Yoga e arte erótica hindu, se propagou rapidamente pelo Ocidente sendo replicado e reinventado por mestres como Osho, Mantak Chia, Charles Muir, Margot Anand, Deva Nishok, etc. Essa vertente busca principalmente a melhora da experiência do ato sexual e ajudar as pessoas a terem melhores orgasmos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Apesar de na sua fase mais madura pregar que a iluminação plena pode ser alcançada através da meditação Zen o Osho ficou mais famoso pela propagação dos conceitos do Neo-Tantra.

Não me oponho a esses mestres e nem as suas técnicas, que são efetivas e realmente vem de práticas milenares adaptadas a cultura ocidental. Porém reduzir a filosofia tântrica ao êxtase sexual é superficial e parcial. O Tantra não é hedonista nem orgástico, seu objetivo é o despertar do potencial pleno do homem.

A visão do sexo para o Tantra

O sexo no Tantra é visto como algo natural e sagrado. É uma dos meios, através principalmente do Maithuna (ritual sexual tântrico) de se alcançar a iluminação através da elevação da Kundalini.

Portanto, para o Tantra, não existe sexo sujo, não existe o conceito de “certo” ou “errado” e nem depravado como a nossa sociedade judaico-cristã pensa.

Nós não nascemos do pecado, muito pelo contrário, nós fomos criados através de uma das maiores demonstrações de amor e conexão que podemos ter. Nosso corpo é sagrado e foi concebido através de um ato igualmente sagrado.

Infelizmente, para nós ocidentais, essa linha de pensamento naturista para com o sexo abre muitas portas para usarmos o Tantra como argumento e reprodução dos modelos machistas de dominância, de sedução e desculpas para traições, relações abusivas, orgias, etc… isso não é Tantra.

 

 

 

O Tantra lida com o sexo como uma manifestação natural, assim como tudo na vida.

Para o tantrismo a relação sexual é um momento em que os amantes se libertam do seu ego e estão em estado de meditação. Não existe nenhuma relação de dominância, as energia se equilibram e se misturam e a consciência está no momento, nas sensações. É quando há uma relação plena de confiança e respeito, vulnerabilidade e reverência um pelo outro. Um caminho de intimidade profunda. Quando o orgasmo genital deixa de ser prioridade e a conexão dos sagrados masculino e feminino prevalece.

E nesse ponto não existe homem ou mulher, não existe sagrado ou profano. Só existe o êxtase, a consciência e a iluminação.

Quando há uma relação abusiva e possessiva. De dominância, submissão, desconfiança, sofrimento, carência, raiva ou qualquer relação em que não haja equilíbrio entre a união dos divino masculino e feminino não é Tantra.

Osho dizia: “Deixe o sexo ser uma brincadeira.”

Se há algum manual para fazer sexo, ele não vai ser uma brincadeira. No sexo sagrado você tem que deixar seu ego e seu egoísmo de lado. Esquecer da sua potência, sua ereção, suas atitudes, seu corpo e sua performance. Você tem que estar relaxado suficiente para entrar num estado de “não-mente” e não ter script a seguir. O sexo sagrado é uma dança e uma celebração natural.

As práticas tântricas que usam do intercurso sexual não constituem o cerne da filosofia tântrica e, na maioria das vezes, são interpretadas de maneira errada pelo ocidental. Elas são praticadas com mais periodicidade nas escolas de “Esquerda” ou negativa do Tantra, aonde infelizmente, muitas das práticas se tornaram verdadeiras orgias, devido ao baixo nível espiritual dos seus praticantes.

Diferença entre “Controlar” e “Reprimir”

Para o Oriente as questões sobre sexualidade já são vistas sob uma ótica naturalista. A cultura oriental milenar de maneira geral buscam o controle da sexualidade. O ocidental reprime a sua sexualidade. Há uma diferença muito grande entre reprimir e controlar. Aquele que reprime seus desejos fica com eles o tempo inteiro na cabeça e perde o domínio sobre sua mente. Aquele que os controla é senhor de si mesmo, sabe a hora de expressá-los e de conte-los.

Existe uma linha tênue entre “desrepressão” e “descarregar a repressão”. Vejo muitas pessoas, inclusive pessoas dentro do mundo do tantra, utilizando dos conceitos do neo-tantra para justificar comportamentos que simplesmente reproduzem atitudes da nossa cultura machista, repressora e patriarcal sob o manto de um discurso bonito de liberdade e “desrepressão”. As pessoas que caem nesse discurso e se dispõem a ultrapassar seus limites para experimentar algo sem que seja plenamente de sua vontade geralmente sentem vergonha, frustração, culpa, dentre outros sentimentos negativos advindos da “ressaca moral” de fazer algo que, em sua essência, elxs não queriam intimamente experimentar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Praticar o tantra é dissolver o ego e encontrar sua essência.

Quando estamos realmente nos liberando dessas amarras não temos esse tipo de sentimento. O Tantra propicia o auto-conhecimento. E quando você se conhece você pode controlar suas energias, porque nada que não é conhecido pode ser controlado. Aí sim você vai realmente ter consciência do que lhe é conveniente e o que não é para você. E poderá experimentar o que quiser , sempre com amor, compaixão e respeito por você e pelo seu corpo.

“Esse conhecimento milenar, que é uma pérola da humanidade, está à disposição para que a gente utilize. Mas isso pode ser usado para o amor ou para a luxúria e muitas das experiências que eu tive nesse caminho de aprendizagem é como a luxúria se apropria de coisas bacanas. Com isso, muitas vezes repetimos padrões do sistema distorcido e patriarcal: dominação, egocentrismo, submissão da mulher e autoritarismo do homem. O que eu venho trazendo é uma visão mais crítica desse caminho, da auto-observação.” (Teo Balieiro)

Para finalizar, Tantra não é sobre sexo. É sobre consciência. Consciência da sua vida, de seus sentimentos, emoções e do seu corpo. Dentro desse bolo todo a sexualidade é uma energia forte que está naturalmente inclusa. E que quando conhecida e controlada, pode te levar a estados de amor, prazer e empoderamento e consciência elevadíssimos.

Tantra não é religião

O segundo assunto que mais me perguntam (depois da relação do Tantra com o sexo) é o “confrontar” com outras religiões. Ou de ser uma coisa “do demônio” principalmente pela visão equivocada de um Tantra hipersexualizado e libertino.

Apesar de algumas vertentes tântricas idolatrarem deuses hindus a filosofia em si os trata como uma força divina está dentro de você. Ou seja, a figura de Shiva como o criador do universo e a força passiva que cria e conecta tudo e todos e a figura de Shakti como a manifestação física e ativa desse todo podem ser interpretadas como as forças masculinas e femininas presentes dentro da gente. Seria como o nosso inconsciente, que registra nossas experiências e que se manifesta indiretamente através de nossas ações, bloqueios, valores e sentimentos.

O Tantra não tem restrições e pode ser seguido por fiéis de qualquer religião.

No íntimo, é uma escola que facilita a busca pelo autoconhecimento e o amadurecimento saudável, propõe transformações dos nossos limites, o aquietamento da mente e dos desejos do ego e a procura pelo reconhecimento de nossa iluminação, que já existe e está dentro de nós.

Ela não exclui qualquer mandamento ou código de conduta, o Tantra se adequa a cada uma delas.

Existem correntes que inclusive pregam o celibato (chamada de Tantra Branco ou caminho da mão direita), outras correntes pregam que a conexão sexual seja feita com o amor e entre pessoas que tenham a mesma vibração energética e uma intimidade profunda (chamado de caminho do meio). E também o caminho da esquerda, ou Tantra negro. Que fala que quanto menos intimidade e menos conhecermos nossos parceiros melhor para alcançarmos a iluminação.

Há outras especificidades dessas 3 escolas. Mas vou dedicar um post somente para isso.

O Tantra usa técnica e símbolos que facilmente se mesclam a outras religiões.

Enfim, o Tantra apresenta uma infinidade de crenças e técnicas e todas tem um mesmo objetivo e usam as mesmas ferramentas para atingi-lo: Mantras (sons de poder), yantras e mandalas (diagramas sagrados para meditação), chakras (centros de força vital), práticas de iniciação e purificação e um sistema ético que une e protege o grupo de praticantes.

Essas técnicas, ferramentas e práticas em nada excluem ou vão de oposição a qualquer manifestação de fé, inclusive podem se mesclar a elas. Por exemplo, em todas as religiões temos mantras, técnicas de meditação e mandalas próprias (como “Aleluia” e “Amém”, a oração e o sinal da cruz na tradição cristã). 

“O tantrismo é uma busca experimental que visa eliminar o sentido ilusório e conflitual de ser um ego. Separado, a fim de nos conduzir à consciência de nossa verdadeira realidade, que é eterna as nossas energias físicas, sexuais e mentais, ensinando-nos a ver caráter sagrado em toda a vida.
O Tantra é ciência pura. Você pode transformar a si mesmo, e essa transformação precisa de uma metodologia científica. As centenas de técnicas tântricas constituem a ciência da transformação.
O Tantra diz que não se pode mudar um homem, a menos que se dê a ele técnicas autênticas para mudar. Apenas pela pregação nada é alterado.
Tantra é o grande ensinamento. Pequenos ensinamentos dizem a você o que fazer e o que não fazer. Eles lhe dão os “10 Mandamentos”. Um grande ensinamento não lhe dá mandamento. Ele não cuida do que você faz. Ele cuida do que você é, do seu centro. Da sua consciência.
O Tantra diz para aceitar o que você é. Você é um grande mistério de energia multidimensional; aceite isso e mova-se com toda a energia, com profunda sensibilidade, atenção, amor e compreensão. Mova-se assim e então cada desejo torna-se uma ajuda para usa iluminação, então este próprio mundo é Nirvana, este próprio corpo é templo – Um Templo Sagrado.” (Osho)

Tantra é um estilo de ser

“A palavra Tantra tem uma definição profunda. Tan significa expansão, crescimento, cordão (tantu) e Tra é interpretado como alavanca ou ferramenta. Enfim, é uma ferramenta para expansão. Também pode ser descrito como tecer tecido, tecer a própria vida, expandir a consciência. E para isso o Tantra utiliza todos os corpos ou elementos do ser: corpo, mente, emoções, sexualidade, sombras, consciência, etc…” (Otávio Leal em seu livro “Tantra – Da sexualidade a iluminação”)

Ao contrário do que parece, viver o caminho do Tantra não é fácil. Somos criados para negar nosso corpo, para condenar nossos prazeres e a reprimir nossas emoções e vontades. Praticar o Tantra exige encarar suas sombras e aceitá-las, exige abrir mão do seu ego e se mostrar vulnerável. Exige estudo, dedicação, tempo e disciplina.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Conhecer a si mesmo perante todas as possibilidades exige muito estudo, dedicação, tempo e disciplina.

O ápice do Tantra é o reconhecer a Si mesmo, utilizando o mundo material e o corpo físico para esse reconhecimento. Nada é negado. Tudo pode ser um trampolim para a plenitude. Mas de nada adianta aproveitar todos os estímulos externos se não olhamos para quem somos.

A perseguição do tantrismo

O tantrismo foi historicamente muito perseguido e condenado, e ainda o é, pelo seu modo naturalista de ver as coisas. Ele foi perseguido na Índia primeiramente por não reconhecer o sistema de castas, por acreditar que o caminho da espiritualidade e do auto-conhecimento é para todos.

E também foi condenada pela sua visão para com a figura da mulher.

As outras filosofias e religiões dizem basicamente: “O Espírito é a Bem-Aventurança e o Homem é igual ao espírito. A Natureza (mundo material e fenomênico) é o sofrimento. E a Mulher é igual a Natureza.”

Para o Tantra a Mulher continua sendo associada a Mãe Natureza. Mas nesse caso a Natureza não é uma ilusão e nem um lugar pecaminoso onde você precisa conquistar a salvação para adentrar em um mundo espiritual superior. Muito pelo contrário, a Natureza é uma manifestação perfeita do Divino, assim o convívio e a associação com as mulheres sempre foram muito bem vistas, pois elas representam a Natureza Universal personificada.

O modo de vida do Tantra não busca o “Porque” e sim o “Como”.

Em vez de se preocupar com o motivo do sofrimento, se busca uma maneira de ser feliz, uma filosofia comportamental que estimula a descobrir quem você é e como ser pleno, maduro, liberto do ego, livre, energético e, dentro do possível, autossuficiente. Ele sacraliza tudo na existência: pessoas, animais, natureza, dança, música, alimentos, ciclos naturais, coisas simples do cotidiano e também o sexo, que tem como base o amor, a vitalidade e o compartilhamento.

O Tantra não é voltado só ao prazer comum, orgástico. É um caminho árduo de auto-conhecimento. Através de métodos práticos e técnicos, como posturas físicas (ásanas e yoga), respirações, concentrações, cuidados com a alimentação, e um universo de técnicas que se utiliza na vida como um todo de forma plena e libertária, o Tantra busca o reconhecimento da essência e do espírito.

 

Fontes:

Livro “Tantra – Da sexualidade a Iluminação” de Otávio Leal (Dyhan Prem)

“How the ancient Indian tradition of Tantra became all about sex and orgasms in the US “

“On Sacred Sex”

“O Tantra”

“O Tantra: Um Ilustre desconhecido”

“Tantra não é bem o que você está pensando — e tem tudo a ver com inovação”