Kali – Qual o significado da deusa arquetípica hindu.

Kali – Qual o significado da deusa arquetípica hindu.

 

Nós nos prostramos diante dela
que é ao mesmo tempo a mais gentil e a mais terrível;
Nós a saudamos de novo e de novo.
Saudações a ela que é o suporte do mundo.
Saudações de novo e de novo
à Deusa que habita em todos os seres na forma de consciência;
à Deusa que habita em todos os seres na forma de inteligência;

 à Deusa que habita em todos os seres na forma de sono;
à Deusa que habita em todos os seres na forma de fome;
à Deusa que habita em todos os seres na forma de poder;
à Deusa que habita em todos os seres na forma de modéstia;
à Deusa que habita em todos os seres na forma de paz;
à Deusa que habita em todos os seres na forma de fé;
à Deusa que habita em todos os seres na forma de amabilidade;

 à Deusa que habita em todos os seres na forma de compaixão;

 à Deusa que habita em todos os seres na forma de contentamento; à Deusa que habita em todos os seres na forma de mãe.
Que a Deusa, a Mãe, que aparece na forma de todas as coisas, traga benefícios para todos que cantam seus louvores.
—Chandi

 Kali hoje é talvez a deusa mais conhecida e utilizada dentro de vivências e rituais, principalmente de sagrado feminino, aqui no Ocidente. Para muitas ela simboliza o puro poder do feminino. A libertação da repressão, destruição de tudo que é ruim e a reconstrução de um novo alguém. O fato de ela, na grande maioria das imagens, estar pisando em cima do corpo desfalecido de Shiva, simboliza para muitos grupos, levianamente, a vitória contra um sistema de dominação patriarcal.

Mas, dentro de suas verdadeiras origens no Tantra e do hinduísmo, o que realmente Kali representa? Qual sua história?

Quem é Kali?

Kali é uma das Deusas que representa os 10 aspectos da Mãe Divina.

É a deusa hindu que representa a dissolução do tempo-espaço em sua origem atemporal. Kali é a Deusa da transformação, quando a honramos também honramos todas as mudanças da nossa vida e do universo. Ela nos mostra os ciclos em tudo – na natureza, estações do ano, em nossos relacionamentos, nossos humores…lembrando que tudo deve sempre continuar mudando para que continue sendo vital.

Kali ensina que a dor, a tristeza, a decadência, a morte e a destruição não são superadas negando-as ou explicando-as. Essas são partes inevitáveis ​​da vida e negá-las é inútil. Para percebermos a plenitude de nosso ser e realizarmos nosso potencial, devemos aceitar essas partes da existência. O dom de Kali é a liberdade. A liberdade que só é obtida após o confronto ou aceitação da morte.

A essência de Kali é essa fusão de contradições, um misticismo com o qual nenhuma outra divindade foi dotada, é talvez a divindade mais misteriosa das ordens indianas.

Enquanto ela faz gestos (mudrás) que representam a ausência de medo e benevolência ela tem uma aparência aterrorizante e espalha morte se alimentando do sangue dos que mata. Para ela, a preservação vem da destruição.

Na maioria de suas imagens ela está pisando sobre sobre Shiva, que encarna o solo indestrutível da consciência. Ao contrário do que a maioria de nós crê o hinduísmo (e o Tantra) vê o princípio feminino (Shakti) como o princípio ativo, a manifestação dinâmica da consciência. Enquanto o princípio masculino (Shiva) é o aspecto passivo, imutável. Portanto a energia da ação, da transformação, é a energia feminina. A Kundalini é a energia Shakti.

Shiva sem Shakti é o vazio, pois a consciência se expressa através de suas diversas manifestações. E Shakti sem Shiva seria um cadáver. Pois um corpo sem uma mente não sobrevive. A natureza não dual da existência vem desse conceito, por mais que exista um princípio masculino (shiva) e um feminino (shakti) os dois, ao final, são um só. O calor é uma manifestação do fogo, portanto ele é o próprio fogo. A união de Kali e Shiva simboliza a natureza não-dual da Realidade. A fusão dos contrários. 

Kali é o aspecto de Shakti que destrói a criação para revelar a natureza eterna das coisas. Uma árvore só nasce quando a semente explode e é destruída. Quanto mais escuro é o lugar, mais brilhante vai parecer a luz que vai o iluminar. assim como a fonte mais poderosa a vida, alegria e beleza é a morte, a feiúra e o sofrimento.

Ela destrói para recriar, produz sofrimento para que a alegria se revele melhor, Ela remove os obstáculos que nos impedem de perceber nossa verdadeira natureza. Através de sua aparência assustadora deve-se ultrapassar todos seus medos, não se escondendo deles, mas aceitando-os.

Assim, Ela é vista como terrível, por destruir o que nos apegamos, e compassiva, por nos libertar da ilusão.

Ela é a maior representação de que não há transformação sem dor. Não há renascimento sem morte.

Como funciona meu trabalho dentro da Terapia Tântrica?

Como funciona meu trabalho dentro da Terapia Tântrica?

A maior parte das pessoas que se interessa e busca meu trabalho tem muitas dúvidas de como funciona. Até porque procuro oferecer sessões com um nível de aprofundamento e auto-conhecimento muito mais profundo que uma simples massagem genital. Então resolvi escrever esse artigo para contar em detalhes sobre a construção do meu estilo de terapia: a Terapia Corporal com base no Tantra e como funcionam as bases do meu trabalho.

Terapia tântrica vs Massoterapia tântrica

 Existem diversas formações em Terapia Tântrica pelo Brasil e elas variam em técnica e filosofia. Existem escolas que prezam pela meditação, respiração e massagens mais próximas a ayurveda. Outras seguem a vertente neo-tântrica priorizando catarses e as massagens genitais. É importante, ao procurar um(a) terapeuta ter claro seus objetivos e entender como ele/a trabalha e de que escola veio.

Eu hoje tenho 5 formações das mais variadas escolas então desde técnica milenares vindas do Taoísmo e da filosofia tântrica até em terapias contemporâneas como bioenergética, ferramentas psicoterápicas e da Sexologia Somática. Estou sempre estudando e praticando mais para que possa atender cada um de maneira personalizada, procurando fazer com que alcance seus objetivos da mais rápida e melhor maneira possível.

Mas você trabalha com Terapia tântrica ou Terapia Corporal?

Meu trabalho tem como base a filosofia do Tantra, ou seja, ajudar meus interagentes a alcançar uma maior consciência de si e de seu corpo, eliminar julgamentos, vergonhas, culpas e ajudá-lo a ver o mundo e todas as suas relações de maneira mais natural, confiante e leve.

Porém o Tantra não é uma terapia, é uma filosofia. Então fico mais confortável em me definir como Terapeuta Corporal. Pois lido com o corpo, com sensações, emoções, sentimentos e bloqueios que se encouraçaram no corpo e através dele possam ser acessados. Nem a própria massagem Tântrica é tântrica, ela tem princípios da reflexologia sexual taoísta e foi desenvolvida fazem pouco mais de 50 anos, você pode ler mais sobre nesse artigo aqui.

Bases da Terapia Corporal

Parto do principio que tanto o Tantra, o Taoísmo e a psicologia convergem: A sexualidade rege nossa vida. Nossa relação com a natureza, interpessoais e com nós mesmos. O Tantra chama essa energia de Kundalini, o Taoísmo de Chi…Freud chamou de libido, Reich de Orgone. A nossa energia sexual é a energia da vida, que nos faz acordar todos os dias pra ir trabalhar, nos exercitar, namorar, sair com os amigos, viajar. Paulo Freire falava da energia do “Tesão”.

Se você tem tesão em viajar, tesão em comer algo diferente, tesão em dançar, tesão em conversar…para tudo isso você utiliza sua energia sexual, sua energia vital.

Ela rege a forma como você fala, se veste, se comporta…os padrões de pessoas com que você se relaciona. Inclusive suas escolhas profissionais.

É incrível como após algumas sessões muitos interagentes mudam sutilmente a forma de falar, suas expressões corporais e inclusive o padrão de pessoas das quais se atraem, conforme vão ganhando mais consciência e segurança sobre corpo e suas feridas.

Trabalho dentro do círculo de não-virtudes taoísta, que sintetiza o ciclo do qual perdemos energia vital, e o ciclo e virtudes, que faz com que nos energizemos e rompemos os padrões das não-virtudes. Através do trabalho corporal conseguimos trazer consciência para o estado de presença e emoções, fazendo com que os padrões se quebrem.

ciclo nao virtudes taoismo
Ciclo das não-virtudes Taoísta. Que seria um resumo de como as doenças (inclusive emocionais) se estabelecem.

E como fazemos isso? Através dos 3 pilares do Tantra e da Sexologia Somática: Respiração, Som e Movimento. Trabalhando essas 3 vertentes gradualmente através de técnicas de respiração, práticas corporais e massoterapia o corpo vai eliminando os traumas, se soltando e se libertando.

Como complemento dentro das sessões online trabalho com ferramentas psicoterápicas que buscam trazer consciência para os gatilhos que ativam esses traumas no dia a dia, para dar sustentação a toda essa mudança e que o corpo tenha menos possibilidades de cair novamente na rotina. Nessas ferramentas me baseio no material, experiência e estudos de Gasparetto, Krishnananda e Sri Prem Baba para aplicá-las.

 Modelos de trabalho

 E como trabalhamos isso tudo? Em uma sessão?

Sim, podemos marcar uma sessão presencial como experiência até para que você sinta se é o caminho certo para você, porém o ideal é que façamos um pacote de desenvolvimento onde gradativamente vamos trabalhando todas suas questões e construindo as sessões de acordo com seu progresso ou necessidades.

Atendo com 3 tipos de pacotes terapêuticos: Sessões exclusivamente presenciais, Sessões mistas (mais completas pois trabalhamos psicoterapia em conjunto com a massagem e outras práticas corporais) e as sessões exclusivamente online, onde trocamos a massagem por exercícios de auto-toque consciente, com resultados bem próximos as sessões presenciais.

E quais os resultados esperados?

Iremos trabalhar em cima das suas intenções, para que chegue a elas da mais rápida e melhor maneira possível, sempre conversando e co-criando as sessões dentro de um ambiente seguro de livre expressão e respeitando seus limites.

As questões mais comuns para que me procuram são:

– Disfunções sexuais: Anorgasmia, dificuldade de chegar ao orgasmo, ejaculação precoce, disfunção erétil….

– Problemas com toque, intimidade

– Ansiedade

– Insegurança, problemas de auto-estima

– Culpa, vergonha ou alto julgamento para com sua sexualidade

– Dificuldade de se comunicar, dizer o que gosta, o que quer. Dificuldade de dizer não.

– Relações abusivas que não se consegue sair

– Buscar se conhecer mais, alcançar novos níveis de prazer e como conseguir fazer isso com seus parceiros.

A Terapia Corporal pode te ajudar de diversas maneiras. Caso tenha mais alguma dúvida e queira conversar sobre se esse pode ser um caminho para você me envie uma mensagem e vamos conversar. 

Yin Yang: Até que ponto essas duas energias refletem padrões de gênero?

Yin Yang: Até que ponto essas duas energias refletem padrões de gênero?

Tenho visto muita gente falar sobre Yin e Yang, geralmente associando-as às energias “masculinas” e “femininas” e atribuindo papéis de gênero a essas energias.

Geralmente se fala que a mulher seria mais “Yin“, ou seja, mais acolhedora, amorosa e submissa, e o homem mais “Yang“, dominante, ativo, racional. Mas até que ponto isso realmente se aplica? Ou seria uma distorção do conceito taoísta para se adequar a uma cultura que preza pela distinção de gênero?

Vamos analisar?

A Teoria do Yin Yang

Em meu artigo sobre Meridianos eu falo um pouco sobre como essas duas energias funcionam em nosso corpo e as diferenças de polaridades os chakras no homem e na mulher. 

Para o Taoismo todo o universo é regido por duas energias que ao mesmo tempo que opostas, são complementares. Essa dualidade é necessária para manter o equilíbrio de todas as coisas.

Essas energias são chamadas de Yin e Yang, e seu símbolo expressa sua essência: As duas polaridades estão sempre se movimentando entre si e, assim como um não existiria sem o outro um sempre está contido dentro do outro.

A princípio pode parecer complicado de entender. O Taoismo surgiu da observação dos fenômenos da natureza e do nosso corpo, assim como a ligação entre os dois.

Como o Yin Yang se manifestam no Universo? 

Na natureza as forças Yin e Yang se manifestam, por exemplo, no dia (Yang) e na noite (Yin), na água (Yin) e no fogo (Yang), nas estações do ano, onde o Inverno é o mais Yin e o Verão a estação mais Yang. A luz é Yang e a Sombra Yin, o calor é Yang e o frio é Yin. Todos os elementos tem seu oposto complementar que faz com que haja um equilíbrio. Tudo começa já nos átomos, onde o equilíbrio entre prótons (Positivo – Yang) e elétrons (negativo – Yin) forma a estrutura de toa manifestação física do Universo.

As plantas sobrevivem por causa do intercâmbio harmônico entre o dia e a noite e florescem e se reproduzem por causa da mudança de estações, por mais sutis que sejam. Mesmo em lugares mais extremos onde em certas épocas do ano as noites duram mais que os dias em outras épocas os pólos se invertem, mantendo o equilíbrio e o movimento contínuo, alternando a predominância de cada energia.

A noção que temos de “equilíbrio aqui no Ocidente é da estabilidade de uma balança com dois pesos idênticos. Prezamos por um estado contínuo, de preferência de expansão (bonança, extroversão, atividade, produtividade e sociabilidade) em detrimento de estados onde estamos mais reservados e ociosos. Para o Oriente o conceito de equilíbrio está justamente nesse movimento ondulatório de alternância de energia, inclusive em nossa vida. Os momentos de introversão são tão importantes quanto os de extroversão. Os momentos de escassez são necessários para que haja a bonança. Todos os movimentos são válidos para que haja vida.

Enquanto por aqui nossa noção de equilíbrio vem da estabilidade, da balança com dois pesos iguais, tanto o Taoísmo quanto no Tantra o equilíbrio vem do pulsar entre as duas energias, respeitando os momentos de expansão e contração da vida.

O Yin e o Yang no corpo humano segundo a Medicina tradicional chinesa.

É aí que o bicho pega, pois é muito fácil analisarmos como algo funciona a nossa volta, mas e quando temos que analisar a nós mesmos?

Vou tentar construir um racional da maneira mais neutra possível comparando o equilíbrio macrocósmico da natureza com o microcosmo do nosso corpo.

Para o Tao nosso corpo nada mais é que a reprodução do fluxo de energia do universo. Jesus disse que “Deus está dentro de cada um de nós”, ou seja, ao mesmo tempo que somos responsáveis por construir nossa realidade somos responsáveis por parte da construção do coletivo. Somos parte de Deus. Milhares de anos atrás os chineses já haviam observado a ligação que temos com a consciência do Universo e usavam essa compreensão para criar um estilo de vida mais harmônico com a natureza e de maior consciência de nós mesmos..

Mapeando pontos de calor e o fluxo de energia do corpo dentro de práticas como o Qi Gong os chineses desenharam como se dá o fluxo de energia dentro de nós e desenharem os canais hoje conhecidos como Meridianos.

Como tudo no universo, esse fluxo também se divide em trajetos de energia Yin (com fluxo constante de baixo para cima, correndo pela frente do corpo) e seus complementares Yang (de cima para baixo, correndo pelas costas).

Ok, você já entendeu que temos uma energia Yang positiva e uma energia Yin negativa. E que como uma pilha se retro-alimentam e geram tudo que há no Universo.

Mas como que os chineses descobriram que Yin seria uma energia “feminina” e Yang a “masculina”?

Foi observando as mesmas características da natureza, mas em nossos corpos. O corpo e a energia das mulheres responde as fases da Lua (ciclo menstrual – noite) enquanto o corpo dos homens responde as estações do ano (Sol). O corpo da mulher geralmente sente mais frio que o homem, e assim sucessivamente.

Assim se concluiu que os homens naturalmente tem energia mais Yang e as mulheres tem mais energia Yin, porque naturalmente o corpo de cada gênero responde mais fortemente aos estímulos naturais de uma energia específica.

Apesar do Tao não condenar nenhuma prática ou característica do nosso corpo ou da natureza o Império chinês pensava diferente, a sociedade era organizada de maneira extremamente hierárquica e patriarcal. Apesar da liberação sexual e da importância que o Tao e a própria cultura dava ao prazer feminino as mulheres tinham posições submissas na sociedade, portanto características tidas como “femininas” foram acrescentadas a energia Yin.

“No Ocidente, muitas pessoas, hoje em dia, estão concluindo que masculino e feminino são simplesmente termos genéricos construídos pela sociedade. Tao diz que, apesar de haver muita diversidade de indivíduo para indivíduo, os homens em geral têm mais energia yang (masculina) e as mulheres têm mais a energia yin (feminina). A filosofia Tao sempre reconheceu que os homens também têm uma parte feminina e as mulheres sua parte masculina e que qualquer oposição binária é totalmente falsa. Esta concepção está representada no símbolo de Tao, através de um círculo que representa o masculino dentro do feminino e vice-versa. Cada um contém uma parte do outro.” (Mantak Chia – O Orgasmo Múltiplo do Homem)

Tomar essa posição binária reforça esteriótipos de gênero construídos ao longo da história. Uma mulher sim tem mais energia Yin, pois seu corpo responde a natureza Yin do Universo. Mas devemos observar que, em nenhum aspecto da natureza a noite é submissa ao dia ou o frio ao calor. Todos os elementos Yin anulam o Yang e vice-versa.

Quanto aos aspectos físicos, biológicos e emocionais sim somos diferentes e nos complementamos. Porém, assim como a relação de qualquer outro elemento da natureza, a relação entre homem em mulher deve ser de equilíbrio e nunca de dominância ou submissão de um sobre o outro.

“A sociedade ocidental separa artificialmente nosso masculino e feminino ao desencorajar seu desenvolvimento. Os homens são ensinados, por exemplo, a esconder sua feminilidade. O Tantra encoraja cada gênero a cultivar as energias latentes do outro. Se os homens buscarem suas verdades intrínsecas no caminho tântrico, eles invariavelmente descobrirão seu lado suave, receptivo, sensível e vulnerável, sem perder sua masculinidade. As mulheres descobrirão sua liderança forte, iniciativa dinâmica e poderes de ensino, mantendo sua feminilidade. Essas novas qualidades aumentam as forças consistentes com nosso gênero externo que já aprendemos a exercitar. Talvez esteja mais claro agora por que dizemos que Tantra não é um conjunto de crenças ou filosofias. É um caminho de experiência.” (Awakening the Sacred Gate, Tantra Tahoe, 2003)

Como se comportam os centros energéticos no Tantra Taoísta

Quando o Tantra xamânico hindu alcançou o Tibet houve uma simbiose com o budismo e também com o Taoísmo. Todas es 3 filosofias “coincidentemente” tem muito em comum e o Tao somente trouxe técnica e acurácia para a filosofia naturalista tântrica. Hoje podemos estudar o Tantra budista baseado em Mantras, meditação, Yantras e mandalas. Assim como o Tantra Taoísta baseado nos trajetos dos meridianos e nas forças Yin e Yang de cada chakra, assim como a reflexologia sexual e o sexo curativo e retenção da ejaculação. 

Com essa mescla as características de Shiva, a consciência do Universo, foram incorporados a energia Yang masculina: Forte, racional, vibrante, brincalhão, poderoso, ativo, criativo e sábio. E as características de Shakti, a manifestação da consciência, à energia Yin feminina: Receptiva, amorosa, impulsiva, generosa, maternal, carinhosa, sentimental, compassiva.

Vale lembrar que no Tantra da Caxemira os Deuses são metáforas dos vários aspectos de nossa consciência cada Deus (consciência) tem uma Deusa (manifestação) equivalente, ou seja, todos nós temos as características de Shiva e Shakti dentro de nós.

E as polaridades de nossos chakras se invertem de acordo com nosso gênero, como descrevi no texto sobre meridianos. Porém dentro de cada centro Yang há uma parte Yin, e vice-versa. E essa polaridade vive em movimento e alternância da predominância das energias.

Por exemplo: assim como na natureza as noites (Yin) tem a alternância entre a lua cheia (Yang) e a lua nova (Yin) ou os dias (Yang) intercambiam entre o verão (Yang) e o Inverno (Yin) nossos centros energéticos também se comportam da mesma maneira.

Yin e Yang na relação sexual

 Como falamos anteriormente segundo as filosofias orientais cada um de nós é a representação da manifestação do próprio  Universo. Temos o dia a e noite, o calor e o frio, a contração e a expansão, o Yin e o Yang, o masculino e o feminino…tudo dentro de nosso corpo. E essas energias se movimentam em ondas sempre buscando o equilíbrio.

E o ato sexual é manifestação física da junção dessas forças, é quando as duas polaridades se conectam e assim podemos alcançar o divino, a plenitude, onde não existe mais dualidade.

Uma interpretação para a teoria do Big Bang é que o Universo teve seu início através de um grande Orgasmo. E ele continua a se expandir e se contrair como esse único, longo e cósmico gozo. E nós podemos tocar e experimentar toda essa energia. Durante nosso Orgasmo, nós nos conectamos com a energia cósmica do Universo, e nossa energia sai em forma de espiral para que nos juntemos a ela. Simultaneamente, essa energia se mescla com nosso ser, nos oferecendo, a partir da união com o próximo, o reconhecimento de todo nosso poder.”

(Kavida Rei – Tantric Sex, the path to sexual bliss. Tradução livre) 

Durante o sexo um dos parceiros assume um papel mais Yin e o outro mais Yang. Durante a penetração, a mulher tem a necessidade de relaxar e se abrir para assim acolher o pênis do parceiro, então geralmente ela que detém e energia Yin. Enquanto o homem, que penetra o pênis ereto a ser acolhido pela vagina de sua parceira, seria a representação do Yang.

Porém sempre temos que lembrar que uma energia está contida dentro da outra, e mesmo que temos uma delas mais representativa a outra também pode se manifestar. Por exemplo: quando a parceira está por cima ou está fazendo sexo oral no parceiro ela está assumindo o papel Yang (ativo) na relação.

A inversão de papéis é importante para o fluxo energético.

Para o Tao essa inversão de papéis durante o ato é importantíssimo para que o sexo seja uma ferramenta da cura e ascensão. Não existe elevação de consciência caso haja qualquer relação de dominância de uma força perante a outra ou estagnação das polaridades em cada um. As forças devem sempre se movimentar se retroalimentando.

Apesar de evitarmos a oposição binária, precisamos ficar atentos às nossas diferentes necessidades, principalmente na cama. Por exemplo, Yang tanto se eleva rapidamente quanto se extingue depressa; Yin se eleva com mais vagar, bem como se extingue vagarosamente. Devido aos homens tenderem a ser mais yang e as mulheres a ser yin, eles podem se ajudar mutuamente para alcançar um melhor equilíbrio através da troca de suas energias durante o sexo. O ideal é que ambos os parceiros estejam conscientes de como se faz essa troca. Você não pode receber a energia yin dela sem dar a seu yang. Permitir que ela absorva seu excesso de energia yang também evita que você acumule muita energia nos seus genitais controlando a ejaculação. Se você ejacular, fica difícil trocar energia, porque você perde a maioria da sua.

Lembre-se, é a troca que é importante.

O Tantra Taoísta encara o sexo como um jogo onde o homem deve aprender a controlar sua energia Yang se abrindo e se vulnerabilizando para que consiga controlar seu fogo e assim, aquecer a água de sua parceira. Enquanto ela, com o fogo Yang de seu coração, com sua abertura e entrega, aqueça a água da paixão de seu companheiro. E assim as energias se juntam e circulam entre os dois.

“Há somente uma solução para que um homem possa acompanhar sua parceira durante o ato sexual: Se tornar energeticamente uma mulher. Isso quer dizer abandonar completamente a si mesmo, se deixar ir, se entregar completamente.”

— Daniel Odier em “Desire”

O poder da deusa durante o sexo.

No sexo tântrico, a mulher incorpora todas as mulheres do universo. O homem demonstra seu amor e confiança por meio de atos espontâneos de adoração devocional. Como resultado, a mulher se abre como uma flor de lótus, irradiando serenidade, beleza e êxtase. Em resposta, o homem se rende, permitindo que o ego morra enquanto ele se afoga na plenitude do poder feminino de sua parceira.

No tantra, toda mulher é uma deusa que incorpora o princípio feminino yin do universo. Quanto mais uma mulher puder abraçar sua verdadeira essência feminina durante o sexo, mais feliz e mais realizada ela será, e mais ela poderá se abrir para seu parceiro no amor.

A sexualidade de uma mulher é desencadeada por meio do amor e brincadeiras sensuais. As meditações tântricas ajudam a ativar a abundante capacidade de orgasmo inerente a toda mulher. Os chakras que melhor podem ajudá-la a entrar em contato com seu poder feminino são os mais Yang, ou seja, o segundo, o quarto e o sexto. A massagem e a atenção a eles ajudarão a relaxá-la e estimulá-la.

Esteja confiante em revelar sua deusa interior durante o sexo. Permita-se deixar ir e liberar todos os aspectos de seu poder feminino. Faça barulho, seja fluida e natural, permita que suas emoções fluam livremente e não tenha medo de assumir o controle quando tiver vontade.

O poder do deus durante o sexo.

O parceiro masculino representa cada homem no mundo e aparece para sua amada como um deus onipotente. A mulher se submete à paixão, desejo e energia dele. A parceira se abre para seu amado sem resistência, descobrindo sua verdadeira força enquanto se deixa levar.

Para o homem o sexo tântrico é uma oportunidade de explorar e expressar sua masculinidade, de se tornar o seu eu autêntico e de assumir um papel dominante como amante. É realmente excitante para a mulher ver seu amante abraçando sua força e assertividade, mas também permanecendo sensível e ciente de suas necessidades. No tantra, o princípio masculino é uma combinação potente e sexy de força, ternura e poder. O verdadeiro poder masculino se origina do terceiro chakra (localizado no plexo solar), onde suas linhas de energia se encontram. É aqui que o seu verdadeiro eu, masculino e forte, mas sem ego, encontra a energia que se manifesta em todo o seu ser. É uma área em que sentimentos e emoções não expressos podem ficar presos e isso pode afetar a capacidade de um homem viver em sua totalidade, não apenas nos relacionamentos e durante o sexo, mas também no mundo em geral. As meditações do Tantra podem ajudá-lo a liberar sua natureza masculina.

Quanto mais confiante um homem estiver em expressar seus sentimentos à parceira, mais sexy ele será. No tantra, você é encorajado a expressar seus pensamentos, sentimentos e desejos. 

O desejo por sexo com penetração pode ser uma força motriz nos homens, e isso pode impedir sua criatividade no ato de fazer amor. O tantra o encoraja a permanecer presente no momento, entregando-se a cada sensação e movimento e assim fazer com que a penetração e a ejaculação passe a ser só mais um detalhe na conexão entre os dois, e não o objetivo central.

O Tantra ajuda o homem a descobrir e realizar o potencial de seu poder masculino livre dos esteriótipos, do machismo e de relações de dominância do ego. Quando ele estiver totalmente confortável com sua masculinidade, poderá levar seu prazer sexual a um novo nível, o que também é um estímulo verdadeiramente sensual para sua parceira.

Conforme cada um se apropria e tem consciência de seu deus e deusa interior então sim estarão preparados a serem livres e abandonar totalmente seu divino masculino e feminino, se tornando uma só energia a ser manifestada de maneira fluida e sem nenhuma amarra.

O Yin Yang na união homoafetiva

Esse é um assunto em que muitos autores se perdem, outros colocam uma opinião cheia de vieses e nos meus cursos dificilmente foi tratado.

É fato que nas escrituras do Tantra e tampouco do Imperador Amarelo (que descreve as técnicas do Taoismo) não se fala de relações homoafetivas apesar de ter sido uma prática bem comum desde o início dos tempos. Na China antiga era chamado de Lung yang devido ao nome de um dos amantes do príncipe, ou de tuan-hsiu, o “manga curta”, lembrando a história de um imperador que teria cortado sua manga para poder sair da cama de um de seus amantes sem que o acordasse.

Embora dentro da corte imperial a prática era muitas vezes condenada (é claro que sempre dependia de quem estava dormindo na cama real) o taoísmo nunca condenou a homossexualidade. O Tao evita condenar qualquer segmento da experiência sexual. Ela tenta ensinar às pessoas como permanecerem sadias, independente de suas orientações. 

Segundo Mantak Chia, no livro “O orgasmo múltiplo do homem”, os taoístas entendem as características da sexualidade masculina como uma das propriedades da energia masculina, ou yang. Yang é ativo, volátil e expansivo.

Durante o sexo heterossexual, o yin da mulher recebe e, então, equilibra o yang do homem. (Como vimos anteriormente, yin e yang são qualidades variáveis existentes em ambos, homens e mulheres. Há homens que são mais yin, assim como há mulheres que são mais yang. Segundo os taoístas, o universo sempre procura pelo equilíbrio tanto nos relacionamentos quanto na natureza).

A expansividade da energia Yang.

Em geral, quando dois homens gays fazem amor, os yangs de cada homem se carregam entre si, aumentando, mais do que diminuindo, o apetite sexual de ambos. 

A expansibilidade da energia yang é muito difícil de conter e, por isso, sempre tentará escapar através da rota mais direta – o pênis. Para o o criador da massagem Lingam e do Sexological Bodywork, Joseph Kramer, não é surpresa que o propósito de quase toda a sexualidade dos homens gays é “a ereção e o gozo”. Essa ênfase na ejaculação é compreensível, porque é isso que satisfaz o apetite sexual; uma vez que ele ejacula, se torna mais yin – em outras palavras, estável, interno e contrátil.

Dentro do sexo “Yang Yang” ainda é possível chegar nesse equilíbrio já que a próstata é a energia contrária e complementar a do pênis. O potencial da próstata como geradora de prazer e orgasmos é bem divulgada e até conhecida de de muitos homens (gays e héteros).

De acordo com o Tao tudo que é ativo também deve ser passivo (se tratando de relações tanto hetero como homossexuais), portanto recomenda-se a versatilidade nas relações.

Na sociedade ocidental patriarcal temos o estigma negativo associado a “ser fodido” e a sensação e atribuição de poder a quem “fode”. Essa crença não permanece somente no meio das relações entre homem e mulher, mas também se reflete na comunidade gay.

O taoísmo vê a pessoa que fica por cima não como a “dominante”, mas sim como aquela que revitaliza seu parceiro ou parceira. Aquele que fica por cima (ou o parceiro mais ativo) dá mais energia sexual (e de cura) àquele que está por baixo (ou o parceiro mais passivo).

Quando você está por baixo, recebe os benefícios de ter a sua próstata massageada durante a penetração anal. Segundo Stephen T. Chang, no seu livro The Tao of Sexology (A Sexologia de Tao), os homens gays que geralmente ficam por baixo têm menos problemas na próstata que os que ficam só por cima, assim como os heterossexuais que estimulam frequentemente suas próstatas (seja sozinhos ou pelas parceiras).

Você mesmo estando por baixo não precisa ficar completamente passivo. Com o pompoar dos músculos pubicoccíneos (os mesmos músculos que você utiliza para segurar o xixi) você pode, além de aumentar seu prazer e o do parceiro, fazer a energia entre vocês circular de maneira mais efetiva.

E no sexo entre mulheres, acontece o mesmo?

Sim! Por exemplo, na posição “tesourinha” os clitóris se estimulam ligando Yang com Yang, então acontece o mesmo que com os homens, os yangs se carregam entre si, aumentando, mais do que diminuindo, o apetite sexual de ambas.

A energia Yang é muito forte e sai através do orgasmo explosivo e curto do clitóris. As mulheres tem a grande vantagem de terem vindo de fábrica com a capacidade de terem orgasmos múltiplos sem que percam sua energia. Porém quando não há o equilíbrio com o Yin, por mais que ambas atinjam uma grande quantidade de orgasmos fica sempre a sensação de que o ato nunca chega a estar “completo”, a satisfazer totalmente.

Por isso também é importante estimular o ponto Yin, o canal vaginal. Com a penetração, seja com cintas, dildos ou dedos…onde a mulher também entra em contato com seu ponto mais Yin, se abrindo para a energia Yang da parceira, pode gerar o equilíbrio energético. A versatilidade e o intercâmbio do Yin e Yang é que vai garantir que o sexo seja curativo, seja ele homo ou heterossexual.

Para tal não é necessária a penetração, com a presença, respiração, e  condução se pode ter uma experiência incrível sem que haja contato físico entre os órgãos sexuais.

Apesar de nenhuma das filosofias condenar o sexo casual é claro que alcançar tais estágios fica mais fácil se seu parceiro ou parceira se abre a se descobrir e a aprender a se conectar com você. No sexo casual pessoas que estão em busca dessa conexão para com sua essência, seu corpo e sua sexualidade são mais propensas a estarem abertas a se conectarem e experimentarem esse fluxo de energia.

Concluindo: Yin e Yang tem realmente relação com o feminino e o masculino?

Por mais que, no geral, as mulheres tenham mais energia yin e os homens mais yang, isso pode sempre mudar, pois as duas energias estão sempre em movimento e buscando o equilíbrio entre si.

Algo só estará errado se esse equilíbrio não puder ser alcançado. Por exemplo: homens que não conseguem entrar em contato com seu Yin, ou seja, não conseguem se mostrar vulneráveis e afetuosos, assim como não se abrem para escutar, amar e acolher. Ou mulheres que não conseguem entrar em contato com seu Yang: são incapazes de tomar iniciativa, de se posicionarem e tomarem decisões.

Também existe o contrário, homens muito Yin que não conseguem se posicionar ou ter iniciativa e mulheres muito Yang que tem dificuldade de se entregarem, de escutarem e de se abrirem para serem amadas e acolhidas. Esses são só alguns exemplos de desequilíbrios que precisam sim ser trabalhados.

Mas fora isso NUNCA aceitem argumentos de que mulheres precisam ser mais submissas e aceitar seus homens provedores. E que os homens precisam aceitar sua energia masculina e sempre proteger, tomar iniciativa e decisões. Isso não existe, é um padrão repressivo repetido geração a geração e que resultou numa sociedade com padrões de relacionamentos tóxicos e desequilibrados em contato com uma noção de sexualidade limitada, reprimida e distorcida.

Se existe relação de dominância sem intercambio de forças não há equilíbrio, e se não há equilíbrio não é natural.

Uma importante parte do Tantra é aprender com seu parceiro. Nos textos antigos o deus Shiva às vezes é um professor para Shakti e outras vezes Shakti o ensina. E ele ouve e pergunta sobre respeito e sabedoria, enquanto ela ouve e pergunta sobre coragem e força.

(Kavida Rei – Tantric Sex, the path to sexual bliss. Tradução livre)

 

Desmistificando a massagem tântrica: Como funciona e porque funciona?

Desmistificando a massagem tântrica: Como funciona e porque funciona?

Massagem tântrica, massagem yoni, massagem lingam, massagem genital…muitas pessoas entram em contato comigo curiosas em experimentar tal massagem e seus efeitos. Mas qual sua origem? Quais seus benefícios como terapia? E porque ela funciona?

Nesse artigo vou tentar desmistificar essa técnica que ainda está envolta em muitos tabus e preconceitos por lidar com uma parte do nosso corpo que, ao mesmo tempo, é tão importante e tão negligenciada, tanto no âmbito pessoal quanto por profissionais que, talvez para se protegerem dentro dos moralismos de uma sociedade de base judaico-cristã, os tratam com uma impessoalidade ímpar. Impessoalidade tal que não deveriam corresponder com o centro dos nossos maiores prazeres…assim como nossas maiores dores: nossos genitais.

Como foi criada a massagem tântrica?

 

A história da massagem tântrica como conhecemos tem origem em 1982 com o americano Joseph Kramer que, após passar anos estudando técnicas de respiração e massoterapias desenvolveu o que ele chamou de “Massagem Erótica Taoísta”. A técnica consistia em, sob o ponto de vista do sistema de meridianos energéticos do corpo, os ensinamentos sexuais Taoistas e da respiração consciente, intensificar o fluxo energético corporal. O objetivo não era a ejaculação, mas sim o sentir do fluxo de energia. Em como a energia sexual e a excitação circulam pelo corpo e intensificar o fluxo energético.

Em pleno ápice da epidemia de AIDS a técnica rapidamente se espalhou pois muitos homens queriam conhecer maneiras de como ter experiências intensas e orgásticas sem ejaculação, ou seja, limitando o perigo de um possível contágio.

Joseph produziu alguns materiais, gravou fitas cassetes e desenvolveu cursos que ele mesmo intitulou “O Êxtase Sexual” e “Sexo saudável”.

Em 1986 Annie Sprinkle, prostituta e artista desde os 18 anos e auto-intitulada “curandeira sexual” ouviu algumas fitas dos cursos de Kramer. Na época ela já trabalhava como editora da revista Penthouse e estava preparando um artigo sobre sexo e espiritualidade e estava evidente que ele entendia muito do assunto, então ela ligou para Joseph e marcou uma entrevista em Nova Iorque.

Então Annie decidiu participar do curso de respiração chamado “Renascimento Tântrico” de Kramer. Ela era a única mulher entre 40 homens gays. E lá experimentou seu primeiro orgasmo energético. Sem toques, com roupas, somente respirando. Foi uma experiência bem emotiva, espiritual e libertadora. E daquele dia em diante ela quis aprender tudo que Joseph poderia ensinar a ela.

Desde lá mantiveram contato enquanto Joseph viajava pelos EUA e Europa ensinando seu “Toque erótico para homens homossexuais”. Annie queria sentir a experiência que sua técnica proporcionava aos homens e convidou-o a fazer uma massagem nela. Como ele nunca havia feito uma massagem genital em uma mulher pediu para que Annie o guiasse. Ela já familiarizada com respiração consciente e, juntamente com toque de Joseph, ela entrou em um transe orgástico. Logo depois sugeriu que ambos tinham que trabalhar juntos para desenvolver uma massagem genital também para as mulheres.

Em 1993 eles começaram os trabalhos que resultaram no que hoje chamamos de “massagem yoni“. Estudaram exaustivamente a anatomia feminina e, juntos praticaram, listaram e definiram cada etapa do processo de massagem. Para lançar a técnica criaram um seminário chamado “A Semana da Consciência do Orgasmo Cósmico” que contou com a participação de 40 homens e mulheres em um centro espiritual na Califórnia.

No começo a massagem yoni (na vagina) era praticada de maneira muito parecida com a massagem lingam (no pênis). Durante o primeiro seminário de Consciência do Orgasmo Cósmico a coach sexual e pesquisadora K. Ruby percebeu isso e, juntamente com Chester Mainard, um dos professores da Escola de Joseph Kramer, começou a refinar a massagem para chegar a algo mais condizente com as necessidades e capacidade orgástica femininas. 

Hoje Joseph é fundador e dono do Instituto de Sexologia Somática, na Califórnia, com filiais pelo mundo, inclusive no Brasil, onde formam Educadores Sexuais Somáticos (Sexologycal BodyWorkers), formação e prática reconhecidas pela Associação Americana de Medicina. Annie hoje é PhD em sexualidade e continua trabalhando como diretora, artista e educadora sexual. Se alto denomina “EcoSexual” com vários artigos escritos e eventos sobre o assunto. 

Assim como Ruby e Mainard a prática das massagens genitais passaram ao longo dos anos por vários mestres que as usaram como base para refinar o processo assim como desenvolver suas próprias técnicas. No Brasil a mais utilizada hoje é o Método Deva Nishok, do Instituto Metamorfose. Esse método foca na energia orgástica e manutenção da mesma para quebra de couraças. O método se difere do desenvolvido por Joseph e Annie como quanto ao uso de vibrador na massagem yoni afim de estimular a manutenção de um nível orgástico e tratar a ejaculação como algo natural do desenvolvimento, enquanto Joseph usava a manutenção do nível de excitação em patamares próximos a ejaculação, entre outros.

É bom ressaltar que não existe técnica certa ou errada, todos os métodos tem resultados incríveis em cunho terapêutico e é sempre importante que o Terapeuta Tântrico continue estudando e se aprimorando para que possa, com propriedade, definir a melhor prática para cada caso, ou inclusive misturá-las para chegar a melhores resultados no decorrer das sessões. 

Massagem Lingam

“Um dia após finalizar uma sessão de massoterapia o homem que está deitado na maca me pergunta: “Tem certeza que não esqueceu nenhuma parte do meu corpo?”. Eu fiquei perplexo e irritado, até porque, até aquele momento o chamado curativo, que me fez estudar massoterapia em nada tinha a ver com tocar um pênis.

Quando aquele homem estava indo embora ele ainda falou: ” Eu me senti ferido depois da sua massagem.” Eu fiquei sem palavras. Seria possível eu ferir e magoar uma pessoa por não ter tocado seu pênis?

Durante as semanas seguintes fiquei me questionando se, em alguma ocasião, eu teria me sentido sexualmente abusado durante minhas sessões de massagem. E percebi que eu mesmo carregava profundos traumas para com meus próprios genitais. Seria possível que eu transmitisse minhas próprias feridas a outras pessoas em cada sessão de massagem?”

Se eu quisesse incluir massagem peniana nas minhas sessões eu teria que saber mais sobre isso. Infelizmente na época eu não tinha acesso a professores de massagem erótica, então comecei a testar em mim mesmo. Comecei a experimentar diferentes tipos de toque, alguns mais fortes, outros mais leves, mais rápidos e mais lentos. Algumas vezes no ritmo do meu corpo e em outras no ritmo da minha respiração.

Aos poucos fui deixando de lado minhas crenças sobre sexualidade e erotismo e assim minha vida começou a ser mais leve e menos definida pelos padrões da sociedade. Eu me sentia mais livre e comecei a usar o que havia aprendido praticando em sessões de massagem em outros homens. E assim, durante os últimos 25 anos eu tenho ensinado massagem lingam a mais de 5.000 homens e mulheres em todo o mundo.

(Joseph Krammer. Criador da massagem lingam e co-criador da massagem yoni)

 Genitais como canais de cura.

Tanto no Tantra como no Taoismo não só os genitais mas todo o assoalho pélvico tem papel central na nossa saúde física e emocional. Para o Tantra é o local onde reside a Kundalini, que fica adormecida na região do períneo. Para a Medicina Tradicional Chinesa os dois vasos energéticos principais (Governador e Concepção) se originam no mesmo ponto. Para a massoterapia o períneo tem papel central na origem de nossas energias assim como o relaxamento do assoalho pélvico na elevação dessa energia rumo a consciência (Tantra) ou para cura de doenças (Tao).

A medicina ocidental no último século tem alcançado consideráveis descobertas (já praticadas a milênios no oriente) quanto a desbloqueio e relaxamento pélvico e a influencia em questões emocionais e disfunções sexuais. 

Atuação no sistema autônomo no corpo. Enquanto o sistema parasimpático é responsável pela excitação (ereção – do pênis e do clitóris) o simpático é responsável pelo orgasmo.

Em alguns modelos de massagem tântricas trabalhamos conscientemente com o estímulos de pontos de acupressão muito parecidos aos da acupuntura e do shiatsu para desbloqueio energético. O Mapeamento Vulvo-Vaginal, técnica ensinada na Sexologia Somática, é um grande exemplo onde, através da interação com a interagente, o terapeuta pode identificar pontos de dor e insensibilidade dentro da vagina e massageá-los afim de soltar nós energéticos e assim fazer com que a energia sexual flua de forma mais orgânica, melhorando quadros de disfunções sexuais e/ou emocionais resultantes de experiências traumáticas da mulher. 

Alguns pontos de acupressão que estimulam o fluxo de energia sexual.

Técnicas como o Karsai Nei Tsang, de origem tailandesa, utilizam acupressão em pontos variados da pelve, incluindo períneo, glúteos e ânus, para intensificar o desbloqueio da energia da área. Muitos desses pontos são os utilizados nas técnicas ocidentais de DeArmoring com grande eficiência.

 

Reflexologia sexual

Como já falamos um pouco no artigo sobre meridianos a área reflexológica mais intensa do nosso corpo são nossos genitais, pois eles armazenam nossa energia sexual (energia básica) que alimenta todo o nosso fluxo energético. Portanto o sexo consciente, ou até mesmo o toque consciente nos genitais pode ser incrivelmente curativo, muito mais que reflexologia das mãos ou dos pés. O taoismo ensina diversas técnicas de sexo curativo onde se estimulam conscientemente partes específicas dos genitais a fim de ter reações corporais distintas. Anatomicamente nossos genitais estão diretamente ligados ao nosso cérebro através do sistema autônomo, que percorre a espinha até nossa medula (alguma ligação com a kundalini não deve ser mera coincidência). A estimulação consciente faz com que possamos estimular esses nervos e assim ampliar o processo curativo do corpo através do sexo. 

Reflexologia do Pênis e Vagina

Já é cientificamente comprovado que estados pré orgásticos liberam hormônios extremamente benéficos que estimulam o metabolismo, eliminam toxinas e melhorar nosso sistema imunológico. O orgasmo em si relaxa o corpo, alivia tensão e o estresse, reduz cólicas pré menstruais e dominui sintomas de ansiedade e depressão. Porque ainda temos tanta resistência em nos tocar e sentir prazer se é um remédio tão bom?

Anatomia do prazer

Creio que já ficou clara a importância da presença e da respiração durante a massagem (assim como em toda nossa vida sexual). Mas também é importante saber um pouquinho de como se dá o prazer em nosso corpo.

E está enganado quem pensa que nosso prazer está limitado a nosso pênis ou vagina. Mas ele engloba o corpo todo, e explorá-lo é importantíssimo, seja com carinhos ou com massagens de corpo todo antes de ir para o centro da pelve (é como sexo, o corpo precisa ser aquecido antes de ser estimulado em seu centro sexual, e assim pegar fogo.).

O corpo pode ser separado em zonas azuis (menos sensíveis), amarelas (sensibilidade média) e vermelhas (muito sensíveis). Essas zonas podem variar de pessoa a pessoa e é legal perguntar para o parceiro ou parceira onde ela gosta mais de ser tocada, seja antes ou durante a massagem. Comunicação clara e objetiva, assim como consenso, é algo essencial também no processo da massagem (assim como em qualquer relacionamento.

Zonas erógenas masculinas e femininas. Ilustrações por: @lolavendetta

A comunicação se estende a massagem genital. Pessoas diferentes gostam de velocidades e tipos de toques diferentes. E saber o que seu parceiro(a) gosta é bem importante, tão importante quanto falar sem pudores do que gosta e como gosta.

Costumamos negligenciar os grandes e pequenos lábios e focarmos no clitóris e no ponto G. O próprio clitóris pode ser estimulado de infinitas maneiras diferentes e o canal vaginal contém diversos outros pontos de prazer, assim como pontos de concentração energética importantes a serem estimulados tanto na massagem quanto no sexo.

Quanto ao pênis, ele é tão negligenciado quanto. Negligenciamos o saco escrotal (feito do mesmo tecido dos grandes lábios), o períneo (que além de ser um ponto importantíssimo para despertar energético é uma zona extremamente sensível a ser estimulada). E muitas mulheres desconhecem a importância do frênulo peniano, é o ponto mais sensível do pênis, feito do mesmo tecido que, no desenvolvimento fetal, forma o clitóris.

Nossos genitais são formados pelos mesmos tecidos. O único órgão exclusivamente feminino (que o homem não possui um tecido equivalente) é o útero.

“Nossa sexualidade não é apenas algo que pode ser usado para melhorar seu relacionamento, por prazer físico ou para procriação. Também pode ser usado para transformação pessoal, cura física e emocional, auto-realização e crescimento espiritual, e como maneira de aprender sobre toda a vida e morte. Essa é a intenção desta massagem”.

(Annie Sprinkle, co-criadora da massagem yoni.)

Fases da Massagem Tântrica

Lingam significa “bastão de luz” em sânscrito hindu, é a definição para o genital masculino. Não só o pênis, mas também o escroto e a próstata, como sistema reprodutor (e de prazer) completo.

Yoni é a palavra em sânscrito referente ao genital feminino em sua totalidade, incluindo vulva, vagina, útero e ovários. Significa “passagem divina”, “fonte de vida” ou até “Templo Sagrado”

O método desenvolvido por Joseph Kramer tem 9 fases. De acordo com o método aprendido, e também se está sendo praticado entre um casal ou como processo terapêutico, eles podem variar.

Fase 01 – Honrando a Shakti/o Shiva: Tudo no Tantra é feito lentamente e com presença. Seja seu parceiro ou seu interagente, antes de tocar o corpo de alguém deve-se honrar, respeitar e pedir permissão ao toque. Todo corpo é sagrado, toda energia é potente e deve ser tratada e respeitada como tal. Existem várias maneiras de honrar seu Shiva, seja observando, meditando e recitando mantras (no caso do processo terapêutico) ou até sentando de frente com o parceiro buscando conexão através do olhar.

Fase 02 – Massagem de corpo inteiro: O toque no corpo todo é essencial para estabelecer a conexão entre o casal ou o interagente/Terapeuta. Serve para relaxar, para que o corpo se entregue ao toque e entenda que ele é amoroso e curativo e não deve ser interpretado como hostil e invasivo. É importante que o toque começa de maneira suave e lenta para não assustar o corpo ou despertar qualquer gatilho. Também existem vários modelos de massagem. No âmbito terapêutico a mais utilizada é a massagem Sensitive, porém podemos fazer toques de resiliência ou até massagens que guiam as energias dos meridianos, parecidos com o Zen Shiatsu. O toque carinhoso, com amor e presença é mais importante que qualquer técnica. É o momento de construção da proximidade e intimidade com o outro.

Fase 03 – Despertando o desejo: É uma fase de transição para o começo da massagem genital. Nossa pelve é uma área cheia de repressões e traumas, portanto cheia de gatilhos, é importante preparar o corpo para o toque. Massagem em outras áreas sensíveis como pescoço, rosto, parte interna das coxas, púbis, mamilos e seios podem ir despertando e preparando o corpo para um toque mais íntimo. Essa fase também pode ser feita de diversas maneiras como sequência da Sensitive ou toques de despertar sexual Taoistas. No Karsai Nei Tsang se pressionam pontos específicos para desbloqueio da pelve e fluxo energético. 

Fase 04 – Da raíz à flor/Abertura da flor: Na fase 04 começamos as manobras na parte externa da vagina (grandes e pequenos lábios) estimulando a excitação e as glândulas responsáveis pela lubrificação. Assim como o saco escrotal e o períneo, no caso da massagem lingam, também despertando o chakra raíz e a produção de hormônios de excitação.

Fase 05 – Estimulando a pérola/Despertando o Lingam: É o ponto onde fazemos manobras no clitóris ou na glande e frênulo do pênis. É muito importante que, nessa fase, o homem não ejacule, mantendo a excitação entre os 80 e 90% para que o corpo libere hormônios curativos e ele não perca as sensações que ainda estão por vir. Já para a mulher é absolutamente normal ter orgasmos clitorianos nessa fase, como a mulher é multiorgástica por natureza quanto mais e diferentes orgasmos experimentarem melhor, porém não deve ser um objetivo por si só, o objetivo aqui é, para ambos os sexos, sentir o corpo e as ondas de prazer que se espalham por ele.

Fase 06 – Entrando no portal sagrado/Surfando nas ondas: A fase 6 é quando intensificamos o prazer, incentivando para que, através principalmente da respiração, ele se espalhe pelo nosso corpo desgenitalizando o orgasmo e fazendo nosso parceiro ou interagente relaxar e dissolver suas couraças. É o momento onde emoções podem aflorar, como choro ou riso. Nessa fase é feita a estimulação do canal vaginal em todos os pontos buscando pontos de prazer, dor ou insensibilidade. No caso do homem, as manobras se estendem pelo pênis como um todo, podendo se estender para a barriga e até para o peito (chakra coronário). Nessa fase pode ocorrer a ejaculação, porém essa pode ser redirecionada, com a prática, pela respiração e conscientização do corpo.

Fase 07 (exclusiva para massagem Yoni) – Estimulando o Ponto G: As mulheres ganham uma fase a mais na massagem onde, após a energia sexual ser estimulada, ampliada e trabalhada, estimulamos o ponto G para manter a onda orgástica o maior tempo possível, possibilitando a manutenção do processo curativo como um todo. Em algumas técnicas são usados somente ou dedo, em outras dois e até 3 dedos. Outras técnicas utilizam o estímulo do clitóris juntamente com o ponto G para intensificar o processo (no método Deva Nishok o uso do vibrador com estímulo do Ponto G é bastante comum). Lembre-se de que, no caso de uma sessão de Terapia Tântrica, todo o processo deve ser descrito e consentido ANTES da sessão.

Fase 08 – Finalização: Agora o intuito é aos poucos acalmar a energia, fazê-la distrubuir-se para o coração ou até o chakra do terceiro olho. Caso seu parceiro(a) ou interagente não tenha atingido o orgasmo pode utilizar algumas tecnicas para espalhar a energia sexual retida.

Fase 09 – Integração: É o momento individual da pessoa que recebeu a massagem. Um momento importante para que ela fique com ela mesma, sem nenhum tipo de toque, porém com a presença do parceiro ou terapeuta ao lado. É o momento de assimilação das emoções e sensações experienciadas durante todo o processo. Você pode tapar a pessoa com uma canga, lençol ou cobertor e deixe ela integrar pelo tempo que ela achar necessário.

 

Existem uma série de diferentes manobras para as massagens genitais. Elas são bem diferentes das manobras masturbatórias e, como vimos nesse artigo, visam trabalhar ligações energéticas/anatômicas diretas com nosso cérebro fazendo do processo uma terapia, trabalhando corpo e mente como um todo com o objetivo de dissolver bloqueios e liberar emoções reprimidas.

Importante: Numa sessão terapêutica o Terapeuta SEMPRE permanece vestido e usa luvas descartáveis durante a massagem genital. A energia trabalhada é somente a do interagente. Não aceite qualquer toque que não seja das mãos e antebraços, nudez ou toque genital sem métodos de assepsia (como o uso de luvas descartáveis).

Caso tenha interesse em aprender mais pode agendar um curso livre de massagem (voltado para uso com seus parceiros) ou pode marcar uma sessão para experimentar.

E o ânus? Ele não é trabalhado?

O ânus, apesar de ser uma importante zona reflexológica e de prazer, é trabalhado somente em casos mais avançados e após algumas sessões. Existem técnicas de massagem prostática que visam despertar o prazer e o  equilíbrio yin/yang masculino e também técnicas de liberação anal que são extremamente curativos a ambos os sexos, já que o ânus é o ponto onde guardamos nossas mais profundas angústias e medos. Por causa de resistências e falta de consciência corporais esse tipo de prática é extremamente forte e desperta emoções que sim, devem ser eliminadas, porém tem que ser despertadas de maneira gradual para que não causem ainda mais dano.

Zonas do períneo e ao redor do ânus podem começar a ser trabalhados mais cedo, seja pra desbloqueio de couraças pélvicas ou acupressura de pontos para liberação de fluxo energético. O método Deva Nishok contém massagem prostática como prática avançada masculina para consciência corporal e de novos níveis de prazer e a sexologia Somática técnicas de liberação anal também como prática avançada para desbloqueio pélvico e tratativa de liberação energética.

O ânus pode ser uma zona erógena muito intensa e importante para ambos os sexos e explorada livremente não só como cura, mas como importante canal de manifestação de sua sexualidade e prazer. Em ambas as situações pode ser um lugar de cura e muito prazer, desde que aproveitado com muito cuidado e empatia, seja do parceiro(a) ou do Terapeuta.

Quais seus bloqueios e como o Tantra pode te ajudar a se livrar deles?

Quais seus bloqueios e como o Tantra pode te ajudar a se livrar deles?

Ao longo da nossa vida, todos nos deparamos com certos bloqueios que muitas vezes nos impedem de seguir em frente. E o Tantra pode servir como terapia para esses problemas e limitações sexuais. Quando relaxamos e exercitamos nossas zonas erógenas, assim como desfrutamos de nossos corpos, frequentemente nos deparamos com o que bloqueia nossa sexualidade e nosso prazer.

Com certeza você já vivenciou alguma dessas situações:

  • Você conhece, fica e sente um tesão enorme por alguém. Após muitas expectativas criadas pelos beijos de tirar o fôlego e a pegada que te deixa de pernas bambas vocês vão para a cama. E já durante as preliminares você não consegue focar, sua energia simplesmente não está lá, toda aquela vontade vai embora…aliás, você fica com vontade de ir embora. 
  • Você está com a libido explodindo a tempos e finalmente surge uma oportunidade de transar. Vocês se encontram, tem uma noite de sexo incrível, mas no outro dia você continua sentindo o mesmo vazio, a mesma libido, mas não pela mesma pessoa. Parece que falta algo.
  • Você conhece o homem ou a mulher dos seus sonhos. Lindo(a), gostoso(a), inteligente, sedutor(a), divertido(a) e com exatamente os mesmos gostos que você. E você insiste em ficar com ele(a) mesmo que você não sinta o mínimo de atração ou tesão.
  • Você está numa relação apaixonada, os primeiros 6 meses são incríveis, cheios de programas em comum e sexo em qualquer lugar ou hora. E, de repente, sem motivo nenhum, parece que o interesse foi embora.
  • Ou você aceita namorar com alguém porém, por mais que vocês combinem em tudo,  vocês nunca tiveram uma boa compatibilidade sexual. Vc sempre teve mais desejo que ele(a), mas você tem esperança de que um dia isso vai mudar…e não muda.

O que todas essas situações têm em comum? A falta de consciência sobre seu corpo e seus sentimentos fazem você agir mais com a razão do que com o coração, materializando algo que você gostaria que fosse mas, na realidade, não é. E essa imagem que você cria, a falta de capacidade de estar presente no momento, mas sempre com a cabeça viajando em outro lugar, assim como a inabilidade de sentir para além do pensar…tudo isso vem dos bloqueios que suas experiências de vida causaram na sua percepção de mundo.

O que são esses bloqueios?

Bloqueio ou resistência é qualquer coisa que atrapalhe os fluxos naturais de sua energia da força vital.

Do ponto de vista tântrico, a energia da força vital (energia orgástica) simplesmente flui, caso você permita. 

Sabe aquele momento em que você se sentiu vibrante, vivo, ansioso e alegre com cada pequena coisa? Sua energia vital estava fluindo. Quando você está se sentindo bem, que é sua natureza básica, a energia flui continuamente. O prazer sexual, principalmente o orgasmo, é um excelente exemplo. Quando sua energia flui, suas emoções são otimistas, seu corpo é dinâmico, sua mente é clara e seu espírito se eleva.

E quando há resistência, você se sente desligado(a), distante, irritado, carente, frustrado(a), sem esperança, ou deprimido(a). De fato, você pode reconhecer seus próprios bloqueios justamente nos mesmos momentos em que sentir esse tipo de sentimento.

As feridas gravadas no seu corpo

Você sabia que essas emoções antigas ficam instaladas em seu corpo? Suas dores, feridas e traumas são armazenados profundamente em seus tecidos. A isso se chama “memória corporal”.

Você quer sentir prazer, quer aproveitar o pôr do sol, quer ter momentos de intimidade e carinho com seus parceiros, mas algo atrapalha. Às vezes, a própria tentativa de fluir positivamente a energia ativa certos gatilhos, criando resistência.

É por isso que o toque, a massagem, o flerte te fazem se sentir tão bem. Esses são mecanismos calmantes naturais que aliviam o estresse e a tensão que estão permanentemente em nossos corpos. Em suma, a resistência vem da energia bloqueada no corpo que inibe o amor, a alegria, o prazer, abandono sexual e até o orgasmo.

De onde vem a resistência?

A resistência vem do conflito interno. Psicologicamente, é causada por pensamentos, crenças e sentimentos que estão em conflito com o que você deseja. Essas inibições internas podem impedi-lo de ser sexual, dar e receber amor ou assumir um compromisso de relacionamento. Você pode apenas sentir-se desconfortável com alguma coisa, ou você pode sentir algum tipo de medo, ansiedade ou até uma raiva inexplicável.

E por que alguém inibiria seus próprios desejos naturais?

  • Talvez você se culpe ou se rebaixe por não ter ainda chegado onde gostaria de estar.
  • Talvez você se cobre demais e espere mais de si e, consequentemente, dos outros.
  • Talvez você sinta que há algo errado com seus desejos.
  • Talvez você duvide da sua capacidade de obter sucesso.
  • Talvez você sinta que há algo errado com você, fazendo-o acreditar que seus desejos são, de alguma forma,  sujos, ruins ou maus.

A maioria dos meus interagentes quando buscam a Terapia Tântrica na verdade buscam ajuda para identificar e liberar seus bloqueios, e assim mudar aspectos da sua vida. Desejam ter relacionamentos mais leves e alegres. Se conectarem com seu prazer e seus corpos, enfim, buscam um despertar para uma vida com energia mais fluida e sem tantos bloqueios internos. Infelizmente, a sociedade como um o todo parece estar contra esse estilo de vida, nos levando a levar uma vida estática, de repressão e regras internalizadas.

Bloqueando o caminho da estimulação sexual

Como isso funciona? É tudo sobre o órgão sexual mais poderoso de seu corpo. Não, e não estamos falando de lá embaixo, é justamente lá em cima, no seu cérebro.

Quando tudo está funcionando corretamente, a energia está fluindo. Você sente desejo, sente amor, tesão, vontade de viver. Em resposta, os mecanismos automáticos do seu corpo criam excitação.

Quando você começa a sentir bons sentimentos, o sistema nervoso autônomo carrega esses mensagens de volta aos centros de prazer do cérebro, criando um loop de feedback. Em outras palavras, quanto mais você fica excitado, necessita de cada vez menos esforço para ficar excitado. E isso funciona para todas as outras áreas além da sexual.

Claro, isso pressupõe que sua mente consciente não esteja interferindo de forma alguma e permite que seu corpo assumir e sentir. Quando você recebe o desejo, seu fluxo de energia cria paixão.

Quando você tem alguma resistência embutida, suas crenças e sentimentos conflitam com o processo humano de excitação. Consciente ou inconscientemente, você está pensando “mas ele é tão diferente de mim” ou “eu não deveria “ou” não está certo “ou qualquer outra coisa parecida. As vibrações dessas crenças bloqueiam o fluxo natural de mensagens de e para o cérebro. O loop de feedback é interrompido e sua capacidade de sentir e estar presente diminui.

Se esse padrão não for modificado, seus canais de prazer se fecharão por completo. 

E a velha máxima “Se não exercitar vai atrofiar” se aplica mais à sexualidade do que a outras partes da vida. Quanto mais fugimos de nos conscientizar e trabalhar nossos bloqueios mais fortes eles ficarão.

E quando você não está realmente consciente do mecanismo de resistência em ação, essas mensagens mistas podem deixar louco(a) qualquer pessoa com quem você se relacione, inclusive você mesmo(a). Quando você se sente nervoso, ansioso, medo, raiva ou retraimento sem nenhuma explicação lógica, seja qual for a situação é sua memória corporal te conduzindo. É sua bagagem emocional construída através de todas suas experiências e histórias tomando conta de suas emoções atuais.

Você já se perguntou por que às vezes inexplicavelmente nos encontramos rindo, chorando, desmaiando ou gritando durante o sexo? Nós tocamos um nervo de alguma ferida passada, de algum bloqueio retido no corpo (para saber mais detalhes pode ler meu artigo sobre meridianos e reflexologia sexual). A massagem genital, durante a Terapia Tântrica, tem como principal objetivo ativar e dissolver esses pontos para que, aos poucos, você toma consciência de seu corpo e essa bagagem emocional seja liberada.

Fluir com o fluxo

Para entender a dinâmica da resistência interna, imagine um córrego descendo uma montanha. na época de seca ele corre silenciosamente ao longo das rochas, margens e fundo, sendo suavizada por elas. E vem a estação das chuvas, a força da água causa turbulência profunda. Pedras, troncos e as próprias margens são agredidas e muitas vezes varridas. É assim que é a resistência interna ao fluxo de energia, são os obstáculos que tentam impedir o rio de seguir seu fluxo – sua força vital. 

Quando os gatilhos são acionados você se sente afetado emocionalmente, estressado, pressionado. E para liberar esses bloqueios você precisa sentir e conhecê-los. Quando você fica doente seu corpo responde da mesma maneira, você se sente mal tentando se curar.

Durante a Terapia Tântrica essas emoções podem vir a tona, e é importante estar receptivo a elas. Se der vontade de chorar, chore como um bebê. Se der vontade de rir, dê gargalhadas até doer a barriga. Estamos sempre condicionados a engolir o choro ou prender o riso. Esses são condicionamentos de nossos bloqueios.

Você pode suavizar o peso da resistência escolhendo ignorar seus sentidos e evitar o prazer. Então o fluxo do rio fica mais lento mas você morre lentamente. O prazer de viver vai ser cada vez menos parte integrante de sua força vital.

Muita gente se esconde de seus bloqueios mergulhando em fatores externos, como trabalho, relacionamentos, família, drogas, etc… Um estilo de vida ocupada e de estresse pode ser apenas mais uma manifestação de resistência, sugando a pessoa de qualquer energia ou tempo que ela possa usar para experimentar prazer ou ter conexão com ela mesma.

Se você aceita a premissa tântrica de que o prazer governa e nada é mais importante do que você se sentisse bem, e felizmente, o Tantra oferece muita alternativas.

Causas específicas dos bloqueios

Embora você provavelmente tenha noção de muitas das resistências em sua vida, escrevi uma pequena lista para ampliar sua compreensão das possíveis maneiras de entrar em contato com seu passado e ressignificá-lo. Embora o abusos e estupros sejam uma realidade existem muitas outras maneiras ainda mais frequentes pelas quais nós coletamos emoções,  ferimentos e trauma físico.

Medos

O que nos preocupa com frequência torna-se realidade. Muitas vezes temos vergonha de manifestações que são comuns a todos nós, e que tem uma origem comum: Falta de educação e diálogo para com nossos corpos e nossa sexualidade. Durante a adolescência nos deparamos com muitos episódios que nos causam constrangimento injustificados, e que podem refletir em medos e bloqueios futuros. Desde vergonha de mostrar os pêlos que começam a nascer, da menstruação que desceu e faz com que a garota vire o centro das atenções, os sonhos molhados dos garotos que tem na ejaculação sinônimo de algo escondido e vergonhoso.Sem educação para nos preparar para amar e aceitar quem nós somos o mundo exterior e nosso corpo parecem terrivelmente assustadores.

Condicionamento Social

Atitudes puritanas sociais, religiosas e culturais estritas criam julgamentos, proibições e tabus que entram em conflito com nossos impulsos saudáveis. E quando os aprendemos com figuras de autoridade como pais, professores, líderes religiosos, vizinhos e amigos, eles carregam peso extra. Acabamos sendo envergonhados, culpados e acusados ​​por comportamentos naturais da nossa sexualidade. Vítimas de abuso geralmente são desacreditadas ou subjugadas. Com muita frequência, negamos nosso próprio prazer, achando que está errado ou ruim, pecaminoso ou mau.

Culpa

Quando aceitamos as crenças culturais e históricas sobre como devemos lidar com nosso corpo,acabamos carregados de culpa. Quem nunca se culpou ou se sentiu culpado quanto a qualquer conduta sexual? Crescemos com frases como “não bota a mão aí.”, “fecha as pernas”, “se valorize”. Todas essas repressões nos confundem, pois vão contra a natureza. “Meu corpo pede mas eu não posso”. É aí que acabamos, como consequência, dizendo não quando na verdade queremos dizer sim, ou até aceitar quando na verdade queremos negar. Ou não saber como satisfazer um parceiro e se sentir culpado quando suas vontades e desejos se desviam da “conduta normal”. 

Auto-julgamento

Talvez o impacto mais prejudicial venha de julgar a nós mesmos. Exploramos nossos corpos, brincamos de médico com os amiguinhos e descobrimos como sentimos prazer – tudo de maneira muito inocente – e então aprendemos que “estava errado”. Ficamos enojados com nossos corpos e suas secreções naturais. Enxergamos nossos próprios genitais como pecaminosos, sujos ou baixos. E esses auto-julgamentos negativos podem ficar profundamente gravados em nosso subconsciente e no nosso corpo.

Experiências traumáticas

As dores dos castigos dos pais, relacionamentos abusivos, infidelidade, severidade, perdas e outros incidentes violentos são profundos. Todos nós tememos as histórias de violência sexual como estupro e incesto, mas mesmo experiências comuns de vida como parto, aborto, aborto espontâneo e exames ginecológicos insensíveis também contribuem.

Sexo indesejado

Se não fosse ruim o suficiente crescer com todas essas dores, jogos de poder e abusos psicológicos que a sociedade nos impõe. Quem nunca foi pressionado, forçado ou dominado a fazer algo que não quis? Ou concordaram em fazer amor quando sem vontade ou ignoraram seus limites para satisfazer algum(a) parceiro(a)?  São só alguns exemplos de como a repressão, cultura e educação sexual que temos e vivemos acabam contribuindo para os bloqueios que carregamos conosco. 

Qualquer uma dessas causas são prejudiciais e podem causar bloqueios energéticos que influenciam em todas as áreas da sua vida. Porém elas só ficarão gravadas em seu corpo caso você continue remoendo e armazenando as emoções produzidas por elas. A partir do momento que você toma consciência que tudo isso não faz parte de você, que são fatores externos ou que ficaram no passado e que não precisa mais carregar tudo isso essas resistências por si só começam a se desfazer. Caso contrário esses bloqueios criarão, com o tempo, sistemas de blindagem corporal e emocional. Nada mais que uma reação do corpo para tentar te proteger de ter ainda mais bloqueios.

Medo, Julgamentos, Condicionamentos sociais e culpa são só algumas das causas das blindagens formadas pelos bloqueios energéticos.

Blindagens

Quando experiências traumáticas passadas são alojadas nos músculos do corpo, elas se contraem e as os tecidos endurecem. Alguns chamam isso de “blindagem”. Blindagem é uma tentativa de prevenir a dor. Apertamos e contraímos para evitar desconforto e nos proteger. Mas a energia gerada pela experiência fica presa por dentro. Nossos corpos tornam-se um depósito para impressões negativas.

A blindagem é um processo instintivo que nos protege contra sentimentos sexuais “perigosos” que tem o efeito colateral indesejável de interromper o fluxo de sinais nervosos, que dão vida e energia vital.

Quando a blindagem persiste, amortece os tecidos contraídos. Eles tornando-se rígidos e inflexíveis, em vez de relaxamento e flexibilidade, como deveria ser natural. 

Nos genitais estão tão sujeitos a blindagem quanto em qualquer outro lugar do corpo. Talvez ainda mais quando submetido a intenso medo, culpa e julgamento por condicionamento social. Nossas frustrações, fracassos e feridas sexuais deixam seus traços de energia emocional e psicológica nesses tecidos. Sem mencionar o impacto de um abuso sexual.

Como a blindagem cria resistência sexual? 

Fluxos de energia bloqueados

Quando os tecidos são blindados, nossos canais estão bloqueados e não flui. Nossos chakras inferiores ficam congestionados e a comunicação com os chakras superiores fica bem comprometida. Os bloqueios impedem que as mensagens sexuais atinjam nosso maior órgão sexual, o cérebro que, com o tempo, tende a diminuir, limitar ou até interromper nossa capacidade de sentir prazer. 

Efeitos na saúde

A tensão muscular profunda suprime o fluxo livre de fluidos que dão vida e mensagens através dos nervos, circulação, linfa, músculos e pele. Tensão e rigidez permanentes restringem nossos sentimentos vitais de desejo, atração e excitação. A tensão corporal constante podem causar episódios de ansiedade, deficit de atenção e depressão. Inclusive acentuar os efeitos da TPM, modificar o ciclo menstrual, diminuir a imunidade e até o PH natural da vagina, causando uma maior propensão de irritações e infecções urinárias. Nos homens as tensões pélvicas restringem a livre circulação do fluxo sanguíneo podendo causar disfunções eréteis ou episódios de ejaculação precoce.

Auto-proteção

Como a blindagem é um mecanismo de autoproteção, ela nos impede de desfrutar experiências, bem como reviver os traumas passados. Sufoca nossa espontaneidade e nos faz sentir ameaçados pelo que deve ser divertido. Isso pode nos deixar desconfortáveis a falar sobre sexo e nossos corpos assim como expressar o que nos dá prazer e até rompermos nossos limites para dar prazer ao parceiro, o que pode aumentar cada vez mais esse mecanismo. A autoproteção nos sufoca, suprime nossa capacidade de mostrar e sentir afeto. É como se vestíssemos uma armadura, que nos protege de tudo que vem no mundo externo, mas ao mesmo tempo nos impede de termos contato com esse mesmo mundo.

Inibições sexuais

Quando nossos genitais ou outros pontos erógenos do corpo são blindadas, ficamos insensíveis, a ponto de não sentir nada quando nos tocamos ou durante o ato sexual. Temos dificuldade em nos abrir e mergulharmos totalmente em nossas relações e sensações. Essa falta de sensibilidade pode refletir em falta de libido, pois o sexo começa a se tornar somente um meio de sanar as necessidades sexuais de seu parceiro, e não as suas.

Quando bloqueados, protegidos e inibidos, precisamos de maior esforço e estímulo para romper essas conchas e nos sentirmos mais satisfeito. Práticas de compulsão sexual ou que almejam violência, relações sexuais dolorosas, S&M (sadismo e masoquismo) e outras práticas excêntricas também podem ser formas de blindagem, caso sirva não para seu prazer, conexão e relaxamento. Mas como fuga para não encarar certos bloqueios e resistências.

Pressão pelo desempenho e Ansiedade

Quando estamos blindados contra a dor, podemos gerar expectativas que criam pressão pelo desempenho. O despertar a energia sexual pode despertar dúvidas e medos que vem desde a infância. Será que ele ou ela vai gostar? Serei capaz de manter minha ereção, ou de gozar? Serei capaz de aguentar não ejacular antes que ela goze? Em vez de apreciar o prazer do momento, nossas ansiedades mudam nossa atenção para o futuro, colocando pressão desnecessária e criando um círculo vicioso. Pois essa auto-cobrança gera mais tensão que geram ainda mais bloqueios e, assim, mais cobrança.

Julgamento do corpo

Quando nosso corpo retém a velha energia negativa, nossa tendência natural é desaprovar o que parece ser a fonte de nossa dor, nós mesmos. Ao invés de apreciar e amar nosso corpo como nosso templo sagrado, julgamos nossa aparência, nosso peso, e qualquer outro detalhe que esteja em desacordo com padrões externos que são absolutamente irreais. Em vez de nos amar e aceitar, nós o condenamos. Como resultado, nossa sexualidade também é vista com a mesma desaprovação, vergonha e julgamento. Não nos sentimos merecedores do prazer, carinho e amor que nossos parceiros nos dão. Emoções de posse, ciúmes, insegurança e obsessão começam a despertar pois o sentimento é que qualquer outra pessoa possa ser melhor que você. Acabamos auto-reprimindo nossos instintos para sentir, gozar, desfrutar e procriar, gerando energia cada vez mais resistente e alimentando nossa blindagem.

Instabilidade emocional

A energia antiga que está armazenada no seu corpo é a força vital que comanda, independentemente da força com que tente suprimi-lo. Enquanto você não liberá-las elas só tendem a acumular. É como uma bateria profundamente enterrada que pode produzir um choque, e sempre continua recarregando. Essas descargas podem assumir a forma de emoções, explosões, surtos inesperados ou atitudes mentais negativas que, racionalmente, fazem pouco sentido. O sexo frenético que estamos acostumados a fazer podem inclusive reestimular essas feridas antigas, causando brigas e explosões aparentemente sem provocação. A pressão reprimida pode desencadear fantasias, emoções e lembranças. 

Quanto ao sexo, mesmo se tiver sido gostoso, dependendo da blindagem e resistências podem ativar gatilhos que se manifestam por episódios de raiva, ciúme, medo, tristeza, dor, mágoa ou depressão sem qualquer explicação.

Sexo blindado é como fazer amor com uma parede. É uma forma de resistência expressa fisicamente. Qualquer ação bem-intencionada pode desencadear uma ação inexplicável e respostas às vezes explosivas. Por causa da energia adormecida e estagnada, nosso entusiasmo pela vida diminui. Quando sentimentos atuais são contaminados e restringidos por emoções passadas, o jogo sexual sagrado não enriquece, desperta ou eleva a consciência.

Liberar seus bloqueios inclui entrar em contato e curar sua criança interior.

Bom…como você pode ver, os nossos bloqueios e consequentes blindagem nos faz resistir a viver, para assim evitar a dor. E quanto mais resistimos, mais forte é a nossa blindagem.

E assim vivemos um ciclo vicioso infinito que se retro alimenta. Uma espiral descendente que nos afasta cada vez mais da nossa natureza inata e feliz. Entrar em contato com essas blindagens pode ser doloroso, mas assim que você deixa essa carga simplesmente ir os resultados são imediatos. A Terapia Tântrica, como uma prática que trabalha justamente nessas blindagens, pode trazer mudanças rápidas e nítidas já na primeira sessão.

EXERCÍCIO: Questões para discussão de blindagem

Aqui estão algumas perguntas para refletir, fazer um diário ou conversar com seu parceiro …

  • De que resistências sexuais você conhece?
  • Existe algo no seu corpo que possa levá-lo a pensar que há alguma blindagem? Pode ser tensão muscular, articulações, dor, erupções cutâneas, etc…
  • Existe algum trauma na infância ou já na fase adulta em que seu corpo possa estar tentando se proteger?