Ânus e períneo – Anatomia do prazer de quem tem pênis

Ânus e períneo – Anatomia do prazer de quem tem pênis

Semana passada falamos do pênis e dos testículos dentro da anatomia do prazer de quem tem pênis. (pode ler clicando aqui). Essa semana iremos falar de duas zonas pouco ou nunca exploradas por muitos. Mas que podem proporcionar outras formas incríveis de prazer: o ânus e o períneo.

São dois locais em que se pode acessar direta ou indiretamente a próstata, a glândula que produz o líquido seminal e é altamente enervada, podendo proporcionar orgasmos incríveis.

O períneo

 Se quiser visualizar seu períneo vai precisar de um espelho de mão. Melhor ainda, agache-se sobre um espelho um pouco maior, o que permitirá que você use as duas mãos para explorar a área abaixo dos testículos.

Entre o ânus e o escroto está o períneo, uma área energeticamente e biologicamente muito importante para nossa sexualidade e desejo.

Usando um dedo para explorar o períneo, comece sentindo a protuberância que forma a raiz do lingam, localizada imediatamente atrás dos testículos. Caso esteja com o pênis ereto fica mais fácil ainda de sentir.

Um pouco mais em direção ao ânus fica uma área macia na qual você pode pressionar o dedo. Atrás desse ponto, internamente, está a próstata, e por esse local ela pode sim ser sentida e massageada, sem a necessidade de penetração.

 

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A próstata

Em nós, pessoas com pênis, o prazer da estimulação anal é aumentada por um aspecto adicional que pode proporcinar excitação e prazer profundos: a próstata, o lugar da força física e da conexão. Além dos benefícios para a saúde e potência que a estimulação traz, a massagem da próstata abre uma maneira totalmente nova de experimentar a excitação sexual, completamente diferente da excitação que experimentamos através do lingam.

Assim como a maioria das mulheres relata um orgasmo mais profundo, mais completo e mais duradouro quando a estimulação do clitóris é complementada por uma massagem no ponto G, uma massagem extensa na próstata também leva a um orgasmo profundo e duradouro. A abertura de cura que é possível em todos os níveis durante a massagem da próstata permite que a energia sexual se espalhe por todo o corpo e ser de um homem.

Muitos homens relatam que uma massagem na próstata os ajudou a experimentar um sentimento mais profundo de sexualidade e a construir um melhor contato com seu próprio ânus e assoalho pélvico. Sentimentos como alegria, excitação, suavidade, dor, tesão e tristeza vêm à tona. Outras relatam sentir-se “femininas” ou “expostas”.

Uma massagem anal e de próstata conecta os homens profundamente com o lado receptivo e “feminino” (importante frisar que aspecto “feminino”é completamente diferente de “afeminado”e em nada em a ver com orientação sexual. Todos os gêneros possuem energia feminina – yin – e masculina – yang, e manter essas duas polaridades em equilíbrio é importante para uma vida e relacionamentos saudáveis) de sua sexualidade, ao qual muitos não estão acostumados.

Eles experimentam pela primeira vez como é abrir as pernas e permitir que algo entre neles; eles aprendem o que é ser penetrado, ser “tomado”. Com essa experiência, os homens são capazes de combinar dois aspectos de sua sexualidade que parecem estar em desacordo um com o outro.

“Uma ereção completa, se aceita, honrada e respeitada, coloca os homens em contato com sua força poderosa. Combinada com as qualidades de poder, coragem, potência, força, resistência e prontidão para a ação, a força fálica é uma fonte de vida e um símbolo de masculinidade.

À medida que os homens aprendem a conectar essas qualidades com seus atributos “femininos” de abertura, devoção, plenitude e ternura, eles podem usar sua força fálica como uma expressão de amor e para o benefício de toda a vida. Eles conectam sua espada – o guerreiro interior – com sua mulher interna, um ser de amor e devoção. Espada e rosa se tornam um.” (Michaela Riedl)

A próstata é uma glândula do tamanho de uma castanha e responsável pela produção do líquido seminal (a parte esbranquiçada do sêmen). Está localizada logo acima do períneo, no centro da pelve, atrás do osso púbico. 

Embora sua próstata possa ser massageada até certo ponto através do períneo, a maneira mais direta de alcançá-la é através do ânus.

Para um homem que não está excitado, ter sua próstata tocada geralmente é bastante desagradável. Mas depois de um certo nível de excitação, a massagem pode ser bastante prazerosa e pode até levar a orgasmos – muito parecido com o ponto G para as mulheres. Os orgasmos da próstata são muito diferentes daqueles causados ​​pela estimulação do pênis. Eles tendem a conectar os homens com seus lados receptivos, fazendo com que o prazer se espalhe mais profunda e amplamente por todo o corpo e tem tendência a desencadear emoções.

A parte de trás da próstata toca o reto, por isso pode ser explorada e estimulada com os dedos através do ânus.

 

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O ânus – A zona “proibida”.

Depois de termos explorado o pênis e todas as áreas visíveis dos genitais masculinos, vamos explorar uma parte menos visível e mais “proibida” do corpo, o ânus.

Devido à sua proximidade com a próstata e a multiplicidade de terminações nervosas sensíveis, o ânus é uma zona altamente erógena. No entanto, muitos homens têm muito pouca experiência, com toque e estimulação, em grande parte porque essa área continua sendo objeto de muitos tabus e muitas vezes é considerada suja e fedorenta. Entre alguns homens, isso se mistura com o medo da homossexualidade. Eles não querem se tornar a “fêmea” penetrada.

Claro, é importante manter o ânus limpo para evitar a transmissão de bactérias. O fato é que o ânus – presumindo bons hábitos de higiene pessoal – normalmente é limpo e é uma área que pode ser muito sensível e até orgástica, não só para quem tem uma próstata quando para pessoas com vagina também. Para experimentar plenamente seus prazeres, no entanto, temos que deixar de lado os velhos preconceitos e vergonhas e nos aproximar dessa fonte de desejo e submissão novamente.

Segundo esses anos de experiência percebi que a maioria das pessoas (principalmente os homens) têm o ânus fechado e tensos, com dificuldade de soltar a área, e estão sempre muito preocupados com suas ereções.

Há uma dificuldade imensa de se soltarem, relaxarem e de serem receptivos. Parece que não há “alma”, não conseguem permanecer  presentes nem na massagem muito menos nas relações.

São incapazes de sentirem o próprio corpo ou a seus parceiros durante o sexo, esses homens me procuram com queixas relativas a problemas sexuais, como ejaculação precoce, dificuldades em alcançar ou manter ereções ou falta de sensibilidade à estimulação.

Tensões no assoalho pélvico, especialmente no ânus também podem ocasionar outros problemas como problemas digestivos, dores lombares, hemorróidas e até impotência.

“A região anal nos coloca em contato com as partes mais íntimas de um homem e assim honra seu “templo interior”. Não há maneira mais profunda de tocar um homem. Abrir-se à penetração anal permite  estar em contato com suas características femininas de devoção, profundidade e amplitude.” (Michaela Riedl)

 

 

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Mitos sobre a estimulação anal

A região anal é uma zona erógena com alto potencial de prazer para todos os gêneros

Os músculos anais são divididos em esfíncteres externo e interno. O esfíncter externo é controlado pelo sistema nervoso central e pode ser conscientemente contraído e relaxado. O esfíncter interno, no entanto, é controlado pelo sistema nervoso autônomo e pode ser conscientemente influenciado apenas com prática consistente.

O ânus tem cerca de quatro centímetros de profundidade e é cercado por uma pele externa calejada que é um pouco menos sensível que as outras partes. Mas se explorarmos mais por dentro, alcançamos a membrana mucosa muito sensível dos intestinos. Ao redor da pele externa do ânus – a roseta anal – há um grande número de glândulas que exalam um cheiro almiscarado.

O ânus é cercado por um grande número de terminações nervosas sensíveis ao toque. Metade (!) de todas as terminações nervosas da região pélvica estão localizadas ao redor do ânus. Massagear as nádegas e o períneo extensivamente leva ao aumento da circulação e, portanto, ao aumento da elasticidade do ânus. É importante falarmos sobre as preocupações e preconceitos mais comuns sobre a estimulação anal:

1. Sexo anal ou massagem anal significa tocar nas fezes: Isso raramente acontece, pois as fezes são coletadas no intestino grosso, não no reto. Nem o pênis nem o dedo penetram no intestino grosso. No entanto, é útil limpar o canal anal antes, pois em muitas pessoas os intestinos não funcionam de forma muito regulada. Geralmente uma ducha anal será suficiente. No entanto, como regra geral, é importante que qualquer dedo, pênis ou vibrador que tenha visitado a região anal seja lavado antes de qualquer contato com outro pênis, vagina ou qualquer tipo de membrana mucosa.

2. O esfíncter ficará solto durante o sexo anal ou massagem: Este não é o caso. No máximo, o esfíncter pode precisar de algum tempo para se regular após a relação anal ou massagem anal, o que em alguns casos pode causar flatulência temporária.

3. A relação anal ou massagem causa hemorróidas: Isso não é verdade. Desde que o esfíncter não seja esticado grosseiramente e seja cuidadosamente preparado com lubrificante suficiente (vaselina, óleo de coco ou outro), uma lesão que possa causar hemorróidas é altamente improvável. No entanto, aqueles que já sofrem do devem esperar até que as hemorróidas tenham cicatrizado, pois de outra forma podem sentir dor.

4. A penetração da área anal deve sempre acontecer muito lentamente: Isso também não está correto. O reto é projetado para excretar algo para fora do corpo em vez de aceitar algo dentro. É por isso que ele se contrai reflexivamente assim que algo deseja entrar. Se entrarmos no ânus muito lentamente, essas contrações podem variar de desagradáveis ​​a dolorosas. Portanto, é recomendável passar bastante tempo preparando a entrada e, em seguida, inserir o dedo ou o pênis suavemente, mas rapidamente.

 No início, o novo toque durante a massagem anal pode ser doloroso, especialmente se houver tensões físicas ou emocionais na região. Portanto, a exploração desse canal interno deve ser um processo respeitoso.

O músculo PC

E por último mas não menos importante vamos falar do músculo pubococcíneo (PC), que não pode ser estimulado porém pode e deve ser trabalhado para que tenhamos mais prazer nos estímulos do corpo.

Esse músculo desempenha um papel central no aumento da nossa energia sexual e excitação. Ele vai do osso púbico ao cóccix e conecta o ânus e os genitais com as nádegas e as pernas. Se alarga por todo o assoalho pélvico, circundando a próstata e controlando a abertura e fechamento da uretra, canal do sêmen e ânus. Ele é o “músculo do xixi”, o que você usa para segurar enquanto não consegue ir no banheiro. 

O fortalecimento consciente do músculo PC pode levar a orgasmos ​​e ereções mais fortes. Além disso, ele é peça central para conseguir separar o orgasmo da ejaculação, caso queira aprender a ter orgasmos múltiplos e secos.

Se o músculo estiver muito tenso e sob estresse constante, irá ser difícil ter uma ereção ou até se entregar a alguma relação. Por outro lado, se o músculo PC estiver muito fraco e tiver pouca ou nenhuma tensão, será difícil segurar sua urina, controlar suas ereções, ou fortalecer seu lingam.

Felizmente, você pode fortalecer seu músculo PC e criar uma boa tensão com alguns exercícios simples. O treinamento focado do assoalho pélvico dá a 80% dos homens com um corpo esponjoso peniano fraco uma melhora em sua capacidade de construir e manter uma ereção. Chamamos isso de “pompoar masculino” já que os exercícios são semelhantes aos do pompoar vaginal.

 

A respiração também desempenha um papel central no fortalecimento do assoalho pélvico. A respiração profunda permite que a energia fresca e o aumento da circulação sanguínea fluam para o lingam, a pelve e os órgãos pélvicos. Se os músculos do estômago, assoalho pélvico e diafragma cooperarem durante inalação e exalação conscientes, os órgãos internos experimentam uma maravilhosa massagem fortalecedora.

Quando você inspira, seu diafragma abaixa para dar espaço aos pulmões em expansão. Os órgãos do estômago se movem para frente, fazendo com que o assoalho pélvico se estique e seus músculos relaxem. Durante a expiração, o diafragma se move para cima e pressiona os pulmões para sustentar a expiração. Ao mesmo tempo, os músculos do assoalho pélvico se contraem para dentro e para cima.

Nos homens, a contração do músculo PC estimula a próstata. Isso desencadeia a liberação de hormônios e endorfinas que podem melhorar o humor e aumentar a vitalidade sexual. Então vamos começar a nos exercitar?

Como funciona meu trabalho dentro da Terapia Tântrica?

Como funciona meu trabalho dentro da Terapia Tântrica?

A maior parte das pessoas que se interessa e busca meu trabalho tem muitas dúvidas de como funciona. Até porque procuro oferecer sessões com um nível de aprofundamento e auto-conhecimento muito mais profundo que uma simples massagem genital. Então resolvi escrever esse artigo para contar em detalhes sobre a construção do meu estilo de terapia: a Terapia Corporal com base no Tantra e como funcionam as bases do meu trabalho.

Terapia tântrica vs Massoterapia tântrica

 Existem diversas formações em Terapia Tântrica pelo Brasil e elas variam em técnica e filosofia. Existem escolas que prezam pela meditação, respiração e massagens mais próximas a ayurveda. Outras seguem a vertente neo-tântrica priorizando catarses e as massagens genitais. É importante, ao procurar um(a) terapeuta ter claro seus objetivos e entender como ele/a trabalha e de que escola veio.

Eu hoje tenho 5 formações das mais variadas escolas então desde técnica milenares vindas do Taoísmo e da filosofia tântrica até em terapias contemporâneas como bioenergética, ferramentas psicoterápicas e da Sexologia Somática. Estou sempre estudando e praticando mais para que possa atender cada um de maneira personalizada, procurando fazer com que alcance seus objetivos da mais rápida e melhor maneira possível.

Mas você trabalha com Terapia tântrica ou Terapia Corporal?

Meu trabalho tem como base a filosofia do Tantra, ou seja, ajudar meus interagentes a alcançar uma maior consciência de si e de seu corpo, eliminar julgamentos, vergonhas, culpas e ajudá-lo a ver o mundo e todas as suas relações de maneira mais natural, confiante e leve.

Porém o Tantra não é uma terapia, é uma filosofia. Então fico mais confortável em me definir como Terapeuta Corporal. Pois lido com o corpo, com sensações, emoções, sentimentos e bloqueios que se encouraçaram no corpo e através dele possam ser acessados. Nem a própria massagem Tântrica é tântrica, ela tem princípios da reflexologia sexual taoísta e foi desenvolvida fazem pouco mais de 50 anos, você pode ler mais sobre nesse artigo aqui.

Bases da Terapia Corporal

Parto do principio que tanto o Tantra, o Taoísmo e a psicologia convergem: A sexualidade rege nossa vida. Nossa relação com a natureza, interpessoais e com nós mesmos. O Tantra chama essa energia de Kundalini, o Taoísmo de Chi…Freud chamou de libido, Reich de Orgone. A nossa energia sexual é a energia da vida, que nos faz acordar todos os dias pra ir trabalhar, nos exercitar, namorar, sair com os amigos, viajar. Paulo Freire falava da energia do “Tesão”.

Se você tem tesão em viajar, tesão em comer algo diferente, tesão em dançar, tesão em conversar…para tudo isso você utiliza sua energia sexual, sua energia vital.

Ela rege a forma como você fala, se veste, se comporta…os padrões de pessoas com que você se relaciona. Inclusive suas escolhas profissionais.

É incrível como após algumas sessões muitos interagentes mudam sutilmente a forma de falar, suas expressões corporais e inclusive o padrão de pessoas das quais se atraem, conforme vão ganhando mais consciência e segurança sobre corpo e suas feridas.

Trabalho dentro do círculo de não-virtudes taoísta, que sintetiza o ciclo do qual perdemos energia vital, e o ciclo e virtudes, que faz com que nos energizemos e rompemos os padrões das não-virtudes. Através do trabalho corporal conseguimos trazer consciência para o estado de presença e emoções, fazendo com que os padrões se quebrem.

ciclo nao virtudes taoismo
Ciclo das não-virtudes Taoísta. Que seria um resumo de como as doenças (inclusive emocionais) se estabelecem.

E como fazemos isso? Através dos 3 pilares do Tantra e da Sexologia Somática: Respiração, Som e Movimento. Trabalhando essas 3 vertentes gradualmente através de técnicas de respiração, práticas corporais e massoterapia o corpo vai eliminando os traumas, se soltando e se libertando.

Como complemento dentro das sessões online trabalho com ferramentas psicoterápicas que buscam trazer consciência para os gatilhos que ativam esses traumas no dia a dia, para dar sustentação a toda essa mudança e que o corpo tenha menos possibilidades de cair novamente na rotina. Nessas ferramentas me baseio no material, experiência e estudos de Gasparetto, Krishnananda e Sri Prem Baba para aplicá-las.

 Modelos de trabalho

 E como trabalhamos isso tudo? Em uma sessão?

Sim, podemos marcar uma sessão presencial como experiência até para que você sinta se é o caminho certo para você, porém o ideal é que façamos um pacote de desenvolvimento onde gradativamente vamos trabalhando todas suas questões e construindo as sessões de acordo com seu progresso ou necessidades.

Atendo com 3 tipos de pacotes terapêuticos: Sessões exclusivamente presenciais, Sessões mistas (mais completas pois trabalhamos psicoterapia em conjunto com a massagem e outras práticas corporais) e as sessões exclusivamente online, onde trocamos a massagem por exercícios de auto-toque consciente, com resultados bem próximos as sessões presenciais.

E quais os resultados esperados?

Iremos trabalhar em cima das suas intenções, para que chegue a elas da mais rápida e melhor maneira possível, sempre conversando e co-criando as sessões dentro de um ambiente seguro de livre expressão e respeitando seus limites.

As questões mais comuns para que me procuram são:

– Disfunções sexuais: Anorgasmia, dificuldade de chegar ao orgasmo, ejaculação precoce, disfunção erétil….

– Problemas com toque, intimidade

– Ansiedade

– Insegurança, problemas de auto-estima

– Culpa, vergonha ou alto julgamento para com sua sexualidade

– Dificuldade de se comunicar, dizer o que gosta, o que quer. Dificuldade de dizer não.

– Relações abusivas que não se consegue sair

– Buscar se conhecer mais, alcançar novos níveis de prazer e como conseguir fazer isso com seus parceiros.

A Terapia Corporal pode te ajudar de diversas maneiras. Caso tenha mais alguma dúvida e queira conversar sobre se esse pode ser um caminho para você me envie uma mensagem e vamos conversar. 

Desmistificando a massagem tântrica: Como funciona e porque funciona?

Desmistificando a massagem tântrica: Como funciona e porque funciona?

Massagem tântrica, massagem yoni, massagem lingam, massagem genital…muitas pessoas entram em contato comigo curiosas em experimentar tal massagem e seus efeitos. Mas qual sua origem? Quais seus benefícios como terapia? E porque ela funciona?

Nesse artigo vou tentar desmistificar essa técnica que ainda está envolta em muitos tabus e preconceitos por lidar com uma parte do nosso corpo que, ao mesmo tempo, é tão importante e tão negligenciada, tanto no âmbito pessoal quanto por profissionais que, talvez para se protegerem dentro dos moralismos de uma sociedade de base judaico-cristã, os tratam com uma impessoalidade ímpar. Impessoalidade tal que não deveriam corresponder com o centro dos nossos maiores prazeres…assim como nossas maiores dores: nossos genitais.

Como foi criada a massagem tântrica?

 

A história da massagem tântrica como conhecemos tem origem em 1982 com o americano Joseph Kramer que, após passar anos estudando técnicas de respiração e massoterapias desenvolveu o que ele chamou de “Massagem Erótica Taoísta”. A técnica consistia em, sob o ponto de vista do sistema de meridianos energéticos do corpo, os ensinamentos sexuais Taoistas e da respiração consciente, intensificar o fluxo energético corporal. O objetivo não era a ejaculação, mas sim o sentir do fluxo de energia. Em como a energia sexual e a excitação circulam pelo corpo e intensificar o fluxo energético.

Em pleno ápice da epidemia de AIDS a técnica rapidamente se espalhou pois muitos homens queriam conhecer maneiras de como ter experiências intensas e orgásticas sem ejaculação, ou seja, limitando o perigo de um possível contágio.

Joseph produziu alguns materiais, gravou fitas cassetes e desenvolveu cursos que ele mesmo intitulou “O Êxtase Sexual” e “Sexo saudável”.

Em 1986 Annie Sprinkle, prostituta e artista desde os 18 anos e auto-intitulada “curandeira sexual” ouviu algumas fitas dos cursos de Kramer. Na época ela já trabalhava como editora da revista Penthouse e estava preparando um artigo sobre sexo e espiritualidade e estava evidente que ele entendia muito do assunto, então ela ligou para Joseph e marcou uma entrevista em Nova Iorque.

Então Annie decidiu participar do curso de respiração chamado “Renascimento Tântrico” de Kramer. Ela era a única mulher entre 40 homens gays. E lá experimentou seu primeiro orgasmo energético. Sem toques, com roupas, somente respirando. Foi uma experiência bem emotiva, espiritual e libertadora. E daquele dia em diante ela quis aprender tudo que Joseph poderia ensinar a ela.

Desde lá mantiveram contato enquanto Joseph viajava pelos EUA e Europa ensinando seu “Toque erótico para homens homossexuais”. Annie queria sentir a experiência que sua técnica proporcionava aos homens e convidou-o a fazer uma massagem nela. Como ele nunca havia feito uma massagem genital em uma mulher pediu para que Annie o guiasse. Ela já familiarizada com respiração consciente e, juntamente com toque de Joseph, ela entrou em um transe orgástico. Logo depois sugeriu que ambos tinham que trabalhar juntos para desenvolver uma massagem genital também para as mulheres.

Em 1993 eles começaram os trabalhos que resultaram no que hoje chamamos de “massagem yoni“. Estudaram exaustivamente a anatomia feminina e, juntos praticaram, listaram e definiram cada etapa do processo de massagem. Para lançar a técnica criaram um seminário chamado “A Semana da Consciência do Orgasmo Cósmico” que contou com a participação de 40 homens e mulheres em um centro espiritual na Califórnia.

No começo a massagem yoni (na vagina) era praticada de maneira muito parecida com a massagem lingam (no pênis). Durante o primeiro seminário de Consciência do Orgasmo Cósmico a coach sexual e pesquisadora K. Ruby percebeu isso e, juntamente com Chester Mainard, um dos professores da Escola de Joseph Kramer, começou a refinar a massagem para chegar a algo mais condizente com as necessidades e capacidade orgástica femininas. 

Hoje Joseph é fundador e dono do Instituto de Sexologia Somática, na Califórnia, com filiais pelo mundo, inclusive no Brasil, onde formam Educadores Sexuais Somáticos (Sexologycal BodyWorkers), formação e prática reconhecidas pela Associação Americana de Medicina. Annie hoje é PhD em sexualidade e continua trabalhando como diretora, artista e educadora sexual. Se alto denomina “EcoSexual” com vários artigos escritos e eventos sobre o assunto. 

Assim como Ruby e Mainard a prática das massagens genitais passaram ao longo dos anos por vários mestres que as usaram como base para refinar o processo assim como desenvolver suas próprias técnicas. No Brasil a mais utilizada hoje é o Método Deva Nishok, do Instituto Metamorfose. Esse método foca na energia orgástica e manutenção da mesma para quebra de couraças. O método se difere do desenvolvido por Joseph e Annie como quanto ao uso de vibrador na massagem yoni afim de estimular a manutenção de um nível orgástico e tratar a ejaculação como algo natural do desenvolvimento, enquanto Joseph usava a manutenção do nível de excitação em patamares próximos a ejaculação, entre outros.

É bom ressaltar que não existe técnica certa ou errada, todos os métodos tem resultados incríveis em cunho terapêutico e é sempre importante que o Terapeuta Tântrico continue estudando e se aprimorando para que possa, com propriedade, definir a melhor prática para cada caso, ou inclusive misturá-las para chegar a melhores resultados no decorrer das sessões. 

Massagem Lingam

“Um dia após finalizar uma sessão de massoterapia o homem que está deitado na maca me pergunta: “Tem certeza que não esqueceu nenhuma parte do meu corpo?”. Eu fiquei perplexo e irritado, até porque, até aquele momento o chamado curativo, que me fez estudar massoterapia em nada tinha a ver com tocar um pênis.

Quando aquele homem estava indo embora ele ainda falou: ” Eu me senti ferido depois da sua massagem.” Eu fiquei sem palavras. Seria possível eu ferir e magoar uma pessoa por não ter tocado seu pênis?

Durante as semanas seguintes fiquei me questionando se, em alguma ocasião, eu teria me sentido sexualmente abusado durante minhas sessões de massagem. E percebi que eu mesmo carregava profundos traumas para com meus próprios genitais. Seria possível que eu transmitisse minhas próprias feridas a outras pessoas em cada sessão de massagem?”

Se eu quisesse incluir massagem peniana nas minhas sessões eu teria que saber mais sobre isso. Infelizmente na época eu não tinha acesso a professores de massagem erótica, então comecei a testar em mim mesmo. Comecei a experimentar diferentes tipos de toque, alguns mais fortes, outros mais leves, mais rápidos e mais lentos. Algumas vezes no ritmo do meu corpo e em outras no ritmo da minha respiração.

Aos poucos fui deixando de lado minhas crenças sobre sexualidade e erotismo e assim minha vida começou a ser mais leve e menos definida pelos padrões da sociedade. Eu me sentia mais livre e comecei a usar o que havia aprendido praticando em sessões de massagem em outros homens. E assim, durante os últimos 25 anos eu tenho ensinado massagem lingam a mais de 5.000 homens e mulheres em todo o mundo.

(Joseph Krammer. Criador da massagem lingam e co-criador da massagem yoni)

 Genitais como canais de cura.

Tanto no Tantra como no Taoismo não só os genitais mas todo o assoalho pélvico tem papel central na nossa saúde física e emocional. Para o Tantra é o local onde reside a Kundalini, que fica adormecida na região do períneo. Para a Medicina Tradicional Chinesa os dois vasos energéticos principais (Governador e Concepção) se originam no mesmo ponto. Para a massoterapia o períneo tem papel central na origem de nossas energias assim como o relaxamento do assoalho pélvico na elevação dessa energia rumo a consciência (Tantra) ou para cura de doenças (Tao).

A medicina ocidental no último século tem alcançado consideráveis descobertas (já praticadas a milênios no oriente) quanto a desbloqueio e relaxamento pélvico e a influencia em questões emocionais e disfunções sexuais. 

Atuação no sistema autônomo no corpo. Enquanto o sistema parasimpático é responsável pela excitação (ereção – do pênis e do clitóris) o simpático é responsável pelo orgasmo.

Em alguns modelos de massagem tântricas trabalhamos conscientemente com o estímulos de pontos de acupressão muito parecidos aos da acupuntura e do shiatsu para desbloqueio energético. O Mapeamento Vulvo-Vaginal, técnica ensinada na Sexologia Somática, é um grande exemplo onde, através da interação com a interagente, o terapeuta pode identificar pontos de dor e insensibilidade dentro da vagina e massageá-los afim de soltar nós energéticos e assim fazer com que a energia sexual flua de forma mais orgânica, melhorando quadros de disfunções sexuais e/ou emocionais resultantes de experiências traumáticas da mulher. 

Alguns pontos de acupressão que estimulam o fluxo de energia sexual.

Técnicas como o Karsai Nei Tsang, de origem tailandesa, utilizam acupressão em pontos variados da pelve, incluindo períneo, glúteos e ânus, para intensificar o desbloqueio da energia da área. Muitos desses pontos são os utilizados nas técnicas ocidentais de DeArmoring com grande eficiência.

 

Reflexologia sexual

Como já falamos um pouco no artigo sobre meridianos a área reflexológica mais intensa do nosso corpo são nossos genitais, pois eles armazenam nossa energia sexual (energia básica) que alimenta todo o nosso fluxo energético. Portanto o sexo consciente, ou até mesmo o toque consciente nos genitais pode ser incrivelmente curativo, muito mais que reflexologia das mãos ou dos pés. O taoismo ensina diversas técnicas de sexo curativo onde se estimulam conscientemente partes específicas dos genitais a fim de ter reações corporais distintas. Anatomicamente nossos genitais estão diretamente ligados ao nosso cérebro através do sistema autônomo, que percorre a espinha até nossa medula (alguma ligação com a kundalini não deve ser mera coincidência). A estimulação consciente faz com que possamos estimular esses nervos e assim ampliar o processo curativo do corpo através do sexo. 

Reflexologia do Pênis e Vagina

Já é cientificamente comprovado que estados pré orgásticos liberam hormônios extremamente benéficos que estimulam o metabolismo, eliminam toxinas e melhorar nosso sistema imunológico. O orgasmo em si relaxa o corpo, alivia tensão e o estresse, reduz cólicas pré menstruais e dominui sintomas de ansiedade e depressão. Porque ainda temos tanta resistência em nos tocar e sentir prazer se é um remédio tão bom?

Anatomia do prazer

Creio que já ficou clara a importância da presença e da respiração durante a massagem (assim como em toda nossa vida sexual). Mas também é importante saber um pouquinho de como se dá o prazer em nosso corpo.

E está enganado quem pensa que nosso prazer está limitado a nosso pênis ou vagina. Mas ele engloba o corpo todo, e explorá-lo é importantíssimo, seja com carinhos ou com massagens de corpo todo antes de ir para o centro da pelve (é como sexo, o corpo precisa ser aquecido antes de ser estimulado em seu centro sexual, e assim pegar fogo.).

O corpo pode ser separado em zonas azuis (menos sensíveis), amarelas (sensibilidade média) e vermelhas (muito sensíveis). Essas zonas podem variar de pessoa a pessoa e é legal perguntar para o parceiro ou parceira onde ela gosta mais de ser tocada, seja antes ou durante a massagem. Comunicação clara e objetiva, assim como consenso, é algo essencial também no processo da massagem (assim como em qualquer relacionamento.

Zonas erógenas masculinas e femininas. Ilustrações por: @lolavendetta

A comunicação se estende a massagem genital. Pessoas diferentes gostam de velocidades e tipos de toques diferentes. E saber o que seu parceiro(a) gosta é bem importante, tão importante quanto falar sem pudores do que gosta e como gosta.

Costumamos negligenciar os grandes e pequenos lábios e focarmos no clitóris e no ponto G. O próprio clitóris pode ser estimulado de infinitas maneiras diferentes e o canal vaginal contém diversos outros pontos de prazer, assim como pontos de concentração energética importantes a serem estimulados tanto na massagem quanto no sexo.

Quanto ao pênis, ele é tão negligenciado quanto. Negligenciamos o saco escrotal (feito do mesmo tecido dos grandes lábios), o períneo (que além de ser um ponto importantíssimo para despertar energético é uma zona extremamente sensível a ser estimulada). E muitas mulheres desconhecem a importância do frênulo peniano, é o ponto mais sensível do pênis, feito do mesmo tecido que, no desenvolvimento fetal, forma o clitóris.

Nossos genitais são formados pelos mesmos tecidos. O único órgão exclusivamente feminino (que o homem não possui um tecido equivalente) é o útero.

“Nossa sexualidade não é apenas algo que pode ser usado para melhorar seu relacionamento, por prazer físico ou para procriação. Também pode ser usado para transformação pessoal, cura física e emocional, auto-realização e crescimento espiritual, e como maneira de aprender sobre toda a vida e morte. Essa é a intenção desta massagem”.

(Annie Sprinkle, co-criadora da massagem yoni.)

Fases da Massagem Tântrica

Lingam significa “bastão de luz” em sânscrito hindu, é a definição para o genital masculino. Não só o pênis, mas também o escroto e a próstata, como sistema reprodutor (e de prazer) completo.

Yoni é a palavra em sânscrito referente ao genital feminino em sua totalidade, incluindo vulva, vagina, útero e ovários. Significa “passagem divina”, “fonte de vida” ou até “Templo Sagrado”

O método desenvolvido por Joseph Kramer tem 9 fases. De acordo com o método aprendido, e também se está sendo praticado entre um casal ou como processo terapêutico, eles podem variar.

Fase 01 – Honrando a Shakti/o Shiva: Tudo no Tantra é feito lentamente e com presença. Seja seu parceiro ou seu interagente, antes de tocar o corpo de alguém deve-se honrar, respeitar e pedir permissão ao toque. Todo corpo é sagrado, toda energia é potente e deve ser tratada e respeitada como tal. Existem várias maneiras de honrar seu Shiva, seja observando, meditando e recitando mantras (no caso do processo terapêutico) ou até sentando de frente com o parceiro buscando conexão através do olhar.

Fase 02 – Massagem de corpo inteiro: O toque no corpo todo é essencial para estabelecer a conexão entre o casal ou o interagente/Terapeuta. Serve para relaxar, para que o corpo se entregue ao toque e entenda que ele é amoroso e curativo e não deve ser interpretado como hostil e invasivo. É importante que o toque começa de maneira suave e lenta para não assustar o corpo ou despertar qualquer gatilho. Também existem vários modelos de massagem. No âmbito terapêutico a mais utilizada é a massagem Sensitive, porém podemos fazer toques de resiliência ou até massagens que guiam as energias dos meridianos, parecidos com o Zen Shiatsu. O toque carinhoso, com amor e presença é mais importante que qualquer técnica. É o momento de construção da proximidade e intimidade com o outro.

Fase 03 – Despertando o desejo: É uma fase de transição para o começo da massagem genital. Nossa pelve é uma área cheia de repressões e traumas, portanto cheia de gatilhos, é importante preparar o corpo para o toque. Massagem em outras áreas sensíveis como pescoço, rosto, parte interna das coxas, púbis, mamilos e seios podem ir despertando e preparando o corpo para um toque mais íntimo. Essa fase também pode ser feita de diversas maneiras como sequência da Sensitive ou toques de despertar sexual Taoistas. No Karsai Nei Tsang se pressionam pontos específicos para desbloqueio da pelve e fluxo energético. 

Fase 04 – Da raíz à flor/Abertura da flor: Na fase 04 começamos as manobras na parte externa da vagina (grandes e pequenos lábios) estimulando a excitação e as glândulas responsáveis pela lubrificação. Assim como o saco escrotal e o períneo, no caso da massagem lingam, também despertando o chakra raíz e a produção de hormônios de excitação.

Fase 05 – Estimulando a pérola/Despertando o Lingam: É o ponto onde fazemos manobras no clitóris ou na glande e frênulo do pênis. É muito importante que, nessa fase, o homem não ejacule, mantendo a excitação entre os 80 e 90% para que o corpo libere hormônios curativos e ele não perca as sensações que ainda estão por vir. Já para a mulher é absolutamente normal ter orgasmos clitorianos nessa fase, como a mulher é multiorgástica por natureza quanto mais e diferentes orgasmos experimentarem melhor, porém não deve ser um objetivo por si só, o objetivo aqui é, para ambos os sexos, sentir o corpo e as ondas de prazer que se espalham por ele.

Fase 06 – Entrando no portal sagrado/Surfando nas ondas: A fase 6 é quando intensificamos o prazer, incentivando para que, através principalmente da respiração, ele se espalhe pelo nosso corpo desgenitalizando o orgasmo e fazendo nosso parceiro ou interagente relaxar e dissolver suas couraças. É o momento onde emoções podem aflorar, como choro ou riso. Nessa fase é feita a estimulação do canal vaginal em todos os pontos buscando pontos de prazer, dor ou insensibilidade. No caso do homem, as manobras se estendem pelo pênis como um todo, podendo se estender para a barriga e até para o peito (chakra coronário). Nessa fase pode ocorrer a ejaculação, porém essa pode ser redirecionada, com a prática, pela respiração e conscientização do corpo.

Fase 07 (exclusiva para massagem Yoni) – Estimulando o Ponto G: As mulheres ganham uma fase a mais na massagem onde, após a energia sexual ser estimulada, ampliada e trabalhada, estimulamos o ponto G para manter a onda orgástica o maior tempo possível, possibilitando a manutenção do processo curativo como um todo. Em algumas técnicas são usados somente ou dedo, em outras dois e até 3 dedos. Outras técnicas utilizam o estímulo do clitóris juntamente com o ponto G para intensificar o processo (no método Deva Nishok o uso do vibrador com estímulo do Ponto G é bastante comum). Lembre-se de que, no caso de uma sessão de Terapia Tântrica, todo o processo deve ser descrito e consentido ANTES da sessão.

Fase 08 – Finalização: Agora o intuito é aos poucos acalmar a energia, fazê-la distrubuir-se para o coração ou até o chakra do terceiro olho. Caso seu parceiro(a) ou interagente não tenha atingido o orgasmo pode utilizar algumas tecnicas para espalhar a energia sexual retida.

Fase 09 – Integração: É o momento individual da pessoa que recebeu a massagem. Um momento importante para que ela fique com ela mesma, sem nenhum tipo de toque, porém com a presença do parceiro ou terapeuta ao lado. É o momento de assimilação das emoções e sensações experienciadas durante todo o processo. Você pode tapar a pessoa com uma canga, lençol ou cobertor e deixe ela integrar pelo tempo que ela achar necessário.

 

Existem uma série de diferentes manobras para as massagens genitais. Elas são bem diferentes das manobras masturbatórias e, como vimos nesse artigo, visam trabalhar ligações energéticas/anatômicas diretas com nosso cérebro fazendo do processo uma terapia, trabalhando corpo e mente como um todo com o objetivo de dissolver bloqueios e liberar emoções reprimidas.

Importante: Numa sessão terapêutica o Terapeuta SEMPRE permanece vestido e usa luvas descartáveis durante a massagem genital. A energia trabalhada é somente a do interagente. Não aceite qualquer toque que não seja das mãos e antebraços, nudez ou toque genital sem métodos de assepsia (como o uso de luvas descartáveis).

Caso tenha interesse em aprender mais pode agendar um curso livre de massagem (voltado para uso com seus parceiros) ou pode marcar uma sessão para experimentar.

E o ânus? Ele não é trabalhado?

O ânus, apesar de ser uma importante zona reflexológica e de prazer, é trabalhado somente em casos mais avançados e após algumas sessões. Existem técnicas de massagem prostática que visam despertar o prazer e o  equilíbrio yin/yang masculino e também técnicas de liberação anal que são extremamente curativos a ambos os sexos, já que o ânus é o ponto onde guardamos nossas mais profundas angústias e medos. Por causa de resistências e falta de consciência corporais esse tipo de prática é extremamente forte e desperta emoções que sim, devem ser eliminadas, porém tem que ser despertadas de maneira gradual para que não causem ainda mais dano.

Zonas do períneo e ao redor do ânus podem começar a ser trabalhados mais cedo, seja pra desbloqueio de couraças pélvicas ou acupressura de pontos para liberação de fluxo energético. O método Deva Nishok contém massagem prostática como prática avançada masculina para consciência corporal e de novos níveis de prazer e a sexologia Somática técnicas de liberação anal também como prática avançada para desbloqueio pélvico e tratativa de liberação energética.

O ânus pode ser uma zona erógena muito intensa e importante para ambos os sexos e explorada livremente não só como cura, mas como importante canal de manifestação de sua sexualidade e prazer. Em ambas as situações pode ser um lugar de cura e muito prazer, desde que aproveitado com muito cuidado e empatia, seja do parceiro(a) ou do Terapeuta.

Como melhorar a comunicação do casal de uma forma íntima e prazerosa?

Como melhorar a comunicação do casal de uma forma íntima e prazerosa?

Hoje é 12 de junho, dia dos namorados aqui no Brasil e provavelmente você deve estar imaginando, caso isso seja possível em tempos de pandemia, como poderia aproveitar a noite com seu parceiro ou parceira.

Esse dia é bem atípico, na maior parte do país não veremos as intermináveis filas na porta dos motéis ou as reservas cheias nos restaurantes. Temos que improvisar em casa mesmo, e a experiência pode ser não só muito mais intensa como de conexão, intimidade e prazer entre os dois.

Um dos principais problemas dos casais é a comunicação, tanto verbal ou não verbal. Geralmente problemas na cama ou em outros aspectos da relação começam pelo receio e medo de se expressar e ter um julgamento inesperado de quem você mais ama. Aqui vou dar um dos exercícios que guio nas minhas sessões de casais de terapia tântrica e que, de forma gostosa e prazerosa, vocês podem brincar um com o outro e se descobrirem ainda mais.

E para os solteiros e solteiras da quarentena, não se desanimem. Você pode usar essa noite para namorar a si mesmx, se descobrir, aumentar sua conexão com seu corpo e assim, quando tiver uma parceria, tenho certeza que a relação vai ser muito mais satisfatória e apimentada. Afinal, como vamos pedir para alguém nos amar e nos dar prazer se não conseguimos fazer isso antes para nós mesmxs? Volte no meu último post que tenho um ótimo exercício para você se namorar essa noite.

Jogo: “Como me tocar?”

Descrição

Essa prática facilita que seu amante saiba com antecedência o que deseja, onde quer e como você quer. Por fim, você pode revelar seus sentimentos mais íntimos, desejos eróticos e como você gostaria de obtê-lo.

Estamos acostumados a agir de acordo como achamos que nossas parcerias gostam de ser tocadas e estimuladas. E se, dessa vez, a gente agisse com eles ou elas do jeito que gostaríamos que agíssemos com a gente? É uma ótima maneira não só de demonstrar seus desejos íntimos mas também de fazer seu parceiro ou parceira experimentar os mesmos estímulos que mais te excitam.

Objetivo

O objetivo é permitir que seu amado saiba, em detalhes explícitos, como você gostaria de ser abordada(o), tocada(o), animada(o), excitada(o) e em que ordem.

Etapa 01: DECIDIR QUEM VAI COMEÇAR.

Preparem e decorem o ambiente para a ocasião. Podem colocar velas, incensos, perfumes. Deixe o ambiente limpo e organizado para vocês dois. Podem começar tomando um banho juntos e se vestindo de maneira sedutora e agradável para cada um.

Decida quem irá primeiro. Vocês também pode decidir se ambos querem ficar nús, quanto menos roupa melhor. Mas você também pode começar se despindo de maneira sedutora, ou despindo o parceiro lentamente, se é isso que gostaria que ele ou ela fizesse com você. Isso torna o sua conexão divertida e séria ao mesmo tempo.

Etapa 02: DESCRIÇÃO E DEMONSTRAÇÃO

Descreva e demonstre as maneiras pelas quais você gostaria de ser abordada(o): verbal ou não verbalmente, ritualmente ou de forma divertida, suave ou grosseira, ou todos os itens acima. Especificamente, que tipo de toque você gosta e onde? Toque-se em cada lugar enquanto fala sobre isso. Você quer conversar, beijar ou  fazer outras coisas primeiro? Acaricie seu corpo como você deseja que seu amante o faça.

Demonstre em si mesmo(a) o que mais te excita. Você também pode fazer o mesmo com o seu parceiro, se isso ajudar. Isso provavelmente irá apimentar as coisas, mas lembre-se: É seu momento de mostrar seu prazer e como gosta que ele faça. Então joguem o jogo e depois podem praticar mutuamente.

Etapa 03: ZONAS ERÓGENAS

Explique quanto seu corpo precisa ser aquecido antes de se concentrar intensamente nas suas zonas erógenas. O que você prefere que aconteça antes de ser tocada nos genitais? Você pode pegar a mão de seu amado e guiar pelo seu corpo da maneira que gostaria. Você quer que seu bumbum seja agarrado? Receber uma massagem nos pés ou costas? Um cafuné? Não esconda nada. Quanto mais clara você for, maior a probabilidade de conseguir exatamente o que deseja.

 ETAPA 04: GENITAIS

Mostre sua vagina ou seu pênis. Não seja tímida(o). Exponha todas as suas partes, nomeando-as e fale sobre as sensações do toque sobre eles. Demonstrar e descrever como você gosta de ser tocada(o) nos genitais pode ser feito com os olhos, mãos, lábios, etc. seja criativa(o).

Mulheres, mostrem a seu amante como tocar seus lábios externos e internos, abertura da vagina, clitóris e canal vaginal. Caso goste de estímulos no períneo e no ânus demonstre também. Não tenha pressa, seja sem vergonha no sentido literal da palavra. Se toque na frente dele, pegue a mão dele e guie o toque. Você pode fazer o mesmo com a boca ou qualquer parte do corpo. 

Homens, façam o mesmo com suas amantes. Demonstrem como gostam que seu pênis, seus testículos e, caso gostem, períneo e ânus sejam tocados. Guiem com suas mãos ou guiem as mãos e bocas delas. Não sejam tímidos e não escondam nada. 

ETAPA 05: ASSUMA QUE VOCÊ NÃO SABE TUDO

Se você está em um relacionamento de longo prazo, não assuma que seu amor sabe tudo sobre o seu corpo, porque provavelmente não sabe. Aposto que ele ou ela pode se surpreender com muitas coisas e aprenderá algo novo, assim como você. Vocês dois devem se sentir à vontade para fazer perguntas se acharem necessário. Peçam mais detalhes ou esclarecimentos sempre que estiver confuso ou na dúvida. Enquanto um de vocês está se abrindo e se mostrando vulnerável, o outro deve realmente estar disposto a aprender e dar prazer. Esse é um espaço onde não há julgamento. Não julgue as preferências de seu parceiro e não tenha medo de ser julgada. Vocês podem deixar isso muito claro antes. Uma relação saudável se baseia em 6P’s:

Privilégio: Você deve sempre se sentir privilegiado por estar ao lado de uma pessoa que você ama e que te ama e está ao seu lado. Vocês se escolheram para compartilhar os universos um com o outro e isso deve ser admirado, sacralizado e respeitado.

Presença: Estar presente 100% é o maior presente que alguém pode receber. Estar disponível a você, seja para receber ou para servir, com a cabeça desligada do mundo externo, celulares e televisores desligados e imerso nas sensações do momento e na conexão com o ser amado é essencial para uma conexão de extremo prazer e intimidade.

Paciência: Não somos perfeitos e temos nossas diferenças. As vezes aceitar isso ou até aceitar crenças e/ou comportamentos que vão numa direção contrária as nossas, ou até que mexem com nossas sombras exige se abrir para o novo e encarar a você mesma(o) muito mais do que julgar ou cobrar o parceiro ou parceira.

Porque isso te incomoda?

Porque te faz mal?

Claro que não há paciência contra violência, seja ela moral ou física. Mas se não for o caso a compreensão é um avanço, o julgamento é um retrocesso.

Peregrinação: Trilhar o caminho juntos, descobrir o outro, descobrir o novo e se descobrir. Não existe coisa mais bonita. Mas para que o caminho seja compartilhado em sua plenitude temos que ter o quinto P, que é a…

Parceria: Saber que tem alguém com quem contar e compartilhar as coisas. Alguém aberto para ouvir, ajudar e te entender. Um “cúmplice no crime”. Mas a parceria só se fortalece com o nosso último P que é a…

Permissão: Todos temos que nos permitir. Nos permitir para mostrar o que gostamos, o que não gostamos, o que precisamos evoluir ou desenvolver. Nos permitir experimentar, respeitar e compreender. Nos permitir principalmente confiar. Se não nos permitirmos nos abrir para o novo não conseguiremos nos abrir 100% a alguém.

Etapa 06: TROCAR OS PAPÉIS

Troque os papéis para que você também tenha a chance de revelar seus desejos sexuais mais íntimos e preferências. Quando o segundo parceiro concluir essa prática, é bem provável vocês dois estarão muito excitados.

Então aproveitem e se aproveitem!

Masturbação: Você está fazendo certo?

Masturbação: Você está fazendo certo?

Hoje, 07 de maio, é considerado o Dia Nacional da Masturbação nos EUA.

Esse dia foi instituido por acaso. Em 1995 Jocelyn Elders, a primeira negra a assumir o cargo máximo do Departamento de Saúde dos EUA, fez um discurso na ONU para o Dia Internacional de Combate a AIDS e, diante de um questionamento sobre a prática da masturbação, falou que, em sua opinião, é um comportamento natural que faz parte de nossa sexualidade, e como tal, deveria ser estudada e ensinada.

Essa declaração resultou no término precoce de seu mandato. Ela foi demitida pelo então presidente Bill Clinton. 

Revoltada com a demissão, uma empresa de vibradores lançou o tema em fóruns de discussão, o que causou uma forte reação e o dia 07 de maio foi, em homenagem a Jocelyn, definido como Dia Nacional da Masturbação.

Posteriormente o mês de maio foi oficializado como o Mês Internacional da Masturbação. Mês que tem desafios, competições (sim, existe competições de masturbação, seja no conforto de casa ou coletivas mesmo).

Porém ainda discutimos muito pouco sobre nossa relação com nosso próprio corpo e nosso prazer. Infelizmente, apesar de pessoas como Jocelyn e uma cultura que se diz cada vez mais aberta para assuntos relativos ao sexo, a masturbação ainda é motivo de vergonha, culpa e repressão.

O ato de se dar prazer é talvez a principal ferramenta de construção de nossa própria imagem. A prática contemporânea limita essa percepção aos genitais, causando vários problemas de auto-estima e de conexão com sentimentos e seu poder orgástico.

A história da masturbação

Existem registros do ato de se masturbar desde o início do Homo Sapiens, em pinturas rupestres e até a ascensão do cristianismo era considerada uma prática natural, utilizada inclusive em rituais, seja com auto-toque individual ou masturbação coletiva, por grandes civilizações como no Antigo Egito e os Maias.

Com a chegada da cultura judaico-cristã a história mudou e a repressão das manifestações sexuais começou. O desperdício de esperma era considerado um pecado grave, pior até que o incesto.

Tal comportamento foi baseado talvez em uma interpretação equivocada da história de Onã, na Bíblia, que ao “derramar seu sêmen na terra” enfureceu a Deus, que o puniu. Porém o que enfureceu Deus não foi o coito interrompido por Onã, mas a ele não ter fecundado a mulher de seu irmão morto para que sua descendência fosse garantida, que era o que Deus havia ordenado.

No séc. XVII a medicina descobriu a existência dos espermatozóides e, então a masturbação começou a ser perseguida também pela ciência já cada espermatozóide começou a ser considerado um feto e desperdiçá-lo seria como realizar um aborto.

A condenação da masturbação pelos médicos continuou pelo século XIX onde definiram a auto-satisfação como uma compulsão que poderia causar diarréia, vômitos, debilidades e impotência. Durante os séculos XVIII e XIX também foram disseminados mitos anticientíficos visando desencorajar os jovens no âmbito psíquico, levando a casos extremos de culpa, medos e recalcamentos que nos acompanham até hoje.

O ocidente somente começou a enxergar o ato de se tocar de maneira diferente no século XX com o advento das teorias da psicologia de Freud e seus contemporâneos. Apesar disso até hoje se masturbar é considerado imoral para as igrejas cristãs e a grande maioria das pessoas carrega culpa, vergonhas e bloqueios psíquicos quanto a se dar prazer e se descobrir.

 

A masturbação no Oriente.

Para as filosofias hindus e chinesas (falando mais especificamente do Tantra e do Taoísmo) a masturbação sempre foi vista com naturalidade e como uma prática saudável de estimulação da energia sexual e auto-conhecimento.

Porém tanto o Tantra quanto o Taoísmo condenam o excesso de ejaculação para o homem. Para essas filosofias, até os 20 anos de idade o homem pode ejacular quantas vezes quiser, mas depois deve aprender a controlar seu ímpeto e canalizar sua energia.

Para os adeptos dessas práticas o sêmen “é a possessão mais valiosa do homem”. É a manifestação física de sua energia vital, ou seja, cada vez que ejacula seu corpo enfraquece e “morre” um pouco.

O sêmen era usado em alguns rituais que incluem masturbação para alimentar talismãs ou “levá-lo para suas origens”, ou seja, espalhá-lo em campos, sob árvores, em águas sagradas ou no fogo sacrificial. Ou até esfregar preparados de sêmen sobre o corpo.

O homem perde energia através da ejaculação enquanto a mulher perde seu Chi através da menstruação e da gravidez. Portanto o homem deve aprender a se dar prazer sem ejacular, ou seja, a ter orgasmos secos e assim aprender a controlar seu corpo e se conhecer melhor.

Já a mulher pode se masturbar quanto quiser. Segundo o taoísmo a masturbação feminina libera sua energia erótica pelo corpo e a ajuda a ganhar mais controle sobre seus reflexos sexuais. É uma maneira de alimentar o auto-erotismo além de agradar as divindades que habitam dentro dela.

 

No oriente a masturbação é um ato natural porém a ejaculação deve ser controlada para que o homem não desperdice seu Chi.

Como você se masturba?

Hoje em dia, apesar de termos uma cultura mais “liberal” quanto ao sexo a masturbação ainda continua sendo um dos maiores tabus para grande parte das pessoas. 

Você fala com seus amigos ou amigas sobre como você se toca? Onde você gosta mais de se tocar? Como? Em que posição? Em que momentos tem mais  vontade? Se usa algum brinquedo?

E você fala sobre isso com seus/suas parceiros ou parceiras?

A masturbação ainda carrega tanta culpa e vergonha que para muitos casais chega a ser uma ofensa seu parceiro ou parceira se masturbar ao seu lado. Ou inclusive se ele ou ela se masturba, não importa onde e quando. Afinal, se pode fazer sexo porque se masturbar né?

E toda essa repressão, recalque, culpa, vergonha…sejam quais forem os sentimentos que mais nos acompanham fazem com que usemos nossos momentos a sós para gozar o mais rápido possível. É aprender o caminho mais rápido e fácil e replicar sempre que estiver precisando relaxar.

É assim…curto, grosso e objetivo. Estou tenso e 2 minutos depois Bum! Um orgasminho genital pra me dar uma descarga de hormônios e relaxar. Muitas vezes acompanhados de um pornô ou imaginando aquele crush em cima de você.

A masturbação é talvez a principal ferramenta de construção da nossa auto-percepção. Nosso corpo busca o prazer e é através do prazer que ele vai se reconhecer. Se limitamos a exploração do nosso corpo a um ponto específico ou somente a um tipo de sensação o que acontece?

Problemas graves de auto-confiança de auto-estima, muito comum em nossa sociedade. Dificuldade de dizer “não”, carência, ansiedade, depressão…são sintomas de alguém que não tem uma imagem completa de si mesmo, que não se acha equiparável aos outros. Sua imagem se limita ao seu clitóris ou ao seu pênis e seu prazer é constantemente projetado ao fatores externos, seja pelo pornô ou as pessoas que rodeiam suas fantasias.

Se masturbar deveria ser um ritual. Deveria ser como fazer amor com a pessoa que você mais ama (que seria você, não?).

Uma música, velas, incensos, meia luz. Toques suaves e lentos, olho no olho, o corpo sendo explorado. Novas sensações, novos sentimentos…cabeça voltada ao que você está sentindo. Quando está com alguém o momento ideal é esse não? Ou gostaria de gozar rápido, virar para o lado e dormir? Acho que não. 

 

Brincar e fazer amor consigo mesmo deveria ser natural e rotineiro. Imagem: @agathesorlet

E como posso fazer amor comigo mesmx?

Existe uma prática que passo para quase todos meus interagentes para praticarem em casa e assim ressignificar a masturbação e a relação para com seus corpos. Pode ser chamado de “Mindfull Masturbation” ou “Auto-toque erótico”. Os resultados são rápidos e incríveis.

Como se auto-massagear?

A auto-massagem erótica tem como objetivo ressignificar como lidamos com nosso corpo e como nos relacionamos com nosso prazer. Nos possibilita nos conhecer mais e melhor e assim nos aceitarmos e nos amarmos mais. Nos primeiros dias pode ser frustrante ou agonizante testar outros caminhos para outros tipos de prazer, pois nosso cérebro está acostumado com o mesmo padrão de toque e o mesmo padrão de orgasmo que repetimos desde a adolescência.

Mas com o tempo a conexão com o corpo fica mais forte, a pele mais sensível e a habilidade de focar nos sentidos mais intensa. Sua auto-estima irá aumentar e o sexo melhorar significativamente.

Vamos lá:

– Defina uma quantidade de tempo, coloque o despertador para não se perder nas carícias. O ideal é ter de 20 a 45 minutos para a prática, Você também pode começar com 5 minutos e ir aumentando gradativamente, É normal não conseguir manter a atenção por muito tempo no começo. Encare isso como uma academia, quanto mais você treinar melhor vai ficar.

– Encontre um lugar que se sinta seguro(a) e confortável, que você se sinta bem para que relaxe e aproveite o momento. Pode ser sua cama, o sofá ou até o chão, se essa possibilidade te excita.

– Deixe de fora brinquedinhos que já está acostumado(a) a usar, pornografia ou fantasias eróticas. Foque em seus sentimentos, emoções e sensações. Foque em seu prazer e em seu corpo. Admire ele, suas curvas e imperfeições. Admire suas mãos percorrendo por ela e ao mesmo tempo que as sensações que cada tipo de toque te trás.

– Comece acariciando seu corpo, evite os genitais em um primeiro momento pois esse caminho você já conhece muito bem. Pode começar tocando seu rosto. Massageie seu peito, aperte seus braços, puxe seu cabelo…explore o corpo inteiro, não somente em vias sexuais, mas as diferentes sensações de cada parte.

– Permita-se testar novas posições e novos toques. Se mexa, mude de posição. Fique de 4, sentado(a), de pé…dance. Toque sutilmente, aperte, arranhe. Gema, suspire, grite…fale sacanagem para si. Mescle respirações curtas e ofegantes com profundas e vagarosas. Enfim, descubra o que funciona melhor para o seu corpo. Se nunca se penetrou tente. Se nunca usou óleo ou creme no corpo use. Se permita em sua oralidade, experimente todos os tipos de sons, movimentos e fluídos.

– Se você é homem não se preocupe com ereção. Com o tempo você vai perceber que o prazer, inclusive os orgasmos, não precisam de um pênis ereto, nem tampouco de uma ejaculação.

– Crie uma intenção cada vez que for praticar. Pode ser “quero estar totalmente presente as sensações do meu corpo” ou “não tenho objetivos com esse auto-toque, somente sentir”.

– Sempre varie as práticas, não crie um outro atalho para seu prazer, nossa mente tende a fazer isso. Faça um dia deitado, no outro de pé, no outro dançando. Toque um dia em algumas partes do seu corpo, no outro dia em outras partes…num dia pode respirar de maneira mais ofegante e no outro de maneira mais profunda. Seja criativo(a).

– Quando encontrar um ponto de prazer fique nele, explore-o de diferentes maneiras, sinta esse prazer ao máximo. Esvazie sua mente e se atenha as sensações. E se algo não parecer bom simplesmente vá em frente. Mude de lugar ou varie o movimento ou a pressão.

– Você pode focar em somente um ponto do corpo durante toda a sessão, ou percorrer todo ele. Até eventualmente chegar aos genitais. Não há ordem certa, simplesmente esteja com você e se explore.

– Podem existir partes do seu corpo que você nunca tocou e que podem te dar sensações que você nunca sentiu. Ou um tipo de som específico, pressão específica ou respiração específica que pode te trazer esse tipo de sensação. O orgasmo não é o objetivo. Ele pode ou não acontecer. O objetivo aqui é sentir seu corpo e todas as sensações prazerosas que ele pode te oferecer. Assim como aprender sobre o que gosta ou não gosta. Então, quando estiver com alguém, pode conduzir com segurança para o que te excita, o que te faz sentir bem ou para o que é realmente gostoso para você. Assim como evitar situações que não te dão prazer, te deixam desconfortável ou te broxam. E assim alcançar outro nível de interação, abertura e consentimento.

– Quando o tempo acabar tire mais alguns minutos para relaxar e sentir seu corpo e as sensações despertas nele. Recomendo que anote o que sentiu, quais foram as piores e melhores sensações e que tipo de emoções a experiências desencadeou (tesão, prazer, empoderamento, amor-próprio…ou até culpa, ansiedade, frustração ou tristeza). Não se julgue pelo que sentiu, simplesmente aceite o que veio como seu e se permita sentir as diferenças conforme avança nas práticas.

– Você pode achar algumas posições ou toques estranhos e/ou embaraçosos, e está tudo bem. O objetivo aqui é trazer consciência para o seu corpo, para o que você está sentindo, para o presente e para o momento. Sentir as ondas de prazer, o calor, o pulsar, as cócegas, a dormência, as contrações e o relaxamento. Todas essas lindas sensações. Costumamos estar de corpo presente em nossas relações, porém a cabeça está em outro lugar. Ou até fantasiando com situações melhores pois, seja por receio, por medo ou por simplesmente não sabermos, não costumamos falar ou guiar os nossos parceiros para o que nos leva ao êxtase, ou pior, aceitamos comportamentos que nos fazem mal de alguma maneira. Um dos princípios básicos do prazer e da conexão está em relaxar, se deixar levar, se conhecer e ser você mesmo.

– Caso a mente comece a viajar, tente diminuir a velocidade de seus movimentos e traga a atenção novamente ao seu corpo. Quanto mais vagarosos são os estímulos mais facilmente o cérebro consegue focar e sentir cada um deles.

– Com o tempo você vai focado(a) em seu prazer e assim, relaxar, se amar, se empoderar e se permitir sentir novos níveis de prazer, intimidade e conexão com o próximo. 

Aprenda a se amar e aprenda a gozar de infinitas maneiras pelo corpo inteiro.

Amar a si mesmx para assim deixar se amadx pelo próximo.

Masturbar-se é uma das experiências mais importante que podemos ter para nos conhecermos. Ele pode influenciar em como percebemos nosso corpo, quais partes tratamos como sexuais ou prazerosas, quais são excitantes e seguras, e quais ignoramos.

Por causa da nossa cultura que culpa e enche tudo que representa nosso prazer de culpa e medo, seja por causa de masculinidades tóxicas, repressões, sexismo e/ou tabus tendemos a resumir nosso toque aos genitais e o ato da masturbação a um meio de simplesmente aliviar a tensão do dia a dia. Isso neurologicamente reduz a excitação e prazer no restante do nosso corpo.

Nos tocar e nos estimular é como comer e beber, estamos fazendo isso a todo o momento, em público ou não. Explorar nosso templo é essencial para definir como nos enxergamos, nos amamos e, consequentemente, como nos relacionamos com o mundo.

Como tal nos masturbamos de maneira leviana e sem amor próprio, que replicamos em nossas relações sexuais, Uma ação mecânica e sem conexão onde o objetivo não é relaxar, aproveitar e tanto receber como dar prazer, mas sim de simplesmente chegar ao orgasmo. E a um orgasmo pequeno, limitado e explosivo, que dura somente poucos segundos e nos drena a energia de tal maneira que, após ele, não temos mais interesse nas trocas de carícias, olhares e energia com nossos parceiros, somente dormir, ou ir embora para ficarmos sozinhos.

Tais relações resultam em um vazio interno e relações falidas. Se não nos amamos como podemos amar ao próximo? Ou deixar que alguém nos ame em sua plenitude? Se não nos entregamos a nós mesmos como podemos nos entregar a alguém e, assim, chegar a novos níveis de prazer? Se não nos conhecemos em nossa totalidade como alguém pode nos conhecer dessa maneira? Alguém pode até nos fazer sentir algo que nunca sentimos, mas caso não soubermos como aquilo aconteceu, dificilmente irá acontecer novamente.