Pênis e Testículos – Anatomia do prazer para quem tem pênis.

Pênis e Testículos – Anatomia do prazer para quem tem pênis.

Nosso corpo é repleto de zonas erógenas e todos nós, independente do gênero, somos capazes de ter orgasmos em várias partes do corpo que não os genitais.

Portanto se explore e explore seu parceiro. Por mais que aqui falaremos da anatomia genital há um mundo inteiro a ser explorado fora dessa pequena zona em que colocamos tanta atenção. E cada ser é único, se deixe ser explorado, descubra novos lugares e foras de prazer. Assim como sirva de guia para. que sua parceria tenha a mesma oportunidade de se conhecer. E assim se divertirem muito. nosso corpo deve ser menos um alvo de tabus, vergonhas, culpa e auto-restrições e mais um playground de prazer e contato de nossa consciência com o mundo externo.

Assoalho pélvico masculino: Um poço de prazeres desconhecidos.

Mesmo nós que temos pênis nos exploramos muito pouco. Tendemos a nos acostumar com o mesmo movimento de vai-e-vem e aquele orgasmo ejaculatório xoxo e restrito ao genital. Que nos satisfaz por muito pouco tempo.

Existem pessoas que nunca tocaram seu próprio saco para sentirem que tipo de sensação podem ter. Ou o períneo. O ânus então? Zona proibida!

E imagina a possibilidade de tocar, explorar e estimular mais de uma dessas zonas ao mesmo tempo? Você está perdendo a oportunidade de conhecer seu corpo por causa de crenças bobas que não fazem sentido nenhum. 

Os nervos pélvicos começam no cerebelo, descem pela coluna e se ramificam no assoalho pélvico. Portanto estimulando toda a região você está diretamente estimulando os sistemas mais primitivos de seu cérebro. O ato de ser tocado, se tocar ou fazer sexo pode ser extremamente curativo e um canal para ressignificação de vários traumas e relação como corpo, relacionamentos e sexualidade. E é talvez a única forma de alcançar tal grau de penetração, já que o restante das ramificações dessa enervação está em outros órgãos internos, inacessíveis e protegidos do nosso toque. 

Vamos conhecer a fundo cada uma das partes que podem nos levar a outros estados de consciência? É importante entender a anatomia variada do assoalho pélvico. A maior parte é visível – o corpo, a glande, o prepúcio, o frênulo, a abertura da uretra, o escroto e o períneo – enquanto outras partes, como a próstata, os testículos e o reto, podem ser sentidas, mas não vistas. Aproveite essa viagem.

Penis

 

Pênis

O lingam (pênis em hindi – significa “bastão de luz”e é um termo de reverência e amor, não temos um termo em português que expresse dessa maneira, então usarei “lingam”em boa parte do artigo) é a “varinha mágica” de todo homem. Mas, como uma planta ou um animal de estimação, requer carinho para manter seus poderes. Se lhe dermos respeito, amor e toque, o lingam nos ensinará uma nova forma de amor e energia criativa. Em nossa cultura, no entanto, o lingam é frequentemente “usado” como um órgão penetrante ou satisfatório, em vez de profundamente amado.

O pênis é formado pelo eixo ou corpo e glande. Entre esses dois pontos se destaca o prepúcio, que em não-circuncidados recobre e protege a glande. E o frênulo, que é a parte mais sensível do pênis, formado pelo mesmo tecido embrionário do clitóris.

O tamanho de um pênis não ereto dá pouca indicação de seu tamanho máximo. Existem lingams que são grandes quando em repouso, mas mal crescem quando eretos (isso é chamado de baixo “fator de inchaço”), enquanto há outros pênis que dobram de tamanho durante a ereção.

 

Corpo Peniano e Tecido erétil

O eixo do pênis começa pelo períneo, se extende por trás do saco escrotal e termina na “cabeça” saliente ou glande (glande do pênis) que fica no eixo como a cabeça de um cogumelo. A pele ao redor da parte externa do eixo é macia e móvel; a pele da glande é geralmente mais vermelha do que a do eixo. Se o homem não for circuncidado, a glande é coberta pelo prepúcio, que é uma extensão da pele do eixo que recobre e protege a glande. Puxando cuidadosamente o prepúcio para trás, você verá e sentirá que a pele entre o eixo e a glande é mais fina e mais sensível do que em outros lugares. Na frente da glande, o frênulo o conecta à parte inferior do pênis.

O pênis é composto principalmente de diferentes tipos de tecido erétil – especificamente, duas colunas paralelas chamadas de “corpos cavernosos”, e um único corpo esponjoso central que contém a uretra. Ambos os tecidos eréteis são compostos de muitos vasos sanguíneos em forma de piscina dentro de uma base esponjosa que pode absorver sangue e inchar, causando assim uma ereção. Quando eretos, os tecidos eréteis contêm cerca de oito a dez vezes (!) mais sangue do que quando não eretos.

 

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Normalmente, as artérias de entrada estão apertadas e os músculos tensos, o que impede que o sangue preencha os corpos cavernosos. No entanto, quando estímulos sexuais de qualquer tipo atingem o cérebro de um homem enquanto ele está relaxado, eles estimulam os impulsos nervosos que viajam do cérebro para os nervos do pênis através da medula espinhal. Nas terminações nervosas, várias enzimas neurotransmissoras são liberadas em quantidades crescentes à medida que os estímulos percebidos continuam. Isso leva a uma expansão dos vasos sanguíneos e um relaxamento dos músculos nos tecidos eréteis. As artérias de entrada do lingam podem se abrir e o sangue entra no tecido erétil. A velocidade do fluxo sanguíneo dobra e os tecidos incham com sangue.

A remoção de sangue é regulada pelas veias do pênis. Quando o pênis está flácido, o tecido da veia está aberto, permitindo um fácil retorno do sangue do pênis para o coração. À medida que um homem fica excitado, o tecido da veia se contrai, reduzindo o retorno do sangue a um fio e aumentando o volume do tecido erétil. E assim o lingam cresce e fica ereto.

 

A glande

Depois de explorar completamente o eixo do lingam, agora é hora de continuar com a glande, o prepúcio, a borda da glande e o frênulo. Essas partes do pênis estão entre as zonas erógenas mais fortes. Mas, como observado anteriormente, quando flácido os estímulos nesses pontos devem ser leves ou medianos.

A glande é a coroa do lingam. É uma parte muito sensível que abriga muitas terminações nervosas, incluindo um nervo principal – nervus dorsalis penis – que atravessa a parte superior do corpo esponjoso. Esses nervos estão conectados diretamente com o cérebro e transmitem informações sobre o estado de excitação, ereção e, quando chegar a hora, ejaculação.

A camada superior da pele da glande é muito fina – especialmente entre os homens que não são circuncidados – e abriga várias terminações nervosas livres que podem registrar até os menores estímulos. Quando está ereto em volta da coroa da glande ficam mais visíveis as glândulas de Tyson, pequenas bolinhas responsáveis pela lubrificação da glande para que a penetração seja facilitada. Cerca de 40% dos homens tem essas pápulas mais evidentes e até esbranquiçadas, que são chamadas de “pápulas peroladas”(Genital Papillaris Hirsuties) são estruturas benígnas sem nenhum sintoma e sem causa específica. Geralmente por falta de informação, são confundidas com IST’s.

Enquanto o eixo do pênis pode ser tocado livremente, a glande requer muito cuidado. Se um toque é percebido como agradável ou desagradável está em grande parte relacionado à forma como é feito e ao quão relaxados estão os parceiros que dão e que recebem. Lembre-se que ele é um canal de comunicação direta com o cérebro e, consequentemente, emoções profundas.

 

papulas peroladas

Na ponta da glande está a abertura da uretra, que tem uma função dupla: tanto o ejetar o sêmen – uma mistura de secreções dos testículos, vesículas seminais, próstata e glândulas de Cowper – e a urina da bexiga são excretadas aqui, embora nunca ao mesmo tempo.

Existe uma grande variedade de formatos e tamanhos de pênis, mas qualquer um é grande o suficiente para ser sexualmente estimulante, especialmente para orgasmos do ponto G ou prostático, já que ambos ficam apenas 2,5 a 7,5 centímetros dentro da vagina (ponto G) ou do ânus (próstata – também chamada de “ponto P”). 

Frênulo – O clitóris do pênis

O frênulo é a pele que conecta o corpo do pênis com a glande, impedindo-o que ele deslize para baixo. As terminações nervosas do frênulo são muito sensíveis, o que torna o toque cuidadoso desse ponto, principalmente quando ereto, é a zona mais prazerosa do pênis.

Nos lados esquerdo e direito do frênulo, bem como imediatamente abaixo da borda da glande, está o chamado “clitóris masculino” – uma área que corresponde aproximadamente ao clitóris feminino. Essa área delicada e prazerosa muitas vezes não é explorada, uma vez que a ejaculação e o orgasmo geralmente são ocasionados simplesmente pela pela fricção da glande.

 

Embora o clitóris masculino corresponda ao clitóris feminino de muitas maneiras, seus sinais orgásticos são mais sutis nos homens do que nas mulheres. Se essa área for bem massageada e acariciada, pode se tornar uma fonte de grande prazer.

A área à esquerda e à direita do frênulo, abaixo da glande na parte inferior do lingam  existem várias glândulas que secretam fluidos, e é importante que os homens lavem regularmente a área ao redor do frênulo, caso contrário, depósitos de proteínas brancas e fedorentas (chamados de “smegma”, o popular “queijinho”) podem se formar aqui.

frenulum

O prepúcio

Todo o pênis é coberto por uma pele composta de tecido conjuntivo muito frouxo e sem gordura, altamente flexível e expansível. Isso permite que a pele se ajuste aos diferentes tamanhos do lingam durante a ereção e também nos permite estimulá-lo movendo essa pele para cima e para baixo. A pele que cobre a glande é chamada de prepúcio. 

A área à esquerda e à direita do frênulo, abaixo da glande na parte inferior do lingam  existem várias glândulas que secretam fluidos, e é importante que os homens lavem regularmente a área ao redor do frênulo, caso contrário, depósitos de proteínas brancas e fedorentas (chamados de “smegma”, o popular “queijinho”) podem se formar aqui.

O próprio prepúcio corresponde ao capuz do clitóris feminino e serve para proteger a glande sensível contra fortes atritos e lesões. Isto também a mantém macia e úmida. O prepúcio consiste em duas camadas de pele – o prepúcio externo e interno. A pele externa se parece com o resto da pele ao redor do pênis, enquanto o prepúcio interno é uma membrana mucosa, semelhante à pele dentro da boca. Essas duas camadas contêm muitas terminações nervosas, que estão especialmente concentradas na ponta.

prepucio

Normalmente, o prepúcio pode ser facilmente puxado para expor a glande e, durante as ereções, isso acontece automaticamente. Geralmente a estimulação direta da glande é sentida como áspera ou desagradável. A forma popular de masturbação é friccionar o prepúcio na glande com movimentos de vai-e-vem. Infelizmente, muitas vezes se restringe a essa técnica de masturbação, que pode aumentar a incidência de ejaculação precoce.

Um dos benefícios da massagem tântrica é que ela permite que os homens expandam sua experiência de excitação e sensualidade além das técnicas usuais. Isso promove uma relação mais madura entre um homem e seu pênis, tornando-o um amante melhor e mais duradouro.

Circuncisão

Muitos homens são circuncidados; alguns por motivos religiosos e outros por motivos culturais ou médicos. Ser circuncidado ou não não faz muita diferença na hora do sexo.

Os defensores da circuncisão apontam que o procedimento reduz o risco de câncer de pênis e também reduz significativamente (cerca de 60%) o risco de um homem contrair herpes, sífilis ou HIV durante a relação sexual desprotegida. 

Por outro lado, os opositores da circuncisão argumentam que o prepúcio protege a glande e a lubrifica, apoiando assim sua capacidade de deslizar. Além de argumentarem que diminui a sensibilidade e a capacidade de controle da ejaculação, já que a pele da glande engrossa para se adaptar a fricção constante com tecidos.

Algumas mulheres sentem que a borda larga que se forma quando o prepúcio se contrai atrás da glande é estimulante durante a relação sexual e, de fato, existem anéis no pênis que servem para esse motivo. 

Muitos médicos sugerem a circuncisão para homens que sofrem de fimose (condição onde os anéis do prepúcio são mais estreitos que a largura peniana, impedindo que a glande saia durante a ereção e causando dor durante a excitação).

 

fimose

Testículos

O escroto é uma bolsa de pele solta, macia e móvel. Tem poros grandes e costuma ter poucos pêlos. O escroto fica entre o lingam e o períneo e é formado pelo mesmo tecido embrionário dos lábios externos da vulva enquanto os testículos correspondem aos ovários. 

O escroto se expande no calor e se contraia no frio e durante a excitação sexual. Regulando a temperatura necessária para a produção de espermatozóides (cerca de dois graus a menos que o restante do corpo). Os dois testículos ovais no escroto se movem para cima quando o escroto se contrai. O medo e o choque também levam a uma contração do escroto, fazendo com que os testículos fiquem pequenos e puxem firmemente contra o corpo.

Embora os testículos possam ser sentidos de fora, eles fazem parte dos órgãos reprodutivos internos, assim como os epidídimos, ductos espermáticos, vesículas seminais, glândulas de Cowper e próstata.

Os testículos têm a forma de duas pequenas ameixas e podem ser de tamanhos diferentes ou repousar em diferentes elevações no mesmo homem. Geralmente, o testículo direito é um pouco maior e fica um pouco mais alto que o esquerdo, mas há muitas exceções.

Os testículos parecem cheios e elásticos, mas não gostam de ser espremidos, empurrados ou manuseados com força. Eles são especialmente sensíveis a toques súbitos se o lingam não estiver ereto. Isso é por causa do invólucro muito sensível que os envolve. Mais agradáveis ​​são os toques suaves e gentis, incluindo um puxão suave no escroto.

 

lingam

Uma boa maneira de tocar os testículos é fazer um anel com o polegar e o indicador ao redor do escroto acima dos testículos – tomando cuidado para não espremê-los, e deslizando os dedos suavemente como se estivesse “pegando”o saco e fosse puxar para cima. Muitos homens acham este “anel testicular” muito estimulante, e muitas vezes aumenta a ereção. Ao soltar o anel testicular, reserve um momento para sentir os cordões espermáticos entre os dedos. Você também pode desdobrar suavemente a pele do escroto e fazer uma leve massagem. O toque suave, a fricção e o puxão dos testículos estimulam a produção de testosterona e aumentam a contagem de espermatozóides. A massagem no saco escrotal também pode ser muito prazerosa, você pode massagear de maneira mais vigorosa e até puxar o saco desde que não faça o mesmo com os testículos (os ‘ovos’) que são as partes delicadas.

Enquanto alguns homens acham a massagem nos testículos muito prazerosa, outros não gostam. É preciso alguma sensibilidade para entender qual o toque é prazeroso para o seu parceiro e qual não é. Se você estiver massageando os testículos do seu parceiro, preste atenção aos sinais dele – gemidos e sons de “sim” dizem para você continuar, o silêncio mostra que não está excitando, enquanto pequenos ruídos não prazerosos, balançando a cabeça ou gestos indicam que é desagradável. No caso de dúvida pergunte. Pode ser que ele tenha alguma resistência em falar que não está gostando para não te desagradar, mas peça para que te mostre e guie e aprenda com ele.

Os testículos produzem espermatozóides e testosterona. Enquanto os hormônios são absorvidos pelo organismo, os espermatozoides se deslocam para os epidídimos, onde amadurecem e ficam armazenados até a ejaculação ou reabsorção. Eles estão localizados na parte de trás dos testículos e podem ser sentidos na parte inferior do escroto. Eles são muito sensíveis à pressão e devem ser tocados apenas com muito cuidado.

Pênis – Simbolismos e Realidades

Pênis – Simbolismos e Realidades

O pênis. Símbolo de poder? Da sociedade patriarcal? Ou somente um pedaço de carne esponjosa pendurado entre as pernas cerca de metade da população mundial?

Devido a toxicidade que vivemos no mundo. Com uma repressão sexual, muitas vezes até paradoxal sob meu ponto de vista, cada vez maior. Falta de educação sexual, compensada pela pornografia que começa a ser consumida cada vez mais cedo. Uma nudez ora símbolo de libertação e naturalidade ora alvo de críticas por ser “desnecessária” vemos distorções e violências sexuais cada vez mais frequentes. E quem leva a culpa? Não são os fatores acima, mas o pênis e todo o simbolismo que ele carrega. Ter um pênis significa ser um potencial abusador, mostrar o pênis pode simbolizar um perigo inato. 

E, não me canso de repetir, paradoxalmente, a nudez frontal masculina que não seja genital, de performance, ereto, pornográfica, é rara. A nudez artística, sensual, com nossos genitais no estado onde eles permanecem a maior parte do tempo, servindo como qualquer parte do corpo, vulnerável ao ambiente e a conceituação, essa é rara. E quando existe, certamente não é associada a heterossexualidade. Um hétero posar nú? Sem que seja para mandar nudes nas mídias sociais? Ainda com sua “ferramenta”flácida? E que graça tem ver ela flácida? Quero ver ela dura, potente, penetrante.

Pois, de novo, paradoxalmente, o que nos violenta também nos excita. O que é tido como gracioso não é tido como sexual. Sexo deve ser perigoso, tenso, cheio de vergonhas, preocupações, julgamentos e culpas…senão não é gostoso. O melhor sexo é aquele selvagem depois de uma briga. Sexo de reconciliação dizem. Aquele em que você erotiza e descarrega sua raiva no outro até que toneladas de hormônios liberados depois do gozo te relaxem. O sexo, lento, com amor e presença? Esse não é tão gostoso.

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O simbolismo do pênis é um complexo diagrama de paradoxos. E como isso influencia na visão de si e do corpo de quem nasceu com um?

O pênis como ferramenta

Com nada os homens se identificam tão intimamente quanto com seu pênis e seu comportamento. É o orgulho ou a queda do homem, sua pertença ou não pertencimento ao grupo dos homens, sua conexão com o mundo das mulheres, seu passaporte e medida”. (Dieter Duhm) 

Para muitos de nós, a sexualidade masculina ainda é um mapa com muitos pontos em branco que permanecem desconhecidos. Para o benefício de homens e mulheres, a aventura de descobrir a masculinidade pode começar.

Ao contrário do que as crenças sociais dizem, nós não costumamos lidar com nossos pênis com amor, gratidão e reverência. Em vez disso, os encaramos como simples ferramentas que nos levarão a um orgasmo, uma ejaculação…ou fornecer esses mesmos prazeres as nossas parcerias. Aliás, na maioria das vezes, quando nos tocamos é com essa intenção, obter uma ereção.

Quando se fala que vivemos em uma sociedade falocêntrica e que o pênis é um símbolo de opressão e poder temos que fazer uma correção, é o pênis ereto que é esse símbolo. É o que se espera de nós, é o que os filmes pornôs mostram. Se seu pênis não está ereto você é fraco, “impotente” como chamamos. Então, quem não apresenta seu falo ereto não tem potência, não expressa sua masculinidade plena. 

Como a ereção é causada pelo sistema simpático não temos controle sobre ele. Ele pode ocorrer as situações mais inusitadas e não ocorrer nas ocasiões mais excitantes. E justamente por não termos controle o peso, cobrança e consequente auto-cobrança pela ereção é enorme e nos tira grande parcela da possibilidade de presença, intimidade e expressão sexual de forma mais plena afinal, sem uma ereção nada disso acaba sendo válido.

O pênis como vergonha e culpa

O pênis, ao contrário do que a cultura popular diz, para muitos é motivo de vergonha e culpa. Seja pela tendência a achar que “poderia ser maior” e ficarmos constantemente nos comparando com outros (geralmente atores pornôs) e crendo que se fosse maior nossas companhias afetivas/sexuais ficariam mais satisfeitas. De novo, o símbolo de poder não é o falo, mas sim o falo ereto, grande e grosso.

Em uma cultura esquizofrênica (e violenta) quando falamos de sexualidade, o pênis, por si só, também é símbolo de agressividade, coerção e visto como algo invasivo. Um homem nú é visto de maneira muito mais agressiva que uma mulher nua, independente de ter uma ereção ou não.

A mídia tem uma parcela de culpa nisso. Nas poucas ocasiões em que se apresente um nú frontal masculino em filmes são em situações sexuais (geralmente falos grandes mesmo flácidos, simbolizando potência e instigando o imaginário para como seria se ficasse duro). Nús frontais em filmes e séries são pautas para inúmeros artigos falando do tamanho do órgão sexual do ator em questão.

Ainda existem poucas produções que trazem o nú masculino de forma naturalizada, em situações cotidianas ou de vulnerabilidade, onde o genital não seria o foco, mas somente mais uma parte do corpo humano ( que é como deveria ser tratado).

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A culpa pela ejaculação também aflige a muitas pessoas com pênis. Aprendemos a gozar não como ato de amor, mas como liberação emocional. É, para muitos, a única forma de relaxar, já que somos criados a reprimir e não expressar nossas emoções. Muitos de nós sofremos do que, na sexologia, se chama de “depressão pós-coito” onde, após a ejaculação, entramos numa crise de choro, culpa e depressão. Não é algo incomum infelizmente. E vem de encontro com as repressões e pesos que carregamos simplesmente por termos um pênis.

Como você chama o seu?

O português não tem uma palavra que transmita amor e reverência para nosso genital. Infelizmente nem pênis, pau, cacete, caralho, rola, pinto…pode refletir o significar que tal parte do corpo pode ter para quem o detém. É um dos maiores exemplos de que não temos um relacionamento consciente e amoroso com essa parte de nossos corpos.

No hindi, que deriva do sânscrito, língua sagrada em que os Tantras foram transcritos, temos a palavra “lingam”para se referir a todo o aparto sexual masculino. A palavra lingam refere-se ao núcleo mais íntimo da masculinidade. Significa “coluna de luz”, “parede de luz” ou “bastão de luz”. O taoísmo também utiliza termos como “vara de jade” e “espada de lótus”.

Na Índia, o lingam é reverenciado como uma expressão da clareza de Shiva, capaz de penetrar na névoa da ilusão – ideias e crenças falsas. O lingam simboliza a espada fina que diferencia entre o verdadeiro e o falso e entre nossa própria energia criativa e a energia da criação.

Não faz sentido para você? Que a mudança de percepção que você tem de seu pênis possa romper com muitas crenças falsas que faz com que diariamente você diminua e violente seu corpo, assim como o corpo de suas parcerias?

 

Lidando com o pênis de forma saudável

 Hoje entendo que o lingam representa mais do que apenas superstição. É honrar a energia reprodutiva e criativa masculina, e também honrar a masculinidade. E isso de forma alguma é ser “falocêntrico”, mas sim amar uma parte de mim. Assim como para pessoas que tem vagina amar e reverenciar essa parte de seu corpo faz com que se ame e se empodere de seu corpo e sexualidade.

Essa mudança de relacionamento com meu lingam também encontrou sua expressão em minha sexualidade. Antigamente, quando eu acariciava meu lingam, fazia isso para satisfazer um desejo, ou para me “esvaziar” de tensões, angústias, ansiedade , não para “honrar” nada. Não vou falar que ainda não o faço, pois é um condicionamento profundo. Mas quando se tem consciência os padrões começam a se romper.

Era o mesmo quando eu acariciava uma yoni (vagina); a relação sexual ou o orgasmo da minha parceira eram meus objetivos. Agora estou, aos poucos, deixando de trabalhar em direção a esses objetivos e, em vez disso, toco meu lingam ou yoni para honrar o que significa ser cada um/uma. O que fazemos com nosso corpo é espelho do que buscamos no corpo do outro.

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Para você que se relaciona de forma sexual com pessoas com pênis. Quando tocá-lo, lembre-se de toda a carga que ele carrega. Não o faça simplesmente para que se tenha uma ereção e possa penetrar. Isso é utilizá-lo como uma ferramenta, que é como ele sempre foi utilizado. E reflita, como você lida com seus genitais? Como interagem com eles? Da mesma maneira que o faz com o outro?

 “Existem duas maneiras para o pênis ser excitado – através da emoção ou através do amor.” Hoje consigo começar a compreender plenamente o significado de sua mensagem em meu próprio corpo. É uma sensação maravilhosa para mim começar a ser despertado pelo amor e desfrutá-lo. Compartilho essa abordagem positiva de uma sexualidade plena com outros homens, mulheres e casais em minha prática terapêutica.

Eles param de reduzir o pênis a um “órgão de função” que deve ficar ereto e produzir orgasmos, e reconhecem que nossas interações com o lingam são mais do que apenas colocá-lo para cima, para dentro e para fora.

“Durante centenas de anos de influência da igreja e seus dogmas, a sexualidade foi desvalorizada, assim como as mulheres e seus poderes secretos. Isso tornou cada vez mais difícil para o poder feminino honrar o poder masculino e seu lingam. Os homens perderam a consciência do lingam como órgão do amor e começaram a usá-lo com uma fixação no objetivo pessoal de atingir o orgasmo. Esse foco limitado muitas vezes levava as mulheres a temer o lingam e as impedia de reconhecê-lo como uma parte enriquecedora de sua experiência sexual. Assim, o lingam raramente recebeu o amor que merece.” ( Diane Riedl)

Nutrir a sexualidade requer segurança, aceitação, compreensão e amor. Isso vale tanto para os homens quanto para as mulheres.

Assim como as mulheres, os homens precisam de um ambiente encorajador para desenvolver sua sexualidade. Isso inclui não apenas as condições externas, mas também um parceiro relaxado e receptivo – que não precisa ser “perfeito”, mas sim amoroso e empático. Compreender a sexualidade é necessariamente um processo, não um evento. A descoberta e aceitação da força sexual masculina é independente da potência ou da ereção.