A Mulher e o Tantra: A redescoberta da feminilidade nas relações.

A Mulher e o Tantra: A redescoberta da feminilidade nas relações.

“A mulher cria o universo, é o próprio corpo deste Universo.

A mulher é o suporte dos três mundos, é a essência do nosso corpo.

Não existe outro caminho senão a que procura a mulher.

Não existe outro caminho senão o que a mulher pode nos mostrar.

Nunca existiu ou existirá, hoje, ontem ou amanhã, outro destino que não seja a mulher.

Nem outro reino, peregrinação, oração, fórmula mágica ou outra plenitude que aquelas que a mulher proporciona.

(Shaktisangama Tantra)

Houve um tempo e uma região em que homens e mulheres tinham igual posição social, o corpo feminino e a conexão de seus ciclos com as fases da lua. Sua capacidade intuitiva e de gerar e alimentar outra vida.

Existiu um tempo e uma região em que força não era um termômetro para qualquer tipo de superioridade, sociedades não guerreavam e as atribuições não eram hierarquizadas. Todas tinham igual importância para manutenção da comunidade.

As mulheres expressavam seu potencial, sua energia e sua sexualidade de maneira plena, sem nenhuma vergonha ou pudor de seu prazer e de seus desejos. Era uma época próspera, pois como Lysebeth fala, em seu livro “Tantra: Culto a feminilidade”:

“O tântrico, para quem toda mulher encarna Shakti, terá perante ela uma atitude bem diferente do macho comum. Para ele, ela não é um objeto sexual a ser cortejada para obter favores ou uma caça. Ele não é paquerador nem Dom Juan. Mesmo sozinha com ele ela nada tem a temer; está segura, pode se comportar com toda a liberdade. É respeitada e nunca será importunada.”

E em uma sociedade onde uma mulher pode desabrochar e se tornar uma Verdadeira Mulher o homem também desabrocha. Sufocando-a ele também se asfixia.

Segundo historiadores eram assim as sociedades dos Drávidas, moradores de onde se encontra a Caxemira, ao norte da Índia, civilização do qual se denomina a origem dos Tantras.

O papel da mulher no Tantra

A figura da mulher, que por muitas vezes é menosprezada em outras tradições, no tantrismo é exaltada e de fundamental importância para que tudo possa existir. A deusa mãe que em várias culturas é considerada o poder absoluto e associada ao feminino, a mulher, para o tantrismo se trata do início de tudo.

A mulher é a representação da energia de Shakti, que é a manifestação de tudo que existe. Shiva, o princípio masculino, representa a consciência suprema, imutável, que rege todas essas manifestações.

As escrituras Tântricas, redigidas somente no séc. IV (antes a tradição era transmitida oralmente) são nada mais que diálogos entre Shiva e Parvati (uma das manifestações de Shakti) sobre os mais diversos aspectos da vida e do mundo.

A cada questionamento de Parvati, Shiva responde sua pergunta com uma técnica para que ela mesma encontre seu caminho. Ou seja, Shiva não tem as respostas, ou não impõe sua verdade perante os questionamentos, mas deixa Parvati livre para descobrir por si só sua verdade.

Enquanto outras filosofias e religiões separam o mundo espiritual do material, muitas vezes taxando o corpo como “inferior” ou “impuro”, no Tantra só chegamos ao estado de consciência/iluminação (Samadhi) experimentando e aprendendo nosso caminho através de Shakti, liberando a energia Shakti Kundalini enrolada 3 vezes e meia em nosso sacro.

O Hevajra Tantra afirma:

“Aquele que é bem versado em ioga deve honrar a mãe e a irmã da mesma forma que a dançarina, a lavadeira, a mulher proscrita e a mulher nobre (arquétipos de Shakti). Deve combinar o Cetro dos Seus Meios com a Lótus da Sabedoria da mulher. Com esse ritual obtém-se a libertação.”

Em outras palavras, o homem que, durante a relação sexual, honra e aceita todas as faces de sua parceira e a deixa livre para ser ela mesma sem medo ou julgamentos obtém a libertação.

Os arquétipos Virgem e a Prostituta.

“A mulher faz a iniciação através da mesma yoni da qual, numa vida anterior, o homem nasceu. A mulher inicia através dos mesmos seios que, numa vida anterior, o homem sugou. A mulher inicia com a mesma boca que em certa ocasião acalmou gentilmente o homem, A mulher é a iniciadora suprema do Tantra.”

(Kaularahata)

Nancy Qualls-Corbett faz uma pergunta já na introdução de seu grande livro “A prostituta Sagrada: A face eterna do Feminino”:

O que em mim tem a ver com a Prostituta Sagrada?”

Em nossa mentalidade contemporânea essas duas palavras são contraditórias. “Sagrado” sugere a dedicação ao espírito divino enquanto “prostituta” sugere a profanação do corpo. Mas conseguir sacralizar a liberdade e a expressão de prazer do corpo é o grande segredo para a cura e a libertação.

Segundo Nik Douglas no livro “Segredos Sexuais” os antigos rituais de amor não se destinavam a uma posterior promiscuidade mas sim dar sentido a sexualidade feminina. As sacerdotisas iniciavam os homens no sexo sagrado e, apesar do intercurso sexual, não deixavam de ser consideradas virgens.

Hoje em dia quando um homem se apaixona por uma mulher ideal, geralmente ele projeta todos os atributos da Mãe Divina a ela: beleza, bondade, castidade e amor revigorante. Ela, por sua vez, projeta sobre ele as características do Pai Divino: lealdade, força, virilidade, amor e desejo.

E essa não é a realidade, mas pura projeção. Frequentemente após o casamento essas fantasias caem por água abaixo. O homem se sente sufocado pelas expectativas da parceira e se culpa por sonhar encontrar uma “mulher real” que possa recebê-lo como um “homem real”. E ela, insegura na própria condição de mulher, percebendo o seu afastamento, vê-se apegada, como uma criança rejeitada pelo pai que a está abandonando.

Essa criança ferida só será curada quando ambos aceitarem seus lados e os do(a) companheiro(a), sejam eles os mais “promíscuos” e/ou os mais “frágeis. E assim se aceitarem como Verdadeiras Mulheres/Homens buscando um(a) parceiro(a) também Verdadeiro(a) e não crianças projetando o pai ou a mãe na pessoa no qual se apegou.

 Parvati e Kali

Dentro das muitas personificações de Shakti temos Parvati, sua face mais casta, que representa as fases claras da lua, os princípios de preservação em abundância. Parvati é a energia sexual bruta em seu papel reprodutivo, o amor “convencional”. É a Virgem, que assume o papel passivo e aceita o homem como seu iniciador. É a página em branco em que ele pode escrever seu Carma, enquanto ela concede e divide somente a ele sua essência pura.

Do lado oposto temos Kali, que representa as fases mais escuras da lua, os princípios de dissolução e transcendência. A energia sexual em seu papel sobrenatural e transformador, o amor “não-convencional”. Ela é a “prostituta”, a iniciadora, que tem um papel ativo nos mistérios do amor; é ela quem age sem qualquer pudor ou restrição, ela é livre para dar-se totalmente. Ela se oferece ao coito sem reservas, culpa ou inseguranças. Ela é a Shakti pura, o princípio da força da iniciação.

A virgem, a musa, a prostituta e a deusa, para o Tantra todas podem ser personificadas em uma mesma Mulher. Assim como o menino, o herói, o amante e o deus em um único homem.

Hoje existe uma tendência para separar os papéis sexuais e fazer uma identificação com um, excluindo os outros. Segundo Nik Douglas “isto leva à repressão da sexualidade e à sua conversão em fantasia.”

Quando há o domínio da fantasia as pessoas tornam-se desonestas quanto a seus sentimentos sexuais e passam a criar complexos problemas psicológicos dentro do que deveria ser leve e simples. O sentimentos tornam-se atrofiados e a separação é o destino mais provável.

As qualidades da Virgem e da Prostituta, assim como do Rapaz e do Amante, devem ser incorporados e aceitos dentro da relação por seu valor estimulante e transcendental.

“Parvati é também apaixonada e sensual. E filha do Himalaia, tão branca quanto os picos nevados, a personificação da feminilidade. O rosto brilha como o Sol nascente, é dotada de um belo corpo, busto alto, quadris amplos e todas as qualidades de sublime feminilidade. Parvati é o ideal divino da esposa casta, enquanto Kali personifica a amante voluptuosa. Parvati simboliza a luz resplandecente da Lua cheia, e Kali, a noite escura. Embora a maioria dos seres humanos idealize o arquétipo de Parvati e receie o arquétipo de Kali, ambas nada mais são que facetas de um mesmo ser, que assume formas diferentes para funções diferentes.”

 

(Nik Douglas & Penny Slinger – Segredos Sexuais)

 A verdadeira Mulher: Um resgate para a mulher tântrica contemporânea.

 Abaixo segue um trecho do livro “Tantra: O culto a feminilidade de Andre Van Lysebeth. Ela expressa 100% minha opinião sobre o resgate da Verdadeira Mulher através do tantra. 

“Deusa-mãe, iniciadora, origem de toda vida, fonte de prazer, caminho para a transcendência: a mulher e seu mistério são o coração do tantra, são a essência de sua mensagem milenar.

Certamente, a extensa relação acima nada tem a ver com nossas mães, irmãs, esposas, eventuais amantes; enfim, com todas as mulheres de carne e osso que encontramos pela vida: nelas, onde se oculta o mistério da Mulher?

De fato, o tantrismo se resume ao acesso aos aspectos abissais da Mulher, ocultos na mulher real comum. O culto que o tantra vota a mulher ultrapassa – de longe! – tudo que reinvindicam os movimentos de liberação feminina. Isso não é uma crítica a esse movimento, que se tornou necessário em nossa sociedade patriarcal e que, pelo menos, fez com que esta sociedade reconhecesse a igualdade da mulher – o que não é sinônimo de “idêntica”. Para o tantra, antes de mais nada, é essencial que a Mulher emerja da mulher, que esta realize que ela É verdadeiramente, que isso seja levado para a visão que tem de si mesma e do mundo.

A mensagem do tantra concerne tanto ao homem quanto à mulher. Qualquer shakti tântrica é ou procura tornar-se uma verdadeira mulher, ousando explorar as profundezas de seu ser para descobrir seus fundamentos últimos.

Ela é a deusa, ou seja, a encarnação de uma energia cósmica última, mesmo que não saiba disso. Portanto não só o homem, mas também a mulher deve mudar sua atitude perante si mesma.

A Mulher foi a primeira religião do homem, e sua primeira divindade foi a deusa-mãe. Foi ou é?

O mistério da mulher não se limita a seu sexo: ele impregna todo o seu ser, inclusive (e talvez principalmente) seu psiquismo. A mulher é intuitiva. Ela conhece os segredos da vida e da saúde, das plantas e das flores. Ela compreende as profundezas da alma humana. Ela seduz e aterroriza ao mesmo tempo.

Mas então, a verdadeira mulher é o quê, é quem? Boa pergunta! A verdadeira Shakti está cada vez mais rara. A quem devemos culpar? A mulher ou o patriarcado que a sufoca? Hoje nossas mulheres são zumbis, caricaturas agradáveis de olhar, da verdadeira mulher. Em regime matriarcal a mulher pode desabrochar…e o homem também, pois ele só pode evoluir em contato com a verdadeira mulher: sufocando-a, ele asfixia a si mesmo.

Fora da Índia, os trobriandeses, muito estudados, são um dos povos mais felizes do mundo: apesar – ou por causa? – de sua estrutura matriarcal, os homens não são esmagados nem explorados, as mulheres são livres e expansivas.”

“As mulheres desapareceram, houve uma catástrofe, uma raça de mulheres foi dispersada e aniquilada sob nossos olhos, que não puderam ver. A mulher, descendente do paleolítico e do neolítico, nossa fêmea e nossa deusa, e que nem sabemos como é, foi perseguida, atingida em seu corpo físico e em seu corpo mental, e devolvida ao nada.

Chamamos de mulheres seres que delas não tem nada senão a aparência, tomamos em nossos braços imitações de uma espécie inteiramente ou quase inteiramente destruída.

Ao desposarem uma medíocre falsificação dos homens, um pouco mais artificiosa, um pouco mais maleável, a maioria dos homens desposa a si mesmo. É a si mesmos que vêem passar pela rua, com um pouco mais de colo, um pouco mais de quadris, o todo envolvido em seda; e a si mesmos que eles perseguem, abraçam, desposam. Afinal, é menos frio que desposar um espelho.

A mulher é rara, ela transpõe as enchentes, derruba os tronos, ela detém os anos. Sua pele é o mármore. Quando há uma, ela é o impasse do mundo. Deve-se evitá-la quando a vemos porque se ela ama, se ela detesta, ela é implacável. Sua compaixão é implacável…mas ela é rara.” 

“Diante de tudo isso, duas conclusões se impõem:

1. O homem deve passar por uma verdadeira mulher para passar a ser, pois ela devolve o homem ao seu trabalho, que é elevar-se o máximo possível acima de si mesmo. Ainda que escolha outros caminhos, irá passar por ela, mesmo que de forma simbólica. E a ela, basta existir para ser, plenamente.

2. O sistema patriarcal privou o homem das mulheres verdadeiras, perigosas para a sua supremacia. Em resposta, a mulher deve tornar-se consciente da Mulher que nela dorme: já é tempo que Ela saia do casulo!

O tantra pode realizar essa tarefa essencial e salvar nosso mundo moderno da perdição. Que a maioria dos adeptos do tantra no Ocidente sejam mulheres comprova sua intuição. Elas sabem que essa via evolutiva é fecunda e conduz à Verdadeira Mulher nelas escondida, para voltar a ser a Shakti eterna, que não deveriam ter deixado de ser. 

O homem que quiser merecer a verdadeira Mulher deve, para começar, aceitar essa ideia, e depois reestruturar sua vida em torno dos valores da feminilidade. Nossa civilização patriarcal criou uma sociedade tecnocrática, sem alma, sem ideal, sem amor verdadeiro. Baseada em falsos valores, ela leva ao cataclismo, à guerra. Aliás, está em plena falência, em todos os planos, inclusive social e econômico. 

Para se livrar disso, o homem deverá concordar em redescobrir sua feminilidade oculta, reprimida. Isso é utópico? Não, pois o antigo culto está em pleno ressurgimento…”

Yin Yang: Até que ponto essas duas energias refletem padrões de gênero?

Yin Yang: Até que ponto essas duas energias refletem padrões de gênero?

Tenho visto muita gente falar sobre Yin e Yang, geralmente associando-as às energias “masculinas” e “femininas” e atribuindo papéis de gênero a essas energias.

Geralmente se fala que a mulher seria mais “Yin“, ou seja, mais acolhedora, amorosa e submissa, e o homem mais “Yang“, dominante, ativo, racional. Mas até que ponto isso realmente se aplica? Ou seria uma distorção do conceito taoísta para se adequar a uma cultura que preza pela distinção de gênero?

Vamos analisar?

A Teoria do Yin Yang

Em meu artigo sobre Meridianos eu falo um pouco sobre como essas duas energias funcionam em nosso corpo e as diferenças de polaridades os chakras no homem e na mulher. 

Para o Taoismo todo o universo é regido por duas energias que ao mesmo tempo que opostas, são complementares. Essa dualidade é necessária para manter o equilíbrio de todas as coisas.

Essas energias são chamadas de Yin e Yang, e seu símbolo expressa sua essência: As duas polaridades estão sempre se movimentando entre si e, assim como um não existiria sem o outro um sempre está contido dentro do outro.

A princípio pode parecer complicado de entender. O Taoismo surgiu da observação dos fenômenos da natureza e do nosso corpo, assim como a ligação entre os dois.

Como o Yin Yang se manifestam no Universo? 

Na natureza as forças Yin e Yang se manifestam, por exemplo, no dia (Yang) e na noite (Yin), na água (Yin) e no fogo (Yang), nas estações do ano, onde o Inverno é o mais Yin e o Verão a estação mais Yang. A luz é Yang e a Sombra Yin, o calor é Yang e o frio é Yin. Todos os elementos tem seu oposto complementar que faz com que haja um equilíbrio. Tudo começa já nos átomos, onde o equilíbrio entre prótons (Positivo – Yang) e elétrons (negativo – Yin) forma a estrutura de toa manifestação física do Universo.

As plantas sobrevivem por causa do intercâmbio harmônico entre o dia e a noite e florescem e se reproduzem por causa da mudança de estações, por mais sutis que sejam. Mesmo em lugares mais extremos onde em certas épocas do ano as noites duram mais que os dias em outras épocas os pólos se invertem, mantendo o equilíbrio e o movimento contínuo, alternando a predominância de cada energia.

A noção que temos de “equilíbrio aqui no Ocidente é da estabilidade de uma balança com dois pesos idênticos. Prezamos por um estado contínuo, de preferência de expansão (bonança, extroversão, atividade, produtividade e sociabilidade) em detrimento de estados onde estamos mais reservados e ociosos. Para o Oriente o conceito de equilíbrio está justamente nesse movimento ondulatório de alternância de energia, inclusive em nossa vida. Os momentos de introversão são tão importantes quanto os de extroversão. Os momentos de escassez são necessários para que haja a bonança. Todos os movimentos são válidos para que haja vida.

Enquanto por aqui nossa noção de equilíbrio vem da estabilidade, da balança com dois pesos iguais, tanto o Taoísmo quanto no Tantra o equilíbrio vem do pulsar entre as duas energias, respeitando os momentos de expansão e contração da vida.

O Yin e o Yang no corpo humano segundo a Medicina tradicional chinesa.

É aí que o bicho pega, pois é muito fácil analisarmos como algo funciona a nossa volta, mas e quando temos que analisar a nós mesmos?

Vou tentar construir um racional da maneira mais neutra possível comparando o equilíbrio macrocósmico da natureza com o microcosmo do nosso corpo.

Para o Tao nosso corpo nada mais é que a reprodução do fluxo de energia do universo. Jesus disse que “Deus está dentro de cada um de nós”, ou seja, ao mesmo tempo que somos responsáveis por construir nossa realidade somos responsáveis por parte da construção do coletivo. Somos parte de Deus. Milhares de anos atrás os chineses já haviam observado a ligação que temos com a consciência do Universo e usavam essa compreensão para criar um estilo de vida mais harmônico com a natureza e de maior consciência de nós mesmos..

Mapeando pontos de calor e o fluxo de energia do corpo dentro de práticas como o Qi Gong os chineses desenharam como se dá o fluxo de energia dentro de nós e desenharem os canais hoje conhecidos como Meridianos.

Como tudo no universo, esse fluxo também se divide em trajetos de energia Yin (com fluxo constante de baixo para cima, correndo pela frente do corpo) e seus complementares Yang (de cima para baixo, correndo pelas costas).

Ok, você já entendeu que temos uma energia Yang positiva e uma energia Yin negativa. E que como uma pilha se retro-alimentam e geram tudo que há no Universo.

Mas como que os chineses descobriram que Yin seria uma energia “feminina” e Yang a “masculina”?

Foi observando as mesmas características da natureza, mas em nossos corpos. O corpo e a energia das mulheres responde as fases da Lua (ciclo menstrual – noite) enquanto o corpo dos homens responde as estações do ano (Sol). O corpo da mulher geralmente sente mais frio que o homem, e assim sucessivamente.

Assim se concluiu que os homens naturalmente tem energia mais Yang e as mulheres tem mais energia Yin, porque naturalmente o corpo de cada gênero responde mais fortemente aos estímulos naturais de uma energia específica.

Apesar do Tao não condenar nenhuma prática ou característica do nosso corpo ou da natureza o Império chinês pensava diferente, a sociedade era organizada de maneira extremamente hierárquica e patriarcal. Apesar da liberação sexual e da importância que o Tao e a própria cultura dava ao prazer feminino as mulheres tinham posições submissas na sociedade, portanto características tidas como “femininas” foram acrescentadas a energia Yin.

“No Ocidente, muitas pessoas, hoje em dia, estão concluindo que masculino e feminino são simplesmente termos genéricos construídos pela sociedade. Tao diz que, apesar de haver muita diversidade de indivíduo para indivíduo, os homens em geral têm mais energia yang (masculina) e as mulheres têm mais a energia yin (feminina). A filosofia Tao sempre reconheceu que os homens também têm uma parte feminina e as mulheres sua parte masculina e que qualquer oposição binária é totalmente falsa. Esta concepção está representada no símbolo de Tao, através de um círculo que representa o masculino dentro do feminino e vice-versa. Cada um contém uma parte do outro.” (Mantak Chia – O Orgasmo Múltiplo do Homem)

Tomar essa posição binária reforça esteriótipos de gênero construídos ao longo da história. Uma mulher sim tem mais energia Yin, pois seu corpo responde a natureza Yin do Universo. Mas devemos observar que, em nenhum aspecto da natureza a noite é submissa ao dia ou o frio ao calor. Todos os elementos Yin anulam o Yang e vice-versa.

Quanto aos aspectos físicos, biológicos e emocionais sim somos diferentes e nos complementamos. Porém, assim como a relação de qualquer outro elemento da natureza, a relação entre homem em mulher deve ser de equilíbrio e nunca de dominância ou submissão de um sobre o outro.

“A sociedade ocidental separa artificialmente nosso masculino e feminino ao desencorajar seu desenvolvimento. Os homens são ensinados, por exemplo, a esconder sua feminilidade. O Tantra encoraja cada gênero a cultivar as energias latentes do outro. Se os homens buscarem suas verdades intrínsecas no caminho tântrico, eles invariavelmente descobrirão seu lado suave, receptivo, sensível e vulnerável, sem perder sua masculinidade. As mulheres descobrirão sua liderança forte, iniciativa dinâmica e poderes de ensino, mantendo sua feminilidade. Essas novas qualidades aumentam as forças consistentes com nosso gênero externo que já aprendemos a exercitar. Talvez esteja mais claro agora por que dizemos que Tantra não é um conjunto de crenças ou filosofias. É um caminho de experiência.” (Awakening the Sacred Gate, Tantra Tahoe, 2003)

Como se comportam os centros energéticos no Tantra Taoísta

Quando o Tantra xamânico hindu alcançou o Tibet houve uma simbiose com o budismo e também com o Taoísmo. Todas es 3 filosofias “coincidentemente” tem muito em comum e o Tao somente trouxe técnica e acurácia para a filosofia naturalista tântrica. Hoje podemos estudar o Tantra budista baseado em Mantras, meditação, Yantras e mandalas. Assim como o Tantra Taoísta baseado nos trajetos dos meridianos e nas forças Yin e Yang de cada chakra, assim como a reflexologia sexual e o sexo curativo e retenção da ejaculação. 

Com essa mescla as características de Shiva, a consciência do Universo, foram incorporados a energia Yang masculina: Forte, racional, vibrante, brincalhão, poderoso, ativo, criativo e sábio. E as características de Shakti, a manifestação da consciência, à energia Yin feminina: Receptiva, amorosa, impulsiva, generosa, maternal, carinhosa, sentimental, compassiva.

Vale lembrar que no Tantra da Caxemira os Deuses são metáforas dos vários aspectos de nossa consciência cada Deus (consciência) tem uma Deusa (manifestação) equivalente, ou seja, todos nós temos as características de Shiva e Shakti dentro de nós.

E as polaridades de nossos chakras se invertem de acordo com nosso gênero, como descrevi no texto sobre meridianos. Porém dentro de cada centro Yang há uma parte Yin, e vice-versa. E essa polaridade vive em movimento e alternância da predominância das energias.

Por exemplo: assim como na natureza as noites (Yin) tem a alternância entre a lua cheia (Yang) e a lua nova (Yin) ou os dias (Yang) intercambiam entre o verão (Yang) e o Inverno (Yin) nossos centros energéticos também se comportam da mesma maneira.

Yin e Yang na relação sexual

 Como falamos anteriormente segundo as filosofias orientais cada um de nós é a representação da manifestação do próprio  Universo. Temos o dia a e noite, o calor e o frio, a contração e a expansão, o Yin e o Yang, o masculino e o feminino…tudo dentro de nosso corpo. E essas energias se movimentam em ondas sempre buscando o equilíbrio.

E o ato sexual é manifestação física da junção dessas forças, é quando as duas polaridades se conectam e assim podemos alcançar o divino, a plenitude, onde não existe mais dualidade.

Uma interpretação para a teoria do Big Bang é que o Universo teve seu início através de um grande Orgasmo. E ele continua a se expandir e se contrair como esse único, longo e cósmico gozo. E nós podemos tocar e experimentar toda essa energia. Durante nosso Orgasmo, nós nos conectamos com a energia cósmica do Universo, e nossa energia sai em forma de espiral para que nos juntemos a ela. Simultaneamente, essa energia se mescla com nosso ser, nos oferecendo, a partir da união com o próximo, o reconhecimento de todo nosso poder.”

(Kavida Rei – Tantric Sex, the path to sexual bliss. Tradução livre) 

Durante o sexo um dos parceiros assume um papel mais Yin e o outro mais Yang. Durante a penetração, a mulher tem a necessidade de relaxar e se abrir para assim acolher o pênis do parceiro, então geralmente ela que detém e energia Yin. Enquanto o homem, que penetra o pênis ereto a ser acolhido pela vagina de sua parceira, seria a representação do Yang.

Porém sempre temos que lembrar que uma energia está contida dentro da outra, e mesmo que temos uma delas mais representativa a outra também pode se manifestar. Por exemplo: quando a parceira está por cima ou está fazendo sexo oral no parceiro ela está assumindo o papel Yang (ativo) na relação.

A inversão de papéis é importante para o fluxo energético.

Para o Tao essa inversão de papéis durante o ato é importantíssimo para que o sexo seja uma ferramenta da cura e ascensão. Não existe elevação de consciência caso haja qualquer relação de dominância de uma força perante a outra ou estagnação das polaridades em cada um. As forças devem sempre se movimentar se retroalimentando.

Apesar de evitarmos a oposição binária, precisamos ficar atentos às nossas diferentes necessidades, principalmente na cama. Por exemplo, Yang tanto se eleva rapidamente quanto se extingue depressa; Yin se eleva com mais vagar, bem como se extingue vagarosamente. Devido aos homens tenderem a ser mais yang e as mulheres a ser yin, eles podem se ajudar mutuamente para alcançar um melhor equilíbrio através da troca de suas energias durante o sexo. O ideal é que ambos os parceiros estejam conscientes de como se faz essa troca. Você não pode receber a energia yin dela sem dar a seu yang. Permitir que ela absorva seu excesso de energia yang também evita que você acumule muita energia nos seus genitais controlando a ejaculação. Se você ejacular, fica difícil trocar energia, porque você perde a maioria da sua.

Lembre-se, é a troca que é importante.

O Tantra Taoísta encara o sexo como um jogo onde o homem deve aprender a controlar sua energia Yang se abrindo e se vulnerabilizando para que consiga controlar seu fogo e assim, aquecer a água de sua parceira. Enquanto ela, com o fogo Yang de seu coração, com sua abertura e entrega, aqueça a água da paixão de seu companheiro. E assim as energias se juntam e circulam entre os dois.

“Há somente uma solução para que um homem possa acompanhar sua parceira durante o ato sexual: Se tornar energeticamente uma mulher. Isso quer dizer abandonar completamente a si mesmo, se deixar ir, se entregar completamente.”

— Daniel Odier em “Desire”

O poder da deusa durante o sexo.

No sexo tântrico, a mulher incorpora todas as mulheres do universo. O homem demonstra seu amor e confiança por meio de atos espontâneos de adoração devocional. Como resultado, a mulher se abre como uma flor de lótus, irradiando serenidade, beleza e êxtase. Em resposta, o homem se rende, permitindo que o ego morra enquanto ele se afoga na plenitude do poder feminino de sua parceira.

No tantra, toda mulher é uma deusa que incorpora o princípio feminino yin do universo. Quanto mais uma mulher puder abraçar sua verdadeira essência feminina durante o sexo, mais feliz e mais realizada ela será, e mais ela poderá se abrir para seu parceiro no amor.

A sexualidade de uma mulher é desencadeada por meio do amor e brincadeiras sensuais. As meditações tântricas ajudam a ativar a abundante capacidade de orgasmo inerente a toda mulher. Os chakras que melhor podem ajudá-la a entrar em contato com seu poder feminino são os mais Yang, ou seja, o segundo, o quarto e o sexto. A massagem e a atenção a eles ajudarão a relaxá-la e estimulá-la.

Esteja confiante em revelar sua deusa interior durante o sexo. Permita-se deixar ir e liberar todos os aspectos de seu poder feminino. Faça barulho, seja fluida e natural, permita que suas emoções fluam livremente e não tenha medo de assumir o controle quando tiver vontade.

O poder do deus durante o sexo.

O parceiro masculino representa cada homem no mundo e aparece para sua amada como um deus onipotente. A mulher se submete à paixão, desejo e energia dele. A parceira se abre para seu amado sem resistência, descobrindo sua verdadeira força enquanto se deixa levar.

Para o homem o sexo tântrico é uma oportunidade de explorar e expressar sua masculinidade, de se tornar o seu eu autêntico e de assumir um papel dominante como amante. É realmente excitante para a mulher ver seu amante abraçando sua força e assertividade, mas também permanecendo sensível e ciente de suas necessidades. No tantra, o princípio masculino é uma combinação potente e sexy de força, ternura e poder. O verdadeiro poder masculino se origina do terceiro chakra (localizado no plexo solar), onde suas linhas de energia se encontram. É aqui que o seu verdadeiro eu, masculino e forte, mas sem ego, encontra a energia que se manifesta em todo o seu ser. É uma área em que sentimentos e emoções não expressos podem ficar presos e isso pode afetar a capacidade de um homem viver em sua totalidade, não apenas nos relacionamentos e durante o sexo, mas também no mundo em geral. As meditações do Tantra podem ajudá-lo a liberar sua natureza masculina.

Quanto mais confiante um homem estiver em expressar seus sentimentos à parceira, mais sexy ele será. No tantra, você é encorajado a expressar seus pensamentos, sentimentos e desejos. 

O desejo por sexo com penetração pode ser uma força motriz nos homens, e isso pode impedir sua criatividade no ato de fazer amor. O tantra o encoraja a permanecer presente no momento, entregando-se a cada sensação e movimento e assim fazer com que a penetração e a ejaculação passe a ser só mais um detalhe na conexão entre os dois, e não o objetivo central.

O Tantra ajuda o homem a descobrir e realizar o potencial de seu poder masculino livre dos esteriótipos, do machismo e de relações de dominância do ego. Quando ele estiver totalmente confortável com sua masculinidade, poderá levar seu prazer sexual a um novo nível, o que também é um estímulo verdadeiramente sensual para sua parceira.

Conforme cada um se apropria e tem consciência de seu deus e deusa interior então sim estarão preparados a serem livres e abandonar totalmente seu divino masculino e feminino, se tornando uma só energia a ser manifestada de maneira fluida e sem nenhuma amarra.

O Yin Yang na união homoafetiva

Esse é um assunto em que muitos autores se perdem, outros colocam uma opinião cheia de vieses e nos meus cursos dificilmente foi tratado.

É fato que nas escrituras do Tantra e tampouco do Imperador Amarelo (que descreve as técnicas do Taoismo) não se fala de relações homoafetivas apesar de ter sido uma prática bem comum desde o início dos tempos. Na China antiga era chamado de Lung yang devido ao nome de um dos amantes do príncipe, ou de tuan-hsiu, o “manga curta”, lembrando a história de um imperador que teria cortado sua manga para poder sair da cama de um de seus amantes sem que o acordasse.

Embora dentro da corte imperial a prática era muitas vezes condenada (é claro que sempre dependia de quem estava dormindo na cama real) o taoísmo nunca condenou a homossexualidade. O Tao evita condenar qualquer segmento da experiência sexual. Ela tenta ensinar às pessoas como permanecerem sadias, independente de suas orientações. 

Segundo Mantak Chia, no livro “O orgasmo múltiplo do homem”, os taoístas entendem as características da sexualidade masculina como uma das propriedades da energia masculina, ou yang. Yang é ativo, volátil e expansivo.

Durante o sexo heterossexual, o yin da mulher recebe e, então, equilibra o yang do homem. (Como vimos anteriormente, yin e yang são qualidades variáveis existentes em ambos, homens e mulheres. Há homens que são mais yin, assim como há mulheres que são mais yang. Segundo os taoístas, o universo sempre procura pelo equilíbrio tanto nos relacionamentos quanto na natureza).

A expansividade da energia Yang.

Em geral, quando dois homens gays fazem amor, os yangs de cada homem se carregam entre si, aumentando, mais do que diminuindo, o apetite sexual de ambos. 

A expansibilidade da energia yang é muito difícil de conter e, por isso, sempre tentará escapar através da rota mais direta – o pênis. Para o o criador da massagem Lingam e do Sexological Bodywork, Joseph Kramer, não é surpresa que o propósito de quase toda a sexualidade dos homens gays é “a ereção e o gozo”. Essa ênfase na ejaculação é compreensível, porque é isso que satisfaz o apetite sexual; uma vez que ele ejacula, se torna mais yin – em outras palavras, estável, interno e contrátil.

Dentro do sexo “Yang Yang” ainda é possível chegar nesse equilíbrio já que a próstata é a energia contrária e complementar a do pênis. O potencial da próstata como geradora de prazer e orgasmos é bem divulgada e até conhecida de de muitos homens (gays e héteros).

De acordo com o Tao tudo que é ativo também deve ser passivo (se tratando de relações tanto hetero como homossexuais), portanto recomenda-se a versatilidade nas relações.

Na sociedade ocidental patriarcal temos o estigma negativo associado a “ser fodido” e a sensação e atribuição de poder a quem “fode”. Essa crença não permanece somente no meio das relações entre homem e mulher, mas também se reflete na comunidade gay.

O taoísmo vê a pessoa que fica por cima não como a “dominante”, mas sim como aquela que revitaliza seu parceiro ou parceira. Aquele que fica por cima (ou o parceiro mais ativo) dá mais energia sexual (e de cura) àquele que está por baixo (ou o parceiro mais passivo).

Quando você está por baixo, recebe os benefícios de ter a sua próstata massageada durante a penetração anal. Segundo Stephen T. Chang, no seu livro The Tao of Sexology (A Sexologia de Tao), os homens gays que geralmente ficam por baixo têm menos problemas na próstata que os que ficam só por cima, assim como os heterossexuais que estimulam frequentemente suas próstatas (seja sozinhos ou pelas parceiras).

Você mesmo estando por baixo não precisa ficar completamente passivo. Com o pompoar dos músculos pubicoccíneos (os mesmos músculos que você utiliza para segurar o xixi) você pode, além de aumentar seu prazer e o do parceiro, fazer a energia entre vocês circular de maneira mais efetiva.

E no sexo entre mulheres, acontece o mesmo?

Sim! Por exemplo, na posição “tesourinha” os clitóris se estimulam ligando Yang com Yang, então acontece o mesmo que com os homens, os yangs se carregam entre si, aumentando, mais do que diminuindo, o apetite sexual de ambas.

A energia Yang é muito forte e sai através do orgasmo explosivo e curto do clitóris. As mulheres tem a grande vantagem de terem vindo de fábrica com a capacidade de terem orgasmos múltiplos sem que percam sua energia. Porém quando não há o equilíbrio com o Yin, por mais que ambas atinjam uma grande quantidade de orgasmos fica sempre a sensação de que o ato nunca chega a estar “completo”, a satisfazer totalmente.

Por isso também é importante estimular o ponto Yin, o canal vaginal. Com a penetração, seja com cintas, dildos ou dedos…onde a mulher também entra em contato com seu ponto mais Yin, se abrindo para a energia Yang da parceira, pode gerar o equilíbrio energético. A versatilidade e o intercâmbio do Yin e Yang é que vai garantir que o sexo seja curativo, seja ele homo ou heterossexual.

Para tal não é necessária a penetração, com a presença, respiração, e  condução se pode ter uma experiência incrível sem que haja contato físico entre os órgãos sexuais.

Apesar de nenhuma das filosofias condenar o sexo casual é claro que alcançar tais estágios fica mais fácil se seu parceiro ou parceira se abre a se descobrir e a aprender a se conectar com você. No sexo casual pessoas que estão em busca dessa conexão para com sua essência, seu corpo e sua sexualidade são mais propensas a estarem abertas a se conectarem e experimentarem esse fluxo de energia.

Concluindo: Yin e Yang tem realmente relação com o feminino e o masculino?

Por mais que, no geral, as mulheres tenham mais energia yin e os homens mais yang, isso pode sempre mudar, pois as duas energias estão sempre em movimento e buscando o equilíbrio entre si.

Algo só estará errado se esse equilíbrio não puder ser alcançado. Por exemplo: homens que não conseguem entrar em contato com seu Yin, ou seja, não conseguem se mostrar vulneráveis e afetuosos, assim como não se abrem para escutar, amar e acolher. Ou mulheres que não conseguem entrar em contato com seu Yang: são incapazes de tomar iniciativa, de se posicionarem e tomarem decisões.

Também existe o contrário, homens muito Yin que não conseguem se posicionar ou ter iniciativa e mulheres muito Yang que tem dificuldade de se entregarem, de escutarem e de se abrirem para serem amadas e acolhidas. Esses são só alguns exemplos de desequilíbrios que precisam sim ser trabalhados.

Mas fora isso NUNCA aceitem argumentos de que mulheres precisam ser mais submissas e aceitar seus homens provedores. E que os homens precisam aceitar sua energia masculina e sempre proteger, tomar iniciativa e decisões. Isso não existe, é um padrão repressivo repetido geração a geração e que resultou numa sociedade com padrões de relacionamentos tóxicos e desequilibrados em contato com uma noção de sexualidade limitada, reprimida e distorcida.

Se existe relação de dominância sem intercambio de forças não há equilíbrio, e se não há equilíbrio não é natural.

Uma importante parte do Tantra é aprender com seu parceiro. Nos textos antigos o deus Shiva às vezes é um professor para Shakti e outras vezes Shakti o ensina. E ele ouve e pergunta sobre respeito e sabedoria, enquanto ela ouve e pergunta sobre coragem e força.

(Kavida Rei – Tantric Sex, the path to sexual bliss. Tradução livre)