Quais seus bloqueios e como o Tantra pode te ajudar a se livrar deles?

Quais seus bloqueios e como o Tantra pode te ajudar a se livrar deles?

Ao longo da nossa vida, todos nos deparamos com certos bloqueios que muitas vezes nos impedem de seguir em frente. E o Tantra pode servir como terapia para esses problemas e limitações sexuais. Quando relaxamos e exercitamos nossas zonas erógenas, assim como desfrutamos de nossos corpos, frequentemente nos deparamos com o que bloqueia nossa sexualidade e nosso prazer.

Com certeza você já vivenciou alguma dessas situações:

  • Você conhece, fica e sente um tesão enorme por alguém. Após muitas expectativas criadas pelos beijos de tirar o fôlego e a pegada que te deixa de pernas bambas vocês vão para a cama. E já durante as preliminares você não consegue focar, sua energia simplesmente não está lá, toda aquela vontade vai embora…aliás, você fica com vontade de ir embora. 
  • Você está com a libido explodindo a tempos e finalmente surge uma oportunidade de transar. Vocês se encontram, tem uma noite de sexo incrível, mas no outro dia você continua sentindo o mesmo vazio, a mesma libido, mas não pela mesma pessoa. Parece que falta algo.
  • Você conhece o homem ou a mulher dos seus sonhos. Lindo(a), gostoso(a), inteligente, sedutor(a), divertido(a) e com exatamente os mesmos gostos que você. E você insiste em ficar com ele(a) mesmo que você não sinta o mínimo de atração ou tesão.
  • Você está numa relação apaixonada, os primeiros 6 meses são incríveis, cheios de programas em comum e sexo em qualquer lugar ou hora. E, de repente, sem motivo nenhum, parece que o interesse foi embora.
  • Ou você aceita namorar com alguém porém, por mais que vocês combinem em tudo,  vocês nunca tiveram uma boa compatibilidade sexual. Vc sempre teve mais desejo que ele(a), mas você tem esperança de que um dia isso vai mudar…e não muda.

O que todas essas situações têm em comum? A falta de consciência sobre seu corpo e seus sentimentos fazem você agir mais com a razão do que com o coração, materializando algo que você gostaria que fosse mas, na realidade, não é. E essa imagem que você cria, a falta de capacidade de estar presente no momento, mas sempre com a cabeça viajando em outro lugar, assim como a inabilidade de sentir para além do pensar…tudo isso vem dos bloqueios que suas experiências de vida causaram na sua percepção de mundo.

O que são esses bloqueios?

Bloqueio ou resistência é qualquer coisa que atrapalhe os fluxos naturais de sua energia da força vital.

Do ponto de vista tântrico, a energia da força vital (energia orgástica) simplesmente flui, caso você permita. 

Sabe aquele momento em que você se sentiu vibrante, vivo, ansioso e alegre com cada pequena coisa? Sua energia vital estava fluindo. Quando você está se sentindo bem, que é sua natureza básica, a energia flui continuamente. O prazer sexual, principalmente o orgasmo, é um excelente exemplo. Quando sua energia flui, suas emoções são otimistas, seu corpo é dinâmico, sua mente é clara e seu espírito se eleva.

E quando há resistência, você se sente desligado(a), distante, irritado, carente, frustrado(a), sem esperança, ou deprimido(a). De fato, você pode reconhecer seus próprios bloqueios justamente nos mesmos momentos em que sentir esse tipo de sentimento.

As feridas gravadas no seu corpo

Você sabia que essas emoções antigas ficam instaladas em seu corpo? Suas dores, feridas e traumas são armazenados profundamente em seus tecidos. A isso se chama “memória corporal”.

Você quer sentir prazer, quer aproveitar o pôr do sol, quer ter momentos de intimidade e carinho com seus parceiros, mas algo atrapalha. Às vezes, a própria tentativa de fluir positivamente a energia ativa certos gatilhos, criando resistência.

É por isso que o toque, a massagem, o flerte te fazem se sentir tão bem. Esses são mecanismos calmantes naturais que aliviam o estresse e a tensão que estão permanentemente em nossos corpos. Em suma, a resistência vem da energia bloqueada no corpo que inibe o amor, a alegria, o prazer, abandono sexual e até o orgasmo.

De onde vem a resistência?

A resistência vem do conflito interno. Psicologicamente, é causada por pensamentos, crenças e sentimentos que estão em conflito com o que você deseja. Essas inibições internas podem impedi-lo de ser sexual, dar e receber amor ou assumir um compromisso de relacionamento. Você pode apenas sentir-se desconfortável com alguma coisa, ou você pode sentir algum tipo de medo, ansiedade ou até uma raiva inexplicável.

E por que alguém inibiria seus próprios desejos naturais?

  • Talvez você se culpe ou se rebaixe por não ter ainda chegado onde gostaria de estar.
  • Talvez você se cobre demais e espere mais de si e, consequentemente, dos outros.
  • Talvez você sinta que há algo errado com seus desejos.
  • Talvez você duvide da sua capacidade de obter sucesso.
  • Talvez você sinta que há algo errado com você, fazendo-o acreditar que seus desejos são, de alguma forma,  sujos, ruins ou maus.

A maioria dos meus interagentes quando buscam a Terapia Tântrica na verdade buscam ajuda para identificar e liberar seus bloqueios, e assim mudar aspectos da sua vida. Desejam ter relacionamentos mais leves e alegres. Se conectarem com seu prazer e seus corpos, enfim, buscam um despertar para uma vida com energia mais fluida e sem tantos bloqueios internos. Infelizmente, a sociedade como um o todo parece estar contra esse estilo de vida, nos levando a levar uma vida estática, de repressão e regras internalizadas.

Bloqueando o caminho da estimulação sexual

Como isso funciona? É tudo sobre o órgão sexual mais poderoso de seu corpo. Não, e não estamos falando de lá embaixo, é justamente lá em cima, no seu cérebro.

Quando tudo está funcionando corretamente, a energia está fluindo. Você sente desejo, sente amor, tesão, vontade de viver. Em resposta, os mecanismos automáticos do seu corpo criam excitação.

Quando você começa a sentir bons sentimentos, o sistema nervoso autônomo carrega esses mensagens de volta aos centros de prazer do cérebro, criando um loop de feedback. Em outras palavras, quanto mais você fica excitado, necessita de cada vez menos esforço para ficar excitado. E isso funciona para todas as outras áreas além da sexual.

Claro, isso pressupõe que sua mente consciente não esteja interferindo de forma alguma e permite que seu corpo assumir e sentir. Quando você recebe o desejo, seu fluxo de energia cria paixão.

Quando você tem alguma resistência embutida, suas crenças e sentimentos conflitam com o processo humano de excitação. Consciente ou inconscientemente, você está pensando “mas ele é tão diferente de mim” ou “eu não deveria “ou” não está certo “ou qualquer outra coisa parecida. As vibrações dessas crenças bloqueiam o fluxo natural de mensagens de e para o cérebro. O loop de feedback é interrompido e sua capacidade de sentir e estar presente diminui.

Se esse padrão não for modificado, seus canais de prazer se fecharão por completo. 

E a velha máxima “Se não exercitar vai atrofiar” se aplica mais à sexualidade do que a outras partes da vida. Quanto mais fugimos de nos conscientizar e trabalhar nossos bloqueios mais fortes eles ficarão.

E quando você não está realmente consciente do mecanismo de resistência em ação, essas mensagens mistas podem deixar louco(a) qualquer pessoa com quem você se relacione, inclusive você mesmo(a). Quando você se sente nervoso, ansioso, medo, raiva ou retraimento sem nenhuma explicação lógica, seja qual for a situação é sua memória corporal te conduzindo. É sua bagagem emocional construída através de todas suas experiências e histórias tomando conta de suas emoções atuais.

Você já se perguntou por que às vezes inexplicavelmente nos encontramos rindo, chorando, desmaiando ou gritando durante o sexo? Nós tocamos um nervo de alguma ferida passada, de algum bloqueio retido no corpo (para saber mais detalhes pode ler meu artigo sobre meridianos e reflexologia sexual). A massagem genital, durante a Terapia Tântrica, tem como principal objetivo ativar e dissolver esses pontos para que, aos poucos, você toma consciência de seu corpo e essa bagagem emocional seja liberada.

Fluir com o fluxo

Para entender a dinâmica da resistência interna, imagine um córrego descendo uma montanha. na época de seca ele corre silenciosamente ao longo das rochas, margens e fundo, sendo suavizada por elas. E vem a estação das chuvas, a força da água causa turbulência profunda. Pedras, troncos e as próprias margens são agredidas e muitas vezes varridas. É assim que é a resistência interna ao fluxo de energia, são os obstáculos que tentam impedir o rio de seguir seu fluxo – sua força vital. 

Quando os gatilhos são acionados você se sente afetado emocionalmente, estressado, pressionado. E para liberar esses bloqueios você precisa sentir e conhecê-los. Quando você fica doente seu corpo responde da mesma maneira, você se sente mal tentando se curar.

Durante a Terapia Tântrica essas emoções podem vir a tona, e é importante estar receptivo a elas. Se der vontade de chorar, chore como um bebê. Se der vontade de rir, dê gargalhadas até doer a barriga. Estamos sempre condicionados a engolir o choro ou prender o riso. Esses são condicionamentos de nossos bloqueios.

Você pode suavizar o peso da resistência escolhendo ignorar seus sentidos e evitar o prazer. Então o fluxo do rio fica mais lento mas você morre lentamente. O prazer de viver vai ser cada vez menos parte integrante de sua força vital.

Muita gente se esconde de seus bloqueios mergulhando em fatores externos, como trabalho, relacionamentos, família, drogas, etc… Um estilo de vida ocupada e de estresse pode ser apenas mais uma manifestação de resistência, sugando a pessoa de qualquer energia ou tempo que ela possa usar para experimentar prazer ou ter conexão com ela mesma.

Se você aceita a premissa tântrica de que o prazer governa e nada é mais importante do que você se sentisse bem, e felizmente, o Tantra oferece muita alternativas.

Causas específicas dos bloqueios

Embora você provavelmente tenha noção de muitas das resistências em sua vida, escrevi uma pequena lista para ampliar sua compreensão das possíveis maneiras de entrar em contato com seu passado e ressignificá-lo. Embora o abusos e estupros sejam uma realidade existem muitas outras maneiras ainda mais frequentes pelas quais nós coletamos emoções,  ferimentos e trauma físico.

Medos

O que nos preocupa com frequência torna-se realidade. Muitas vezes temos vergonha de manifestações que são comuns a todos nós, e que tem uma origem comum: Falta de educação e diálogo para com nossos corpos e nossa sexualidade. Durante a adolescência nos deparamos com muitos episódios que nos causam constrangimento injustificados, e que podem refletir em medos e bloqueios futuros. Desde vergonha de mostrar os pêlos que começam a nascer, da menstruação que desceu e faz com que a garota vire o centro das atenções, os sonhos molhados dos garotos que tem na ejaculação sinônimo de algo escondido e vergonhoso.Sem educação para nos preparar para amar e aceitar quem nós somos o mundo exterior e nosso corpo parecem terrivelmente assustadores.

Condicionamento Social

Atitudes puritanas sociais, religiosas e culturais estritas criam julgamentos, proibições e tabus que entram em conflito com nossos impulsos saudáveis. E quando os aprendemos com figuras de autoridade como pais, professores, líderes religiosos, vizinhos e amigos, eles carregam peso extra. Acabamos sendo envergonhados, culpados e acusados ​​por comportamentos naturais da nossa sexualidade. Vítimas de abuso geralmente são desacreditadas ou subjugadas. Com muita frequência, negamos nosso próprio prazer, achando que está errado ou ruim, pecaminoso ou mau.

Culpa

Quando aceitamos as crenças culturais e históricas sobre como devemos lidar com nosso corpo,acabamos carregados de culpa. Quem nunca se culpou ou se sentiu culpado quanto a qualquer conduta sexual? Crescemos com frases como “não bota a mão aí.”, “fecha as pernas”, “se valorize”. Todas essas repressões nos confundem, pois vão contra a natureza. “Meu corpo pede mas eu não posso”. É aí que acabamos, como consequência, dizendo não quando na verdade queremos dizer sim, ou até aceitar quando na verdade queremos negar. Ou não saber como satisfazer um parceiro e se sentir culpado quando suas vontades e desejos se desviam da “conduta normal”. 

Auto-julgamento

Talvez o impacto mais prejudicial venha de julgar a nós mesmos. Exploramos nossos corpos, brincamos de médico com os amiguinhos e descobrimos como sentimos prazer – tudo de maneira muito inocente – e então aprendemos que “estava errado”. Ficamos enojados com nossos corpos e suas secreções naturais. Enxergamos nossos próprios genitais como pecaminosos, sujos ou baixos. E esses auto-julgamentos negativos podem ficar profundamente gravados em nosso subconsciente e no nosso corpo.

Experiências traumáticas

As dores dos castigos dos pais, relacionamentos abusivos, infidelidade, severidade, perdas e outros incidentes violentos são profundos. Todos nós tememos as histórias de violência sexual como estupro e incesto, mas mesmo experiências comuns de vida como parto, aborto, aborto espontâneo e exames ginecológicos insensíveis também contribuem.

Sexo indesejado

Se não fosse ruim o suficiente crescer com todas essas dores, jogos de poder e abusos psicológicos que a sociedade nos impõe. Quem nunca foi pressionado, forçado ou dominado a fazer algo que não quis? Ou concordaram em fazer amor quando sem vontade ou ignoraram seus limites para satisfazer algum(a) parceiro(a)?  São só alguns exemplos de como a repressão, cultura e educação sexual que temos e vivemos acabam contribuindo para os bloqueios que carregamos conosco. 

Qualquer uma dessas causas são prejudiciais e podem causar bloqueios energéticos que influenciam em todas as áreas da sua vida. Porém elas só ficarão gravadas em seu corpo caso você continue remoendo e armazenando as emoções produzidas por elas. A partir do momento que você toma consciência que tudo isso não faz parte de você, que são fatores externos ou que ficaram no passado e que não precisa mais carregar tudo isso essas resistências por si só começam a se desfazer. Caso contrário esses bloqueios criarão, com o tempo, sistemas de blindagem corporal e emocional. Nada mais que uma reação do corpo para tentar te proteger de ter ainda mais bloqueios.

Medo, Julgamentos, Condicionamentos sociais e culpa são só algumas das causas das blindagens formadas pelos bloqueios energéticos.

Blindagens

Quando experiências traumáticas passadas são alojadas nos músculos do corpo, elas se contraem e as os tecidos endurecem. Alguns chamam isso de “blindagem”. Blindagem é uma tentativa de prevenir a dor. Apertamos e contraímos para evitar desconforto e nos proteger. Mas a energia gerada pela experiência fica presa por dentro. Nossos corpos tornam-se um depósito para impressões negativas.

A blindagem é um processo instintivo que nos protege contra sentimentos sexuais “perigosos” que tem o efeito colateral indesejável de interromper o fluxo de sinais nervosos, que dão vida e energia vital.

Quando a blindagem persiste, amortece os tecidos contraídos. Eles tornando-se rígidos e inflexíveis, em vez de relaxamento e flexibilidade, como deveria ser natural. 

Nos genitais estão tão sujeitos a blindagem quanto em qualquer outro lugar do corpo. Talvez ainda mais quando submetido a intenso medo, culpa e julgamento por condicionamento social. Nossas frustrações, fracassos e feridas sexuais deixam seus traços de energia emocional e psicológica nesses tecidos. Sem mencionar o impacto de um abuso sexual.

Como a blindagem cria resistência sexual? 

Fluxos de energia bloqueados

Quando os tecidos são blindados, nossos canais estão bloqueados e não flui. Nossos chakras inferiores ficam congestionados e a comunicação com os chakras superiores fica bem comprometida. Os bloqueios impedem que as mensagens sexuais atinjam nosso maior órgão sexual, o cérebro que, com o tempo, tende a diminuir, limitar ou até interromper nossa capacidade de sentir prazer. 

Efeitos na saúde

A tensão muscular profunda suprime o fluxo livre de fluidos que dão vida e mensagens através dos nervos, circulação, linfa, músculos e pele. Tensão e rigidez permanentes restringem nossos sentimentos vitais de desejo, atração e excitação. A tensão corporal constante podem causar episódios de ansiedade, deficit de atenção e depressão. Inclusive acentuar os efeitos da TPM, modificar o ciclo menstrual, diminuir a imunidade e até o PH natural da vagina, causando uma maior propensão de irritações e infecções urinárias. Nos homens as tensões pélvicas restringem a livre circulação do fluxo sanguíneo podendo causar disfunções eréteis ou episódios de ejaculação precoce.

Auto-proteção

Como a blindagem é um mecanismo de autoproteção, ela nos impede de desfrutar experiências, bem como reviver os traumas passados. Sufoca nossa espontaneidade e nos faz sentir ameaçados pelo que deve ser divertido. Isso pode nos deixar desconfortáveis a falar sobre sexo e nossos corpos assim como expressar o que nos dá prazer e até rompermos nossos limites para dar prazer ao parceiro, o que pode aumentar cada vez mais esse mecanismo. A autoproteção nos sufoca, suprime nossa capacidade de mostrar e sentir afeto. É como se vestíssemos uma armadura, que nos protege de tudo que vem no mundo externo, mas ao mesmo tempo nos impede de termos contato com esse mesmo mundo.

Inibições sexuais

Quando nossos genitais ou outros pontos erógenos do corpo são blindadas, ficamos insensíveis, a ponto de não sentir nada quando nos tocamos ou durante o ato sexual. Temos dificuldade em nos abrir e mergulharmos totalmente em nossas relações e sensações. Essa falta de sensibilidade pode refletir em falta de libido, pois o sexo começa a se tornar somente um meio de sanar as necessidades sexuais de seu parceiro, e não as suas.

Quando bloqueados, protegidos e inibidos, precisamos de maior esforço e estímulo para romper essas conchas e nos sentirmos mais satisfeito. Práticas de compulsão sexual ou que almejam violência, relações sexuais dolorosas, S&M (sadismo e masoquismo) e outras práticas excêntricas também podem ser formas de blindagem, caso sirva não para seu prazer, conexão e relaxamento. Mas como fuga para não encarar certos bloqueios e resistências.

Pressão pelo desempenho e Ansiedade

Quando estamos blindados contra a dor, podemos gerar expectativas que criam pressão pelo desempenho. O despertar a energia sexual pode despertar dúvidas e medos que vem desde a infância. Será que ele ou ela vai gostar? Serei capaz de manter minha ereção, ou de gozar? Serei capaz de aguentar não ejacular antes que ela goze? Em vez de apreciar o prazer do momento, nossas ansiedades mudam nossa atenção para o futuro, colocando pressão desnecessária e criando um círculo vicioso. Pois essa auto-cobrança gera mais tensão que geram ainda mais bloqueios e, assim, mais cobrança.

Julgamento do corpo

Quando nosso corpo retém a velha energia negativa, nossa tendência natural é desaprovar o que parece ser a fonte de nossa dor, nós mesmos. Ao invés de apreciar e amar nosso corpo como nosso templo sagrado, julgamos nossa aparência, nosso peso, e qualquer outro detalhe que esteja em desacordo com padrões externos que são absolutamente irreais. Em vez de nos amar e aceitar, nós o condenamos. Como resultado, nossa sexualidade também é vista com a mesma desaprovação, vergonha e julgamento. Não nos sentimos merecedores do prazer, carinho e amor que nossos parceiros nos dão. Emoções de posse, ciúmes, insegurança e obsessão começam a despertar pois o sentimento é que qualquer outra pessoa possa ser melhor que você. Acabamos auto-reprimindo nossos instintos para sentir, gozar, desfrutar e procriar, gerando energia cada vez mais resistente e alimentando nossa blindagem.

Instabilidade emocional

A energia antiga que está armazenada no seu corpo é a força vital que comanda, independentemente da força com que tente suprimi-lo. Enquanto você não liberá-las elas só tendem a acumular. É como uma bateria profundamente enterrada que pode produzir um choque, e sempre continua recarregando. Essas descargas podem assumir a forma de emoções, explosões, surtos inesperados ou atitudes mentais negativas que, racionalmente, fazem pouco sentido. O sexo frenético que estamos acostumados a fazer podem inclusive reestimular essas feridas antigas, causando brigas e explosões aparentemente sem provocação. A pressão reprimida pode desencadear fantasias, emoções e lembranças. 

Quanto ao sexo, mesmo se tiver sido gostoso, dependendo da blindagem e resistências podem ativar gatilhos que se manifestam por episódios de raiva, ciúme, medo, tristeza, dor, mágoa ou depressão sem qualquer explicação.

Sexo blindado é como fazer amor com uma parede. É uma forma de resistência expressa fisicamente. Qualquer ação bem-intencionada pode desencadear uma ação inexplicável e respostas às vezes explosivas. Por causa da energia adormecida e estagnada, nosso entusiasmo pela vida diminui. Quando sentimentos atuais são contaminados e restringidos por emoções passadas, o jogo sexual sagrado não enriquece, desperta ou eleva a consciência.

Liberar seus bloqueios inclui entrar em contato e curar sua criança interior.

Bom…como você pode ver, os nossos bloqueios e consequentes blindagem nos faz resistir a viver, para assim evitar a dor. E quanto mais resistimos, mais forte é a nossa blindagem.

E assim vivemos um ciclo vicioso infinito que se retro alimenta. Uma espiral descendente que nos afasta cada vez mais da nossa natureza inata e feliz. Entrar em contato com essas blindagens pode ser doloroso, mas assim que você deixa essa carga simplesmente ir os resultados são imediatos. A Terapia Tântrica, como uma prática que trabalha justamente nessas blindagens, pode trazer mudanças rápidas e nítidas já na primeira sessão.

EXERCÍCIO: Questões para discussão de blindagem

Aqui estão algumas perguntas para refletir, fazer um diário ou conversar com seu parceiro …

  • De que resistências sexuais você conhece?
  • Existe algo no seu corpo que possa levá-lo a pensar que há alguma blindagem? Pode ser tensão muscular, articulações, dor, erupções cutâneas, etc…
  • Existe algum trauma na infância ou já na fase adulta em que seu corpo possa estar tentando se proteger?
Kundalini: Como funciona a energia da vida em nosso corpo.

Kundalini: Como funciona a energia da vida em nosso corpo.

“A Kundalini adormecida é extremamente fina, como a fibra da haste do lótus. Ela é a desnorteadora do mundo, gentilmente cobrindo a “entrada” para o Grande Eixo. Como a espiral de uma concha, sua forma de cobra brilhante é enroscada três vezes e meia; seu brilho é como um forte facho de luz; seu doce murmúrio é como o zumbido indistinto de enxames de abelhas loucas de amor. Ela mantém todos os seres deste mundo por meio da inspiração e expiração, e brilha na cavidade da região sexual.” (Satchakranirupana)

Shiva e Shakti

Tudo é energia, diz a ciência. Tudo é um mar de energia Kundalini, diz o Tantra.

Kundalini é a energia primordial que rege a vida e o Universo, é chamada também de Kundalini Shakti por ser a energia primordial da manifestação de todas as coisas.

O hinduísmo tem várias deidades, porém as duas principais são Shiva e Shakti. Ao contrário das religiões majoritárias contemporâneas, que personificam seus santos e deuses, as divindades hindus tem um significado mais metafórico. São personificações das manifestações da natureza e das emoções e fases da vida humana.

Shiva é a personificação do masculino que reside em cada um de nós. Da consciência universal. É o que rege e da ordem a todas as coisas.

Shakti é a manifestação dessa consciência, a personificação do feminino, é a natureza, são nossas ações, emoções e sensações. Shiva sem Shakti seria o vazio, pois uma consciência sem ser manifestada não é nada. Shakti sem Shiva seria um cadáver, porque um corpo sem consciência é um corpo sem vida.

Cada Deus hindu (Shiva) tem sua respectiva representação feminina (Shakti). Por exemplo: Brahma é o Deus da criação, que determinou o princípio do Universo e sua parceira, a energia complementar feminina, é Saraswati, a mãe dos Vedas (ensinamentos práticos para uma vida plena), a personificação da própria Natureza e a criadora das Artes e Ciências, da qual a maior arte é o Amor. Ou seja, em todo o universo (dentro e fora de nós), simplificando, Shiva cria, Shakti manifesta.

Nós carregamos em nosso interior a manifestação da energia macrocósmica universao de forma microcósmica. Todos nós somos constituídos de água e minerais, assim como nos nutrimos de ar e geramos calor, ou seja, de todos os elementos da natureza. Assim como possuímos o masculino e o feminino. O pleno equilíbrio e união dessas forças é o que nos faz alcançar um modo pleno de viver. E a Kundalini é essa energia vital, a energia que manifesta nossos desejos, vontades, a energia que rege todas as manifestações do universo macrocósmico dentro de nosso corpo. 

O que o Tantra chama de Kundalini Freud um dia chamou, em seus estudos sobre a psicanálise, de “libido” e Reich, em sua psicanálise corporal, de “Orgone”. O cristianismo denomina a energia vital como sendo a energia do “Espírito-Santo”. 

A Kundalini  e sua ascensão para a iluminação se manifesta em todas as filosofias e religiões, assim como nas teorias contemporâneas da psicologia e bioenergética. 

Naquele tempo, os fariseus perguntaram a Jesus sobre o momento em que chegaria o Reino de Deus. Jesus respondeu: “O Reino de Deus não vem ostensivamente. Nem se poderá dizer: ‘Está aqui’ ou ‘Está ali’, porque o Reino de Deus está entre vós”. (Lucas 17:20-25)

Como a Kundalini se manifesta?

 

Kundalini, a que tem energia em forma de kundala, que significa “espiral”, é a energia sustentadora da vida, a força vital contida em todos os seres, o poder que dá vida ao universo.

Kunda, significa “lago” e a Kundalini do planeta é o lago em que se fundiram todos os elementos da Terra. Esta energia pulsa numa frequência regular e ocasionalmente se enfurece na força de terremotos e erupções.

Assim como a energia do planeta pulsa, se expandindo e se contraindo constantemente, a energia de cada ser vivo pulsa da mesma maneira. Temos momentos de extroversão e outros de introspecção. Estamos momentos relaxados e outrora tensos. Nossos orgãos funcionam na base de expansão e contração, seja o coração regulando seus batimentos ou o intestino empurrando os alimentos. O próprio orgasmo se manifesta através do pulsar contínuo da musculatura pélvica.

O símbolo da medicina contemporânea são duas cobras enroscadas (Ida e Pingala) em um cedro (Sushumna), e onde suas cabeças se encontram, após 7 voltas (chakra), acontece a cura (Ascensão da kundalini).

Essa energia está adormecida em todos na base da espinha dorsal e, para que se tenha uma vida consciente e prazerosa é necessário que essa energia seja ativada, reconhecida e elevada até o alto da cabeça.

Ele é comparado a (e muitas vezes ilustrado como) uma perigosa cobra enrolada três vezes e meia, e como tal, quando liberada, pode agir de forma criativa ou destrutiva, positiva ou negativamente.

Perigos do despertar inconsciente da Kundalini

Muito se fala sobre o despertar da Kundalini e a maioria das pessoas expressa uma falta de conhecimento ou até interpretam certas reações energéticas do corpo como a subida da energia, mas estão enganados.

A Kundalini é a energia da vida e qualquer expressão de nossas vontades pode ser encarada como uma manifestação dessa energia. O orgasmo é uma manifestação de Kundalini, dançar, sair com os amigos, conversar, namorar, dar risada, trabalhar ou fazer aquela viagem dos sonhos…tudo isso são manifestações da energia da vida. É nosso ‘fogo interno”, o poder do sexo, da criação, dos desejos e das vontades.

Como falamos a Kundalini fica armazenada na nossa região sexual, enrolada e descansando. Naturalmente temos 3 nós energéticos (chamados de bandhas) que impedem que ela suba indiscriminadamente. Esses nós podem ser dissolvidos e a energia canalizada de maneira consciente através de um trabalho de bem-estar físico: através de alimentação, exercícios e equilíbrio mental que devem ser desenvolvidos antes de permitir que a elevação se transforme numa experiência espiritual. Os iogues em geral passam muitos anos se trabalhando para tal ascensão.

Quando a Kundalini sobe ela percorre nossos canais energéticos, como as Nadis e o Sushumna (para saber mais sobre esses canais por ler o artigo sobre Chakras), assim como os meridianos, vasos, veias, nervos e músculos por todo nosso corpo, por isso a importância de uma preparação e limpeza psicofísica.

Então não posso elevar a Kundalini através de uma massagem tântrica ou meditação ativa?

 O Tantra no ocidente é tradicionalmente muito vinculado a sexualidade e a maioria dos profissionais se limitam a vincular a capacidade de alcançar o sétimo chakra com o estado de hiperconsciência orgástica ou com rituais (muitas vezes incompletos) de Maithuna (comumente chamado de “Sexo Tântrico”). A energia orgástica é sim uma potente manifestação da energia da vida, porém não é a única maneira de se alcançar a iluminação.

Na verdade existem várias ocasiões em que a Kundalini pode se manifestar, a relação sexual consciente é só uma delas. (veja bem, estou falando de sexo consciente. A relação sexual violenta, com movimentos rápidos e sem conexão energética real com o(a) parceiro(a) – que é como a maioria está acostumada e ver e praticar o sexo –  não só não vai influenciar na subida da Kundalini, como vai duplicar o esforço necessário para alcançar a mesma).

Principais canais energéticos do corpo segundo o Tantra.

Segundo as escrituras do Gheranda Samhia “Enquanto a Kundalini permanece adormecida, a alma individual (jiva) é limitada e o verdadeiro conhecimento não aparece.” O mesmo texto continua falando como a Hatha Ioga, a retenção da respiração, a visualização, os mantras e certos movimentos podem, juntos, despertar e controlar a Kundalini.

“Pense no seu corpo como um receptáculo de energia cósmica, um aglomerado de átomos conscientes, construídos a imagem do macrocosmo. A consciência vibra em cada uma das células, o prana está presente em todos os seus tecidos. Quando corpo e mente se unem, a consciência do corpo sutil começa a revelar-se.” (Pedro Kupfer)

Outras práticas como exercícios físicos, danças, certos sons de poder ou até drogas ou choques repentinos podem despertar a Kundalini, entretanto nesses casos o perigo de que essa energia ascenda fora de controle e crie problemas psicofísicos é extremamente alta. A maneira mais segura de canalizar a energia Kundalini é através de um compromisso profundo de amor e consciência transcendentais.

As sensações que a massagem Tântrica traz são sim manifestações da energia Kundalini, porém em sua grande maioria passa longe da experiência de iluminação e dissolução do ego causada pelo poder da serpente desenrolando pelo Sushumna. É como se a Kundalini fosse o sol, porém o que você consegue alcançar são somente o calor dos raios que ele emana.

E qual é então, a sensação da ascensão da energia Kundalini? 

Segundo o livro “Segredos Sexuais”: “A experiência é geralmente sentida como um “fogo líquido” simultaneamente quente e frio, elétrico, quase paralisante, abrindo todo o ser, queimando todo o ego, soltando todas as sombras para a superfície, iluminando e liberando.”

Caso seja liberta de maneira não consciente pode ser devastadora, te fazendo se deparar com seus maiores medos inconscientes e gerando problemas físicos e psíquicos que podem levar meses para serem equilibrados novamente.

A energia Kundalini é muito poderosa e, caso você tenha como objetivo manifestá-la deve fazê-la devagar, trabalhando a ascensão em cada chakra, conhecendo suas sombras mais profundas, sua consciências corporal e correta atitude mental, assim poderá canalizá-la para uma experiência positiva.

A Kundalini é a energia do desejo, e os mesmo continuam infinitamente durante nossa vida. Assim como a cobra pode ser linda mas ao mesmo tempo fatal os nossos desejos podem nos levar tanto a iluminação quanto ao vício. Segundo Buda, se formos escravos desses desejos nunca teremos a vida plena.

“O Yoga vê o homem como um reflexo do macrocosmo. A energia criadora que engendra o Universo manifesta-se no homem, que não é separado nem é diferente dela. O nome dessa energia é kundalini. A nossa consciência individual é apenas uma das suas dimensões, pois energia e consciência não são coisas separadas. A ciência concorda com o Yoga em que o Universo é um verdadeiro mar de energia. Eles diferem, entretanto, quanto ao significado dessa constatação. O Yoga diz que ela possui implicações pessoais profundas. Se a matéria é de fato vibração, então o corpo humano, que faz parte do mundo material, também é feito de energia. Consciência e energia estão intimamente ligadas, sendo dois aspectos da mesma realidade. “ (Pedro Kupfer)

Freud escreveu que, caso não consigamos controlar nossa libido e não soubermos lidar com negativas ou a não satisfação desses desejos criamos assim, a maior parte de nossas neuroses. É exatamente o que a filosofia tântrica prega, caso não soubermos canalizar nossa energia sexual (kundalini) conscientemente em cada chakra criamos nossas próprias limitações.

 Por exemplo, pessoas que tem a libido ou a maior parte da kundalini no primeiro chakra são, no geral, pessoas incapazes de amar, ficam muito doentes e se envolvem em drogas/álcool/cigarro/remédios. São pessoas só pensam em sexo, dinheiro, poder, esportes, drogas. Quanto mais você conseguir elevar sua energia vital perante os chakras mais evoluído irá ser sua forma de pensar para com o mundo.

 A iluminação, na palavra de quem já teve essa experiência, não é nada de especial. É quando você se dá conta que todos os seres são iluminados por trás da ganância, da avareza, do ego…e você se sente não mais como um indivíduo, mas parte do todo.

E com a mesma rapidez que essa percepção vem ela volta, a cobra volta a se enroscar deixando para você a responsabilidade de lidar com as consequências físicas e psíquicas dessa iluminação: Vômito, dor no corpo, dor de cabeça, diarréia. Assim como podem ocorrer confusões mentais sobre sua própria identidade como indivíduo, desapego total dos bens materiais, etc…

Como falamos existem várias maneiras de se trabalhar a energia vital. Seja melhorando sua consciência corporal através de exercícios, dança, Ioga, artes marciais, etc ou seu equilíbrio mental com respirações conscientes, meditações entre outras atividades. A Ascensão da Kundalini de maneira consciente envolve o desenvolvimento e prática corporal, mental e espiritual.

Sempre que você se sentir mais vivo, feliz e realizado lembre-se que em todos esses momentos a Kundalini também está se manifestando dentro de você.

Como lidar com a energia sexual em época de quarentena.

Como lidar com a energia sexual em época de quarentena.

 Com a crise recente do coronavírus e uma necessidade inédita de ficarmos de quarentena longe do contato físico surgem reações do nosso corpo que se intensificam a cada dia que passa.

Picos de ansiedade, carência, libido alta e irritabilidade são só alguns dos sintomas mais comuns que temos experimentado nas últimas semanas. E, para o Tantra, tem uma causa central: O acúmulo e desequilíbrio da nossa energia sexual.

Como falei no artigo sobre o Tantra, nossa energia sexual não é somente a energia direcionada para o sexo em si, mas a nossa energia vital, a mais potente de todas, a única capaz de gerar outra vida. É a energia que nos faz acordar todo dia, que nos faz ter vontade de trabalhar, dançar, abraçar e convidar os amigos para um jantar ou um happy-hour.

Então não é só a falta de sexo que causa um distúrbio no equilíbrio dessa energia (até porque muitos casais devem estar sentindo o mesmo. Na China o número de pedidos de divórcio explodiu no último mês. Aqui no Brasil infelizmente temos preocupação com o aumento dos números de violência doméstica) mas também a falta das relações interpessoais no geral, falta do uso da energia criativa e falta de exercícios físico podem aumentar os sintomas.

Mas muitas vezes estamos tão desequilibrados que simplesmente não conseguimos focar ou ter força de vontade para meditar, respirar conscientemente ou qualquer outro exercício que exija concentração. Então o que mais podemos fazer, segundo o Tantra e o Taoísmo, para ajudar a equilibrar nossa energia?

 

Auto-Análise

“Conhecer outros conduz à sabedoria; conhecer o eu conduz a iluminação.”

(Tao Te Ching. Texto filosófico chinês do séc. XI A.C)

A auto análise é o pré-requisito básico para qualquer prática de meditação. Observando-nos sob uma ótica clara e sem julgamentos podemos identificar, aceitar e compreender toda nossa negatividade e tirar nossas dúvidas. Muitos monges se recolhem afim de se analisarem e o momento de quarentena parece ser ideal para isso. Com as emoções mais afloradas fica muito mais fácil identificá-las e trabalhá-las.

Tente visualizar todas suas experiências com o mundo ao seu redor, sejam pessoas, ou ambientes; seja trabalho, faculdade, relacionamentos, etc… Perceba os mínimos detalhes e cultive uma atitude crítica, porém passiva.

Examine tudo que lhe vier a mente e tente entender as causas que criam cada situação assim como suas ações relacionadas a elas.

Um procedimento simples para auto-análise é sentar-se confortavelmente a frente de um espelho, fechar os olhos e esvaziar a mente de todos os pensamentos. Então gradualmente comece a abrir os olhos, olhando para seu reflexo como se encontrasse aquela pessoa pela primeira vez. Observe que tipo de impressão você causa a você mesmo(a). Note como as mudanças em sua expressão estão ligadas a cada tipo de emoção e pensamento. Aos poucos se conecte com a imagem no espelho a medida que vai relaxando o rosto e tomando consciência de sua respiração.

Se notar qualidades negativas em sua imagem, ajuste cuidadosamente sua emoção e atitude, usando a respiração para estabilizar sua mente. Imagine que você está substituindo uma qualidade negativa por uma positiva, e tente sentir o “novo eu” como real e duradouro.

Então, aos poucos, feche os olhos e concentre-se em assimilar a experiência, imaginando abraçando todo seu ser.

Você também pode usar uma vela e focar na chama brilhante dela. Concentre todo seu pensamento nela e imagine a chama queimando todas as impurezas da sua mente. Então centralize a imagem da chama queimando dentro de você. Banhe todo o seu ser com essa luz e usa-a como foco para auto-análise.

Conhecendo-se você pode conhecer os outros. Corrigir os outros antes de corrigir a si mesmo é um erro, pois grande parte do que nos incomoda no próximo é um reflexo do que temos que trabalhar dentro de nós mesmos. A verdadeira conscientização requer coragem, disposição e uma honestidade profunda consigo mesmo, mas com prática constante você poderá rapidamente superar seus bloqueios que o impedem de crescer.

“A mente é vacilante e inquieta, difícil de vigiar e de restringir; a pessoa sábia deve acertar sua mente assim como um fabricante de flechas as faz retas.” (Dhammapada)

Arte: Hayao Miyazaki

Quebrando hábitos

“O verme dos pensamentos formadores de hábitos é auto-originado e autodestrutivo. Mate este verme e encontre o ensinamento” (Tilopa)

Nossa mente é condicionada a criar hábitos, muitas vezes tóxicos. E entramos num círculo vicioso que, sem uma auto-análise profunda, não conseguimos quebrá-la. Estar fora da rotina é uma ótima oportunidade para trabalhar e quebrar esses hábitos, e o crescimento pessoal pode ser acelerado simplesmente por essa quebra.

Quando você se encontra dizendo “não posso mudar isso…sempre fiz assim”, então é esse isso justamente o primeiro hábito a ser quebrado. A liberdade de escolha resulta justamente do domínio de nossos hábitos.

O corpo humano tem uma capacidade incrível de adaptação, mesmo quando parece preso a uma norma rígida. E qualquer ato intencional de vontade é muito mais eficaz que uma ação automatizada por um hábito.

Os hábitos mentais são muito mais difíceis de quebrar que os físicos, muitas vezes estão tão condicionados que nem percebemos, e podem inclusive herdados de nossos pais ou adquiridos por condicionamento social. Geralmente a falta de consciência de hábitos desagradáveis que replicamos geram os gatilhos para as emoções negativas e inclusive brigas com pessoas próximas quando, muitas vezes, o que é preciso para mudar é somente vontade e superação do medo de mudanças.

As 64 artes: O que podemos usar durante a quarentena?

No hinduísmo Brahma é o nome do aspecto criativo do Divino, é a personificação de toda a criatividade. Saraswati é o nome dado a energia feminina complementar a Brahma. Ela é frequentemente mencionada como a “detentora das 64 artes”, das quais a Arte do Amor é considerada a mais importante.

Sarawati e Brahma são, então, o Casal Cósmico criador, inseparáveis como Energia Criativa e Aspecto Criador. Essa dualidade é encontrada em todas as relações mundanas.

As 64 Artes são enumeradas no livro do Kama Sutra, o tratado básico sobre a Arte do Amor. Não existe um equivalente ocidental ao Kama Sutra e, talvez por esse motivo, o sexo como uma forma de arte e a energia sexual como uma forma de expressão ainda tenha muito o que amadurecer por aqui.

Para o hinduísmo as 64 artes e ciências devem ser estudadas por todos que desejam conhecer os 64 aspectos da união sexual, ou seja, esse tipo de conhecimento utiliza da mesma energia criativa/sexual que nos é acumulada em tempos de quarentena ou até pela nossa própria cultura repressora.

As artes incluem o canto, música, dança, escrita, pintura, desenho, costura, leitura, poesia, escultura, ginástica, jogos, arranjos florais, culinária, decoração, perfumaria, línguas, etiqueta, carpintaria, mágica, química, mineralogia, arquitetura, lógica, artesania, esportes e artes marciais. Todas essas atividades podem equilibrar a energia sexual e facilmente podemos aprender ou praticar algumas delas. Existiam outras artes mais condizentes com a época, mas para atualizar poderíamos acrescentar outros modos de expressão mais modernos, como a fotografia, por exemplo.

No artigo sobre Chakras descrevi algumas das atividades que podem equilibrar o corpo energeticamente. Abaixo coloco um vídeo de prática de Chi Kung ministrado por um dos meus professores de Tantra, Otávio Leal, muito eficiente para distribuição da energia pelo corpo.

Estamos em um momento complicado no planeta, mas se usarmos esse momento para nos conhecermos, quebrarmos nossos hábitos e aprendermos algo novo podemos, cada um de nós, mudar nossa percepção de mundo, e consequentemente, mudar o mundo quando tudo isso acabar.

Chakras: Como funcionam e como influenciam na sua vida.

Chakras: Como funcionam e como influenciam na sua vida.

A milhares de anos os hindus desenvolveram o sistema de chakras. Chakra significa “roda” ou “círculo” em hindu e são centros circulares que concentram nossa energia e consciência. Pelas escrituras existem milhares desses pontos espalhados pelo nosso corpo (como veremos quando falarmos de meridianos), porém os mais conhecidos e utilizados são os 7 principais que compõem a Órbita Microcósmica dentro de cada um de nós.

Antes vimos como podemos trabalhar nossa energia e harmonizar seu fluxo através da respiração. Agora vamos adentrar em mais detalhes como que, para o Tantra, essa energia trabalha. Entendendo um pouco mais como esse sistema funciona conseguimos entender alguns padrões, fortalecer nossa presença mental e expandir nossos limites.

Seu formato lembra um CD girando em altíssima velocidade com 4 ou 5 dedos de largura. Com práticas de mantras, yoga, meditação, respiração, etc…podemos fazer com que se expandam e aumentem de tamanho

 Cada chakra está linkado a uma glândula hormonal: Pituritária, Pineal, Tireóide, Timo, supra-renais, pâncreas e ovários/testículos. Eles também tem uma cor, mantra e elemento que os estimulam. Biologicamente e energeticamente os chakras influenciam todos os níveis de nossa existência: Nossa consciência, nossas emoções, pensamentos, além de todo o processo fisiológico e circulação de energia. 

Qual a característica de cada um dos chakras?

 Cada chakra também tem um símbolo (ou yantra) específico. Os vórtices inferiores (os 3 primeiros), estão relacionados a matéria. O chakra central (cardíaco) é o regente dos sentimentos mais profundos, do amor na sua forma mais pura e os 3 chakras superiores estão associados ao mental e a iluminação.

É super importante mantê-los em equilíbrio com práticas como dança, Tai-chi ou Yoga assim como técnicas mentais como meditação e mantras. Alimentação equilibrada e comunicação não-violenta também equilibram sua energia. Os chakras influenciam e são influenciados diretamente pelo corpo físico, daí a importância dessas práticas.

 

Múladhara chakra 

Localização: Nos orgãos sexuais e na pélvis, entre o ânus e os genitais. Na base da coluna vertebral.

Cor: Vermelho fogo para tonificar. Aquece e estimula a circulação, estimula o sistema nervoso simpático, energiza o fígado, estimula nervos e músculos. Vitaliza e organiza o corpo físico. Violeta, azul ou rosa servem para sedá-lo.

Mantra: Lam

Elemento: Terra – o mais denso dos elementos

Glândula: Supra-renais

Regula: A sobrevivência, a alimentação, o conhecimento, a autorrealização, os valores (em questões materiais), o sexo (para procriação), longevidade e prazer. Interação com o mundo material. A vontade, o poder, o instinto de sobrevivência. É o centro erótico do homem e onde reside a energia kundalínica.

Em desequilíbrio: Irritação, raiva, medo de viver, apego excessivo, depressão.

Em equilíbrio: Confiança na vida, segurança pessoal, satisfação, estabilidade, força, coragem interior, auto-estima.

Informações armazenadas no chakra: Convicções familiares, superstições, lealdade, instintos, prazer físico, dor e toque.

Swádhistana chakra 

Localização: Na lombar abaixo do umbigo (mais ou menos 4 dedos abaixo) no nível do púbis

Cor: Laranja o tonifica. É uma cor acolhedora e estimula a alegria. É social e traz otimismo, expansividade e equilíbrio emocional. Traz confiança, automotivação e senso de comunidade. Azul ou verde para sedar

Mantra: Vam (concentrando-se nos genitais)

Elemento: Água – A essência da vida. 3/4 da Terra está coberta de água. 3/4 do nosso corpo é formado por água. Os sons da água ampliam a vibração desse chakra.

Glândula: Gônadas e Ovários

Regula: A sedução e a atração, criatividade e relacionamento. Impulsos emocionais. Manifesta-se sexualmente, mas como sensações e prazer, fantasias e desejos sexuais. Aprender a “deixar fluir”. Centro erótico da mulher.

Em desequilíbrio: Ciúmes, possessividade, instintos reprimidos, tensão, tristeza e problemas de libido.

Em equilíbrio: Fluidez natural da vida em corpo, alma e mente. Entusiasmo, produtividade, franqueza.

Informações armazenadas no chakra: dualidade, magnetismo, controle, emoções (alegria, raiva, medo…)

 

Manipura chakra 

Localização: Na altura do estômago

Cor: Amarelo dourado para tonificar. Exerce influência no sistema nervoso. Estimula Pâncreas, fígado e vesícula. Fortalece as articulações, o sistema digestivo e linfático. Intensifica o raciocínio lógico. Violeta, azul ou verde para sedar.

Mantra: Ram (com concentração na região do umbigo)

Elemento: Fogo – Auxilia na digestão dos alimentos fornecendo Prana.

Glândula: Pâncreas

Regula: As escolhas, dentro do possível, das suas vontades. Individualidade, poder pessoal. Sua identidade no mundo.

Em desequilíbrio: Tendência a moldar tudo sob seu ponto de vista, egoísmo, inquietação, insatisfação, descontrole, nervosismo, ansiedade, falta de concentração, medo de novas experiências e de rejeição.

Em equilíbrio: Auto-estima, sensação de paz e harmonia, aceitação da vida e do próprio crescimento, valorização das conquistas interiores e exteriores.

Informações armazenadas no chakra: Poder pessoal, personalidade, senso de pertencimento. Desenvolvimento do ego. impulso de liderança, praticidade e trabalho.

Anahata chakra 

Localização: Na região do tórax, no centro do peito.

Cor: Verde para tonificar, relaxante do sistema nervoso. O Violeta para sedar.

Mantra: Yam (com atenção voltada ao coração)

Elemento: Ar – Auxilia no funcionamento dos pulmões e do coração.

Glândula: Timo

Regula: O amor, a compaixão, o perdão, a verdade e a gratidão. Intermedia os chakras superiores e inferiores, tendendo ao reequilíbrio do amor, altruísmo e compaixão.

Em desequilíbrio: Doação excessiva, desespero, ódio, inveja, medo, ciúmes, raiva, depressão, angústia, indiferença, brutalidade, frieza. 

Em equilíbrio: Amor, compaixão, confiança, inspiração, esperança, generosidade, calma, alegria e equilíbrio.

Informações armazenadas no chakra: Conexões com aqueles que amamos.

Vishuddha chakra 

Localização: Na garganta.

Cor: Azul. Celeste Atua como tranquilizante e é regenerador celular. Traz quietude e paz mental, estimula a busca da verdade, inspiração, criatividade, compreensão e fé. Está associado a paciência e à serenidade. Para sedar laranja ou violeta.

Mantra: Ham (concentrando-se na região da garganta)

Elemento: Os chakras superiores não representam um elemento específico. Mantém a presença dos 5 elementos, com três gunas (mente, intelecto e o “ser”)

Glândula: Tireóide

Regula: A comunicação interna e externa, consciência e crenças (no que acredita e se apega). Maneira como se expressa. Também sobre como aprende a assumir responsabilidades pelas suas necessidades.

Em desequilíbrio: Dificuldade de se comunicar, de se expressar e de tomar decisões. Insegurança, auto-crítica, timidez, medo da opinião alheia. Falta de autoridade.

Em equilíbrio: Livre expressão dos pensamentos, conhecimentos e sentimentos; criatividade na comunicação, comunicação clara e objetiva, eloquência, capacidade de ouvir com atenção, honestidade, fé, vontade e integridade.

Informações armazenadas no chakra: Autoconhecimento, verdade, atitudes, audição, paladar e olfato.

Ajña chakra 

Localização: No meio da testa, entre as sombrancelhas.

Cor: Violeta, que é tranquilizante, calmante e purificador. Clareia e limpa a corrente psíquica do corpo e da mente, afastando problemas de obsessão mental e psicose.

Mantra: Om

Elemento: Os chakras superiores não representam um elemento específico. Mantém a presença dos 5 elementos, com três gunas (mente, intelecto e o “ser”)

Glândula: Pituritária

Regula: A intuição e a consciência. Entendimento e não-julgamento. 

Em desequilíbrio: Rigidez mental, racionalidade excessiva, vaidade em relação a própria inteligência, medo da verdade, confusão, fixação por determinadas ideias

Em equilíbrio: Agilidade mental, mente aberta, capacidade de enxergar o todo, transcedência, intuição aguçada, discernimento, inteligência emocional.

Informações armazenadas no chakra: Capacidade de enxergar o todo, sabedoria, intuição, intelecto.

Sahásrara chakra 

Localização: No topo da cabeça.

Cor: Branca (engloba todas as cores do prisma)

Mantra: Sham

Elemento: Todos os elementos, inclusive o éter.

Glândula: Pineal

Regula: O reconhecimento da iluminação, o Si mesmo. Espiritualidade plena, manifestação do Divino. Viver o presente, o senso de integração com o todo, a sabedoria intuitiva. 

Em desequilíbrio: Falta de propósito, perda de identidade, medo de estar só, sentimento de separação do próprio “eu”.

Em equilíbrio: Confiança, abnegação, humanitarismo, devoção, inspiração, valores, ética. 

Informações armazenadas no chakra: Integração e conceito de todo.

 

Como estimular os chakras?

Os discos energéticos giram em sentido horário ou anti-horário, dependendo da qualidade energética de cada indivíduo. E existem muitas práticas que podem fazer os chakras girar em um sentido ou em outro.

Com o chakra girando em sentido horário a pessoa é menos suscetível a influências externas e não tem contato com energias negativas. É um irradiador, pois emite energia de dentro para fora, para os ocultistas é conhecido como uma pessoa “de corpo fechado”.

Quando o chakra gira no sentido contrário (anti-horário) ele capta energia externa, mantendo o corpo astral “aberto”. Girando nesse sentido se estimula a mediunidade e a sensitividade, a sensibilidade ao ambiente aumenta e a aptidão a mediunidade, a diagnósticos precisos e tem um poder maior de captação de energias negativas e miasmas energéticos. Quando o chakra gira no sentido anti-horário perde-se energia, e quem perde muita energia pode sobreviver da energia alheia por meio de uma relação de dependência chamada na metafísica de “vampirismo”.

Os métodos de estímulo dos chakras podem ser divididos em métodos internos: práticas que envolvam paz e meditação como Yoga, mantras, Karatê-Do, Tai-chi, Qi Gong, Aikidô ou até o Maithuna (Ritual do sexo tântrico). Os métodos externos são os passes e bençãos, massagens, acupuntura, moxa, reiki, geoterapia, cromoterapia, entre outros.

Em que chakra está sua consciência?

Cada um de nós tem uma consciência primária em algum chakra. Que define o nível de consciência que estamos e a maneira como vemos o mundo. Em todos os outros aspectos da nossa vida (emoções, sentimentos, pensamentos e impulsos) nós, dependendo do momento de vida, transitamos entre os chakras mas baixos ou mais elevados, porém a maneira como interpretamos nossas experiências, ou seja, nosso ponto de vista, vem do nível de elevação de consciência que temos.

Nós continuamos a ressoar nossa consciência nesse chakra até que tudo seja experimentado, absorvido, entendido e internalizado. E então estamos prontos para avançar um nível mais.

Cada chakra corresponde a um elemento específico e nossa consciência, ponto de vista, como nos expressamos e comportamento perante as situações são marcados pelas características de cada um deles.

 1 – TERRA: Nos dá a base para ficarmos de pé e para construirmos nosso lar. Se nossa consciência está no primeiro chakra temos a tendência a interpretar todas nossas experiências baseados no nosso instinto de sobrevivência. Vivem num nível puramente material.

2 – ÁGUA: Ela nos mantém vivos, nos limpa, e faz com que nossos sentimentos fluam. Pessoas com o nível de consciência no segundo chakra interpretam suas experiências de acordo com o impacto em seu corpo e sua vitalidade. Vivemos em um nível físico e sexual.

3 – FOGO: Nos esquenta e aquece nossas emoções. Aqui interpretamos nossas experiências pelas perspectivas do ego. Sentimos nossas emoções de forma intensa e nos identificamos fortemente com as normas da sociedade, ou do nosso grupo. Vivemos num nível individualista de ver as coisas.

4 – AR: Nos dá o primeiro suspiro de vida e nos ajuda a processar todas as experiências de maneira mais integrada. O ar conecta tudo na Terra. Pessoas com a consciência no quarto chakra enfatizam a empatia, o amor, a auto-expressão de nossas experiências. Lidam com as coisas de uma maneira mais conectada.

5 – ETHER: É o elemento mais avançado e símbolo da expansão e do espaço. No quinto chakra a comunicação, a expressão e a identidade são características muito importantes da sua experiência. É viver a vida na base da comunicação e da auto-consciência.

6 – AJÑA: O sexto e sétimo chakras são tão sutis que não tem elementos. No sexto chakra interpretamos nossas experiências em conexão com nossa mente e consciência. É a fase espiritual da vida.

7 – SAHASHARA: No último chakra nos conectamos com a experiência de preenchimento, entendimento do todo e iluminação. É o modo de vida baseado na coletividade.

Um exemplo: Imagine que a pessoa A tem a consciência do primeiro chakra e a pessoa B está no quarto chakra. Ambos vivem uma experiência baseada no terceiro chakra em uma situação de emoções intensas e de identificação com seu grupo.

A pessoa B iria encarar a situação sob a perspectiva de conectar os pontos e encontrar uma solução boa para todos enquanto a pessoa A iria se basear em seu instinto de sobrevivência para decidir o que fazer , buscando primeiro sua segurança material e individualidade (enfrentar, fugir ou paralisar) para depois pensar no grupo.

Grande parte das pessoas vivem com a consciência nos 3 primeiros chakras (sobrevivência, sexo/prazer e dinheiro/ego/poder). Com práticas do Tantra e consciência do seu corpo, mente e existência se pode elevar a consciência a novos níveis, e assim também aumentar a percepção do todo e de você mesmx em todos os sentidos.

Sushumna e a Órbita microcósmica

“No corpo humano existem centenas de milhares de canais sutis, mas os principais são de número 14. Destes, três são particularmente importantes: Ida (para a esquerda), Pingala (para a direita) e Sushumna (no centro). Destes três, sushumna sozinho é o mais elevado e amado dos iogues; todos os outros canais sutis são subordinados a ele. O canal Ida fica do lado esquerdo, enroscando-se à volta de sushumna e, indo para a narina direita. O canal pingala fica do lado direito, enrolado no canal central, indo para a narina esquerda. Aquele que conhece este microcosmo do corpo e experimenta seus mistérios alcança verdadeiramente o mais elevado estado de ser.” (Shiva Samhita)

O nosso principal canal energético que corre pela nossa espinha, chamado de Órbita microcósmica pelos taoístas, é chamado de Sushumna pelos yogis. O Sushuma corre desde a base da espinha, no coccyx, até o topo da sua cabeça. Esse canal flue para cima, passando por todos os seus chakras e retornando através da linha central da parte frontal do seu corpo.

Em ambos os lados do Sushumna existem mais dois canais energéticos, ou nadis, que na tradição Tântrica são chamados de Ida e Pingala. Ida representa a energia negativa, a energia feminina, da lua. A Pingala representa a energia positiva, masculina e do sol. Pela perspectiva do observador, a Ida fica do lado direito e a Pingala do lado esquerdo. Ambas começam no coccyx e fluem lado a lado para cima, circulando o Sushumna como se fosse uma cobra e, onde elas se cruzam são formados os 7 vórtices de energia ( principais chakras).

A respiração das narinas alternadas (vídeo abaixo) é muito boa para limpeza das nadis e consequentemente, estimulação de todos os chakras.

Consciência, desenvolvimento e crescimento são encorajados quando ativamos esses centros de energia e trazemos a Ida e a Pingala para sua união uma com a outra. E consciência para a sexualidade significa se aprofundar no seu prazer, sentindo ele de forma mais intensa e prolongada. Nós conseguimos isso se permitirmos que a energia kundalini suba pela nossa espinha (Sushumna) rompendo os bloqueios físicos e energéticos existentes em nosso corpo através de respirações, meditações, yoga, dança, artes marciais, massagens, exercícios, sexo…enfim…para o Tantra tudo pode ser uma alavanca para a iluminação, você somente precisa saber usá-la de forma consciente.

PRÁTICA: LIMPANDO E ESTIMULANDO OS CHACKRAS

 Com esse exercício você pode atingir mais clareza espiritual e energética. Se você preferir pode começar a sessão de cada chakra com a respiração das narinas alternadas. Essa respiração estimula todos os chakras e limpa as nadis (Ida e Pingala).

 1 – Deite-se confortavelmente e feche seus olhos. Sinta a gravidade puxando seu corpo e deixe ele relaxar e se aproximar mais do chão.

2 – Inspire pelo nariz e solte pela boca enquanto imagina sua energia fluindo e ativando seus chakras em cada expiração. Se concentre no seu fluxo de energia.

3 – Coloque as palmas das mãos no chão e, com uma inspiração profunda deixe seu corpo absorver o prana e imagine ele fluindo para seu primeiro chakra quando expirar. Visualize um fluxo de luz vermelha. Continue com esse processo por mais sete respirações profundas, lembrando sempre de inspirar pelo nariz e expirar pela boca.

4 – Agora coloque suas mãos mais ou menos 4 dedos abaixo do umbigo (segundo chakra. Com uma inspiração profunda deixe seu corpo se encher de vida. E quando você expirar imagine essa energia em forma de uma luz quente alaranjada fluindo em direção do segundo chakra. Repita 7x esse processo

5 – Agora coloque suas mãos na altura do diafragma (terceiro chakra). Com uma inspiração profunda deixe o prana entrar no seu corpo e a cada expiração imagine essa energia em forma de uma luz quente amarela alimentar esse chakra. Repita 7x esse processo.

6 – Agora coloque suas mãos no chakra cardíaco (no meio do peito). Respire profundamente e conscientemente, levando a energia cósmica para dentro do seu corpo. Quando expirar imagine essa energia fluindo para seu peito em forme de uma luz verde. Repita 7x

7 – Coloque uma mão em cima da outra na garganta. Com uma inspiração profunda sinta a energia cósmica entrando no seu corpo e, conforme expira sinta essa energia calorosa em forma de uma luz azul clara. Repita 7x.

8 – Coloque o dedo do meio de cada mão no centro de sua testa (entre as sobrancelhas). Com uma inspiração profunda absorva a energia da vida e permita que ela flua em forma de uma luz azul escura para o sexto chakra. Repita 7x

9 – Com sua mão esquerda toque o topo da sua cabeça e sua mão direita em cima da esquerda. Com uma inspiração profunda deixe entrar essa energia vital e com sua expiração direcione essa energia ao topo da sua cabeça em forma de uma luz branca e brilhante. Repita 7x.

10 – Agora descanse suas mãos ao lado do seu corpo e relaxe sentindo os efeitos da prática. Fique assim por uns 5 minutos.

11 – Sente-se em forma de meditação segurando seus tornozelos Agora você vai conectar todos seus chakras através da respiração.

12 – Com uma inspiração profunda visualize sua respiração subindo a partir do seu coccyx pela sua espinha (sushumna).

13 – E então visualize sua respiração descendo do topo da sua cabeça até o coccyx pela parte frontal do seu corpo enquanto expira.

14 – Deixe que esse ciclo de respirações fluam e se estabeleçam e forneçam energia em todo o seu ser.

15 – Para concluir, deite-se confortavelmente e sinta a energia fluir pelo seu corpo.

 Quando nós limpamos nossos chackras através do uso consciente da sexualidade nós criamos efeitos tangíveis na maneira como vemos e lidamos com todos os aspectos da nossa vida.

Como respirar de forma consciente para ter uma vida melhor.

Como respirar de forma consciente para ter uma vida melhor.

“Enquanto a respiração for irregular, a mente permanecerá instável; quando a respiração se acalmar, a mente permanecerá imóvel e o yogue conseguirá estabilidade. Por conseguinte, deve-se controlar a respiração.” (Hatha Yoga Pradipika)

Respirar é vida!

Quem já fez uma sessão comigo sabe da importância que dou para a respiração consciente. E seria impossível falar sobre energia sem que começasse com um artigo falando sobre sua principal fonte.

A respiração é nossa principal fonte de Prana (esse é o termo hindu para a energia macrocósmica que nos alimenta e nos mantém vivos. Também é chamada de Chi na filosofia chinesa ou Ki para os japoneses – Artes marciais que utilizam energia, como Tai-Chi-Chuan, Chi-Kung ou Ai-Ki-Dô tem essas palavras em seu nome.).

A respiração consciente é a base do Yoga, do Tantra e uma das 5 fontes de energia da Medicina Tradicional Chinesa. Quando respiramos jogamos Prana para nosso corpo, e essa energia percorre as Nadis (os canais energéticos do nosso corpo, para o Tantra) ou os meridianos (como os chineses chamam) e nos alimenta com vitalidade e energia. 

“O Prana, a energia vital, nasce do Ser. Como uma pessoa e sua sombra, o Ser e o Prana são inseparáveis. O Prana entra no corpo no momento do nascimento de forma que os desejos da mente, continuando de vidas passadas, possam ser realizadas.” (Prana Upanishad)

A primeira inspiração se dá logo quando nascemos e o último suspiro é dado quando saímos desse plano para outro. Os ensinamentos Yogues e tântrico enfatizam muito a importância da respiração e falam que, quanto menor nossa frequência respiratória, maior a duração de nossa vida. 

O fato é que grande parte de nós não sabe respirar e não consegue o consegue fazer de forma consciente. E o domínio da respiração é uma das chaves básicas para controle do corpo e da mente…e inclusive para chegar a novos níveis orgásticos.

 

Os efeitos do Pranayama

 

Pranayama é a prática que trabalha regulando o movimento respiratório, trabalhando as energias físicas e psíquicas, aumentando a energia vital.

Existem centenas de técnicas de respiração para os mais variados objetivos, algumas mais básicas e outras mais avançadas, mescladas a movimentos corporais, contrações e sons.

A respiração, feita de forma consciente, nos permite experienciar a vida como ela é, no presente. Nosso corpo e consciência se misturam. O ritmo e a profundidade da respiração tem uma relação muito íntima com sua saúde física, emocional e espiritual. Quando prestamos atenção na nossa respiração percebemos que ela ocupa um limbo entre nosso consciente e subconsciente e pode servir como uma ponte entre essas duas partes.

 Respirar conscientemente regula o funcionamento do cérebro. Também pode influenciar na velocidade dos batimentos cardíacos. Quando prendemos a respiração por um período extenso de tempo, nossa pulsação diminui, dando ao músculo cardíaco um pouquinho de descanso.

Os efeitos da respiração no nosso prazer e sexualidade

Uma respiração consciente e profunda ativa o sistema nervoso do mesmo jeito que o toque dos nossos parceiros. De certo modo, nossa respiração e nossa excitação são sistemas que funcionam de maneira interligada. Se prendermos nossa respiração nossa energia sexual continua fluindo independente e se espalha pelo nosso corpo. Mas por outro lado também podemos usar da nossa respiração para fazê-la fluir de forma mais harmônica, permitindo que guiemos ela de maneira mais consciente. Inclusive é possível ter orgasmos somente respirando, sem ao menos tirar a roupa e se tocar. É bem divertido!

Fazendo uma metáfora, durante o sexo nossos genitais funcionam como um forno, ele gera um calor intenso, mas esse calor só é sentido em volta dele e, se não se espalhar pelo corpo resulta num orgasmo limitado, curto, explosivo e genital. Com a ajuda da respiração esse forno pode virar como um sistema de aquecimento, que distribui esse calor pela casa toda de maneira equânime e completa nos proporcionando prazer de corpo inteiro, mais intenso e duradouro.

“A respiração, o pensamento e o sêmen são os três constituintes do potencial de iluminação. Devem ser harmonizados e conscientemente controlados. O yogue que combina respiração, pensamentos e sêmen torna-se indestrutível, dotado de espontaneidade transcendental. (Kalachakra Tantra)

Observe como sua respiração funciona em cada momento da sua vida. Geralmente quando nos tocamos ou somos tocados prendemos nossa respiração e nossa atenção se dispersa. Isso se dá por causa do nosso sentimento de culpa e vergonha quanto ao nosso prazer. Então nosso cérebro foge, seja para uma fantasia, para o pornô ou para os afazeres de casa. tudo isso para não ter que lidar com esses sentimentos, muitas vezes subconscientes. A respiração consciente oferece a oportunidade de mudar esse comportamento, entre outros padrões trazendo a atenção somente as sensações e mensagens que seu corpo te trás.

Respirando de maneira consciente nós entramos em novos espaços de percepção. Conseguimos olhar nossos padrões de comportamento, bloqueios e problemas de perspectivas diferentes. O que muda nossa energia e nos abre para enxergar maneiras de resolvê-los. Alguns problemas não são resolvidos sozinhos. Quanto mais nós tentamos fugir ou deixa-los debaixo do tapete, mais destrutivos os seus efeitos serão para nossas vidas. Porém podemos aprender a vê-los de diferentes ângulos. Isso muda nossa frequência energética e os problemas podem ir embora por si mesmos.

Como começar a respirar de maneira consciente?

 

Geralmente não prestamos atenção em como respiramos. Mas a maioria de nós tem uma respiração exclusivamente peitoral. Isso se dá porque, com o tempo, o corpo automatiza um estado de alerta permanente.

Na nossa rotina diária com trabalho, casa, família, amigos, namorados e numa sociedade onde vivemos em grandes metrópoles no meio de desconhecidos (e muitas vezes nos relacionando com eles) estamos 24 hrs em estado de alerta. E nossa mente se prepara constantemente para correr ou lutar, dois dos gatilhos instintivos de quando estamos numa situação de perigo.

Essa liberação constante de adrenalina nos faz entrar em estado de ansiedade, nervosismo, tensão e estresse permanentes. E é uma das causas do desencadeamento de quadros depressivos e síndromes do pânico.

Inspiração, retenção e expiração

 

Todas as respirações são formadas por essas 3 etapas:

 1 – Inspiração (Púkara): Inalação suave do ar, é quando acontece a absorção de Prana. Deve ser feita de maneira lenta, profunda e silenciosa.

2 – Retenção cheia e/ou vazia (Kumbhaka): Quando prendemos a respiração com o pulmão cheio de ar, e/ou depois de esvaziá-lo. Ela elimina a sensação de fadiga, acalma o coração e permite a saúde de todo o metabolismo. No começo o praticante deve não passar de 5 segundos e ir aumentando gradativamente o tempo de retenção. Hipertensos e cardíacos não devem fazer episódios muito prolongados de retenção.

Algumas respirações do Neo-Tantra (como a respiração circular) não utiliza essa etapa.

 3 – Expiração (Rechaka): ato de exalar o ar. No Yoga e no Tantra antigo deve ser feito pelo nariz, de maneira lenta, profunda, completa e silenciosa. Para algumas práticas Neo-Tântricas ou de sexualidade somática podem ser feitas pela boca com sons.

Se procurarem na internet poderão achar vários tipos de respirações com vários nomes diferentes : Tantra breathing, Primal Sex breath, Erotic sex Breath, Orgasmic Breathing, Pussy Breathing, Respiração do Fogo, Respiração Alternada, etc e etc. O fato é que todas elas se baseiam nos mesmos princípios básicos: Respiração abdominal e controle e consciência da velocidade de todas as etapas respiratórias.

Algumas escolas de Yoga e Tantra pregam que a respiração deve ser exclusivamente nasal e silenciosa, pois é a maneira natural e saudável (pelo filtro natural que o nariz tem para impurezas no ar). Outras terão respirações mescladas ou até exclusivamente pela boca. Não existe certo ou errado, cada escola desenvolveu técnicas para consciência corporal e despertar da kundalini a sua maneira.

Eu costumo usar a respiração nasal quando a pessoa tem problemas com atenção, controle e foco e a respiração pela boca para incentivar que saiam do controle.

Aqui nesse artigo vou ensinar como começar a praticar a mais básica e natural das respirações. Também a base para ir, para práticas mais avançadas: A Respiração Completa.

Respiração Completa

 

Como falado anteriormente a Respiração Completa é o primeiro passo em direção ao uso da função respiratória como um meio para o auto-conhecimento e libertação. Depois que se estabelece uma frequência respiratória harmoniosa e saudável se pode avançar a ritmos específicos.

Ao praticar alguns minutos ao dia (de preferência ao acordar e/ou ao ir dormir, não é recomendado fazer entre 23hrs e 4 da manhã, pois é o período que tem menos Prana no ar) você vai rapidamente perceber mudanças positivas no humor, diminuição do estresse e da ansiedade, mais foco e vitalidade cura tanto no físico quanto no psíquico.

É muito importante ressaltar alguns aspectos para que a prática seja mais efetiva:

  • A Respiração Completa deverá ser feita exclusivamente pelo nariz. As mucosas das narinas esquentam e umidificam o ar, os pêlos filtram germes e particular de poeira, impedindo que eles entrem em nossos corpos.
  • A inspiração deve ser natural e nunca forçada; o ar deve fluir para dentro do corpo como resultado da expansão do abdômen.
  • A retenção do ar é a parte mais importante, é o período em que o Prana absorvido é distribuído pelo corpo, vitalizando-o.
  • A expiração livra o corpo de resíduos, produtos e/ou energias excessivas e negativas.
  • A respiração deve ser silenciosa e lenta. Respiração lenta é consciente e traz benefícios para a saúde emocional e mental. A respiração rápida causa raiva, dispersão, aumento dos batimentos cardíacos e falta de consciência.
  • A prática não é recomendada logo depois de comer. Estar com pouco alimento no estômago melhora a concentração. Estar hidratado é também importante.
  • Feche os olhos, isso fará com que a prática não tenha somente efeito físico e energético, mas também meditativo.
  • Os ensinamentos tântricos aconselham que a pessoa imagine que, durante a inspiração, está absorvendo a energia vital do ambiente (pode imaginar inspirando uma luz dourada de limpeza e cura). Durante a retenção imaginar essa energia se distribuindo e circulando pelo corpo todo e, durante a expiração, imaginar toda a negatividade, doenças físicas e tensões abandonando o corpo e retornando a terra para purificação.

Outras recomendações:

  • Permanecer com o corpo ereto
  • Relaxar os ombros
  • Relaxar o rosto, a mandíbula e a língua
  • Inspire profundamente e sinta seu corpo expandir internamente
  • A pélvis deve estar aberta durante a inspiração.

Para quem tem dificuldade com respiração pélvica ou até mesmo com controle da respiração podemos começar a prática dividindo a Respiração Completa em 3 etapas, depois de dominá-las ficará muito simples continuar o exercício:

1 etapa – Respiração pélvica profunda: Ativa a parte inferior dos seus pulmões, menos as partes superiores e médias.

2 etapa –  Respiração peitoral: Ativa somente a parte média dos pulmões.

3 etapa – Respiração superior e da clavícula: Ativa somente a parte superior dos pulmões.

4 etapa – Respiração completa: Usa todo o pulmão. É a respiração ideal.

Como praticar a Respiração Completa

 

1 – Respiração Pélvica profunda

 Essencialmente é a maneira mais natural de respirarmos. Nós respiramos dessa forma quando não somos interrompidos por influencias externas. Esse tipo de respiração pode ser observada nas crianças e nos animais, que geralmente se esticam no chão e se reenergizam através da respiração pélvica. Essa respiração pode inclusive alcançar toda a pélvis.

O Yoga enfatiza a importância da expiração. Somente quem retira todo o gás carbônico pode absorver todo o oxigênio. Para fazer isso podemos abrir nossa boca e fazer um “ha-ha-ha” quase de maneira inaudível, e intervalos curtos. Fazendo isso acalmamos o coração e todos os órgãos que fazem parte da respiração. Incentiva a concentração, a calma e o relaxamento, aumentando o fluxo energético.

A respiração pélvica é intensa e para praticá-la você terá que ver seu assoalho pélvico de outra forma. Respirar desse jeito significa trazer consciência, sensibilidade, receptividade e sensações para seu genital. Esse tipo de respiração te ajuda a automaticamente trabalhar nos bloqueios que estão situados na região pélvica.

1 – Deite-se de barriga para cima. Mova sua cabeça e pés para trás e para frente para ter certeza de que está relaxado(a). Coloque uma mão em seu genital – de preferência de uma maneira que você também possa sentir seu períneo – E a outra mão em seu estômago.

2 – Se preferir, você pode flexionar seus joelhos e então apoiar seus pés diretamente ao chão, afastados mais ou menos da largura dos quadris. Isso previne que suas costas fiquem arqueadas e facilita a respiração.

3 – Feche seus olhos e comece com a expiração “ha-ha-ha” descrita acima. Isso faz com que o abdômen entre mais e fique preparado para a inspiração.

4 – Agora comece a inspirar lentamente e de maneira firme pelo nariz. Sinta como sua respiração joga o ar pelas narinas, resfria sua garganta e chega em seus pulmões. A inspiração sensível pelo nariz nos permite inspirar de maneira mais e mais profunda. Siga as sensações do ar descendo até seu períneo, preenchendo toda sua pélvis. Sua barriga irá inflar como se fosse um balão e seu abdômen irá expandir.

5 – Agora expire devagar também pelo nariz. Seu abdômen irá desinflar e você pode repetir o “ha-ha-ha”. Repita essa sequencia 7x.

 Para executar apropriadamente a respiração completa e importante conseguir controlar também os outros dois tipos de respiração.

 

2 – Respiração peitoral

1 – Deite-se confortavelmente de barriga para cima. Coloque suas mãos na altura do seu diafragma.

2 – Use a expiração “ha-ha-ha” e feche seus olhos.

3 – Agora inspire lentamente pelo seu nariz diretamente para sua caixa torácica. Você irá sentir seu peito expandir. Tente expirar pela sua caixa torácica, não pelo seu abdômen. Foque totalmente em sua caixa torácica enquanto você sente ele expandir com suas mãos.

4 – Expire lentamente pelo nariz. Você vai sentir seu peito perder volume. Repita essa sequencia 7x.

 

3 – Respiração superior e da clavícula

A respiração pélvica foca na parte inferior, a peitoral na parte média dos pulmões. Mas o topo dos pulmões chega até quase os ombros, e a parte superior dos pulmões pode ser alcançada durante esse exercício.

1 – Deite-se de barriga para baixo e relaxe. Ou levante-se, inclinando-se levemente para frente. Cruze os braços e coloque as palmas das mãos nos peitos, de maneira que seus dedos alcancem seus ombros, com seus dedos indicadores no osso da clavícula.

2 – Feche seus olhos e comece a expiração “ha-ha-ha”.

3 – Respire lentamente pelo nariz. Foque sua atenção na parte superior da sua caixa torácica. Usando seus dedos e o indicador, sinta como seus ombros e clavícula expandem por causa da inspiração, e não pelo levantar de ombros. Agora tente inspirar pela parte superior dos seus pulmões e continue prestando atenção na parte superior do seu peito, isso irá oxigenar somente a parte superior dos seus pulmões. Relaxe enquanto faz isso.

4 – Solte o ar lentamente pelo nariz e sinta sua clavícula e ombros se encaixando gentilmente. Repita essa sequencia 7x.

 

4 – Respiração Completa

Assim que tiver confortável em fazer as 3 respirações você pode começar a respiração completa.

1 – Sente-se com a coluna ereta ou deite-se confortavelmente de barriga para cima e relaxe. Coloque suas mãos ao lado dos seus quadris. Comece mexendo sua cabeça, pés e mãos delicadamente e então fique imóvel.

2 – Comece com o “ha-ha-ha”, então inspire devagar e de maneira consciente pelo nariz, jogando o ar para a sua pélvis. Tente sentir sua pélvis baixando em direção ao períneo e o abdômen inflando. Conte mentalmente até 2.

3 – Continue inspirando, agora direcionando para sua caixa torácica, sinta seu peito inflar. Continue contando: 3…4

4 – Continue respirando focando sua atenção no topo dos pulmões. Sinta as clavículas e ombros expandirem. Conte cinco…seis.

5 – Expire devagar e pelo nariz. Repita a sequencia 7x.

Caso já domine as respirações pode ir direto para a respiração completa. Abaixo seguem dois vídeos:

O primeiro vídeo está em inglês e tem um passo a passo muito bom para começar a treinar a velocidade de sua respiração.

É muito importante controlar a velocidade de cada etapa para que se torne consciente.

O outro vídeo (agora em português) é uma aula de 5 minutos de como fazer a respiração completa. Então você poderá ver que, uma vez dominada, ela se torna muito simples e curativa.

 

Bom treino e compartilhem suas observações. 🙂

 

 

Fontes:

LEAL, Otávio. Tantra – da sexualidade à iluminação. 2016. 

DOUGLAS, Nik. SLINGER, Penny. Segredos Sexuais – A alquimia do Êxtase. 1979.

RIEDL, Michaela. Yoni Massage – Awakening your female energy. 2009.