Ânus e períneo – Anatomia do prazer de quem tem pênis

Ânus e períneo – Anatomia do prazer de quem tem pênis

Semana passada falamos do pênis e dos testículos dentro da anatomia do prazer de quem tem pênis. (pode ler clicando aqui). Essa semana iremos falar de duas zonas pouco ou nunca exploradas por muitos. Mas que podem proporcionar outras formas incríveis de prazer: o ânus e o períneo.

São dois locais em que se pode acessar direta ou indiretamente a próstata, a glândula que produz o líquido seminal e é altamente enervada, podendo proporcionar orgasmos incríveis.

O períneo

 Se quiser visualizar seu períneo vai precisar de um espelho de mão. Melhor ainda, agache-se sobre um espelho um pouco maior, o que permitirá que você use as duas mãos para explorar a área abaixo dos testículos.

Entre o ânus e o escroto está o períneo, uma área energeticamente e biologicamente muito importante para nossa sexualidade e desejo.

Usando um dedo para explorar o períneo, comece sentindo a protuberância que forma a raiz do lingam, localizada imediatamente atrás dos testículos. Caso esteja com o pênis ereto fica mais fácil ainda de sentir.

Um pouco mais em direção ao ânus fica uma área macia na qual você pode pressionar o dedo. Atrás desse ponto, internamente, está a próstata, e por esse local ela pode sim ser sentida e massageada, sem a necessidade de penetração.

 

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A próstata

Em nós, pessoas com pênis, o prazer da estimulação anal é aumentada por um aspecto adicional que pode proporcinar excitação e prazer profundos: a próstata, o lugar da força física e da conexão. Além dos benefícios para a saúde e potência que a estimulação traz, a massagem da próstata abre uma maneira totalmente nova de experimentar a excitação sexual, completamente diferente da excitação que experimentamos através do lingam.

Assim como a maioria das mulheres relata um orgasmo mais profundo, mais completo e mais duradouro quando a estimulação do clitóris é complementada por uma massagem no ponto G, uma massagem extensa na próstata também leva a um orgasmo profundo e duradouro. A abertura de cura que é possível em todos os níveis durante a massagem da próstata permite que a energia sexual se espalhe por todo o corpo e ser de um homem.

Muitos homens relatam que uma massagem na próstata os ajudou a experimentar um sentimento mais profundo de sexualidade e a construir um melhor contato com seu próprio ânus e assoalho pélvico. Sentimentos como alegria, excitação, suavidade, dor, tesão e tristeza vêm à tona. Outras relatam sentir-se “femininas” ou “expostas”.

Uma massagem anal e de próstata conecta os homens profundamente com o lado receptivo e “feminino” (importante frisar que aspecto “feminino”é completamente diferente de “afeminado”e em nada em a ver com orientação sexual. Todos os gêneros possuem energia feminina – yin – e masculina – yang, e manter essas duas polaridades em equilíbrio é importante para uma vida e relacionamentos saudáveis) de sua sexualidade, ao qual muitos não estão acostumados.

Eles experimentam pela primeira vez como é abrir as pernas e permitir que algo entre neles; eles aprendem o que é ser penetrado, ser “tomado”. Com essa experiência, os homens são capazes de combinar dois aspectos de sua sexualidade que parecem estar em desacordo um com o outro.

“Uma ereção completa, se aceita, honrada e respeitada, coloca os homens em contato com sua força poderosa. Combinada com as qualidades de poder, coragem, potência, força, resistência e prontidão para a ação, a força fálica é uma fonte de vida e um símbolo de masculinidade.

À medida que os homens aprendem a conectar essas qualidades com seus atributos “femininos” de abertura, devoção, plenitude e ternura, eles podem usar sua força fálica como uma expressão de amor e para o benefício de toda a vida. Eles conectam sua espada – o guerreiro interior – com sua mulher interna, um ser de amor e devoção. Espada e rosa se tornam um.” (Michaela Riedl)

A próstata é uma glândula do tamanho de uma castanha e responsável pela produção do líquido seminal (a parte esbranquiçada do sêmen). Está localizada logo acima do períneo, no centro da pelve, atrás do osso púbico. 

Embora sua próstata possa ser massageada até certo ponto através do períneo, a maneira mais direta de alcançá-la é através do ânus.

Para um homem que não está excitado, ter sua próstata tocada geralmente é bastante desagradável. Mas depois de um certo nível de excitação, a massagem pode ser bastante prazerosa e pode até levar a orgasmos – muito parecido com o ponto G para as mulheres. Os orgasmos da próstata são muito diferentes daqueles causados ​​pela estimulação do pênis. Eles tendem a conectar os homens com seus lados receptivos, fazendo com que o prazer se espalhe mais profunda e amplamente por todo o corpo e tem tendência a desencadear emoções.

A parte de trás da próstata toca o reto, por isso pode ser explorada e estimulada com os dedos através do ânus.

 

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O ânus – A zona “proibida”.

Depois de termos explorado o pênis e todas as áreas visíveis dos genitais masculinos, vamos explorar uma parte menos visível e mais “proibida” do corpo, o ânus.

Devido à sua proximidade com a próstata e a multiplicidade de terminações nervosas sensíveis, o ânus é uma zona altamente erógena. No entanto, muitos homens têm muito pouca experiência, com toque e estimulação, em grande parte porque essa área continua sendo objeto de muitos tabus e muitas vezes é considerada suja e fedorenta. Entre alguns homens, isso se mistura com o medo da homossexualidade. Eles não querem se tornar a “fêmea” penetrada.

Claro, é importante manter o ânus limpo para evitar a transmissão de bactérias. O fato é que o ânus – presumindo bons hábitos de higiene pessoal – normalmente é limpo e é uma área que pode ser muito sensível e até orgástica, não só para quem tem uma próstata quando para pessoas com vagina também. Para experimentar plenamente seus prazeres, no entanto, temos que deixar de lado os velhos preconceitos e vergonhas e nos aproximar dessa fonte de desejo e submissão novamente.

Segundo esses anos de experiência percebi que a maioria das pessoas (principalmente os homens) têm o ânus fechado e tensos, com dificuldade de soltar a área, e estão sempre muito preocupados com suas ereções.

Há uma dificuldade imensa de se soltarem, relaxarem e de serem receptivos. Parece que não há “alma”, não conseguem permanecer  presentes nem na massagem muito menos nas relações.

São incapazes de sentirem o próprio corpo ou a seus parceiros durante o sexo, esses homens me procuram com queixas relativas a problemas sexuais, como ejaculação precoce, dificuldades em alcançar ou manter ereções ou falta de sensibilidade à estimulação.

Tensões no assoalho pélvico, especialmente no ânus também podem ocasionar outros problemas como problemas digestivos, dores lombares, hemorróidas e até impotência.

“A região anal nos coloca em contato com as partes mais íntimas de um homem e assim honra seu “templo interior”. Não há maneira mais profunda de tocar um homem. Abrir-se à penetração anal permite  estar em contato com suas características femininas de devoção, profundidade e amplitude.” (Michaela Riedl)

 

 

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Mitos sobre a estimulação anal

A região anal é uma zona erógena com alto potencial de prazer para todos os gêneros

Os músculos anais são divididos em esfíncteres externo e interno. O esfíncter externo é controlado pelo sistema nervoso central e pode ser conscientemente contraído e relaxado. O esfíncter interno, no entanto, é controlado pelo sistema nervoso autônomo e pode ser conscientemente influenciado apenas com prática consistente.

O ânus tem cerca de quatro centímetros de profundidade e é cercado por uma pele externa calejada que é um pouco menos sensível que as outras partes. Mas se explorarmos mais por dentro, alcançamos a membrana mucosa muito sensível dos intestinos. Ao redor da pele externa do ânus – a roseta anal – há um grande número de glândulas que exalam um cheiro almiscarado.

O ânus é cercado por um grande número de terminações nervosas sensíveis ao toque. Metade (!) de todas as terminações nervosas da região pélvica estão localizadas ao redor do ânus. Massagear as nádegas e o períneo extensivamente leva ao aumento da circulação e, portanto, ao aumento da elasticidade do ânus. É importante falarmos sobre as preocupações e preconceitos mais comuns sobre a estimulação anal:

1. Sexo anal ou massagem anal significa tocar nas fezes: Isso raramente acontece, pois as fezes são coletadas no intestino grosso, não no reto. Nem o pênis nem o dedo penetram no intestino grosso. No entanto, é útil limpar o canal anal antes, pois em muitas pessoas os intestinos não funcionam de forma muito regulada. Geralmente uma ducha anal será suficiente. No entanto, como regra geral, é importante que qualquer dedo, pênis ou vibrador que tenha visitado a região anal seja lavado antes de qualquer contato com outro pênis, vagina ou qualquer tipo de membrana mucosa.

2. O esfíncter ficará solto durante o sexo anal ou massagem: Este não é o caso. No máximo, o esfíncter pode precisar de algum tempo para se regular após a relação anal ou massagem anal, o que em alguns casos pode causar flatulência temporária.

3. A relação anal ou massagem causa hemorróidas: Isso não é verdade. Desde que o esfíncter não seja esticado grosseiramente e seja cuidadosamente preparado com lubrificante suficiente (vaselina, óleo de coco ou outro), uma lesão que possa causar hemorróidas é altamente improvável. No entanto, aqueles que já sofrem do devem esperar até que as hemorróidas tenham cicatrizado, pois de outra forma podem sentir dor.

4. A penetração da área anal deve sempre acontecer muito lentamente: Isso também não está correto. O reto é projetado para excretar algo para fora do corpo em vez de aceitar algo dentro. É por isso que ele se contrai reflexivamente assim que algo deseja entrar. Se entrarmos no ânus muito lentamente, essas contrações podem variar de desagradáveis ​​a dolorosas. Portanto, é recomendável passar bastante tempo preparando a entrada e, em seguida, inserir o dedo ou o pênis suavemente, mas rapidamente.

 No início, o novo toque durante a massagem anal pode ser doloroso, especialmente se houver tensões físicas ou emocionais na região. Portanto, a exploração desse canal interno deve ser um processo respeitoso.

O músculo PC

E por último mas não menos importante vamos falar do músculo pubococcíneo (PC), que não pode ser estimulado porém pode e deve ser trabalhado para que tenhamos mais prazer nos estímulos do corpo.

Esse músculo desempenha um papel central no aumento da nossa energia sexual e excitação. Ele vai do osso púbico ao cóccix e conecta o ânus e os genitais com as nádegas e as pernas. Se alarga por todo o assoalho pélvico, circundando a próstata e controlando a abertura e fechamento da uretra, canal do sêmen e ânus. Ele é o “músculo do xixi”, o que você usa para segurar enquanto não consegue ir no banheiro. 

O fortalecimento consciente do músculo PC pode levar a orgasmos ​​e ereções mais fortes. Além disso, ele é peça central para conseguir separar o orgasmo da ejaculação, caso queira aprender a ter orgasmos múltiplos e secos.

Se o músculo estiver muito tenso e sob estresse constante, irá ser difícil ter uma ereção ou até se entregar a alguma relação. Por outro lado, se o músculo PC estiver muito fraco e tiver pouca ou nenhuma tensão, será difícil segurar sua urina, controlar suas ereções, ou fortalecer seu lingam.

Felizmente, você pode fortalecer seu músculo PC e criar uma boa tensão com alguns exercícios simples. O treinamento focado do assoalho pélvico dá a 80% dos homens com um corpo esponjoso peniano fraco uma melhora em sua capacidade de construir e manter uma ereção. Chamamos isso de “pompoar masculino” já que os exercícios são semelhantes aos do pompoar vaginal.

 

A respiração também desempenha um papel central no fortalecimento do assoalho pélvico. A respiração profunda permite que a energia fresca e o aumento da circulação sanguínea fluam para o lingam, a pelve e os órgãos pélvicos. Se os músculos do estômago, assoalho pélvico e diafragma cooperarem durante inalação e exalação conscientes, os órgãos internos experimentam uma maravilhosa massagem fortalecedora.

Quando você inspira, seu diafragma abaixa para dar espaço aos pulmões em expansão. Os órgãos do estômago se movem para frente, fazendo com que o assoalho pélvico se estique e seus músculos relaxem. Durante a expiração, o diafragma se move para cima e pressiona os pulmões para sustentar a expiração. Ao mesmo tempo, os músculos do assoalho pélvico se contraem para dentro e para cima.

Nos homens, a contração do músculo PC estimula a próstata. Isso desencadeia a liberação de hormônios e endorfinas que podem melhorar o humor e aumentar a vitalidade sexual. Então vamos começar a nos exercitar?

Chakras: Como funcionam e como influenciam na sua vida.

Chakras: Como funcionam e como influenciam na sua vida.

A milhares de anos os hindus desenvolveram o sistema de chakras. Chakra significa “roda” ou “círculo” em hindu e são centros circulares que concentram nossa energia e consciência. Pelas escrituras existem milhares desses pontos espalhados pelo nosso corpo (como veremos quando falarmos de meridianos), porém os mais conhecidos e utilizados são os 7 principais que compõem a Órbita Microcósmica dentro de cada um de nós.

Antes vimos como podemos trabalhar nossa energia e harmonizar seu fluxo através da respiração. Agora vamos adentrar em mais detalhes como que, para o Tantra, essa energia trabalha. Entendendo um pouco mais como esse sistema funciona conseguimos entender alguns padrões, fortalecer nossa presença mental e expandir nossos limites.

Seu formato lembra um CD girando em altíssima velocidade com 4 ou 5 dedos de largura. Com práticas de mantras, yoga, meditação, respiração, etc…podemos fazer com que se expandam e aumentem de tamanho

 Cada chakra está linkado a uma glândula hormonal: Pituritária, Pineal, Tireóide, Timo, supra-renais, pâncreas e ovários/testículos. Eles também tem uma cor, mantra e elemento que os estimulam. Biologicamente e energeticamente os chakras influenciam todos os níveis de nossa existência: Nossa consciência, nossas emoções, pensamentos, além de todo o processo fisiológico e circulação de energia. 

Qual a característica de cada um dos chakras?

 Cada chakra também tem um símbolo (ou yantra) específico. Os vórtices inferiores (os 3 primeiros), estão relacionados a matéria. O chakra central (cardíaco) é o regente dos sentimentos mais profundos, do amor na sua forma mais pura e os 3 chakras superiores estão associados ao mental e a iluminação.

É super importante mantê-los em equilíbrio com práticas como dança, Tai-chi ou Yoga assim como técnicas mentais como meditação e mantras. Alimentação equilibrada e comunicação não-violenta também equilibram sua energia. Os chakras influenciam e são influenciados diretamente pelo corpo físico, daí a importância dessas práticas.

 

Múladhara chakra 

Localização: Nos orgãos sexuais e na pélvis, entre o ânus e os genitais. Na base da coluna vertebral.

Cor: Vermelho fogo para tonificar. Aquece e estimula a circulação, estimula o sistema nervoso simpático, energiza o fígado, estimula nervos e músculos. Vitaliza e organiza o corpo físico. Violeta, azul ou rosa servem para sedá-lo.

Mantra: Lam

Elemento: Terra – o mais denso dos elementos

Glândula: Supra-renais

Regula: A sobrevivência, a alimentação, o conhecimento, a autorrealização, os valores (em questões materiais), o sexo (para procriação), longevidade e prazer. Interação com o mundo material. A vontade, o poder, o instinto de sobrevivência. É o centro erótico do homem e onde reside a energia kundalínica.

Em desequilíbrio: Irritação, raiva, medo de viver, apego excessivo, depressão.

Em equilíbrio: Confiança na vida, segurança pessoal, satisfação, estabilidade, força, coragem interior, auto-estima.

Informações armazenadas no chakra: Convicções familiares, superstições, lealdade, instintos, prazer físico, dor e toque.

Swádhistana chakra 

Localização: Na lombar abaixo do umbigo (mais ou menos 4 dedos abaixo) no nível do púbis

Cor: Laranja o tonifica. É uma cor acolhedora e estimula a alegria. É social e traz otimismo, expansividade e equilíbrio emocional. Traz confiança, automotivação e senso de comunidade. Azul ou verde para sedar

Mantra: Vam (concentrando-se nos genitais)

Elemento: Água – A essência da vida. 3/4 da Terra está coberta de água. 3/4 do nosso corpo é formado por água. Os sons da água ampliam a vibração desse chakra.

Glândula: Gônadas e Ovários

Regula: A sedução e a atração, criatividade e relacionamento. Impulsos emocionais. Manifesta-se sexualmente, mas como sensações e prazer, fantasias e desejos sexuais. Aprender a “deixar fluir”. Centro erótico da mulher.

Em desequilíbrio: Ciúmes, possessividade, instintos reprimidos, tensão, tristeza e problemas de libido.

Em equilíbrio: Fluidez natural da vida em corpo, alma e mente. Entusiasmo, produtividade, franqueza.

Informações armazenadas no chakra: dualidade, magnetismo, controle, emoções (alegria, raiva, medo…)

 

Manipura chakra 

Localização: Na altura do estômago

Cor: Amarelo dourado para tonificar. Exerce influência no sistema nervoso. Estimula Pâncreas, fígado e vesícula. Fortalece as articulações, o sistema digestivo e linfático. Intensifica o raciocínio lógico. Violeta, azul ou verde para sedar.

Mantra: Ram (com concentração na região do umbigo)

Elemento: Fogo – Auxilia na digestão dos alimentos fornecendo Prana.

Glândula: Pâncreas

Regula: As escolhas, dentro do possível, das suas vontades. Individualidade, poder pessoal. Sua identidade no mundo.

Em desequilíbrio: Tendência a moldar tudo sob seu ponto de vista, egoísmo, inquietação, insatisfação, descontrole, nervosismo, ansiedade, falta de concentração, medo de novas experiências e de rejeição.

Em equilíbrio: Auto-estima, sensação de paz e harmonia, aceitação da vida e do próprio crescimento, valorização das conquistas interiores e exteriores.

Informações armazenadas no chakra: Poder pessoal, personalidade, senso de pertencimento. Desenvolvimento do ego. impulso de liderança, praticidade e trabalho.

Anahata chakra 

Localização: Na região do tórax, no centro do peito.

Cor: Verde para tonificar, relaxante do sistema nervoso. O Violeta para sedar.

Mantra: Yam (com atenção voltada ao coração)

Elemento: Ar – Auxilia no funcionamento dos pulmões e do coração.

Glândula: Timo

Regula: O amor, a compaixão, o perdão, a verdade e a gratidão. Intermedia os chakras superiores e inferiores, tendendo ao reequilíbrio do amor, altruísmo e compaixão.

Em desequilíbrio: Doação excessiva, desespero, ódio, inveja, medo, ciúmes, raiva, depressão, angústia, indiferença, brutalidade, frieza. 

Em equilíbrio: Amor, compaixão, confiança, inspiração, esperança, generosidade, calma, alegria e equilíbrio.

Informações armazenadas no chakra: Conexões com aqueles que amamos.

Vishuddha chakra 

Localização: Na garganta.

Cor: Azul. Celeste Atua como tranquilizante e é regenerador celular. Traz quietude e paz mental, estimula a busca da verdade, inspiração, criatividade, compreensão e fé. Está associado a paciência e à serenidade. Para sedar laranja ou violeta.

Mantra: Ham (concentrando-se na região da garganta)

Elemento: Os chakras superiores não representam um elemento específico. Mantém a presença dos 5 elementos, com três gunas (mente, intelecto e o “ser”)

Glândula: Tireóide

Regula: A comunicação interna e externa, consciência e crenças (no que acredita e se apega). Maneira como se expressa. Também sobre como aprende a assumir responsabilidades pelas suas necessidades.

Em desequilíbrio: Dificuldade de se comunicar, de se expressar e de tomar decisões. Insegurança, auto-crítica, timidez, medo da opinião alheia. Falta de autoridade.

Em equilíbrio: Livre expressão dos pensamentos, conhecimentos e sentimentos; criatividade na comunicação, comunicação clara e objetiva, eloquência, capacidade de ouvir com atenção, honestidade, fé, vontade e integridade.

Informações armazenadas no chakra: Autoconhecimento, verdade, atitudes, audição, paladar e olfato.

Ajña chakra 

Localização: No meio da testa, entre as sombrancelhas.

Cor: Violeta, que é tranquilizante, calmante e purificador. Clareia e limpa a corrente psíquica do corpo e da mente, afastando problemas de obsessão mental e psicose.

Mantra: Om

Elemento: Os chakras superiores não representam um elemento específico. Mantém a presença dos 5 elementos, com três gunas (mente, intelecto e o “ser”)

Glândula: Pituritária

Regula: A intuição e a consciência. Entendimento e não-julgamento. 

Em desequilíbrio: Rigidez mental, racionalidade excessiva, vaidade em relação a própria inteligência, medo da verdade, confusão, fixação por determinadas ideias

Em equilíbrio: Agilidade mental, mente aberta, capacidade de enxergar o todo, transcedência, intuição aguçada, discernimento, inteligência emocional.

Informações armazenadas no chakra: Capacidade de enxergar o todo, sabedoria, intuição, intelecto.

Sahásrara chakra 

Localização: No topo da cabeça.

Cor: Branca (engloba todas as cores do prisma)

Mantra: Sham

Elemento: Todos os elementos, inclusive o éter.

Glândula: Pineal

Regula: O reconhecimento da iluminação, o Si mesmo. Espiritualidade plena, manifestação do Divino. Viver o presente, o senso de integração com o todo, a sabedoria intuitiva. 

Em desequilíbrio: Falta de propósito, perda de identidade, medo de estar só, sentimento de separação do próprio “eu”.

Em equilíbrio: Confiança, abnegação, humanitarismo, devoção, inspiração, valores, ética. 

Informações armazenadas no chakra: Integração e conceito de todo.

 

Como estimular os chakras?

Os discos energéticos giram em sentido horário ou anti-horário, dependendo da qualidade energética de cada indivíduo. E existem muitas práticas que podem fazer os chakras girar em um sentido ou em outro.

Com o chakra girando em sentido horário a pessoa é menos suscetível a influências externas e não tem contato com energias negativas. É um irradiador, pois emite energia de dentro para fora, para os ocultistas é conhecido como uma pessoa “de corpo fechado”.

Quando o chakra gira no sentido contrário (anti-horário) ele capta energia externa, mantendo o corpo astral “aberto”. Girando nesse sentido se estimula a mediunidade e a sensitividade, a sensibilidade ao ambiente aumenta e a aptidão a mediunidade, a diagnósticos precisos e tem um poder maior de captação de energias negativas e miasmas energéticos. Quando o chakra gira no sentido anti-horário perde-se energia, e quem perde muita energia pode sobreviver da energia alheia por meio de uma relação de dependência chamada na metafísica de “vampirismo”.

Os métodos de estímulo dos chakras podem ser divididos em métodos internos: práticas que envolvam paz e meditação como Yoga, mantras, Karatê-Do, Tai-chi, Qi Gong, Aikidô ou até o Maithuna (Ritual do sexo tântrico). Os métodos externos são os passes e bençãos, massagens, acupuntura, moxa, reiki, geoterapia, cromoterapia, entre outros.

Em que chakra está sua consciência?

Cada um de nós tem uma consciência primária em algum chakra. Que define o nível de consciência que estamos e a maneira como vemos o mundo. Em todos os outros aspectos da nossa vida (emoções, sentimentos, pensamentos e impulsos) nós, dependendo do momento de vida, transitamos entre os chakras mas baixos ou mais elevados, porém a maneira como interpretamos nossas experiências, ou seja, nosso ponto de vista, vem do nível de elevação de consciência que temos.

Nós continuamos a ressoar nossa consciência nesse chakra até que tudo seja experimentado, absorvido, entendido e internalizado. E então estamos prontos para avançar um nível mais.

Cada chakra corresponde a um elemento específico e nossa consciência, ponto de vista, como nos expressamos e comportamento perante as situações são marcados pelas características de cada um deles.

 1 – TERRA: Nos dá a base para ficarmos de pé e para construirmos nosso lar. Se nossa consciência está no primeiro chakra temos a tendência a interpretar todas nossas experiências baseados no nosso instinto de sobrevivência. Vivem num nível puramente material.

2 – ÁGUA: Ela nos mantém vivos, nos limpa, e faz com que nossos sentimentos fluam. Pessoas com o nível de consciência no segundo chakra interpretam suas experiências de acordo com o impacto em seu corpo e sua vitalidade. Vivemos em um nível físico e sexual.

3 – FOGO: Nos esquenta e aquece nossas emoções. Aqui interpretamos nossas experiências pelas perspectivas do ego. Sentimos nossas emoções de forma intensa e nos identificamos fortemente com as normas da sociedade, ou do nosso grupo. Vivemos num nível individualista de ver as coisas.

4 – AR: Nos dá o primeiro suspiro de vida e nos ajuda a processar todas as experiências de maneira mais integrada. O ar conecta tudo na Terra. Pessoas com a consciência no quarto chakra enfatizam a empatia, o amor, a auto-expressão de nossas experiências. Lidam com as coisas de uma maneira mais conectada.

5 – ETHER: É o elemento mais avançado e símbolo da expansão e do espaço. No quinto chakra a comunicação, a expressão e a identidade são características muito importantes da sua experiência. É viver a vida na base da comunicação e da auto-consciência.

6 – AJÑA: O sexto e sétimo chakras são tão sutis que não tem elementos. No sexto chakra interpretamos nossas experiências em conexão com nossa mente e consciência. É a fase espiritual da vida.

7 – SAHASHARA: No último chakra nos conectamos com a experiência de preenchimento, entendimento do todo e iluminação. É o modo de vida baseado na coletividade.

Um exemplo: Imagine que a pessoa A tem a consciência do primeiro chakra e a pessoa B está no quarto chakra. Ambos vivem uma experiência baseada no terceiro chakra em uma situação de emoções intensas e de identificação com seu grupo.

A pessoa B iria encarar a situação sob a perspectiva de conectar os pontos e encontrar uma solução boa para todos enquanto a pessoa A iria se basear em seu instinto de sobrevivência para decidir o que fazer , buscando primeiro sua segurança material e individualidade (enfrentar, fugir ou paralisar) para depois pensar no grupo.

Grande parte das pessoas vivem com a consciência nos 3 primeiros chakras (sobrevivência, sexo/prazer e dinheiro/ego/poder). Com práticas do Tantra e consciência do seu corpo, mente e existência se pode elevar a consciência a novos níveis, e assim também aumentar a percepção do todo e de você mesmx em todos os sentidos.

Sushumna e a Órbita microcósmica

“No corpo humano existem centenas de milhares de canais sutis, mas os principais são de número 14. Destes, três são particularmente importantes: Ida (para a esquerda), Pingala (para a direita) e Sushumna (no centro). Destes três, sushumna sozinho é o mais elevado e amado dos iogues; todos os outros canais sutis são subordinados a ele. O canal Ida fica do lado esquerdo, enroscando-se à volta de sushumna e, indo para a narina direita. O canal pingala fica do lado direito, enrolado no canal central, indo para a narina esquerda. Aquele que conhece este microcosmo do corpo e experimenta seus mistérios alcança verdadeiramente o mais elevado estado de ser.” (Shiva Samhita)

O nosso principal canal energético que corre pela nossa espinha, chamado de Órbita microcósmica pelos taoístas, é chamado de Sushumna pelos yogis. O Sushuma corre desde a base da espinha, no coccyx, até o topo da sua cabeça. Esse canal flue para cima, passando por todos os seus chakras e retornando através da linha central da parte frontal do seu corpo.

Em ambos os lados do Sushumna existem mais dois canais energéticos, ou nadis, que na tradição Tântrica são chamados de Ida e Pingala. Ida representa a energia negativa, a energia feminina, da lua. A Pingala representa a energia positiva, masculina e do sol. Pela perspectiva do observador, a Ida fica do lado direito e a Pingala do lado esquerdo. Ambas começam no coccyx e fluem lado a lado para cima, circulando o Sushumna como se fosse uma cobra e, onde elas se cruzam são formados os 7 vórtices de energia ( principais chakras).

A respiração das narinas alternadas (vídeo abaixo) é muito boa para limpeza das nadis e consequentemente, estimulação de todos os chakras.

Consciência, desenvolvimento e crescimento são encorajados quando ativamos esses centros de energia e trazemos a Ida e a Pingala para sua união uma com a outra. E consciência para a sexualidade significa se aprofundar no seu prazer, sentindo ele de forma mais intensa e prolongada. Nós conseguimos isso se permitirmos que a energia kundalini suba pela nossa espinha (Sushumna) rompendo os bloqueios físicos e energéticos existentes em nosso corpo através de respirações, meditações, yoga, dança, artes marciais, massagens, exercícios, sexo…enfim…para o Tantra tudo pode ser uma alavanca para a iluminação, você somente precisa saber usá-la de forma consciente.

PRÁTICA: LIMPANDO E ESTIMULANDO OS CHACKRAS

 Com esse exercício você pode atingir mais clareza espiritual e energética. Se você preferir pode começar a sessão de cada chakra com a respiração das narinas alternadas. Essa respiração estimula todos os chakras e limpa as nadis (Ida e Pingala).

 1 – Deite-se confortavelmente e feche seus olhos. Sinta a gravidade puxando seu corpo e deixe ele relaxar e se aproximar mais do chão.

2 – Inspire pelo nariz e solte pela boca enquanto imagina sua energia fluindo e ativando seus chakras em cada expiração. Se concentre no seu fluxo de energia.

3 – Coloque as palmas das mãos no chão e, com uma inspiração profunda deixe seu corpo absorver o prana e imagine ele fluindo para seu primeiro chakra quando expirar. Visualize um fluxo de luz vermelha. Continue com esse processo por mais sete respirações profundas, lembrando sempre de inspirar pelo nariz e expirar pela boca.

4 – Agora coloque suas mãos mais ou menos 4 dedos abaixo do umbigo (segundo chakra. Com uma inspiração profunda deixe seu corpo se encher de vida. E quando você expirar imagine essa energia em forma de uma luz quente alaranjada fluindo em direção do segundo chakra. Repita 7x esse processo

5 – Agora coloque suas mãos na altura do diafragma (terceiro chakra). Com uma inspiração profunda deixe o prana entrar no seu corpo e a cada expiração imagine essa energia em forma de uma luz quente amarela alimentar esse chakra. Repita 7x esse processo.

6 – Agora coloque suas mãos no chakra cardíaco (no meio do peito). Respire profundamente e conscientemente, levando a energia cósmica para dentro do seu corpo. Quando expirar imagine essa energia fluindo para seu peito em forme de uma luz verde. Repita 7x

7 – Coloque uma mão em cima da outra na garganta. Com uma inspiração profunda sinta a energia cósmica entrando no seu corpo e, conforme expira sinta essa energia calorosa em forma de uma luz azul clara. Repita 7x.

8 – Coloque o dedo do meio de cada mão no centro de sua testa (entre as sobrancelhas). Com uma inspiração profunda absorva a energia da vida e permita que ela flua em forma de uma luz azul escura para o sexto chakra. Repita 7x

9 – Com sua mão esquerda toque o topo da sua cabeça e sua mão direita em cima da esquerda. Com uma inspiração profunda deixe entrar essa energia vital e com sua expiração direcione essa energia ao topo da sua cabeça em forma de uma luz branca e brilhante. Repita 7x.

10 – Agora descanse suas mãos ao lado do seu corpo e relaxe sentindo os efeitos da prática. Fique assim por uns 5 minutos.

11 – Sente-se em forma de meditação segurando seus tornozelos Agora você vai conectar todos seus chakras através da respiração.

12 – Com uma inspiração profunda visualize sua respiração subindo a partir do seu coccyx pela sua espinha (sushumna).

13 – E então visualize sua respiração descendo do topo da sua cabeça até o coccyx pela parte frontal do seu corpo enquanto expira.

14 – Deixe que esse ciclo de respirações fluam e se estabeleçam e forneçam energia em todo o seu ser.

15 – Para concluir, deite-se confortavelmente e sinta a energia fluir pelo seu corpo.

 Quando nós limpamos nossos chackras através do uso consciente da sexualidade nós criamos efeitos tangíveis na maneira como vemos e lidamos com todos os aspectos da nossa vida.

Terapia Tântrica: O que é e como funciona?

Terapia Tântrica: O que é e como funciona?

Quando falo para as pessoas que sou Terapeuta Tântrico suas expressões sempre mostram um misto de curiosidade com desconfiança. E uma série de perguntas vem em sequência. As primeiras questões são quase sempre referentes as massagens genitais, seguidas de como “aguento” não ficar excitado presenciando alguém em êxtase na minha frente.

Nesse post vou tratar da primeira parte: O que é a Terapêutica Tântrica, como funciona e o que esperar dela. Mais tarde escreverei outro artigo sobre o(a) Terapeuta Tântrico(a).

 

1. Terapia Tântrica não é Tantra.

 

Sim, apesar de as duas práticas compartilharem de uma mesma filosofia, é verdade.

Escrevi um artigo recente sobre o que é o Tantra como modo de vida (pode ler clicando aqui). A Terapêutica Tântrica usa de algumas teorias e práticas do Tantra para ajudar os interagentes a terem mais consciência de seus corpos e lidarem com suas sombras. Porém também utiliza de outras técnicas contemporâneas vindas da Bioenergética, PNL e psicoterapeutas corporais como Wilhelm Reich  ou sexólogos como Joseph Kramer.

Sob meu ponto de vista as técnicas desenvolvidas por esses visionários não são nada mais que a transmutação ocidental da filosofia oriental de como a energia flui em nosso corpo e como a energia sexual (aqui descrita não como a energia do sexo, mas também a energia que nos dá vitalidade, criatividade e vontade de viver) pode ser elevada afim de que se espalhe pelo corpo, ative os outros chackras e dissolva memórias não resolvidas de traumas, vivências e/ou limites construídos por uma educação e um modo de vida repressor em vários sentidos.

“A mensagem do TANTRA é que, nós deveríamos ter uma vida livre e natural, criativa e divertida, e não viver de uma maneira reprimida. Tantra aconselha a nos aceitar totalmente como nós somos, seguir com energia, bondade, amor e entendimento. Segundo o Tantra, todos nós somos bons por natureza, e só precisamos de um crescimento natural. Mesmo as más qualidades não são citadas aqui, como ruim ou do mal. Tudo é pro bem. Quando aceitamos nós mesmos na totalidade, o conjunto de bons e maus pontos, reorganizamos nós próprios, levando a uma maior harmonia, suavidade e agradáveis momentos.” (Osho)

O Tantra como filosofia abrange todos os aspectos da existência e prega a auto-consciência através de um modo de vida libertário e naturalista. Nada é certo ou errado para o Tantra, mas sim o que faz você ser você mesmo em sua essência. Sem sombras, repressões, tabus, fugas ou materialismos influenciando em seu estado de ser. A Terapêutica Tântrica deve seguir pelo mesmo sentido.

  

2. Prometendo Orgasmos trascendentais? Desconfie.

Vemos muita gente promovendo a Terapêutica Tântrica unicamente como um caminho para o prazer sem limites. Não falo que isso não possa acontecer, inclusive numa primeira sessão, porém muitas vezes as pessoas saem frustradas da sala de atendimento com uma expectativa não alcançada. Vincular a Terapia Tântrica com orgasmos, ao meu ver, é ter uma visão limitada de um leque muito amplo de possibilidades e desenvolvimentos.

Todos temos nossos bloqueios, tabus e limites. Todo ser-humano tem suas sombras e esses bloqueios devem ser analisados, respeitados e trabalhados para serem dissolvidos gradualmente.

Reich falava que uma pessoa só consegue chegar em seu pleno potencial orgástico quando tivesse dissolvido todas suas couraças. Portanto (de novo, sob meu ponto de vista) a capacidade orgástica é consequência de um trabalho corporal integrado, e não deve ser levado como objetivo.

Em meu trabalho de desenvolvimento corporal existem sessões em que não há toque no genital, inclusive não existe nudez. Porém essas práticas são tão importantes ou até mais para que o corpo comece a acordar para novas sensações.

Interagentes relatam que se sentem mais sensíveis com seus parceiros e começam a ter um dia-a-dia mais relaxado e otimista. Esse é o “orgasmo” real e transcendental, é levar a vida de maneira orgástica, reaprender a olhar para seu corpo de maneira orgástica. 

Porque, convenhamos, se tivéssemos um orgasmo do jeito que conhecemos por 5 minutos já estaríamos rezando para que ele acabasse. Rs

 

3. Então quer dizer que Terapia Tântrica não é a mesma coisa que Massagem Tântrica?

 

Não. As famosas massagens Yoni e Lingam são somente uma das técnicas que podem ser utilizadas para uma maior consciência corporal e elevação da energia sexual.

Junto com elas temos mais um sem número de massagens, muitas delas que não envolvem toque no genital, tampouco nudez. Temos também técnicas de respiração, práticas corporais e aproximadamente 112 meditações para serem usadas individualmente, em grupo ou em casal. 

Influenciado por descobertas e teorias de Freud, Jung, Reich, etc o Ocidente, mesmo sem querer, preparou o terreno para o Tantra, pois todos eles concordavam em um ponto: Que todas as insanidades contemporâneas em algum ponto estão relacionadas a sexualidade e que a insanidade básica do homem é orientada pelo sexo.

“Chuang Tsu ou Gautama Buda, nunca usaram terapia pois não havia necessidade. As pessoas estavam simplesmente prontas, e você podia plantar os brotos de rosa sem limpar o solo. O solo já estava limpo.

Nesses vinte e cinco séculos o homem ficou tão sobrecarregado de entulho, tantas ervas daninhas cresceram em seu ser que estou usando terapia apenas para limpar o terreno, remover as ervas daninhas, as raízes, para que a diferença entre o homem antigo e o moderno seja destruída.

O homem moderno precisa ser feito tão inocente, tão simples, tão natural como o homem antigo. Ele perdeu todas essas grandes qualidades. O terapeuta precisa ajudá-lo – mas seu trabalho é somente uma preparação. Não é o fim. A parte final vai ser a meditação.” (Osho)

Então existe sim muita diferença entre contratar uma sessão de massagem e um pacote terapêutico, onde questões muito mais profundas poderão ser trabalhadas. Em uma única sessão de terapia corporal tântrica algumas questões já podem vir a tona, mas as couraças mais antigas só serão derretidas com um trabalho contínuo de desenvolvimento preparada para atingir os objetivos específicos de cada indivíduo.

 Muitos falam que as massagens genitais são técnica milenares, mas por incrível que pareça foram criadas a não mais que 50 anos. Nenhuma das escrituras sequer mencionam técnicas de massagem para elevação da Kundalini.

 As técnicas de massagens genitais foram desenvolvidas na Alemanha da década de 70 e a massagem Lingam (no pênis) como conhecemos foi criada pelo sexólogo Joseph Kramer na década de 70, após ter contato com a massagem Essalen e se interessar pelo Tantra, Taoísmo e bioenergética. Além das teorias de Wilhelm Reich e Mantak Chia. Assim começou a estudar a sexualidade como uma fonte de energia.

 Na década de 80, em parceira com Annie Sprinkle, atriz pornô, prostituta e a primeira pornstar americana a concluir uma tese de doutorado sobre a situação as atrizes pornôs dos EUA, foi também criada a massagem Yoni (vagina). Massagem erótica com base na filosofia tântrica taoísta que mescla reflexologia, respirações e meditação para elevação da energia orgástica

 

4. O que esperar, ou melhor, o que não esperar de uma sessão?

 

Eu poderia ser pretensioso e escrever aqui várias coisas que você poderia esperar de uma sessão: Uma viagem as profundezas do seu ser, descobrir a lidar com suas sombras, ter maior consciência do seu corpo e do seu prazer ou até orgasmos incríveis. Mas a verdade é que você não deve esperar nada disso.

Agora você deve estar aí decepcionada(a) pensando “Como assim não devo esperar nada?”

Calma aí jovem!

Esperar algo gera expectativas e expectativas geram ansiedade, preocupação e frustração. Você já está careca de saber disso, pois é o que provavelmente você vive todos os dias.

O processo de desenvolvimento corporal e de sexualidade consciente varia de acordo com cada pessoa. Por isso cada sessão é única, individual e personalizada. No meu método de trabalho faço uma avaliação básica online e depois conversamos mais pessoalmente. E é chamada de terapia justamente por seu processo ordenado de práticas e evolução.

Todos temos sombras específicas que devem ser tratadas. Bloqueios mais ou menos antigos e enraizados a serem derretidos. Todos temos nosso tempo e nosso processo que devem ser respeitados.

Um mesmo toque pode trazer ondas de prazer a uma pessoa e memórias dolorosas não resolvidas em outra. Uma pessoa pode sair com pontos resolvidos ou certezas do que precisa trabalhar e outra com ainda mais dúvidas do que entrou.

O que você pode ter certeza é: você deu um passo essencial para superar seus limites, trabalhar com eles e ter uma vida de mais consciência, empoderamento e prazer.

Como esse desenvolvimento vai se suceder? Juntos vamos construir e descobrir essa jornada. 🙂

Mas e agora, o que não esperar de uma sessão?

  

1. Não existe terapeuta nú ou semi-nú.

Essa é com certeza a pergunta que mais recebo.

“Me sentiria mais confortável se você também estivesse nú.”

“Pelo menos você pode tirar a camiseta?”

“Queria algo mais tântrico. Tantra é sobre conexão de corpos não?”

Etc…etc…etc

Em todo nosso desenvolvimento sexual somos condicionados a atribuir nosso prazer a um terceiro. Quando, em uma roda de amigos, se conversa sobre o que dá mais prazer na cama a resposta mais comum é “Ver meu parceirx tendo prazer.”

A Terapia Tântrica em primeiro lugar trabalha seu corpo, seu prazer e sua energia. O terapeuta é só alguém que está te ajudando a trilhar esse processo e é importante ter consciência que TUDO que você está sentindo a sessão você pode conseguir sozinho(a). 

Então não faz sentido que o(a) terapeuta tire a roupa, porque a partir do momento que você transfere o seu prazer para o corpo de alguém toda o tratamento foi por água abaixo. Você está simplesmente repetindo um padrão erótico e está fazendo exatamente o mesmo de quando está assistindo a um filme pornô ou se imaginando com alguém enquanto se masturba. Ou fica admirando o prazer dx parceirx enquanto faz sexo, Você está transferindo suas sensações a um terceirx enquanto elas deveriam ser propriedades suas.

 

2. A Terapia Tântrica trata sua sexualidade, mas não envolve sexo.

 

Essa talvez seja a principal confusão das pessoas: Qual a diferença entre sexo e sexualidade? E qual a diferença entre a energia orgástica e o orgasmo como conhecemos?

A Terapia Tântrica trabalha sua sexualidade, e através dela pode sim melhorar sua vida sexual. Porém ela nunca irá ter viés sexual por si só. Também podemos listar isso como um dos motivos de não haver nudez por parte do terapeuta, a partir o momento que você transfere seu prazer a alguém que te atrai fisicamente você está sexualizando a prática terapêutica, voltando seu corpo e mente para padrões de sexualidade tóxicas que devem ser desconstruídos.

Mas voltemos ao significado das palavras sexo e sexualidade:

Sexo significa, além da classificação dos animais de acordo com suas genitálias, o ato do coito sexual. Sexo oral, sexo anal, sexo genital são todas modalidades de coito que envolvem duas ou mais pessoas de sexos iguais ou diferentes.

Já sexualidade tem um conceito muito mais complexo. Ela envolve um conjunto de reações biológicas, psicológicas e emocionais que, mesmo baseadas no instinto da reprodução, na prática tem funções muito mais amplas.

Por exemplo: Faz parte da sua sexualidade a maneira de como você se comunica com as outras pessoas. Como você se expressa, como você demonstra afeto, como demonstra seu prazer e seu desejo sexual.

Entendeu a diferença? 

Quando tratamos sua sexualidade tratamos de VOCÊ como indivíduo. E sua sexualidade influencia diretamente em como você faz SEXO com outras pessoas, ou em outras palavras, como se relaciona sexualmente com elas.

 

3. Esperar orgasmos do jeito que conhecemos.

Essa questão está diretamente relacionada a visão limitada que temos do sexo. Em uma sessão de Terapia Tântrica você pode experimentar vários tipos de orgasmos.

Alguns você nem categorizaria como um “orgasmo” tamanha diferença de sensações com o que você conhece como uma boa “gozada”.

Ou você também pode não ter nenhum. E está tudo bem.

Como falamos a capacidade orgástica está intimamente ligada a suas couraças e sombras e como elas podem ser tratadas. Mesmo com a massagem genital podem demorar algumas sessões para seu corpo se desenvolver, lidar com seus bloqueios e ficar mais sensível.

O fato é que: Com um terapeuta que realmente esteja direcionando corretamente sua energia você dificilmente terá um orgasmo como os que você conhece. Mas sim irá, aos poucos, experimentar todo o potencial do seu corpo e ressignificar seu conceito do que seria um “orgasmo”. Talvez ampliando ele para todas as esferas da sua vida e não somente a sexual.

 Tem mais perguntas sobre a terapia? Visite a sessão de Perguntas Frequentes do site. E caso tenha qualquer outra dúvida pode me escrever.:) 

Ok. Depois de toda essa explicação quais benefícios posso esperar das sessões?

 

Bom….ter consciência de você mesma(o), do seu prazer e do seu corpo é algo que não tem preço.

Quando você se empodera da suas emoções e do seu prazer você fica mais confiante e mais independente. Suas relações mudam, sua sexualidade muda, seu prazer aumenta. Você sabe o que quer e começa a comunicar isso de maneira clara e objetiva, você se conecta com sua essência. Problemas de ansiedade, depressão, relações abusivas e disfunções sexuais aos poucos vão ficando no passado. A vida fica mais leve, livre e simples.

Começar a se reconectar com seu corpo e sua essência muitas vezes não é fácil, pois para derreter algumas couraças muitas vezes temos que encarar sombras grande e pesadas.

Mas vela a pena, pois passado o sofrimento conseguimos enxergar a vida por outros ângulos. De forma mais feliz, natural, otimista e prazerosa.

Na maioria das vezes o interagente já percebe diferenças logo na primeira sessão, mas recomendo um pacote de pelo menos 5 atendimentos para um desenvolvimento corporal mais profundo e permanente, com práticas para se fazer em casa e continuar o trabalho sozinho entre sessões.

Você pode conferir outros benefícios nas páginas da sessões individuais e para casais. E para qualquer outra dúvida fique a vontade para enviar um e-mail ou whatsapp. 🙂

Alguns benefícios da Terapia Tântrica[/caption]

Espero ter explicado bem o que é a terapia tântrica e como, sob meu ponto de vista, funciona esse incrível método de desenvolvimento corporal. Assim como o Tantra como filosofia milenar, esse tipo de terapia tem várias vertentes. Portanto o método de trabalho de cada terapeuta pode variar drasticamente. Pesquise bem e converse com o terapeuta para garantir que sua sessão seja de um pleno desenvolvimento e foco em suas questões e objetivos.

 

Namastê.

 

 

Mas afinal, o que é esse tal de Tantra?

Mas afinal, o que é esse tal de Tantra?

Aqui no ocidente o conceito de Tantra está intimamente ligado a sex0, orgasmos múltiplos e transcendentais. Tem muita gente divulgando e prometendo mundos e fundos (e cobrando muito para isso) mudar drásticamente sua experiência quanto ao sex0. Essa é uma visão limitada e muito superficial de uma filosofia milenar que influenciou muitas práticas espirituais pela história.

Primeiro gostaria de ressaltar que estou expondo aqui minha visão sobre o Tantra, algo que construi pelos meus estudos e vivências. E quero descrevê-lo de uma maneira simples para que todos entendam. A filosofia tântrica é algo extenso e complexo, irei focar no conceito do que é o Tantra como filosofia e não adentrar em suas divindades, história, rituais ou simbologia. Em outros posts com certeza irei abordar isso.

Mas se não tem a ver com sexualidade o que é então?

O Tantra é uma filosofia milenar (alguns estimam que tenha cerca de 8 mil anos) que tem por características básicas ser matriarcal e desrepressora. Durante todos esses milênios a filosofia foi evoluindo, se segmentando e se modificando e hoje temos Tantra de várias vertentes, muitas vezes que seguem conceitos nitidamente contraditórios. É como na tradição cristã onde temos os protestantes, os católicos, os evangélicos, os adventistas, etc… Porém, assim como no cristianismo, todas as vertentes tântricas tem esse objetivo em comum: Expandir a consciência e libertar a energia primal do ser-humano (Kundalini) através de um vasto leque de ensinamentos práticos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 Despertar da consciência através da Kundalini.

 A base do Tantra é que, através das experiências do mundo material possamos alcançar a suprema consciência e a iluminação já que a nossa realidade está intimamente ligada a outra, mais sútil e superior, que está conectada com nossa própria natureza.

Ou seja, no Tantra nosso corpo é nosso Templo Sagrado e todos já somos Budhas (iluminados) e podemos alcançar esse estado através de um estilo de vida pleno, com técnicas de saúde, vitalidade e flexibilidade.

Tantra não é sex0

A principal questão entre as pessoas que converso sobre o Tantra, sejam amigos ou clientes, é a associação direta para com o sexo.

Infelizmente muitos profissionais promovem uma visão superficial e limitada e muitas vezes irresponsável do Tantra, talvez pela fascinação que uma filosofia desrepressora e naturalista ocasiona numa sociedade de cultura repressora e conservadora. Reduzindo-o a práticas para melhorar a potência sexual, melhorar e multiplicar os orgasmos e técnicas de sedução e para manter os relacionamentos.

“ Algumas pessoas têm me procurado solicitando informações sobre “aulas de Tantra”. Como não sei exatamente o que elas entendem por Tantra, fico me perguntando como poderia ajuda-las a encontrar o que buscam, ou a evitar as armadilhas em que se arriscam a cair.

Para começar, vamos dizer o que o Tantra não é.

O Tantra não é um guru mequetrefe prometendo orgasmos múltiplos e iluminação e cobrando mundos e fundos por isso. Tantra não é uma prostituta com nome de Deusa oferecendo serviços pela internet. Não é um grupo de alienados carentes se excitando e se alisando em nome da hiperconsciência. Não é sacanagem, nem infidelidade institucionalizada. Tantra não tem nada a ver com “soltar a franga”. Tantra não é tara.” (Pedro Kupfer)

Você já deve ter visto em leituras e nas redes sociais promessas de orgasmos que duram minutos e técnicas de como melhorar sua vida sexual sendo associado ao Tantra.

No livro “Tantra: Da Sexualidade a Iluminação” Otávio Leal fala:

“No ocidente, o Tantra é procurado principalmente por seus aspectos estéticos, mágicos, sexuais e levianos. São comuns fotos de posições sexuais, massagens superficiais e manuais de sexo tântrico serem confundidos com a totalidade e a riqueza desta tradição. Na verdade, a sexualidade é somente uma parte desta filosofia de extrema profundidade, tão mal estudada e pouco praticada.”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Quando se procura sobre “Tantra” no Google a maior parte das imagens remete a união sexual.

Dentro dos ensinamentos tântricos, ao contrário do que se crê, não existem quase menções ao ato sexual. Menos de 10% de todas as escrituras falam sobre isso. Existem algumas técnicas, como a retenção e reabsorção seminal (orgasmo seco) descritos nos textos da Hatha Yoga, por exemplo. Inclusive existem vertentes do tantra que pregam o celibato, que estudam a iluminação e canalização da energia sexual através da meditação. Essas técnicas influenciaram muito, por exemplo, nas práticas do Zen Budismo. O Dalai Lama, por exemplo, é um grande mestre tântrico.

Mas como que o Tantra chegou ao ponto de ter essa fama então?

Nos Estados Unidos da década de 60 surgiu um movimento chamado Neo Tantra, que foi responsável pela popularização de alguns ensinamentos tântricos, porem “adaptados” para a cultura ocidental, incentivando a visão sexual que o Tantra tem hoje. O sistema Neo-Tântrico fugiu da visão existencialista original e muitas vezes não trazem com clareza o que a filosofia oriental representa divulgando uma banalização do sexo e o incentivo a valorização do jogo da sedução nos relacionamentos.

A introdução dessa vertente é atribuída a Pierre Bernard , um ocultista e filósofo que criou uma “Ordem Tântrica” nos EUA em 1905. Pierre propagandeava, entre outras coisas, sua visão de que o sexo poderia ser utilizado como ferramenta para uma elevação espiritual.

Essa mescla de técnicas de massagens, manuais eróticos orientais como KamaSutra, Ayurveda, Yoga e arte erótica hindu, se propagou rapidamente pelo Ocidente sendo replicado e reinventado por mestres como Osho, Mantak Chia, Charles Muir, Margot Anand, Deva Nishok, etc. Essa vertente busca principalmente a melhora da experiência do ato sexual e ajudar as pessoas a terem melhores orgasmos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Apesar de na sua fase mais madura pregar que a iluminação plena pode ser alcançada através da meditação Zen o Osho ficou mais famoso pela propagação dos conceitos do Neo-Tantra.

Não me oponho a esses mestres e nem as suas técnicas, que são efetivas e realmente vem de práticas milenares adaptadas a cultura ocidental. Porém reduzir a filosofia tântrica ao êxtase sexual é superficial e parcial. O Tantra não é hedonista nem orgástico, seu objetivo é o despertar do potencial pleno do homem.

A visão do sexo para o Tantra

O sexo no Tantra é visto como algo natural e sagrado. É uma dos meios, através principalmente do Maithuna (ritual sexual tântrico) de se alcançar a iluminação através da elevação da Kundalini.

Portanto, para o Tantra, não existe sexo sujo, não existe o conceito de “certo” ou “errado” e nem depravado como a nossa sociedade judaico-cristã pensa.

Nós não nascemos do pecado, muito pelo contrário, nós fomos criados através de uma das maiores demonstrações de amor e conexão que podemos ter. Nosso corpo é sagrado e foi concebido através de um ato igualmente sagrado.

Infelizmente, para nós ocidentais, essa linha de pensamento naturista para com o sexo abre muitas portas para usarmos o Tantra como argumento e reprodução dos modelos machistas de dominância, de sedução e desculpas para traições, relações abusivas, orgias, etc… isso não é Tantra.

 

 

 

O Tantra lida com o sexo como uma manifestação natural, assim como tudo na vida.

Para o tantrismo a relação sexual é um momento em que os amantes se libertam do seu ego e estão em estado de meditação. Não existe nenhuma relação de dominância, as energia se equilibram e se misturam e a consciência está no momento, nas sensações. É quando há uma relação plena de confiança e respeito, vulnerabilidade e reverência um pelo outro. Um caminho de intimidade profunda. Quando o orgasmo genital deixa de ser prioridade e a conexão dos sagrados masculino e feminino prevalece.

E nesse ponto não existe homem ou mulher, não existe sagrado ou profano. Só existe o êxtase, a consciência e a iluminação.

Quando há uma relação abusiva e possessiva. De dominância, submissão, desconfiança, sofrimento, carência, raiva ou qualquer relação em que não haja equilíbrio entre a união dos divino masculino e feminino não é Tantra.

Osho dizia: “Deixe o sexo ser uma brincadeira.”

Se há algum manual para fazer sexo, ele não vai ser uma brincadeira. No sexo sagrado você tem que deixar seu ego e seu egoísmo de lado. Esquecer da sua potência, sua ereção, suas atitudes, seu corpo e sua performance. Você tem que estar relaxado suficiente para entrar num estado de “não-mente” e não ter script a seguir. O sexo sagrado é uma dança e uma celebração natural.

As práticas tântricas que usam do intercurso sexual não constituem o cerne da filosofia tântrica e, na maioria das vezes, são interpretadas de maneira errada pelo ocidental. Elas são praticadas com mais periodicidade nas escolas de “Esquerda” ou negativa do Tantra, aonde infelizmente, muitas das práticas se tornaram verdadeiras orgias, devido ao baixo nível espiritual dos seus praticantes.

Diferença entre “Controlar” e “Reprimir”

Para o Oriente as questões sobre sexualidade já são vistas sob uma ótica naturalista. A cultura oriental milenar de maneira geral buscam o controle da sexualidade. O ocidental reprime a sua sexualidade. Há uma diferença muito grande entre reprimir e controlar. Aquele que reprime seus desejos fica com eles o tempo inteiro na cabeça e perde o domínio sobre sua mente. Aquele que os controla é senhor de si mesmo, sabe a hora de expressá-los e de conte-los.

Existe uma linha tênue entre “desrepressão” e “descarregar a repressão”. Vejo muitas pessoas, inclusive pessoas dentro do mundo do tantra, utilizando dos conceitos do neo-tantra para justificar comportamentos que simplesmente reproduzem atitudes da nossa cultura machista, repressora e patriarcal sob o manto de um discurso bonito de liberdade e “desrepressão”. As pessoas que caem nesse discurso e se dispõem a ultrapassar seus limites para experimentar algo sem que seja plenamente de sua vontade geralmente sentem vergonha, frustração, culpa, dentre outros sentimentos negativos advindos da “ressaca moral” de fazer algo que, em sua essência, elxs não queriam intimamente experimentar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Praticar o tantra é dissolver o ego e encontrar sua essência.

Quando estamos realmente nos liberando dessas amarras não temos esse tipo de sentimento. O Tantra propicia o auto-conhecimento. E quando você se conhece você pode controlar suas energias, porque nada que não é conhecido pode ser controlado. Aí sim você vai realmente ter consciência do que lhe é conveniente e o que não é para você. E poderá experimentar o que quiser , sempre com amor, compaixão e respeito por você e pelo seu corpo.

“Esse conhecimento milenar, que é uma pérola da humanidade, está à disposição para que a gente utilize. Mas isso pode ser usado para o amor ou para a luxúria e muitas das experiências que eu tive nesse caminho de aprendizagem é como a luxúria se apropria de coisas bacanas. Com isso, muitas vezes repetimos padrões do sistema distorcido e patriarcal: dominação, egocentrismo, submissão da mulher e autoritarismo do homem. O que eu venho trazendo é uma visão mais crítica desse caminho, da auto-observação.” (Teo Balieiro)

Para finalizar, Tantra não é sobre sexo. É sobre consciência. Consciência da sua vida, de seus sentimentos, emoções e do seu corpo. Dentro desse bolo todo a sexualidade é uma energia forte que está naturalmente inclusa. E que quando conhecida e controlada, pode te levar a estados de amor, prazer e empoderamento e consciência elevadíssimos.

Tantra não é religião

O segundo assunto que mais me perguntam (depois da relação do Tantra com o sexo) é o “confrontar” com outras religiões. Ou de ser uma coisa “do demônio” principalmente pela visão equivocada de um Tantra hipersexualizado e libertino.

Apesar de algumas vertentes tântricas idolatrarem deuses hindus a filosofia em si os trata como uma força divina está dentro de você. Ou seja, a figura de Shiva como o criador do universo e a força passiva que cria e conecta tudo e todos e a figura de Shakti como a manifestação física e ativa desse todo podem ser interpretadas como as forças masculinas e femininas presentes dentro da gente. Seria como o nosso inconsciente, que registra nossas experiências e que se manifesta indiretamente através de nossas ações, bloqueios, valores e sentimentos.

O Tantra não tem restrições e pode ser seguido por fiéis de qualquer religião.

No íntimo, é uma escola que facilita a busca pelo autoconhecimento e o amadurecimento saudável, propõe transformações dos nossos limites, o aquietamento da mente e dos desejos do ego e a procura pelo reconhecimento de nossa iluminação, que já existe e está dentro de nós.

Ela não exclui qualquer mandamento ou código de conduta, o Tantra se adequa a cada uma delas.

Existem correntes que inclusive pregam o celibato (chamada de Tantra Branco ou caminho da mão direita), outras correntes pregam que a conexão sexual seja feita com o amor e entre pessoas que tenham a mesma vibração energética e uma intimidade profunda (chamado de caminho do meio). E também o caminho da esquerda, ou Tantra negro. Que fala que quanto menos intimidade e menos conhecermos nossos parceiros melhor para alcançarmos a iluminação.

Há outras especificidades dessas 3 escolas. Mas vou dedicar um post somente para isso.

O Tantra usa técnica e símbolos que facilmente se mesclam a outras religiões.

Enfim, o Tantra apresenta uma infinidade de crenças e técnicas e todas tem um mesmo objetivo e usam as mesmas ferramentas para atingi-lo: Mantras (sons de poder), yantras e mandalas (diagramas sagrados para meditação), chakras (centros de força vital), práticas de iniciação e purificação e um sistema ético que une e protege o grupo de praticantes.

Essas técnicas, ferramentas e práticas em nada excluem ou vão de oposição a qualquer manifestação de fé, inclusive podem se mesclar a elas. Por exemplo, em todas as religiões temos mantras, técnicas de meditação e mandalas próprias (como “Aleluia” e “Amém”, a oração e o sinal da cruz na tradição cristã). 

“O tantrismo é uma busca experimental que visa eliminar o sentido ilusório e conflitual de ser um ego. Separado, a fim de nos conduzir à consciência de nossa verdadeira realidade, que é eterna as nossas energias físicas, sexuais e mentais, ensinando-nos a ver caráter sagrado em toda a vida.
O Tantra é ciência pura. Você pode transformar a si mesmo, e essa transformação precisa de uma metodologia científica. As centenas de técnicas tântricas constituem a ciência da transformação.
O Tantra diz que não se pode mudar um homem, a menos que se dê a ele técnicas autênticas para mudar. Apenas pela pregação nada é alterado.
Tantra é o grande ensinamento. Pequenos ensinamentos dizem a você o que fazer e o que não fazer. Eles lhe dão os “10 Mandamentos”. Um grande ensinamento não lhe dá mandamento. Ele não cuida do que você faz. Ele cuida do que você é, do seu centro. Da sua consciência.
O Tantra diz para aceitar o que você é. Você é um grande mistério de energia multidimensional; aceite isso e mova-se com toda a energia, com profunda sensibilidade, atenção, amor e compreensão. Mova-se assim e então cada desejo torna-se uma ajuda para usa iluminação, então este próprio mundo é Nirvana, este próprio corpo é templo – Um Templo Sagrado.” (Osho)

Tantra é um estilo de ser

“A palavra Tantra tem uma definição profunda. Tan significa expansão, crescimento, cordão (tantu) e Tra é interpretado como alavanca ou ferramenta. Enfim, é uma ferramenta para expansão. Também pode ser descrito como tecer tecido, tecer a própria vida, expandir a consciência. E para isso o Tantra utiliza todos os corpos ou elementos do ser: corpo, mente, emoções, sexualidade, sombras, consciência, etc…” (Otávio Leal em seu livro “Tantra – Da sexualidade a iluminação”)

Ao contrário do que parece, viver o caminho do Tantra não é fácil. Somos criados para negar nosso corpo, para condenar nossos prazeres e a reprimir nossas emoções e vontades. Praticar o Tantra exige encarar suas sombras e aceitá-las, exige abrir mão do seu ego e se mostrar vulnerável. Exige estudo, dedicação, tempo e disciplina.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Conhecer a si mesmo perante todas as possibilidades exige muito estudo, dedicação, tempo e disciplina.

O ápice do Tantra é o reconhecer a Si mesmo, utilizando o mundo material e o corpo físico para esse reconhecimento. Nada é negado. Tudo pode ser um trampolim para a plenitude. Mas de nada adianta aproveitar todos os estímulos externos se não olhamos para quem somos.

A perseguição do tantrismo

O tantrismo foi historicamente muito perseguido e condenado, e ainda o é, pelo seu modo naturalista de ver as coisas. Ele foi perseguido na Índia primeiramente por não reconhecer o sistema de castas, por acreditar que o caminho da espiritualidade e do auto-conhecimento é para todos.

E também foi condenada pela sua visão para com a figura da mulher.

As outras filosofias e religiões dizem basicamente: “O Espírito é a Bem-Aventurança e o Homem é igual ao espírito. A Natureza (mundo material e fenomênico) é o sofrimento. E a Mulher é igual a Natureza.”

Para o Tantra a Mulher continua sendo associada a Mãe Natureza. Mas nesse caso a Natureza não é uma ilusão e nem um lugar pecaminoso onde você precisa conquistar a salvação para adentrar em um mundo espiritual superior. Muito pelo contrário, a Natureza é uma manifestação perfeita do Divino, assim o convívio e a associação com as mulheres sempre foram muito bem vistas, pois elas representam a Natureza Universal personificada.

O modo de vida do Tantra não busca o “Porque” e sim o “Como”.

Em vez de se preocupar com o motivo do sofrimento, se busca uma maneira de ser feliz, uma filosofia comportamental que estimula a descobrir quem você é e como ser pleno, maduro, liberto do ego, livre, energético e, dentro do possível, autossuficiente. Ele sacraliza tudo na existência: pessoas, animais, natureza, dança, música, alimentos, ciclos naturais, coisas simples do cotidiano e também o sexo, que tem como base o amor, a vitalidade e o compartilhamento.

O Tantra não é voltado só ao prazer comum, orgástico. É um caminho árduo de auto-conhecimento. Através de métodos práticos e técnicos, como posturas físicas (ásanas e yoga), respirações, concentrações, cuidados com a alimentação, e um universo de técnicas que se utiliza na vida como um todo de forma plena e libertária, o Tantra busca o reconhecimento da essência e do espírito.

 

Fontes:

Livro “Tantra – Da sexualidade a Iluminação” de Otávio Leal (Dyhan Prem)

“How the ancient Indian tradition of Tantra became all about sex and orgasms in the US “

“On Sacred Sex”

“O Tantra”

“O Tantra: Um Ilustre desconhecido”

“Tantra não é bem o que você está pensando — e tem tudo a ver com inovação”